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quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

28 de Janeiro - Santo Tomás de Aquino

Santo Tomás de Aquino nasceu perto de Nápoles em 1225. A sua família esperava vê-lo um dia abade do Monte Cassino onde ele fizera os seus estudos fundamentais. Mas o jovem Tomás preferiu a ordem mendicante que São Domingos tinha fundado am 1214 e entra em 1224 superando a oposição da sua família. Ele partiu então para Paris onde foi discipulo de Santo Alberto, o Grande, dominicano alemão cientista naturalista. Foi a primeira das longas viagens que Tomás de Aquino fez através da Europa. Morreu em 1274 na abadia Fossanova, em caminho para o concílio de Lyon.



HOMILIA DO CARDEAL TARCISIO BERTONE


NA INAUGURAÇÃO DO ANO ACADÉMICO DA
PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE DE SANTO TOMÁS DE AQUINO - ROMA



Adaptam-se bem a São Tomás de Aquino as palavras do Evangelho que acabámos de ouvir proclamar: "Quem portanto transgredir um só destes preceitos, mesmo mínimos [da Lei e dos Profetas], e ensinar aos homens a fazer o mesmo, será considerado mínimo no reino dos céus. Mas quem, ao contrário, os observar e os ensinar aos homens, será considerado grande no reino dos céus". Tomás começou de longe. O seu caminho foi longo. Sentia-se um apaixonado "filósofo cristão": "Por amor a ti estudei!".


Perseguia uma consciência que, mesmo servindo-se de princípios racionais e métodos filosóficos, se abandonava às inspirações que emanam dos "dogmas", trabalhava em contacto com eles, considerava-os hipóteses fecundas, servia-se das analogias que sugeriam e, mais do que outras coisas, sabendo que eram verdadeiras, imergia a sua mente de pensador no mistério do qual emergiam. Sabia valorizar as duas formas complementares de sabedoria: a filosófica, que se funda na capacidade que o intelecto possui, dentro dos limites que lhe são conaturais, de averiguar a realidade; e a teológica, que se funda sobre a Revelação e examina os conteúdos da fé, alcançando o mistério de Deus.


Protegia a sua inteligência, feita para a "santa verdade". Alimentava o recolhimento interior porque, dizia, quando a inteligência trabalha intensamente, a vontade e as suas capacidades afectivas tendem para enfraquecer. Tomás fazia sua a exortação do Livro da Sabedoria: "Por isso pedi, e foi-me dada a inteligência; supliquei, e veio a mim o espírito de sabedoria" (Sb 7, 7). Rezava incessantemente, ou prostrado ou ajoelhado, diante do altar.



Depois da sua permanência em Montecassino, em 1239, Tomás foi a Nápoles para prosseguir os seus estudos profanos: o Trívio e o Quadrívio e, como coroamento, a filosofia da natureza metafísica. Mas não aconteceu, diz ele, a não ser estimulado por uma paixão maior, a de chegar, através do movimentodo seu espírito e do seu coração, a aproximar-se, a servir, a contemplar o seu Senhor: "cui non appropinquatur passibus corporis sed affectibus mentis" (Summa Th. II II q. 24, art. 4).


A Igreja gostaria de possuir, distintos mas unidos, para um pensamento integral e compacto, dois elementos: a inteligência, filha de Deus, e o Verbo, sua imagem igual. Tomás teve uma e o Outro, de várias formas, de modo a poder fazer de uma profecia uma ciência e poder dizer com o Padre Clésissac: "Esta ciência mais não é do que a iluminação baptismal que se tornou consciente e progressiva" (Le mystère de l'Eglise, p. 7).



À sabedoria auto-suficiente do intelecto humano, que pretende ser regra absoluta, opõe-se a sabedoria que age no desígnio de Deus (cf. 1 Cor 1, 18-31). Se a primeira se baseia sobre o princípio "compreender para crer", a segunda procura ao contrário "crer para compreender". O racionalista aceita também passar toda a vida a discorrer sobre Deus; o homem de fé, ao contrário, reconhece a verdade de Deus (que se faz "verdade sobre o homem" com o seu projecto divino); e então é a verdade que se eleva sobre o trono e quem nele a colocou deve ser o primeiro a ajoelhar-se diante dela, para ser livre ("A verdade libertar-vos-á" Jo 8, 32).



A partir das primeiras páginas da sua Summa Theologiae o Aquinate quis mostrar a primazia daquela sabedoria que é dom do Espírito Santo e introduz ao conhecimento das realidades divinas. A sua teologia permite compreender a peculiaridade da sabedoria no seu vínculo estreito com a fé e com o conhecimento divino. Ela conhece por conaturalidade, pressupõe a fé e chega a formular o seu juízo recto a partir da verdade da própria fé: "A sabedoria elencada entre os dons do Espírito Santo distingue-se da que é colocada entre as virtudes intelectuais. De facto, esta adquire-se com o estudo: a primeira, ao contrário, "vem do alto", como se exprime São Tiago. Assim também se distingue da fé. Porque a fé aceita a verdade divina tal como é, enquanto que é próprio do dom de sabedoria julgar segundo a verdade divina".



