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sábado, 24 de julho de 2010

Estudo V´- História da Ordem do Carmo : Reforma Teresiana

O Ramo Feminino da Ordem do Carmo

Do período da Ordem, desde a Palestina até a idade média não há registros de fundação de qualquer convento feminino na Ordem do carmelita Mas sabe-se que, quase desde sua chegada à Europa, os monges carmelitas,  que imigraram para Europa, acolheram diversos leigos, que como eles, tinham o a verdadeira  vocação e eram amantes da espiritualidade e carisma da Ordem Carmelita. Desta forma passam a "partícipar dos tesouros espirituais e privilégios da Ordem". Entre esses tantos leigos "mulheres piedosas, de acordo com os costumes da época e segundo as diversas formas de participação dos seculares na vida dos religiosos, desenvolvidas durante a Idade Média."

Se comparamos com as irmãs da Ordem Beneditina ou as Irmãs Clarissas, por exemplo, que juntamente com Santa Escolástica e Santa Clara iniciaram o ramo feminino das respectivas Ordens com ramo masculino, as Carmelitas demoraram 250 anos para ter a aprovação jurídica.

A Bula Cum Nulla do Papa Nicolau V, concedida a pedido da comunidade das beatas carmelitas de Florença em 1452 foi de vital importância. Este documento foi a mola mestra para a fundação da Ordem Segunda Carmelitana. E como a Bula foi expedida durante o período em que o Beato João Soreth era o Prior Geral, ele se interessou bastante pela organização da vida das Carmelitas e fundou pessoalmente várias comunidades. Pode-se considerar o Beato João Soreth como o fundador das Carmelitas. Na realidade a Bula de Nicolau V consolidou um período de evolução, que "poderíamos chamar de pré-história, e abre uma nova etapa em que as Carmelitas contam já com sua própria história. Desde 1452, com efeito, fundaram-se mais de 180 mosteiros, dos quais 59 ainda subsistem."

A Reforma Teresiana 


"A história das Carmelitas tem sido pouco estudada e pouco conhecida até quase nossos dias. A grande diversidade de costumes e leis existente entre os conventos dificultava também o trabalho. Ultimamente adiantou-se muito nesse campo: a revista Carmelus dedicou o primeiro fascículo de 1963 ao estudo do tema As monjas carmelitas até Santa Teresa de Jesus, e pouco depois o P. Catena publicou uma monografia dedicada à história e espiritualidade das Carmelitas. Neste contexto destaca-se Santa Teresa de Avila, que ingressou no carmelo no auge da Ordem Segunda, das Freiras. Era um período difícil, em que Santa Teresa identificou que o zelo ardente, já havia esmorecido, e, inspirada pela Divina Providência, empreendeu uma reforma. Entre todas, a Reforma Teresiana, realizada com a grande ajuda de São João da Cruz, foi talvez a mais importante na história da Ordem do Carmo.


Plenitude de Vida do Carmelo



Entre todas as tentativas de reforma na Ordem do Carmo, a mais definitiva e eficaz foi a empreendida por Santa Teresa de Jesus, na cidade espanhola de Ávila dos Cavaleiros. O que não conseguiram homens santos e sábios, o conseguiu esta mulher, lutando contra marés, graças à ajuda divina mais que humana.


Causas que motivaram a Reforma Teresiana

Santa Teresa de Ávila havia tomado o hábito carmelitano no mosteiro da Encarnação no dia 2 de novembro de 1536. Mas não estava contente com o gênero de vida que ali se levava. Havia demasiada relaxação entre as religiosas: muitas visitas, muitas saídas, muita liberdade e pouca observância e vida interior. Isto começou a preocupá-la muito. E “pensava que poderia fazer por Deus, e pensei que o primeiro era seguir o chamamento que sua majestade me havia feito à religião, guardando minha Regra com maior perfeição que pudesse. E embora na casa onde estava havia muitas servas de Deus e era muito servido nela a causa de ter grande necessidade, saíam às monjas muitas vezes a partes onde com toda honestidade podíamos estar, e também não estava fundada em seu primeiro rigor a Regra, senão que se guardava segundo a Bula de relaxação, e também outros inconvenientes, que me parecia a mim ter muito regalo por ser casa tão grande e deleitosa (...) Havendo um dia comungado, mandou-me muito Sua majestade o procurasse com todas as minhas forças, fazendo-me grandes promessas de que não se deixaria de fazer o mosteiro”.


E assim aconteceu. Ao ver a vontade clara do Senhor, Teresa pôs mãos à obra. Quando as companheiras do convento e quando mais tarde os avileses se inteiraram das intenções de Teresa, valha-me Deus o que se armou: murmurações, insultos, vexames de todas as classes contra a fundadora e reformadora. Até a chamaram de “mulher inquieta e andarilha”, isto o disse o Núncio. Ela agüentou tudo e deixou tudo nas mãos de Deus. E como era da vontade do Senhor que a reforma se fizesse, pois à hora marcada ela aconteceu. E em 24 de agosto de 1562, se erguia o primeiro mosteiro reformado sob o patrocínio de São José na cidade de Ávila berço da reforma. Aquele dia vestiu o hábito de Descalças as quatro “grandes servas de Deus”. A simplicidade do mobiliário, a vida fervorosa e até a reza do Ofício Divino, eram o ambiente apropriado para a oração constante da nascente reforma, que exigia principalmente isso: intimidade com Deus, oração contínua com Ele e vida de família com as irmãs, que haveriam de ser poucas em cada convento, doze ou treze no máximo. Com este novo modo de vida, o Carmelo de São José era insignificante, contrastante, com as formas aparatosas dos antigos mosteiros.


Anos depois chegava à Espanha o Geral da Ordem, João Batista Rúbeo de Rávena, quem trazia autorização do papa Pio V para reformar o Carmelo. Grande foi sua alegria ao conhecer a obra de Teresa. Tanto que a animou a fundar novos Carmelos. Até lhe concedeu autoridade para fundar conventos de homens com o mesmo estilo de vida, homens que como reza a patente de autorização, foram “claros espelhos, lâmpadas ardentes, tochas acesas, estrelas resplandecentes capazes de esclarecer e guiar aos viajantes deste mundo”.



Havia em Salamanca um jovem Freizinho Carmelita que andava dando voltas para entrar na Cartuxa. Chamava-se Frei João de Yepes. A reformadora se entrevista com ele, lhe fala com entusiasmo de seus intentos e o convence. Frei João lhe põe só uma condição: que fosse logo. Que mais queria a Santa? Aos poucos dias, 28 de novembro de 1568, se abria já em Duruelo o primeiro convento de Carmelitas Descalços. Como Prior foi nomeado o Pe. Antonio de Jesus, outra conquista da Madre e a João da Cruz encarregava da direção dos noviços, embora de momento não tivesse nenhum (...) E assim foram colocadas as primeiras pedras da Reforma entre os frades. E que reforma! Uma mulher fazendo “as barbas a homens estudados”, como dizia mais tarde um frade.

A semente lançada pela mão de Teresa foi crescendo segura e firme, de tal maneira que quando morria já se haviam levantado 17 mosteiros de monjas e 15 de frades.