A este ponto gostaria de recordar a intervenção que fez o então Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, Cardeal Joseph Ratzinger, em Outubro de 1999 durante o Sínodo dos Bispos para a Europa, a propósito da fé, do conhecimento de Jesus, de Deus e do nosso ser: "A fé dizia não é o resultado de um consenso maioritário, sempre frágil; a fé precede os nossos consentimentos e dissentimentos, é a pedra sobre a qual podemos construir a casa da nossa vida". E acrescentava: "A fé é uma, recebemo-la da Igreja única e universal, do nós universal dos discípulos de Cristo... A fé é uma fonte de conhecimento. Certas correntes da teologia de hoje procuram uma academicidade pura, consideram a fé um impedimento à cientificidade. Põe-se a fé entre parêntese. O desejo de ser compreensíveis a todos induz também a nós algumas vezes a pôr de lado a fé.



É bom traduzir a fé; é bom desenvolver uma pedagogia para a fé. Mas se, por motivos de oportunidade, deixarmos com muita frequência de lado a fé, a nossa palavra perde o sal, torna-se insignificante. A fé é o bem fundamental da Igreja, devemos fazê-la resplandecer e não escondê-la". A Pontifícia Universidade "Angelicum", funda as suas raízes sobre estes mesmos pressupostos. As Universidades eclesiásticas, de facto, estão chamadas a formar antes de tudo uma comunidade de vida que gera um "nós", o "nós" dos discípulos, chamado "Igreja". Este "nós" torna-nos amigos na pesquisa e "cooperadores da verdade".




Tomás de Aquino, estudante universitário, experimentou a riqueza e a fecundidade desta relação. Com vinte anos foi enviado pelos próprios superiores dominicanos com um objectivo bem estabelecido: frequentar a escola do grande mestre Alberto. Seguirá Santo Alberto Magno a Colónia, onde estudará de 1248 a 1252, um acordo sem regresso e sem retratações. É suficiente pensar na profunda emoção com que o idoso Alberto Magno regressou a Paris em 1277, para defender a memória e a obra de São Tomás de Aquino, injustamente condenado.



Também a vossa Universidade, está chamada a desenvolver um contexto de comunidade de pessoas, que une os responsáveis académicos, os professores dos vários graus, os estudantes, os administradores, os funcionários e todos os que participam directamente na vida da própria Universidade. Uma comunidade universitária verdadeiramente preocupada pelo bem comum. É uma experiência que deve ser cultivada e potenciada para um serviço eficaz à Igreja e à sociedade.



Neste caminho de estudo e de pesquisa, a razão precisa de ser apoiada por um diálogo confiante e por amizades sinceras. Por vezes também a pesquisa sincera dos jovens está circundada por um clima de suspeita e de desconfiança, que ressalta unicamente a crítica, esquecendo o ensinamento dos filósofos antigos, os quais consideravam a amizade como um dos contextos mais adequados para o recto filosofar. Numa sociedade que alcançou a profunda consciência da cooperação e da responsabilidade comum, é importante o trabalho de conjunto de uma comunidade, onde a seriedade e a cordialidade das relações, entre professores e estudantes, ampara cada um na tarefa específica.

ORAÇÃO

"Dê-me, Senhor, agudeza para entender, capacidade para reter, método e faculdade para aprender, sutileza para interpretar, graça e abundância para falar. Dê-me, Senhor, acerto ao começar, direção ao progredir e perfeição ao concluir” (2) “Três coisas são necessárias para a salvação do homem: saber o que deve crer, saber o que deve desejar, saber o que deve fazer” (3) “Ensinar alguém para trazê-lo à Fé é tarefa de todo e qualquer pregador, e até de todo e qualquer crente” (Santo Tomás de Aquino).

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

25 de Janeiro - Conversão de S. Paulo

A conversão de São Paulo Apóstolo
Por S.Santidade o Papa Bento XVI


"Queridos irmãos e irmãs!
A catequese de hoje será dedicada à experiência que São Paulo teve no caminho de Damasco e portanto ao que comumente se chama a sua conversão. Precisamente no caminho de Damasco, nos primeiros anos 30 do século I, e depois de um período no qual tinha perseguido a Igreja, verificou-se o momento decisivo da vida de Paulo. Sobre ele muito foi escrito e naturalmente sob diversos pontos de vista. O que é certo é que ali aconteceu uma mudança, aliás, uma inversão de perspectiva. Então ele, inesperadamente, começou a considerar "perda" e "esterco" tudo o que antes constituía para ele o máximo ideal, quase a razão de ser da sua existência (cf. Fl 3, 7-8). O


O que tinha acontecido? Em relação a isto temos dois tipos de fontes.


O primeiro tipo, o mais conhecido, são as narrações pela mão de Lucas, que por três vezes narra o acontecimento nos Actos dos Apóstolos (cf. 9, 1-19; 22, 3-21; 26, 4-23). O leitor médio é talvez tentado a deter-se demasiado nalguns pormenores, como a luz do céu, a queda por terra, a voz que chama, a nova condição de cegueira, a cura e a perda da vista e o jejum. Mas todos estes pormenores referem-se ao centro do acontecimento: Cristo ressuscitado mostra-se como uma luz maravilhosa e fala a Saulo, transforma o seu pensamento e a sua própria vida. O esplendor do Ressuscitado torna-o cego: assim vê-se também exteriormente o que era a sua realidade interior, a sua cegueira em relação à verdade, à luz que é Cristo. E depois o seu "sim" definitivo a Cristo no baptismo volta a abrir os seus olhos, faz com que ele realmente veja.


Na Igreja antiga o baptismo era chamado também "iluminação", porque este sacramento realça, faz ver realmente. O que assim se indica teologicamente, em Paulo realiza-se também fisicamente: curado da sua cegueira interior, vê bem. Portanto, São Paulo foi transformado não por um pensamento mas por um acontecimento, pela presença irresistível do Ressuscitado, da qual nunca poderá sucessivamente duvidar, dado que foi muito forte a evidência do acontecimento, deste encontro. Ele mudou fundamentalmente a vida de Paulo; neste sentido pode e deve falar-se de uma conversão. Este encontro é o centro da narração de São Lucas, o qual é possível que tenha usado uma narração que provavelmente surgiu na comunidade de Damasco. Leva a pensar isto o entusiasmo local dado à presença de Ananias e dos nomes quer do caminho quer do proprietário da casa em que Paulo esteve hospedado (cf. Act 9, 9-11).


O segundo tipo de fontes sobre a conversão é constituído pelas próprias Cartas de São Paulo. Ele nunca falou pormenorizadamente deste acontecimento, talvez porque podia supor que todos conhecessem o essencial desta sua história, todos sabiam que de perseguidor tinha sido transformado em apóstolo fervoroso de Cristo. E isto tinha acontecido não após uma própria reflexão, mas depois de um acontecimento importante, um encontro com o Ressuscitado. Mesmo sem falar dos pormenores, ele menciona diversas vezes este facto importantíssimo, isto é, que também ele é testemunha da ressurreição de Jesus, do qual recebeu imediatamente a revelação, juntamente com a missão de apóstolo. O texto mais claro sobre este ponto encontra-se na sua narração sobre o que constitui o centro da história da salvação: a morte e a ressurreição de Jesus e as aparições às testemunhas (cf. 1 Cor 15). Com palavras da tradição antiga, que também ele recebeu da Igreja de Jerusalém, diz que Jesus morto e crucificado, sepultado e ressuscitado apareceu, depois da ressurreição, primeiro a Cefas, isto é a Pedro, depois aos Doze, depois a quinhentos irmãos que em grande parte naquele tempo ainda viviam, depois a Tiago, e depois a todos os Apóstolos.


E a esta narração recebida da tradição acrescenta: "E, em último lugar, apareceu-me também a mim" (1 Cor 15, 8). Assim dá a entender que é este o fundamento do seu apostolado e da sua nova vida. Existem também outros textos nos quais se encontra a mesma coisa: "Por meio de Jesus Cristo recebemos a graça do apostolado" (cf. Rm 1, 5); e ainda: "Não vi eu a Jesus Cristo, Nosso Senhor?" (1 Cor 9, 1), palavras com as quais ele faz alusão a um aspecto que todos conhecem. E finalmente o texto mais difundido lê-se em Gl 1, 15-17: "Mas, quando aprouve a Deus que me reservou desde o seio de minha mãe e me chamou pela Sua graça revelar o Seu Filho em mim, para que O anunciasse entre os gentios, não consultei a carne nem o sangue, nem voltei a Jerusalém para ir ter com os que foram Apóstolos antes de mim, mas parti para a Arábia e voltei outra vez a Damasco". Nesta "auto-apologia" ressalta decididamente que também ele é testemunha verdadeira do Ressuscitado, tem uma missão própria que recebeu imediatamente do Ressuscitado.


Assim podemos ver que as duas fontes, os Actos dos Apóstolos e as Cartas de São Paulo, convergem e convêm sob o ponto fundamental: o Ressuscitado falou a Paulo, chamou-o ao apostolado, fez dele um verdadeiro apóstolo, testemunha da ressurreição, com o encargo específico de anunciar o Evangelho aos pagãos, ao mundo greco-romano. E ao mesmo tempo Paulo aprendeu que, apesar da sua relação imediata com o Ressuscitado, ele deve entrar na comunhão da Igreja, deve fazer-se baptizar, deve viver em sintonia com os outros apóstolos. Só nesta comunhão com todos ele poderá ser um verdadeiro apóstolo, como escreve explicitamente na primeira Carta aos Coríntios: "Assim é que pregamos e é assim que vós acreditastes" (15, 11). Há só um anúncio do Ressuscitado, porque Cristo é um só.


Como se vê, em todos estes trechos Paulo nunca interpreta este momento como um facto de conversão. Porquê? Existem muitas hipóteses, mas para mim o motivo é muito evidente. Esta mudança da sua vida, esta transformação de todo o seu ser não foi fruto de um processo psicológico, de uma maturação ou evolução intelectual e moral, mas vem de fora: não foi o fruto do seu pensamento, mas do encontro com Cristo Jesus. Neste sentido não foi simplesmente uma conversão, uma maturação do seu "eu", mas foi morte e ressurreição para ele mesmo: morreu uma sua existência e outra nova nasceu com Cristo Ressuscitado. De nenhum outro modo se pode explicar esta renovação de Paulo. Todas as análises psicológicas não podem esclarecer e resolver o problema. Só o acontecimento, o encontro forte com Cristo, é a chave para compreender o que tinha acontecido: morte e ressurreição, renovação por parte d'Aquele que se tinha mostrado e tinha falado com ele. Neste sentido mais profundo podemos e devemos falar de conversão. Este encontro é uma renovação real que mudou todo os seus parâmetros. Agora pode dizer que o que antes era para ele essencial e fundamental, se tornou agora "esterco"; já não é "lucro", mas perda, porque agora só conta a vida em Cristo.