Propósito que teve Santa Teresa ao empreender a reforma


A Teresa Reformadora empreende sua obra entre as monjas, graças ao seu zelo eclesial que vibrava em seu peito. Ela mesma nos conta em seu livro “Caminho de Perfeição”: “Neste tempo recebi notícias dos danos na França e os estragos que haviam feitos estes luteranos e quanto ia aumentando esta desventurada seita. Deu-me grande fadiga, e como se eu pudesse algo ou fosse algo, chorava com o Senhor e lhe suplicava remediasse tanto mal. Parecia-me que mil mortes colocaria eu para remédio de uma alma das muitas que ali se perdiam. E como me vi mulher e ruim e impossibilitada de aproveitar em que eu queria no serviço do Senhor, e toda minha ânsia era, e ainda é, pois que tem tantos inimigos e tão poucos amigos, que eles fossem bons... determinei fazer esse pouquinho que havia em mim, que é seguir os Conselhos Evangélicos com toda perfeição que eu pudesse e procurar que essas pouquinhas que estão aqui fizessem o mesmo, confiante na bondade de Deus, que nunca falta de ajudar a quem por Ele se determina a deixar tudo (...) e que todas ocupadas em oração pelos que são defensores da Igreja e pregadores e letrados que a defendem, ajudássem os no que pudéssemos a este Senhor meu...” (1,2). “Não me deixa de quebrar o coração tantas almas que se perdem (...) Oh, irmãs minhas, em Cristo! Ajudem-me a suplicar a este Senhor, que para isto às juntou aqui, esta é vossa vocação, estes irão ser os vossos negócios, estes hão de ser os vossos desejos, aqui vossas lágrimas, estas vossas preces” (1,5).


O propósito da Santa reformadora está, pois, claro: junta a suas monjas em um pequeno convento para orar por tantas almas que se perdem e pelos defensores da Igreja, pregadores e estudiosos que a defendem. Quer dizer, um motivo de oração completamente eclesial.


O ideal que a Santa buscava na reforma dos Freis é mais ou menos semelhante: ter defensores, pregadores e estudiosos da Igreja para a extensão do reino de Deus e salvação das almas; diretores espirituais de suas irmãs Carmelitas e, como uma arma, a oração e intimidade com Deus.

Dificuldades por parte dos calçados

Os primeiros 10 anos foram de tremendas lutas entre Descalços e Calçados ou Padres da Antiga Observância, devida a incompreensões, cuja raiz era a duvidosa legitimidade da nova Reforma. O certo é que no Capítulo Geral da Ordem, em Plasência, Itália 1575, os reformados foram submetidos ao velho tronco da Ordem. Momento terrível para a nascente Reforma. Santa Teresa foi confinada no mosteiro de Toledo, com proibição de sair dali. É São João da Cruz, encarcerado durante nove meses na prisão conventual dos Calçados, também em Toledo, e graças ao Rei Felipe II, a quem depois de Deus se deve a salvação dos Descalços e Descalças, a tempestade diminuiu em 1577 quando o Rei negou seu palacete ao Padre Tostado, encarregado de por em prática os decretos do Capítulo de Plasência.


Em 1578, o Padre Jerônimo Gracian reunia os Descalços em Almodóvar Del Campo, e ali se origina sua província autônoma. Após muitas amarguras, foi aprovada a Reforma Teresiana pela Santa Sé em 1580, fato que causou imensa alegria a Teresa Fundadora, que morria tranqüila, dois anos mais tarde. Em 1587 foi nomeado um Vigário Geral da Ordem e no Capítulo Geral de Cremona, celebrado em 1593, aprovou a separação total da Reforma Teresiana.

Contratempos Internos


Lamentavelmente, logo começaram as lutas internas no Carmelo Reformado. Uma dupla corrente, semelhante à surgida na emigração dos Carmelitas à Europa se levantou, capitaneando ambos os lados duas figuras eximias da Descalces Teresiana: os Padres Nicolau Dória e Jerônimo Gracian. O primeiro grande financista que solucionou o caos econômico do império de Felipe II. Era italiano. Liderava o lado dos estritos que gritavam observância e penitência e não admitiam fundações fora da Espanha por temor ao relaxamento. O Padre Gracian, grande amigo e confidente de Santa Teresa e líder da corrente oposta, tinha uma visão mais ampla, conforme o pensamento Teresiano, aberto ao apostolado.


A contenda foi tremenda e o assunto chegou ao Vaticano de tal maneira que para acabar com o assunto, o Papa Clemente VIII erigiu duas Congregações dentro do Carmelo Reformado: a Italiana e a Espanhola. Era no ano de 1600.

- A Congregação de Santo Elias. Tinha tendências apostólicas; além das casas em Gênova e Roma, fundou na Pérsia, Mesopotâmia, Malabar, Mogol, China, Moçambique, Síria e Palestina. Personagens ilustres desta Congregação foram os PP, Pedro de la M. de Dios, primeiro Vigário, Fernando de Santa Maria, João de Jesus Maria, o calagurritano, Tomás de Jesus e Domingo Ruzola de Jesus Maria.

- A Congregação espanhola de São José se limitou ao solo da Espanha; aqui vivia Dória. Distinguiu-se por uma consagração quase exclusiva à vida contemplativa e estabeleceu desertos, que deram muita glória à Ordem. Praticamente o que buscava era voltar à vida eremítica do Monte Conte Carmelo. Apesar da divisão, as relações entre ambas eram boas.

Unificação das duas Congregações



As perseguições liberais e revoluções políticas do século XIX extinguiram praticamente a Ordem na Espanha e da Congregação espanhola não ficou oficialmente nada. Perdeu-se o rico arquivo do convento de São Hermenegildo de Madrid, que não mais pertence à Ordem. Ao voltar à restauração, uma vez amainada a tormenta, a Congregação Espanhola extinguida não renasce senão que os conventos que se vão restaurando passam a formar parte da Ordem existente, ano de 1868. Alma desta restauração foi o Padre Manuel de Santa Teresa. Expulsado da Espanha, foi à França e era então Prior do convento francês de Agén.


Graças a esta unificação, a Ordem veio fortalecendo-se e estendendo-se lentamente, porque o golpe da revolução contra o pessoal da Congregação Espanhola foi fatal. Hoje a reforma Teresiana conta com 4.000 religiosos no mundo, com umas 30 províncias vicariatos e delegações e com uma vida missionária rigorosa. Prova de uma fecundidade são também as Irmãs Carmelitas em torno de 15.000, e as numerosas Congregações de Irmãs como as Carmelitas Missionárias, fundadas pelo Padre Palau, ocd, a Companhia de Santa Teresa de Padre Henrique de Ossó, a Instituição Teresiana do Padre Poveda, e muitos outros ramos nascidos das fontes da Espiritualidade e Carisma eliano-teresiano, inclusive há umas cinco congregações brasileiras de inspiração carmelitana.

A Ordem do Carmo não Reformada


Enquanto teve lugar este grande acontecimento da Reforma Teresiana com o processo que vimos, como ficou o velho tronco da Ordem do Carmo, não reformados, chamado de Antiga Observância?

Ordem e a Revolução Francesa

A Revolução Francesa foi um abalo que comoveu toda a Igreja, reduzindo a cinzas obras e instituições particulares. A Ordem do Carmo como as demais Ordens, sentiram a agonia. De 54 províncias que contava no século XVIII, ficaram em fins do mesmo século somente em 08.

Ao longo daquele século fatal se nota, em toda Europa, uma decadência geral do espírito religioso, com a conseqüente deturpação dos costumes. Neste ambiente nasce a Revolução Francesa, que nega os direitos de Deus e amplia os direitos do homem. A famosa Constituição Civil do Clero aboliu a vida religiosa em nome da liberdade (1789/1790). Pouco depois (1795) aumentou a influência até a vinda do Diretório e de Napoleão.


O resultado final foi à supressão de todas as Ordens Religiosas do território Francês. O Carmelo tinha ali 08 províncias e 130 conventos. Alguns religiosos se submeteram ao juramento civil imposto pela Revolução ao Clero, enquanto que outros preferiram derramar seu sangue em testemunho de sua fé.

A Revolução Francesa se propagou como um regato de pólvora por toda a Europa, chegando inclusive a repercutir na América. Propagou-se por meio do Exército de Napoleão que passeou triunfalmente por toda a Europa, deixando atrás de si seus germes envenenados.


Ao apoderar-se da Itália, Napoleão suprimiu, em 1830, as Ordens Religiosas; contudo a supressão definitiva chega a ter vigência com o novo governo do Piemonte, de 1854 em diante. Por obra sua se extinguiu o Carmelo Italiano com seus 344 conventos (63 de monjas) da antiga observância, e 119 da reforma de Santa Teresa (29 de monjas).


Uma lei de 1796 terminou com a Ordem na Bélgica e Holanda. Só o convento de Boxmeer sobreviveu e logo foi o ponto de partida para a restauração atual do Carmelo Holandês.Em 1802 desapareceram as duas províncias da Alemanha. As demais províncias da Europa Central e Oriental foram desaparecendo, ficando somente um ou outro convento em miseráveis condições.

Em fins do século XVIII desapareceram quase totalmente as províncias: Polônia, Rússia, Lituânia e Boêmia.Em Portugal foi suprimida a Ordem em 1832, com a conseqüente decadência de suas missões no Brasil.

Excetuando Malta, nada ficou intacto. As províncias inglesas não se restauraram mais depois da Reforma Protestante. Somente em 1827 a Irlanda começava sua restauração.A perseguição contra os religiosos foi maior na Espanha que em qualquer outra parte. A lei iníqua do governo de Mendizábal do ano de 1835 despojou a Igreja de suas propriedades e declarou abolidas as Ordens Monásticas. Os conventos carmelitas desapareceram por completo. O balanço da Revolução Francesa é pavoroso: de 466 províncias, 782 conventos e 15.000 religiosos com que contava o Carmelo da Antiga Observância quase nada subsistiu.

Restauração




Antes de tudo se tratou de dar a Ordem uma nova existência material. Em 1827 se restaura o Carmelo Irlandês. Em alguma parte, como Itália, se leva a cabo a restauração com relativa facilidade, graças ao Geral da Ordem Luis M. Galli (1899/1900).


Apenas restaurada a monarquia na Espanha com a chegada de Alfonso XII, se iniciou também em 1875 a restauração carmelitana. Fundou-se em Palma de Mallorca um convento que pouco subsistiu; em 1880 se funda em forma definitiva em Jerez de la Frontera, (Andaluzia), de onde se propaga o novo Carmelo pós Espanha e outros países.


Em alguns países a restauração se iniciou com maiores dificuldades, como em França e Bélgica. Em 1876 se fundou em Montpellier, mas fracassou ao vir à lei de exclaustração de 1880. Na Bélgica nem sequer se tentou a restauração.


Holanda começou partindo do convento de Brexmeer, estendendo-se logo para a Alemanha.
Em 1863 entram os Carmelitas em Lewenworth (Kansas) USA.
Em 1881 fundam na Austrália os padres Irlandeses.

Fonte : Carmelo São José

sexta-feira, 16 de julho de 2010

16 de Julho - Festa da Bem-aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo


Salve Virgem Flor do Carmelo e Esplendor do Céu !

“O Carmo – disse o cardeal Piazza, carmelita – existe para Maria e Maria é tudo para o Carmelo, na sua origem e na sua história, na sua vida de lutas e de triunfos, na sua vida interior e espiritual.” Diz o “Livro das instituições” dos primeiros monges: “Em lembrança da visão que mostrou ao profeta a vinda desta Virgem sob a figura de uma pequena nuvem que saía da terra e se dirigia para o Carmelo ( 1Rs 18,20-45) os monges, no ano 93 da Encarnação do Filho de Deus, destruíram sua antiga casa e construíram uma capela sobre o monte Carmelo, perto da fonte de Elias em honra desta primeira Virgem voltada a Deus."


"As várias gerações do Carmelo, desde as suas origens até aos dias de hoje, no seu itinerário rumo à "montanha santa, Jesus Cristo nosso Senhor" procuraram plasmar a própria vida segundo os exemplos de Maria.


"Santa Teresa de Jesus exortava: "Imitai Maria e ponderai qual deva ser a grandeza desta Senhora e o benefício de a ter como Padroeira" (Castelo interior, III, 1, 3).


"Esta intensa vida mariana, que se exprime em oração confiante, em entusiástico louvor e em diligente imitação, leva a compreender como a forma mais genuína da devoção à Virgem Santíssima, expressa pelo humilde sinal do Espapulário, seja a consagração ao seu Coração Imaculado (**). É assim que no coração se realiza uma crescente comunhão e familiaridade com a Virgem Santa, "como maneira nova de viver para Deus e de continuar aqui na terra o amor do Filho à sua mãe Maria" (***)".


"Colocamo-nos desta forma, segundo a expressão do Beato mártir carmelita Tito Brandsma, em profunda sintonia com Maria, a Theotokos, tornando-nos como Ela transmissores da vida divina: "Também a nós o Senhor envia o seu anjo... também nós devemos receber Deus nos nossos corações, levá-lo dentro dos nossos corações, nutri-lo e fazê-lo crescer em nós de tal forma que ele nasça de nós e viva conosco como Deus-conosco, o Emanuel" (****)".


"Este rico patrimônio mariano do Carmelo tornou-se, no tempo, através da difusão da devoção do Santo Escapulário, um tesouro para toda a Igreja." "O Escapulário é essencialmente um "hábito". Quem o recebe é agregado ou associado num grau mais ou menos íntimo à Ordem do Carmelo, dedicado ao serviço de Nossa Senhora para o bem de toda a Igreja, conforme a fórmula da imposição no "Rito da Bênção e imposição do Escapulário", aprovado pela Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, 5/1/1996.


Por conseguinte, quem veste o Escapulário é introduzido na terra do Carmelo, para que "coma os seus frutos e produtos" ( Jer 2, 7), e experimente a presença doce e materna de Maria, no empenho quotidiano de se revestir interiormente de Jesus Cristo e de o manifestar vivo em si para o bem da Igreja e de toda a humanidade"


"São portanto duas as verdades recordadas no sinal do Escapulário: por um lado, a proteção contínua da Virgem Santíssima, não só ao longo do caminho da vida, mas também no momento da passagem para a plenitude da glória eterna; por outro, a consciência de que a devoção a Ela não se pode limitar a orações e obséquios em sua honra em algumas circunstâncias, mas deve constituir um "hábito", isto é, um ponto de referência permanente do seu comportamento cristão, tecido de oração e de vida interior, mediante a prática frequente dos Sacramentos e o exercício concreto das obras de misericórdia espiritual e corporal."


"Desta forma o Escapulário torna-se sinal de "aliança" e de comunhão recíproca entre Maria e os fiéis: de fato, ele traduz de maneira concreta a entrega que Jesus, na cruz, fez a João, e nele a todos nós, da sua Mãe, e o ato de confiar o seu apóstolo predileto e a nós a Ela, constituída nossa Mãe espiritual"

Desta espiritualidade mariana, que plasma interiormente as pessoas e as configura com Cristo, primogênito de muitos irmãos, são um maravilhoso exemplo os testemunhos de santidade e de sabedoria de tantos Santos e Santas do Carmelo, todos crescidos à sombra e sob a tutela da Mãe."


 
Fonte : http://www.fatima.org.br/biblioteca
Trechos da Carta do Santo Padre João Paulo II aos Superiores Padres JOSEPH CHALMERS Prior-Geral da Ordem dos Frades da Bem-Aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo (O. Carm.) e CAMILO MACCISE Prepósito-Geral da Ordem dos Irmãos Descalços da Bem-Aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo (O.C.D.) por ocasião do Ano Mariano de 2001.


Notas :
(*) Missal Romano, Coleta da Missa em honra da Bem-Aventurada Virgem Maria do Carmelo, 16 de Julho.
(**) cf. Pio XII, Carta Neminem profecto later [11 de Fevereiro de 1950: AAS 42, 1950, pp. 390-391]; Const. dogm. sobre a Igreja Lumen gentium, 67)
(***) cf. Angelus, em Insegnamenti XI/3, 1988, p. 173)
(****) Da relação do Beato Tito Brandsma ao Congresso Mariológico de Tongerloo, Agosto de 1936.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Estudo IV - Adaptação da Ordem do Carmo a novas formas de vida no Ocidente 1248 - 1432


Resumo do Estudo III

Os primeiros monges carmelitas (eremitas) "após ter combatido e sofrido durante meses, ou talvez anos, pela causa comum de Cristo, na recuperação e defesa da Terra Santa, decidiram levar essa entrega até suas últimas conseqüências, estabelecendo-se definitivamente na encosta ocidental do Monte Carmelo. Seu propósito era viver em obséquio de Jesus Cristo, ou melhor, continuar defendendo com sua presença a terra do Senhor e abraçar, além disso, o estilo de vida dos monges antigos que na solidão do deserto buscaram a plenitude da vida cristã imitando a Jesus Cristo."