Contudo não devemos pensar que Paulo assim se tenha fechado num acontecimento cego. É verdade o contrário, porque Cristo Ressuscitado é a luz da verdade, a luz do próprio Deus. Isto alargou o seu coração, tornou-o aberto a todos. Neste momento não perdeu o que havia de bom e verdadeiro na sua vida, na sua herança, mas compreendeu de modo novo a sabedoria, a verdade, a profundidade da lei e dos profetas, e delas se apropriou de modo novo. Ao mesmo tempo, a sua razão abriu-se à sabedoria dos pagãos; tendo-se aberto a Cristo com todo o coração, tornou-se capaz de um diálogo amplo com todos, tornou-se capaz de se fazer tudo em todos. Assim podia ser realmente o apóstolo dos pagãos.


Voltando a nós, perguntamo-nos o que significa isto para nós? Significa que também para nós o cristianismo não é uma nova filosofia ou uma nova moral. Somos cristãos unicamente se encontramos Cristo. Certamente Ele não se mostra a nós deste modo irresistível, luminoso, como fez com Paulo para fazer dele o apóstolo de todas as nações. Mas também nós podemos encontrar Cristo, na leitura da Sagrada Escritura, na oração, na vida litúrgica da Igreja. Podemos tocar o coração de Cristo e sentir que Ele toca o nosso. Só nesta relação pessoal com Cristo, só neste encontro com o Ressuscitado nos tornamos realmente cristãos. E assim abre-se a nossa razão, abre-se toda a sabedoria de Cristo e toda a riqueza da verdade. Portanto rezemos ao Senhor para que nos ilumine, para que nos doe no nosso mundo o encontro com a sua presença: e assim nos conceda uma fé viva, um coração aberto, uma grande caridade para todos, capaz de renovar o mundo."

Mais artigos sobre São Paulo - clique aqui !

O que é Santidade?

"Ser santos significa parecer-se com Jesus Cristo em tudo: pensamentos, sentimentos, palavras e ações. O traço mais característico da santidade é a caridade (amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo), que dá forma a todas as virtudes: humildade, justiça, laboriosidade, castidade, obediência, alegria... É uma meta a que todos os batizados são chamados, e que só é alcançada no Céu, depois de lutar a vida inteira, contando com a ajuda de
Deus."

fonte: Opus Dei

domingo, 11 de janeiro de 2009

Festa da Sagrada Família

Festa da Sagrada Família


Não nos parece deste tempo a família de Nazaré, de Jesus, de Maria e José. Temos, afinal, uma Virgem que é Mãe. Um Pai, chamado a sê-lo, por adopção. Um Filho Único, com tantos irmãos. Diríamos que em Nazaré, os laços de sangue, correm pelas veias da fé. Maria e José, tão distintos, encontram-se plenamente no olhar cruzado das suas vidas, sobre o mistério do seu filho Jesus. Os seus corações entrelaçam-se, fortemente, nesse único fio da vontade de Deus, a que se entregam inteiramente, de corpo e alma, seja na luz da noite, seja na obscuridade de cada dia. Na família de Nazaré, o sangue parece o elo mais fraco. E a fé torna-se o elo mais forte, pelo qual se unem e se encontram cada uma das pessoas, todas elas centradas no único desejo comum de cumprir fielmente a vontade de Deus e de realizar o seu projecto.


Esta dimensão da fé precisa hoje de ser muito cuidada pelas nossas famílias. Num tempo, em que os próprios laços de sangue, parecem já não fundar a autoridade dos pais, nem resistir ao assédio do amor-próprio, é preciso unir a família, fundando-a em alicerces bem mais firmes. Cristo, nas suas próprias palavras, se apresentou, um dia, como a «rocha» (Mt.7,24) e fundamento desta construção familiar, que precisa de assentar em valores eternos, para encontrar o seu verdadeiro suplemento de alma.


Nesse sentido, queria hoje lembrar às famílias o seu primeiro, irrenunciável e insubstituível papel na experiência e na educação da Fé. Foi aliás esse o compromisso assumido no dia do matrimónio: «Estais dispostos a receber os filhos, como dom de Deus e a educá-los, segundo a lei de Cristo e da Santa Igreja», pergunta-se aos noivos. E no dia do Baptismo dos filhos, são interrogados os pais: «Pedistes o batismo para o vosso filho. Deveis educá-lo na fé, para que, observando os mandamentos, ame a Deus e ao próximo, como Cristo nos ensinou. Estais conscientes deste compromisso»?


O «sim» dado, em uma e outra circunstância, destina-se a transformar a família, numa Igreja doméstica, verdadeira e primeira escola de vida evangélica, onde os filhos possam crescer, como o Menino, “em sabedoria, em santidade e em graça” (Lc.2,52).



Nesta Educação da Fé, tem lugar privilegiado a oração familiar a oração feita em comum, marido e esposa, pais e filhos, juntos. É uma oração que deve partir sobretudo da própria vida de família, em todas as suas diversas fases: alegrias e dores, esperanças e tristezas, nascimento e festas de anos, aniversários de casamento dos pais, partidas, ausências e regressos, escolhas importantes e decisivas, a morte de pessoas queridas, etc. Rezando, muito particularmente nesses momentos, todos perceberão melhor quanto eles assinalam a intervenção do amor de Deus, na história de cada família, assim como devem marcar o momento favorável para o silêncio, para a acção de graças, para a súplica, para o abandono confiante da família ao Pai que está nos céus.