Como nenhum deles tinha talvez uma experiência anterior de vida monástica ou religiosa, recorreram a autoridade religiosa do lugar, Alberto, Patriarca de Jerusalém de 1206 a 1214, que lhes escreveu uma norma de vida. "É o que se chamará, através dos séculos, a Regra Carmelitana e se converterá em fundamento e ponto de referência constante para quantos se vão associando à nova família religiosa fundada nos alvores do século XIII."


A Ordem do Carmo caracterizou-se ao longo de sua história com uma terna devoção a Maria, escolhida desde o princípio como patrona – titular da primeira igreja dos ermitães latinos do Carmelo – e o Profeta Elias, cuja lembrança continuava viva não só no nome de sua fonte, senão sobretudo, na alma dos ermitães.


Depois que Santo Alberto, Patriarca de Jerusalém, aprovou a Regra de Vida dos carmelitas, veio a aprovação pontifícia do Papa Honório III em 1226 e Gregório IX em 1229, o que significa um reconhecimento póstumo para uma ordem religiosa que na prática "era já uma realidade viva, consistente e capaz de superar toda espécie de dificuldades".


Adaptação à Nova Realidade do Ocidente

"Quando as circunstâncias externas foram mudando e o ambiente do Carmelo foi tornando-se cada vez mais inseguro por causa do retorno dos mulçumanos, os ermitães começaram a pensar em buscar outras montanhas e outras grutas, pois seu ideal não estava condicionado por nenhum lugar. E, assim, foram aparecendo a partir de 1238, comunidades de Carmelitas em diversas nações do Ocidente: Chipre, França, Inglaterra, Alemanha, Itália."


"Esta mudança de ambiente levou os Carmelitas a uma evolução também interior e a uma ampliação – se é lícito falar assim – de seus horizontes. Entram em contato com o novo fenômeno religioso constituído pelas Ordens Mendicantes e assimilam vitalmente seu espírito e sua estrutura, recebendo do Papa Inocêncio IV em 1247 a aprovação oficial."


"Se os ermitães que recorreram ao Patriarca Alberto 40 anos antes, não tinham talvez intenção de fundar uma Ordem propriamente dita, se a “norma de vida” que o Patriarca lhes deu estava destinada só a uma comunidade, agora, com a Bula de Inocêncio IV, o texto de Santo Alberto retocado converte-se em uma das Regras monásticas e os Carmelitas em Ordem Mendicante."


Graças ao documento recebido do Papa Inocêncio IV, O carmelitas adaptam-se a nova forma de vida, diferente da vida eremítica no Monte Carmelo na Palestina, onde praticavam a vida de oração na solidão do deserto. Passam, então a  recitar o Ofício Divino em comum, segundo o costume da Igreja.  Também obedecem as novas constituições no que se refere à refeição em comum, às refeições fora de casa. E como eles tinham que se dividir em novos grupos, fois lhes concedido a possibilidade de fundar novas casas não só em ermidas, mas onde fosse mais conveniente. Também uma alteração na guarda do silêncio da noite desde as Completas até depois de Prima.


A Ordem do Carmo chegou ao seu esplendor com 9 províncias em 1287 e o total de  14 em 1321, 18 em 1362, com um total de uns doze mil religiosos em meados do século XIV.


"Entre seus santos, destacam-se Alberto da Sicília (segunda metade do século XIII), B. Franco de Sena (1291), Pedro Tomás (1366), André Corsini (1373) e o B. Nuno Alvarez Pereira (1431) [2] . Também no cultivo das ciências eclesiásticas participaram ativamente os Carmelitas, sobretudo desde o final do século XIII, alcançando, os estudos na Ordem, sua máxima expansão durante o século XIV ".



"Porém, as diversas circunstâncias históricas que levaram à decadência geral da Igreja na segunda metade do século XIV afetaram também, como às demais Ordens, à Ordem Carmelitana. Em primeiro lugar a peste negra (1348-1350) assolou conventos e províncias inteiras, produzindo, em alguns casos, uma verdadeira ruptura com a tradição anterior, pois ao repovoarem-se os conventos vazios, entraram pessoas sem vocação suficiente, assustadas com a peste, e as que tinham verdadeira vocação nem sempre encontraram mestres para as educar na vida religiosa."


"O cisma do Ocidente (1378-1417) agravou a situação, dividindo a Ordem sob as duas autoridades opostas de Roma e Avinhão, e fazendo sentir nos religiosos e nos fiéis as conseqüências negativas das dissensões no vértice da Igreja. Finalmente a guerra dos cem anos entre Inglaterra e França (1337-1435). "Desde o Concílio de Constanza (1414-1418) até o de Trento (1545-1563), o problema mais urgente da Igreja e das Ordens religiosas será o da Reforma. E a Ordem do Carmo também trabalhou com perseverança até ver seus esforços coroados de sucesso."


Passada este cap;itulo triste da História da Ordem do Camo o Papa Eugênio IV "concedeu  a Bula Romani Pontificis, datada de 15 de fevereiro de 1532 e expedida em 1435. A Bula concede a faculdade de comer carne três vezes por semana e que, em horas convenientes possam sair de suas celas para dar uma passeio pelos claustros ou estar um tempo na igreja. Note-se que Eugênio IV não retocou o texto da Regra. Limitou-se unicamente a essas declarações marginais, deixando em sua integridade o texto aprovado por Inocêncio IV."


"Com esta nova aprovação pontifícia, recebe novo impulso o trabalho de restauração da Ordem, que foi, pouco a pouco, levando-se a termo através do trabalho pessoal dos Gerais e com diversas iniciativas provenientes também da base e que deram origem ao fenômeno comum das Congregações reformadas."


"Os Priores Gerais que mais se distinguiram por seu trabalho na reforma da Ordem foram o Beato Soreth (Geral de 1451 a 1471), o Beato Batista de Mantua (1513-1516), Nicolás Audet (1524-1562) e, finalmente, Juan Bautista Rossi (Rubeo), vigário geral em 1562 e Geral desde 1564 até 1578 [7] . Com o pleno acolhimento dos decretos da reforma do Concílio Tridentino, a Ordem recuperou sua antiga prosperidade, alcançando o número de 15.000 membros antes das supressões dos séculos XVIII e XIX."


"O ideal da Ordem manteve-se sempre o mesmo, desde que, com a aprovação de Inocêncio IV, associou à contemplação o apostolado, ainda que as formas concretas em que se foi vivendo foram adaptando-se às circunstâncias históricas e o breve texto da Regra foi explicado e comentado através das Constituições e de numerosos tratados espirituais."


"Também a devoção à Santíssima Virgem e a Santo Elias, que caracteriza a vida dos Carmelitas, foi expressando-se de diversas formas com o correr dos tempos, porém, sempre dentro de uma continuidade. Em Maria encontram a personificação mais perfeita da aspiração do Carmelo à união com Deus. “Maria é o ideal vivido da vida carmelitana: vida de escuta da Palavra de Deus e entrega total a seu serviço na obra da salvação” . A figura de Elias, modelo e inspirador da vida monástica desde suas origens e exemplo de homem de oração, foi calando cada vez mais fundo na espiritualidade da Ordem, que chegou inclusive a considerá-lo durante alguns séculos, como seu verdadeiro fundador no sentido estrito da palavra."