É maravilhoso descobrir a proximidade de Deus numa família que aprende a rezar. Jesus nunca mais se esquece de nós, conhece e partilha todas as nossas dificuldades, acompanhar-nos-á nos nossos esforços para aprendermos a dialogar com o Pai. A Oração de um pai e de uma mãe, em união com os filhos, é portanto uma ocasião excepcional para fazer a experiência da extraordinária proximidade de Deus.


Só rezando em conjunto com os filhos, o pai e a mãe, educam para a oração; só assim, entram na profundidade do coração dos filhos, deixando marcas que os acontecimentos futuros da vida não conseguirão fazer desaparecer. Dedicar um espaço diário à oração em família é compreender que o encontro com Deus é o acontecimento mais importante e significativo de cada um dos nossos dias.

Deixai então que vos pergunte: «Pais, ensinais e rezais com os vossos filhos, as orações do cristão, a começar pelas fórmulas mais simples, do Pai Nosso, da Avé Maria, do Glória, do Anjo da Guarda? Além das brevíssimas orações da manhã e da tarde, e para já não falar da leitura e meditação da Palavra de Deus, porque não tentar a simples bênção da mesa, sobretudo ao domingo e em dias festivos? No respeito pela liberdade dos filhos de Deus, é de sugerir aqui também a recitação do Terço do Rosário, “como ajuda eficaz para conter os efeitos devastantes desta crise de valores da nossa época”.

O Rosário por ser, de certo modo, uma oração repetitiva, acaba por criar um clima adequado de oração, que se faz ao ritmo dos batimentos e do respirar do próprio coração. Por ser uma oração, a mais sabida e conhecida, facilita mais a participação de todos os membros, a uma só voz. Por estar tão ligada à meditação dos episódios da vida de Jesus, torna-se uma espécie de “compêndio do evangelho”


Há que rezar bem em casa, para se rezar melhor com a Igreja. Rezar bem na Igreja, para rezar melhor em casa. Encontramos hoje crianças – e não são outras senão as vossas - que chegam ao primeiro ano da Catequese, sem nunca terem feito qualquer experiência de oração. Crianças, que nunca tiveram um minuto de silêncio em casa, para uma breve paragem ou miragem, para olhar um crucifixo, para beijar uma imagem, para pedir uma bênção para o dia que têm pela frente, ou para agradecer um dia que passou, ou enfim para interceder por alguém, que precisa de apoio. Ora é na família que deve ter lugar a prática inicial da oração, de modo a facilitar a própria participação na Oração litúrgica de toda a Igreja.


O que também – diga-se - é, de todo, impossível se a família, pouco a pouco, não leva as suas crianças a participar na Eucaristia dominical. E essa é a forma mais prática de os educar quanto à forma de entrar na Igreja, em silêncio e sem correr, quanto ao modo de venerar o altar, de reverenciar a cruz, de ajoelhar e a saudar Jesus, presente no sacrário. A própria família, nos seus passeios e férias, ao visitar uma Igreja, deve aproveitar a circunstância para advertir os filhos da diferença daquele lugar. E ali rezar com eles.


Para tudo isto, é preciso começar por um silêncio, no qual se oiça a funcionar o motor do frigorífico ou o tic-tac dos ponteiros do relógio ou o bater leve da chuva na vidraça ou até o latir dos cães lá fora. Para depois ouvir, quiça na cadência ritmada de algumas poucas avé-marias, o respirar do próprio Senhor, o som dos Seus passos, no jardim da nossa vida, nos cantos e recantos da nossa casa.


Que Jesus, Maria e José abençoem as nossas famílias e as ensinem a rezar, sem desanimar. Recordai: deste modo construís a vossa família como Igreja Doméstica. E a Paz de Cristo correrá como um rio e reinará para sempre em vossos corações. Assim seja.

Jesus, Maria e José, salvai as nossas famílias !

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Manifestação do Senhor aos Magos do Oriente

Manifestação do Senhor aos Magos do Oriente
QUEM ERAM OS MAGOS ?

Epifania, palavra grega que significa: “manifestação, aparição”.Jesus se manifesta aos povos através dos magos. A tradição diz que eram reis, mas provavelmente eram sábios dedicados aos estudos dos astros. (Por isso disseram: “vimos sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo”).Certamente muitos outros viram esta estrela, mas somente eles a seguiram.


Seus nomes: Gaspar, Baltazar e Melquior. Gaspar seria negro. Jesus veio para todos: os primeiros a visitar Jesus foram os humildes pastores, depois o contraste: os magos do Oriente. Os magos simbolizam homens e mulheres que buscam a Deus. Jesus não é privilégio de nenhuma raça, de nenhum grupo. O reino não efeito de gente que fica esperando, mas, de indivíduos que decidiram caminhar em direção à estrela que é Cristo.


Herodes ameaça matar Jesus. Ele ainda hoje é rejeitado pelos grandes que se sentem ameaçados com sua proposta de justiça e fraternidade. Fazem como Herodes: “se interessou” por Jesus, mas para matá-lo.b)

OS PRESENTES.

Os magos encontraram o menino e lhe ofereceram presentes. “E, abertos seus cofres, ofereceram ouro, incenso e mirra”. Ouro, próprio dos reis. Incenso, Deus. Mirra, ungüento amargo para curar as feridas e embalsamar os mortos, simbolizam um Deus que sofre. Nós também podemos oferecer simbolicamente estes presentes:O ouro de nossas boas obras.O incenso de nossas orações.