Próximo estudo : A grande Reforma de Santa Teresa de Ávila
adaptado de "Carmelo Teresiano  - Páginas de sua História"
Frei Idelfonso Morriones

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Estudo III - Expansão da Ordem do Carmo pelo Mundo


Estudo III - Expansão da Ordem Carmelita pelo Mundo

Revisão


Na Bíblia aparece com destaque o Monte Carmelo, que separa a Palestina da região de Tiro. Sua elevação e beleza é relatada no livro do Cântico dos Cânticos: “Tua cabeça é como o Carmelo” (Cant. 7,5). Até os pagãos veneravam este Monte, pois escritor romano Tácito diz que havia ali um altar e Suetônio narra que o Imperador Romano Vespasiano aí ofereceu um sacrifício. 

O Monte Carmelo foi morada e refúgio freqüente do profeta Eliseu e Nossa Senhora é o “Refúgio dos Pecadores”. Os discípulos dos referidos profetas viveram nas sendas deste Monte e foram  os antecessores dos carmelitas de todas as eras.

Inicia-se uma nova ordem  religiosa no mundo, que anonima e silenciosamente cresce, sem pretenção, tendo como sua meta somente servir a Jesus e Maria na vida de silêncio e oração. A Ordem não registra a sua fundação, mas dados comprovam de que em 1180 já havia uma estrutura a ereção canonica. 

Quem viaja ao Oriente não deixa de visitar o formoso mosteiro a quinhentos metros sobre o nível do mar com uma belíssima Igreja. Debaixo do altar, há uma gruta chamada de Elias onde se celebram Missas.

Aprovação Canônica e Início da Perseguição Muçulmana


Depois de terem recebido a Regra de Santo Alberto, posteriormente aprovada pelo Papa Honório III em 1226, os monges carmelitas temem ter que deixar a sua casa, seu humilde convento, bem ali na Montanha do Carmelo. O Monte Carmelo foi palco de tantas história bíblicas, foi a terra onde pisou Elias e local predestinado a ser o alicerce da maior ordem mariana de que se tem notícia. Como abandonar tudo ?  Mas o inimigo não deu trégua e o os nossos irmãos foram expulsos pelos sarracenos mulçumanos no século XIII;  se voltaram, então, para o Ocidente e aí fundaram vários mosteiros, superando várias dificuldades, nas quais porém, puderam experimentar a proteção da Virgem.


O Primeiro encontro de São Simão Stock com a Virgem do Carmo


Seguindo a antiga tradição carmelita, foi a 16 de julho de 1251 que a Virgem Santíssima  apareceu a Simão Stock em Cambridge, na Inglaterra, lhe entregando o escapulário. Simão Stock era o superior geral dos Carmelitas, de vida santa e grande atividade apostólica.


Um acontecimento particular sensibilizou os devotos: “Os irmãos suplicavam humildemente a Maria que os livrasse das insídias infernais. A um deles, Simão Stock, enquanto assim rezava, a Mãe de Deus apareceu acompanhada de uma multidão de anjos, segurando nas mãos o Escapulário da ordem e lhe disse: “Eis o privilégio que dou a ti e a todos os filhos do Carmelo: todo o que for revestido deste hábito será salvo.”



Há uma tradição antiga do chamado “privilégio sabatino” de que as almas devotas do Escapulário, e que morrerem com ele, serão livres do inferno e livres do purgatório no primeiro sábado após a morte. Alguns papas recomendaram a devoção ao Escapulário. Numa bula de 11 de fevereiro de 1950, Pio XII convida a “colocar em primeiro lugar, entre as devoções marianas, o Escapulário que está ao alcance de todos”: entendido como veste mariana, esse é de fato um ótimo símbolo da proteção da Mãe celeste, enquanto sacramental extrai o seu valor das orações da Igreja e da confiança e amor daqueles que o usam.



O Escapulário foi inicialmente uma vestimenta de trabalho dos monges beneditinos e se tornou o símbolo dos frades. Com o surgimento das Ordens Terceiras, ou seja, Ordens religiosas destinadas a leigos, agregadas a uma grande ordem monástica, apareceram grandes e pequenos escapulários como sinal de união àquele grupo religioso. Através da devoção do Escapulário muitas graças têm sido obtidas: há muitos testemunhos em todo o mundo de pessoas salvas da morte, de doenças, de perigos; casas livres de incêndio e assaltos, etc. ; os benefícios espirituais, a santificação dos devotos, muitas conversões através dos tempos, mostram que Nossa Senhora se serve deste sacramental para ajudar e salvar as almas.

fonte : Ordem do Carmo da antiga Observância

No próximo capítulo veremos o estabelecimento da Ordem do Carmo no Ocidente e a Reforma.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Estudo II - Nas Sendas do Monte Carmelo

Revisão - Estudo 1 (*)


Homem de fogo, pode chamar-se Santo Elias, o Profeta de Deus, cujo nascimento e linhagem a sagrada escritura oculta. Seu nascimento na história, refere-o o Espírito Santo da forma mais insólita, com um laconismo sublime, pleno de alegria e majestade: “Levantou-se Elias Profeta do Fogo”; e na verdade a sua palavra era como um facho, que aquece e ilumina; seu coração, à semelhança do coração de Cristo, era uma fornalha ardente, e de fogo era a sua imaginação.


Alma caldeada pelos ardores do Espírito Divino, ele era puro, totalmente expurgado da escória terrena. Alma poderosa aos olhos de Deus, ele ordena ao céu que banhe a terra com a sua chuva, e esta cai em abundância; ele impera a morte e os mortos ressuscitam; ele pede justiça ao céu e do céu desce o fogo, e ao império de sua voz, da sua oração, termina o castigo de Deus, vindo chuva fertilizar os campos.


Pois foi este grande Profeta, arrebatado num carro de fogo e que reaparecerá nos últimos tempos para aplacar a ira de Deus, que se mostrou o sinal misterioso e glorioso da Virgem, o dogma que mais A enaltece, a coroa que mais A glorifica, a sua Imaculada Conceição. A devoção à Virgem do Carmo tem a sua origem nesta visão profética de Santo Elias. Após o triunfo do verdadeiro Deus sobre os sacerdotes de Baal, no alto Monte Carmelo, Elias ordenou que esses falsos sacerdotes fossem conduzidos até à torrente de Cison, e aí degolou a todos.


Mas recordemos a cena bíblica do Carmelo: Elias mandou seu servo olhar para o firmamento do lado do mediterrâneo, uma. Duas, até sete vezes. Só na sétima vez é que o servo do profeta notou que uma pequena nuvem se elevava no céu. Então, Elias mandou dizer a Acob que partisse imediatamente, antes que a chuva o surpreendesse. E aquela nuvenzinha, tão pequena como a pegada de um homem, elevou-se em chuva copiosíssima.


Neste fato e nesta nuvem, viu Elias um anúncio profético e uma formosíssima semelhança de MARIA IMACULADA.


A minúscula nuvem ergue-se do mar, mas não é amarga como o oceano: a sua água é doce e fertilizará os campos. Ao ser concebida, Maria é logo cheia de graça, tal como a nuvem se enche de água; a nuvenzinha ergueu-se do mar, mas não tem as qualidades do mar: assim Maria nasce da natureza humana, corrompida pelo pecado original, mas nela há apenas a natureza e não a corrupção do pecado, pois o Redentor a preservou da culpa original em virtude da sua Paixão e Morte. O mistério da pequena nuvem vista por Santo Elias está autorizada pela tradição da Igreja e pela Liturgia do Ofício Divino da Festa de Nossa Senhora do Carmo.