A mirra, nossa vida de sofrimento, de nossos pecados, para que Ele nos perdoe, e nos dê um coração novo.Avisados por um anjo, mudaram de caminho. Assim, quem encontra verdadeiramente a Jesus não retorna ao mesmo caminho. A mudança de rota significa conversão, mudança de vida. A tradição nos diz que eles se converteram e ensinaram o evangelho em suas terras.


POÇO DE NAZARÉ.

São Gregório de Tours (séc, VI) conte, que, no pavimento da abside da Igreja da Natividade, em Belém, havia um grande poço, onde Maria teria buscado água. Segundo a tradição, a estrela que conduziu os magos teria terminado ali sua corrida. Este poço, que na realidade, era uma cisterna, era bem conhecido pelos Cruzados, que constituía, por assim dizer, o sinal distintivo da cidade: “Belém, onde nasceu Jesus, com o poço onde desceu a estrela depois de ter conduzido os reis magos para adorar o Menino...”2)


CAMINHA, CAMINHA.

Este é o nome de um filme de l983, no qual o autor recrimina os três reis magos pelo fato de não permanecerem em Belém e recusaram tornarem-se discípulos do grande Rei: encontravam simbolizados neles a traição, a incoerência entre a teoria e a prática, e, sobretudo, o fácil esquecimento de Deus, depois de tê-lo reconhecido. No entanto, nestes magos, quanta fé, quanta perseverança que desafia o materialismo de todos os tempos. Quem de nós, hoje, se colocaria a caminho para seguir uma estrela?


O REI QUE CHEGOU ATRASADO.

Segundo a tradição, são três os magos. Outros acham que foram mais e até um deles saiu atrasado. Por quê? Parou dezenas de vezes para socorrer os necessitados. Atendeu um doente abandonado; deu água de seu cantil a sedentos; repartiu comida com os famintos; deu seu próprio manto a um pobre com frio; resgatou com seu dinheiro um escravo, deu sua própria coroa. Afinal chegou, trêmulo e envelhecido a Jerusalém. Era uma sexta feira. Silêncio total na cidade. Tinham crucificado um homem que só fizera o bem. A cruz ainda estava no local. Chorou junto à cruz vazia: “vim para ver o Messias, mas perdi minha viagem”. Avistou, então, um homem vestido de branco que lhe disse: “Poe que chora?”. E ele contou as vezes que parou no caminho. “Se foi por isso – disse o homem de branco – você se encontrou com Jesus todas às vezes. O que você fez a esses pequeninos foi a mim que o fez. Vá em paz!”.

Escrito por Pe. Írio Rissi - CMF

fonte : www.cordemaria.com.br

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Festa da Epifania do Senhor


Celebramos hoje Cristo, Luz do mundo, e a sua manifestação às nações. No dia de Natal a mensagem da liturgia ressoava assim: "Hodie descendit lux magna super terram Hoje uma grande luz desce sobre a terra" (Missal Romano). Em Belém, esta "grande luz" apareceu a um pequeno grupo de pessoas, um minúsculo "resto de Israel": a Virgem Maria, o seu esposo José e alguns pastores. Uma luz humilde, como faz parte do estilo do Deus verdadeiro; uma chama pequena acendida na noite: um frágil recém-nascido, que geme no silêncio do mundo... Mas aquele nascimento escondido e desconhecido era acompanhado pelo hino de louvor pelas multidões celestes, que cantavam glória e paz (cf. Lc 2, 13-14).


Assim aquela luz, mesmo se modesta ao aparecer sobre a terra, projectava-se com poder no céu: o nascimento do Rei dos Judeus tinha sido anunciado com o surgir de uma estrela, visível de muito longe. Foi este o testemunho de "alguns Magos", que do oriente foram a Jerusalém pouco depois do nascimento de Jesus, no tempo do rei Herodes (cf. Mt 2, 1-2). Mais uma vez se reevocam e se respondem o céu e a terra, a criação e a história. As antigas profecias encontram confirmação na linguagem dos astros. "Uma estrela sai de Jacob, e um ceptro flamejante surge do seio de Israel" (Nm 24, 17), tinha anunciado o vidente pagão Balaão, chamado a amaldiçoar o povo de Israel, e que ao contrário o abençoou porque revelou-lhe Deus "aquele povo é abençoado" (Nm 22, 12).


O acontecimento evangélico que recordamos na Epifania a visita dos Magos ao Menino Jesus em Belém remete-nos assim para as origens da história do povo de Deus, isto é, para a chamada de Abraão. Estamos no capítulo 12 do Livro do Génesis. Os primeiros 11 capítulos são como grandes afrescos que respondem a algumas perguntas fundamentais da humanidade: qual é a origem do universo e do género humano? De onde vem o mal? Por que há diversas línguas e civilizações? Entre as narrações iniciais da Bíblia, encontra-se uma primeira "aliança", estabelecida por Deus com Noé, depois do dilúvio. Trata-se de uma aliança universal, que se refere a toda a humanidade: o novo pacto com a família de Noé é ao mesmo tempo pacto com "toda a carne". Depois, antes da chamada de Abraão encontra-se outro afresco muito importante para compreender o sentido da Epifania: o da torre de Babel.


O Texto sagrado afirma que na origem em "toda a terra havia somente uma língua e empregavam-se as mesmas palavras" (Gn 11, 1). Depois os homens disseram: "Vamos construir uma cidade e uma torre cuja extremidade atinja os céus. Assim, tornar-nos-emos famosos para evitar que nos dispersemos por toda a face da terra" (Gn 11, 4). A consequência desta culpa de orgulho, análoga à de Adão e Eva, foi a confusão das línguas e a dispersão da humanidade sobre toda a terra (cf. Gn 11, 7-8). Isto significa "Babel", e foi uma espécie de maldição, semelhante à expulsão do paraíso terrestre.



A chegada dos Magos do Oriente a Belém, para adorar o recém-nascido Messias, é o sinal de manifestação do Rei universal aos povos e a todos os homens que procuram a verdade. É o início de um movimento oposto ao de Babel: da confusão à compreensão, da dispersão à reconciliação. Percebemos assim um vínculo entre a Epifania e o Pentecostes: se o Natal de Cristo, que é a Cabeça, é também o Natal da Igreja, seu corpo, nós vemos nos Magos os povos que se agregam ao resto de Israel, prenunciando o grande sinal da "Igreja poliglota", realizado pelo Espírito Santo cinquenta dias depois da Páscoa.


O amor fiel e tenaz de Deus, que nunca falta à sua aliança de geração em geração. É o "mistério" do qual fala São Paulo nas suas Cartas, também no trecho da Carta aos Efésios há pouco proclamado: o Apóstolo afirma que "por revelação me foi dado conhecer o mistério que acabo de vos expor" (Ef 3, 3) e ele está encarregado de o dar a conhecer. Este "mistério" da fidelidade de Deus constitui a esperança da história. Sem dúvida, ele é contrastado por impulsos de divisão e de subjugação, que dilaceram a humanidade por causa do pecado e do conflito de egoísmos.



A Igreja está, na história, ao serviço deste "mistério" de bênção pela humanidade inteira. Neste mistério da fidelidade de Deus, a Igreja desempenha plenamente a sua missão unicamente quando reflecte em si mesma a luz de Cristo Senhor, e assim ajuda os povos do mundo no caminho da paz e do progresso autêntico. De facto, permanece sempre válida a palavra de Deus revelada por meio do profeta Isaías: "... a noite cobre a terra e a escuridão os povos; mas sobre ti levantar-se-á o Senhor, a sua glória te iluminará" (Is 60, 2). Aquilo que o profeta anuncia a Jerusalém, realiza-se na Igreja de Cristo: "As nações caminharão à tua luz, os reis, ao resplandecer da tua aurora" (Is 60, 3).



Há necessidade de uma esperança maior, que permita preferir o bem comum de todos ao luxo de poucos e à miséria de muitos. "Esta grande esperança só pode ser Deus... não um deus qualquer, mas aquele Deus que possui um rosto humano" (Spe salvi, n. 31): o Deus que se manifestou no Menino de Belém e no Crucificado-Ressuscitado. Se há uma grande esperança, pode-se preservar na sobriedade. Se falta a verdadeira esperança, procura-se a felicidade no êxtase, no supérfluo, nos excessos, e arruína-se a si mesmo e ao mundo. A moderação não é então só uma regra ascética, mas também um caminho de salvação para a humanidade. Já é evidente que só adoptando um estilo de vida sóbrio, acompanhado do compromisso sério por uma distribuição equitativa das riquezas, será possível instaurar uma ordem de desenvolvimento justo e sustentável.


Por isso, há necessidade de homens que tenham grande esperança e possuam muita coragem. A coragem dos Magos, que empreenderam uma longa viagem seguindo uma estrela, e que souberam ajoelhar-se diante de um Menino e oferecer-lhe os seus dons preciosos. Todos temos necessidade desta coragem, ancorada numa esperança firme. No-la obtenha Maria, acompanhando-nos na nossa peregrinação terrena com a sua materna protecção. Amém!


S.S. Bento XVI

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sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

02 de Janeiro - Santísismo Nome de Jesus


O Santíssimo Nome de Jesus

A devoção ao Santíssimo Nome de Jesus, já arraigada na Igreja desde os seus alvores, foi pregada e inculcada de modo particular por São Bernardo, por São Bernardino de Sena e pelos Franciscanos, os quais difundiram pequenos quadros trazendo as letras do Nome de Jesus. Em Camaiore di Luca, na Itália, começou-se a celebrar a festa, depois de aprovada para a Ordem dos Franciscanos (1530) e sob o pontificado de Inocêncio XIII (1721), estendida a toda a Igreja.

O próprio Deus revelou o Nome a ser imposto ao Verbo Encarnado, para significar a sua missão de Salvador do gênero humano. O SS. Nome de Jesus é o divino poema que exprime da maneira mais sublime o que pôde encontrar a sabedoria e a misericórdia divinas para salvar a humanidade decaída. É um nome grande e eterno, poderoso e terrível, vitorioso e misericordioso, o único que nos pode salvar. É melodia para o ouvido, cântico para os lábios e alegria para o coração... "Ilumina, conforta e nutre; é luz, remédio e alimento" (S. Bernardo).