Estudo II - Nas Sendas do Monte Carmelo 


"Há 800 anos nascia no Monte Carmelo, a Ordem do Carmo. Seu espírito está caracterizado por dois elementos: sua origem em Santo Elias, e sua dedicação a Maria. O Monte Carmelo é uma cadeia de montanhas, que tem 25 km de comprimento por 12 de largura, com uma altitude máxima de 546m, localizado na Terra Santa, hoje Israel. Limita pelo norte com Haifa, cidade marítima; pelo sul com as terras de Cesaréia; pelo leste com as planícies de Esdrelon e Saron; pelo oeste com o Mar Mediterrâneo. Carmelo significa graça e fertilidade. A Bíblia o pinta como uma torrente, a fonte de Elias, e uma vinha fertilíssima. "Tua cabeça sobre ti é tão linda quanto o Carmelo e teus cabelos como a púrpura" (Ct 7,5).



Pela Montanha bíblica do Carmelo passaram muitas raças e civilizações orientais e ocidentais. Por volta do ano 1192, surge no Monte Carmelo um grupo de eremitas latinos, oriundos da 3ª cruzada para conquistar a Terra Santa. Com o sucesso da reconquista desta Terra ocupada pelos muçulmanos desde o séc. VII, começaram as peregrinações ao país de Jesus. Como o Monte Carmelo era repleto de grutas, devido à constituição calcárea de sua rocha, ele passa a ser habitado por eremitas, que se constituíram nos primeiros carmelitas. Esses cristãos viviam na simplicidade, buscando a solidão e a oração, vivendo em obséquio de Jesus Cristo, isto é, no seu seguimento e a seu serviço. Com o passar do tempo, os primeiros carmelitas sentiram a necessidade de se organizar e de criar uma regra para sua convivência.




Elegeram um superior, e pediram ao patriarca de Jerusalém, Santo Alberto, que lhes escrevesse uma regra que estivesse de acordo com o seu propósito de vida. Isso ocorreu entre 1206-1214. A Regra Albertina pode ser dividida em duas partes: a organização externa do Carmelo e a vida interior dos carmelitas. Substancialmente a regra é eremítica. Os religiosos viverão em celas separadas, escavadas na rocha; haverá um lugar central para o oratório; nele se recitarão o Ofício Divino e a Missa Diária; nele também haverá lugar para o Capítulo conventual semanal. O porquê de sua vida é a contemplação, utilizando como meios principais a solidão, a mortificação e o trabalho manual. O guardião do eremitério é o Prior, eleito por maioria dentre os ermitões. Na obediência se concentram os votos religiosos; a pobreza é absoluta e o trabalho manual obrigatório. Junto a isto está a meditação contínua da Bíblia e o exercício das virtudes monásticas.




fontes :
Revisão Estudo I - carmelosantateresa.com/santos/visaodesantoelias. (*)
Estudo II - http://www.freiscarmelitas.com.br/ (**)
 
No próximo Estudo - Fuga da perseguição Muçulmana e Expansão pela Europa...aguarde !

domingo, 4 de julho de 2010

Mês de Julho aqui no Flos Carmeli - História da Ordem do Carmo - Estudo I

Santo Elias - Patrono e Ispirador da Ordem Carmelita


"Santo Elias, o Profeta de fogo, segundo a tradição, dos seguidores desse grande Profeta nasceu a Ordem do Carmo. "Verdadeiramente ígnea [incandescente] foi a sua mente, ígnea a sua palavra, ígnea a sua mão, com que converteu Israel". O Profeta que foi arrebatado ao céu por um carro de fogo para voltar à Terra no fim do mundo. A história da humanidade tem seu centro na história da salvação. 


Seu eixo consubstancia-se na luta entre o bem e o mal, entre os filhos da luz e os filhos das trevas, entre os que são de Deus e os sequazes do demônio, conforme ensina São Luís Grignion de Montfort. Nesta luta que vai durar até o fim do mundo, ocupa o Profeta Elias um lugar único. 

 

Lutador indômito contra os idólatras de seu tempo, arrebatado por Deus num carro de fogo, ele virá no fim do mundo para combater o Anticristo, segundo a interpretação de conceituados exegetas e tradição imemorial. 


Elias foi, diz São Bernardo, "modelo de justiça, espelho de santidade, exemplo de piedade, o propugnador da verdade, o defensor da fé, o doutor de Israel, o mestre dos incultos, o refúgio dos oprimidos, o advogado dos pobres, o braço das viúvas, o olho dos cegos, a língua dos mudos, o vingador dos crimes, o pavor dos maus, a glória dos bons, a vara dos poderosos, o martelo dos tiranos, o pai dos reis, o sal da terra, a luz do orbe, o Profeta do Altíssimo, o precursor de Cristo, o terror dos baalitas, o raio dos idólatras" Destemida increpação ao rei idólatra em tempos de Elias, meados do século IX a.C., a terra ocupada pelos hebreus - a mesma originariamente prometida por Deus a Moisés - estava dividida em dois reinos:

Israel e Judá.
 
O reino do Norte, Israel, caíra na idolatria e adorava Baal, o deus da sensualidade, servido por 850 sacerdotes por ordem do rei Acab e de sua mulher Jezabel, ela de origem fenícia. Tomado de zelo pela causa do Senhor, Elias levanta-se e increpa o rei idólatra: "Viva o Senhor Deus de Israel em cuja presença estou, que nestes anos não cairá nem orvalho nem chuva, senão conforme as palavras de minha boca (III Reis, XVII, 1). Em seguida se retira para o deserto, onde corvos levam-lhe milagrosamente o alimento. O céu se fecha e torna-se pesado como chumbo, a terra fica árida, rios e ribeiros secam-se, até mesmo o riacho no qual Elias se dessedenta. E o profeta sente ele mesmo o peso do terrível castigo imposto a Israel.


A primeira ressurreição de que se tem notícia na História.

Refugia-se então em Sarepta, junto a uma viúva que, por ordem de Deus, deve alimentá-lo. Paupérrima, ela só tem um pouco de farinha, com a qual coze um pão para o profeta. Contudo acontece algo inesperado. Morre o filho único da viúva, a qual, em seu desespero, increpa duramente o homem de Deus. 


Elias porém lhe diz: "Dá-me o teu filho. E tomou-o do seu regaço e levou-o à câmara onde ele estava alojado, e o pôs em cima do seu leito. E clamou ao Senhor e disse: Senhor meu Deus, até a uma viúva que me sustenta como pode, afligiste, matando-lhe seu filho?"   Reclinando-se três vezes sobre o menino, pede a Deus: "Senhor, meu Deus, faze, te rogo, que a alma deste menino volte às suas entranhas.E o Senhor ouviu a voz de Elias" (III Reis, XVII, 22-23). O filho da viúva de Sarepta volta à vida. É o primeiro caso de ressurreição que a História relata. 

Profetas de Baal exterminados por Elias

O momento de agir em grande estilo se aproxima. O rei Acab, o perseguidor dos profetas de Deus e dos varões fiéis, vai ao encontro de Elias e o interpela: "Porventura és tu aquele que trazes perturbado Israel?" E Elias responde: "Não sou eu que perturbei Israel, mas és tu e a casa de teu pai, por terdes deixado os Mandamentos do Senhor e por terdes seguido Baal. Mas não obstante, manda agora, e faze juntar todo o povo de Israel no monte Carmelo, e os quatrocentos e cinqüenta profetas de Baal, e os quatrocentos profetas dos bosques que comem da mesa de Jezabel. 

 
Mandou pois Acab chamar todos os filhos de Israel, e juntou os profetas no monte Carmelo" (III Reis, XVIII, 17-20). Diante dos profetas de Baal, Elias increpa o povo: "Até quando claudicareis vós para os dois lados? Se o Senhor é Deus, segui-o; se, porém, o é Baal, segui-o. .... Eu sou o único que fiquei dos profetas do Senhor, mas os profetas de Baal chegam a quatrocentos e cinqüenta homens. Contudo dêem-nos dois bois, e eles escolham para si um boi, e, fazendo-o em pedaços, ponham-nos sobre a lenha, mas não lhe metam fogo por baixo; e eu tomarei o outro boi, e o porei sobre a lenha, e também não lhe meterei fogo por baixo. 

 
Invocai vós os nomes dos vossos deuses, e eu invocarei o nome do meu Senhor; e o Deus que ouvir, mandando fogo, esse seja considerado o verdadeiro Deus". Os profetas de Baal sacrificam o boi, colocam-no sobre a lenha e clamam, horas a fio, por seu falso deus. Baal não lhes responde. "Gritai mais alto, porque ele é um deus, e talvez esteja falando, ou em alguma estalagem, ou em viagem, ou dorme, e necessita que o acordem" - escarnece Elias.

 
Desesperados, os falsos profetas cortam-se com estiletes, oferecem sangue ao ídolo. Tudo em vão. O sangue idólatra corre, mas do céu não desce fogo. Elias então constrói um altar de doze pedras, simbolizando as doze tribos de Israel. Empilha a madeira, molha tudo com água, e sobre o altar coloca o boi sacrificado. E então se dirige a Deus: "Senhor, Deus de Abraão e de Isaac e de Israel, mostra hoje que és o Deus de Israel e que eu sou teu servo, e que por tua ordem fiz todas estas coisas. 

 
Ouve-me, Senhor, ouve-me para que este povo aprenda que tu és o Senhor Deus, e que converteste novamente o seu coração" (III Reis, XVIII, 36). Então desce fogo do céu e consome o holocausto, não só o boi, mas a lenha, as pedras e até mesmo a água! Ao povo - que exclama, de rosto por terra, "o Senhor é o Deus, o Senhor é o Deus" - ordena Elias: "Apanhai os profetas de Baal, e não escape deles nenhum só" (III Reis, XVIII, 40).
 

Os falsos profetas de Baal são trucidados junto à torrente do Cison. Em parte pelo povo, em parte por Elias, estuante de ardor pela causa do verdadeiro Deus. 


Fim da terrível seca, fuga e nova missão do Profeta  

Elias se dirige ao rei Acab, prometendo-lhe o fim da terrível seca: "Vai, come e bebe, porque já se ouve o ruído de uma grande chuva". Acompanhado de um criado, Elias sobe ao alto do monte Carmelo, prostra-se e reza pedindo a chuva, até que o servo lhe comunica o aparecimento de uma pequenina nuvem. Nuvem precursora de uma grande tempestade, que interrompeu a seca que já perdurava por três anos, como castigo pelo pecado de idolatria em que caíra o povo eleito. Jezabel, porém, fica sabendo da morte de seus profetas e jura matar Elias: "Os deuses me tratem com toda severidade, se eu, amanhã a esta mesma hora, não te fizer perder a vida, como tu a fizeste perder a cada um deles" (III Reis, XIX, 2). 


A ameaça de Jezabel enche Elias de temor. Elias que fechara os céus, que enfrentara o poderoso rei Acab, que ressuscitara um morto, que desafiara e vencera os profetas de Baal; Elias, cujo nome significa "o Senhor é poderoso", estremece com a ameaça da rainha. Contudo, comenta Cornélio a Lápide, seu temor não vinha tanto pelo medo da morte iminente quanto pelo receio de que, caso morresse, a verdadeira fé se extinguisse em Israel e Baal saísse vitorioso.
 

Elias foge para o deserto, onde um anjo o alimenta com pão e água e lhe ordena que se dirija ao monte Horeb. Quarenta dias e quarenta noites leva Elias para chegar ao Horeb. E chegado ao monte do Senhor, Deus o interpela: "Que fazes aqui, Elias?"- "Eu me consumo de zelo pelo Senhor Deus dos exércitos - responde Elias - porque os filhos de Israel abandonaram a tua aliança, destruíram os teus altares, mataram os teus profetas e eu fiquei só" (III Reis, XIX, 10).
 

Deus fala com Elias, não no terremoto, mas ao "sopro de uma branda viração". E lhe dá uma tríplice missão: Ungir Hazael como rei da Síria; a Jehu como rei de Israel; e a Eliseu como profeta "em teu lugar". Elias encontra Eliseu arando a terra e lança sobre ele seu manto. E desde então Eliseu é outro homem. De camponês torna-se seguidor de profeta e profeta ele mesmo.   

Morte de Jezabel, a perseguidora do Profeta
 
Entrementes a poderosa Jezabel confiscara a viva força a vinha de Nabot e o mandara matar. Caso típico de espoliação indébita de terra, ao arrepio do direito de propriedade. O castigo divino não se faz esperar. Deus ordena a Elias aparecer diante de Acab e exprobá-lo: "Neste lugar em que os cães lamberam o sangue de Nabot, lamberão eles também o teu sangue" (III Reis, XXI, 19).
 

O profeta anuncia ainda o castigo de Jezabel: "Os cães comerão Jezabel no campo de Jesrael". Apavorado, Acab faz penitência. E Deus não o castiga. Mas a cólera divina cai verticalmente sobre a cabeça da ímpia Jezabel. Jogada de uma janela de seu palácio, ela é esmagada por cascos de cavalos e devorada por cães. Quando servos vão pegar seu corpo para enterrá-lo, só encontram o crânio e alguns ossos.Acab é sucedido pelo rei Ocozias, o qual, adoecendo pouco tempo depois de subir ao trono, manda consultar um oráculo de Belzebu.
 

Elias encontra-se com os mensageiros do rei e os interpela: "Porventura não há um Deus em Israel para vós virdes consultar Belzebu, deus de Acaron?" (IV Reis, I, 3).  


Anuncia que o rei não se levantará mais da cama.
 

Irritado, Ocozias manda um capitão e 50 homens para prenderem o profeta. Elias faz descer fogo do céu, que consome os soldados. O rei manda novamente outro capitão com cinqüenta homens, por sua vez consumidos também por fogo do céu. Pela terceira vez, envia Ocozias um capitão com cinqüenta soldados. Desta vez, o capitão pede misericórdia a Elias, que o poupa e a seus comandados. E Ocozias morre após o curto reinado de um ano.  Elias não morre, mas é arrebatado por Deus, para retornar no fim do mundo. Elias executa o tríplice encargo divino.  Aproxima-se então o momento de ele abandonar a Terra. Para o comum dos homens isso significa pura e simplesmente morrer. Porém, para Elias, o Profeta das grandes exceções, a Providência tem outros planos. Arrebatado num carro de fogo e levado por Deus para lugar desconhecido, o Profeta deixa seu manto a Eliseu, seu discípulo e sucessor. 

 
Cerca de 900 anos se passam e, no Monte Tabor, na cena empolgante da transfiguração de Jesus, Elias aparece,juntamente com Moisés, ao lado de Nosso Senhor. Do misterioso lugar onde presentemente se encontra, contempla ele o desenrolar da história da salvação, à espera do momento de voltar a intervir diretamente nos acontecimentos da Terra e preparar a segunda vinda de Cristo antes do Juízo Final. 

 
E então, mais do que nunca, aplicar-se-á a Elias o elogio que dele faz o Espírito Santo: "E quem pode pois, ó Elias, gloriar-se como tu? Tu que fizeste sair um morto do sepulcro..., que precipitaste os reis na desgraça e desfizeste sem trabalho o seu poder..., que ouviste sobre o Sinai o juízo do Senhor, e sobre o Horeb os decretos de sua vingança; que sagraste reis para vingar crimes, e fizeste profetas para teus sucessores; que foste arrebatado num redemoinho de fogo...; tu, de quem está escrito que virás para abrandar a ira do Senhor, para reconciliar o coração dos pais com os filhos, e para restabelecer as tribos de Jacó. 


Na sétima vez, o criado voltou dizendo que vira uma nuvenzinha do tamanho de uma pegada, surgindo no horizonte. Era afinal o prenúncio da chuva vindoura.Era mais do que isso. Era a promessa da vinda de Nossa Senhora, a Mãe do Salvador do mundo. Assim como a nuvem subia das águas do mar, porém não lhe tendo o sal, assim a Mãe do Redentor surgiria, imaculada, de uma humanidade concebida no pecado original. Desta nuvenzinha cairia uma chuva regeneradora, símbolo de Nosso Senhor Jesus Cristo, Redentor do gênero humano."