Jesus é o mais fiel amigo da alma; é o benfeitor mais generoso, que por ela se imola sobre o altar, por ela entrega-se sem reservas e se oferece em alimento e sustento. É o advogado mais poderoso, que cuida incessantemente de seus interesses junto do Pai; é "título de eterna predestinação". Nutramos o mais terno amor pelo Nome de Jesus, tenhamos nele a mais total confiança, por ele o mais profundo respeito, para ele o canto mais sublime. Invoquemo-lo nas tentações, nas provas e nos perigos e pronunciemo-lo freqüentemente durante o dia. Ao lado do Nome de Maria, seja a primeira palavra da manhã e a derradeira da tarde.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Festa da Circuncisão de Nosso Senhor


Festa da Circuncisão de Nosso Senhor Jesus Cristo


Considerações sobre a infância de Jesus

De acordo com a lei judaica, oito dias após seu nascimento, os meninos deveriam submeter-se à circuncisão - cerimônia figurativa do Batismo. Nesta oportunidade é que recebiam um nome. Obediente à lei, Jesus - o Senhor, acima de toda a lei - foi, também, como qualquer judeu, circuncidado. Pois Ele veio para ensinar - e, por isso, em tudo, nos deu exemplo.

E toda a sua vida é uma lição de amor. Com oito dias de vida, ao ser circuncidado - obediente à lei judaica - derramou uma gota de sangue. No fim de sua vida - obediente até a morte - até à última gota, derramou todo o Seu sangue. Por causa de nosso orgulho. E de nosso desamor.

O nome de Jesus

Na hora da circuncisão, "foi-lhe posto o nome de Jesus, como o havia chamado o Anjo, antes de ser concebido". Jesus, que quer dizer Salvador. Por isso escreveu S. Paulo: "Que ao nome de Jesus todo o joelho se dobre no céu, na terra e no inferno" (Fl 2, 10).

Antes, já escrevera o Salmista: "Eu vos louvarei, Senhor Deus meu, com todo o meu coração, e glorificarei o vosso nome eternamente, porque vós, Senhor, sois suave e manso e de muita misericórdia para todos os eu vos invocam" (Sl 85, 12 e 5).

Jesus é, também, o Cristo, o Ungido, o Sacerdote e Vítima. E o Salvador. Salvador será sempre o Seu nome. E a cruz, o seu símbolo mais perfeito. Mas o peixe também O simboliza.

Na Igreja primitiva, o título completo de Jesus, em grego, era Jesus Cristo Deus Filho Salvador, cujas iniciais (em grego) formam a palavra peixe. Por esse motivo, no ano 200, referindo-se ao Batismo, Tertuliano escreveu: "Nós (os cristãos), a exemplo de nosso Jesus Cristo, nascemos na água, como pequenos peixes".

Purificação de Maria e Apresentação de Jesus no Templo

Segundo as rígidas leis judaicas, 40 dias após o nascimento de uma criança, a mãe deveria apresentar-se ao Templo, para a cerimônia de purificação.

Também, nessa ocasião, em que os pais deveriam oferecer para o sacrifício "um par de rolas ou dois pombinhos", o primogênito era consagrado a Deus. Ora, para que nascera Jesus, senão para ser imolado como Vítima perfeita? Uma vez mais, temos a lição de obediência e humildade, aos homens rebeldes e orgulhos.

É, ainda, nesse oportunidade, que se dá o episódio com o velho Simeão. Fora-lhe revelado (pelo Espírito Santo) que não morreria sem ver, antes, o Salvador. Por inspiração divina, foi ao Templo. E, por inspiração divina, reconheceu no Menino Aquele por quem esperava. Tomando-O, então, nos braços, exclamou: "Agora, sim, Senhor, podeis deixar morrer em paz o vosso servo, conforme dissestes, porque já viram os meus olhos o Salvador que prometestes enviar-nos" (Lc 2, 25s).

É de profunda beleza a figura do velho homem de fé, carregando nos braços o Menino que o sustentava (como nos sustenta, quando O recebemos).

Matança dos inocentes

É relatada por S. Mateus, no Cap. 2. Pelos reis Magos, Herodes soube que nascera o "Rei dos Judeus". Pediu-lhes, então, que lhe ensinassem o lugar onde se encontrava o Menino, "para, também, adorá-lo". Avisados por um anjo, os bons reis, "por outro caminho, voltaram para a sua região".

Como tantos, ainda hoje, Herodes não entendia que "o reino de Deus não é deste mundo". E, temendo a concorrência, mandou matar todos os meninos com menos de dois anos de idade. (Pela população de Belém, na época, devem Ter sido mortos cerca de vinte meninos.)

A 28 de dezembro, a Igreja relembra esse infaticídio. E reza esta oração:

"Deus, cuja glória no dia de hoje os Mártires Inocentes confessaram, não por palavras, mas morrendo: mortificai, em nós, todos os vícios da más paixões, afim de confessarmos, também, por uma vida santa, a fé que proclama a nossa língua".

Fuga para o Egito

José, também, por um anjo, recebeu o mesmo aviso. E, tomando consigo o Menino e sua Mãe, retirou-se para o Egito. E ali esteve até a morte de Herodes, para se cumprir o que proferira o Senhor pelo profeta, dizendo: "Do Egito chamei meu Filho".

Posteriormente, ouvindo, mais uma vez, um mensageiro celeste, "retirou-se para as partes da Galiléia. Vindo para ai, habitou na cidade que se chama Nazaré, para mais um vez, cumprir-se o que foi dito pelos profetas: Será chamado Nazareno" (Mt 2, 14 e 23).

fonte: www.catequisar.com.br


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