Bem-aventurados os que te viram e que foram honrados com a tua amizade" (Ecles. XLVIII, 4-11). Nos dias atuais "o alto do monte que leva o nome Carmelo, (em hebraico, "Jardim de Deus" ), encontra-se indubitavelmente um dos lugares mais abençoados da Terra Santa. No mosteiro dos carmelitas "Stella Maris", "o peregrino pode visitar sob o coro da igreja, escavada em pedra e envolta pelas sombras acolhedoras do edifício sagrado, a gruta de Elias, pequeno e austero refúgio de um dos varões mais brilhantes da História da humanidade. Foi aí, nessa humilde gruta, longe e acima do mundo, no silêncio e na contemplação, que Elias rezou com o rosto inclinado por terra, pedindo a Deus que mandasse chuva e terminasse com a tremenda seca que assolava Israel.Sete vezes ordenara o grande Profeta a seu servo divisar no horizonte, para as bandas do mar, o aparecimento de nuvens."

 
E assim, na antevisão do nascimento, nove séculos mais tarde, da Santíssima Virgem, tornou-se Elias o primeiro devoto de Maria, o cabeça de uma plêiade de varões que - através de uma impressionante sucessão, que daria na Ordem do Carmo - iriam louvar Maria ao longo de toda a História. E coube a um filho espiritual de Santo Elias, São Simão Stock, receber no ano de 1251 o Escapulário, esse meio ímpar de salvação."


No próxmo capitulo veremos os primórdios da Ordem do Carmo, estabelecido no monte Carmelo junto a fonte de Elias em Israel...aguardem. 

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publicado em : www.oracoes.info/SCdo carmo.doc

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Mês do Preciosíssimo Sangue e Mês de Nossa Senhora do Carmo

 
Caríssimos, iniciamos com a graça de Deus o mês de Julho, que é de uma maneira especial dedicado a devoção do Preciosíssimo Sangue de Nosso Senhor. Também, nós que somos consagrados à Bem-aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo, quer seja como irmãos leigos, frades, freiras e religiosos(as), nos preparamos para celebrar a Festa Magna da Ordem do Carmo, onde recordamos as glórias de Maria Santíssima e as dávidas concedidas à Ordem do Carmo, pela entrega do escapulário, uma devoção que se perpetua através dos séculos e demonstra o sinal da proteção materna de Maria para com os filhos do Carmelo. Em todo os mês de Julho traremos meditações dentro do tema da devoção ao Precioso Sangue de Jesus e, enquanto não iniciamos a Novena de Nossa Senhora do Carmo, vamos também reviver um pouco da História do Carmelo. Fiquem então com um artigo sobre o significado do brasão da Ordem Carmelitana,  cujo significado traduz  a  mística e o carisma  desta  ordem. Boa leitura ! 

  
ZELO ZELATUS SUM PRO DOMINO DEO EXERCITUUM"

"Eu me consumo de zelo pela causa do Senhor Deus Exércitos"

1 Reis 19,10

"A representação do escudo carmelita surge pela primeira vez nos finais do século XV, em 1499, na capa dum livro sobre a vida de S. Alberto da Sicília. Ali o símbolo gráfico aparece sob a forma de um «vexillum», isto é, um estandarte ou bandeira que depois se foi modificando nalguns pormenores com o correr dos tempos até assumir a atual forma de escudo heráldico. Existem várias interpretações do nosso escudo, mas nunca houve uma explicação oficial do mesmo. O que segue é a interpretação que nos parece mais adequada. O Escudo do Carmo é composto por cinco elementos:

Uma montanha

Uma montanha estilizada com ladeiras arredondadas e cujo cimo se projeta para o Céu. Esta montanha evoca a Montanha do Carmelo, lugar de origem da Ordem do Carmo. O Monte do Carmo situa-se em Haifa, em Israel. No século IX antes de Cristo ali viveu o profeta Elias. No mesmo lugar e nos finais do século XII depois de Cristo, ali se agruparam alguns eremitas inspirados no profeta Elias, com o objetivo de «viver em obséquio de Jesus Cristo.» (Regra, 2) O monte encontra-se coroado com a Cruz de Cristo que S. João da Cruz lhe acrescentou.


A Cruz

A Cruz é o preço da nossa salvação, a presença de Deus, a certeza da nossa Ressurreição, e a cruz da nossa vida que nosso pai S. João da Cruz para si escolheu como sinal do amor de Deus.

A montanha e a Cruz são castanhas e inscrevem-se num fundo branco. Estas são as cores do nosso hábito: túnica, escapulário e capucho castanhos; capa e capucho brancos. Assim revestidos nos recordamos que temos de viver na terra castanha a peregrinação da fé, porém com os olhos na alvura do Céu, morada do Cordeiro Imaculado.


Três estrelas

Três estrelas de seis pontas que se dispõem da seguinte maneira: uma de cor de prata situa-se no centro da montanha, e as outras duas ficam simetricamente dispostas no céu de cor branca, à direita e esquerda das ladeiras da montanha.

A interpretação das estrelas é variada e de grande riqueza. A estrela branca, situada no nível inferior, evoca a pureza da Bem-aventurada Virgem Maria, Mãe e Irmã dos Carmelitas, evoca também a primeira igrejinha dedicada a Nossa Senhora do Carmo; há, porém, quem a identifique com os Carmelitas que estão a caminho do cimo do Monte Carmelo. As estrelas superiores, de cor dourada, representam os pais e mestres da Ordem do Carmo S. João da Cruz e S. Teresa de Jesus. Noutras interpretações as duas estrelas representariam os profetas Elias e Eliseu, e ainda os Carmelitas que já terminaram a sua peregrinação e subiram ao cimo do Monte Carmelo, que é Jesus vida do Céu!


Uma coroa

A coroa de ouro representa o Reino de Deus. Ele é o Soberano, o supremo Soberano do Carmelo. Na verdade, nós os Carmelitas procuramos «servir fielmente a Deus, com coração puro e de boa consciência» (Regra, 2), e temos como vocação implantar e robustecer nas almas o reino de Cristo e estende-lo por todo o orbe terrestre. Para cumprirmos este serviço a Deus, nós, os Carmelitas, inspiramo-nos nas figuras do Profeta Elias e da Virgem Maria.  A coroa representa ainda Maria e a sua realeza sobre a Ordem do Carmo, a Ordem de Maria.


Um braço com uma espada

Um braço com uma espada de fogo e uma fita com uma citação bíblica. A origem eliana da Ordem está representada no braço de Elias que sustenta uma espada de fogo. De um lado e de outro da espada há uma fita com uma inscrição em latim:  “Zelo zelatus sum pro Domino Deo exercituum” (Ardo de zelo pelo Senhor Deus dos exércitos [1 Reis 19,10]).


O braço e a espada mostram também a ardente paixão de Elias pelo Absoluto de Deus, cuja «palavra ardia como um archote». (Eclesiástico 48,1)  Para os Carmelitas Elias é o profeta solitário que vivendo na presença de deus cultiva a sede do único Deus. Por isso, como o Profeta, levam «a espada do Espírito, que é a Palavra de Deus». (Regra, 19)

Doze estrelas

A índole mariana da Ordem está ainda simbolizada nas doze estrelas que recordam a aparição «duma mulher vestida de sol, com a lua debaixo dos pés e na sua cabeça um coroa de doze estrelas.» (Apocalipse 12,1) Na Virgem Maria, Mãe de Deus, os Carmelitas encontram a imagem perfeita de tudo aquilo que desejam e anseiam ser. Para nós Ela é Padroeira, Mãe e Irmã. E nós somos Irmãos da Bem-aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo.

Numa outra interpretação as doze estrelas em arco representam todos os santos do Carmo. Eles são a coroa de estrelas que rodeiam o trono de Deus e do Cordeiro, onde Maria tem lugar de honra.


20 Abr 2006

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