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quarta-feira, 14 de julho de 2010

Estudo IV - Adaptação da Ordem do Carmo a novas formas de vida no Ocidente 1248 - 1432


Resumo do Estudo III

Os primeiros monges carmelitas (eremitas) "após ter combatido e sofrido durante meses, ou talvez anos, pela causa comum de Cristo, na recuperação e defesa da Terra Santa, decidiram levar essa entrega até suas últimas conseqüências, estabelecendo-se definitivamente na encosta ocidental do Monte Carmelo. Seu propósito era viver em obséquio de Jesus Cristo, ou melhor, continuar defendendo com sua presença a terra do Senhor e abraçar, além disso, o estilo de vida dos monges antigos que na solidão do deserto buscaram a plenitude da vida cristã imitando a Jesus Cristo."


Como nenhum deles tinha talvez uma experiência anterior de vida monástica ou religiosa, recorreram a autoridade religiosa do lugar, Alberto, Patriarca de Jerusalém de 1206 a 1214, que lhes escreveu uma norma de vida. "É o que se chamará, através dos séculos, a Regra Carmelitana e se converterá em fundamento e ponto de referência constante para quantos se vão associando à nova família religiosa fundada nos alvores do século XIII."


A Ordem do Carmo caracterizou-se ao longo de sua história com uma terna devoção a Maria, escolhida desde o princípio como patrona – titular da primeira igreja dos ermitães latinos do Carmelo – e o Profeta Elias, cuja lembrança continuava viva não só no nome de sua fonte, senão sobretudo, na alma dos ermitães.


Depois que Santo Alberto, Patriarca de Jerusalém, aprovou a Regra de Vida dos carmelitas, veio a aprovação pontifícia do Papa Honório III em 1226 e Gregório IX em 1229, o que significa um reconhecimento póstumo para uma ordem religiosa que na prática "era já uma realidade viva, consistente e capaz de superar toda espécie de dificuldades".


Adaptação à Nova Realidade do Ocidente

"Quando as circunstâncias externas foram mudando e o ambiente do Carmelo foi tornando-se cada vez mais inseguro por causa do retorno dos mulçumanos, os ermitães começaram a pensar em buscar outras montanhas e outras grutas, pois seu ideal não estava condicionado por nenhum lugar. E, assim, foram aparecendo a partir de 1238, comunidades de Carmelitas em diversas nações do Ocidente: Chipre, França, Inglaterra, Alemanha, Itália."


"Esta mudança de ambiente levou os Carmelitas a uma evolução também interior e a uma ampliação – se é lícito falar assim – de seus horizontes. Entram em contato com o novo fenômeno religioso constituído pelas Ordens Mendicantes e assimilam vitalmente seu espírito e sua estrutura, recebendo do Papa Inocêncio IV em 1247 a aprovação oficial."


"Se os ermitães que recorreram ao Patriarca Alberto 40 anos antes, não tinham talvez intenção de fundar uma Ordem propriamente dita, se a “norma de vida” que o Patriarca lhes deu estava destinada só a uma comunidade, agora, com a Bula de Inocêncio IV, o texto de Santo Alberto retocado converte-se em uma das Regras monásticas e os Carmelitas em Ordem Mendicante."


Graças ao documento recebido do Papa Inocêncio IV, O carmelitas adaptam-se a nova forma de vida, diferente da vida eremítica no Monte Carmelo na Palestina, onde praticavam a vida de oração na solidão do deserto. Passam, então a  recitar o Ofício Divino em comum, segundo o costume da Igreja.  Também obedecem as novas constituições no que se refere à refeição em comum, às refeições fora de casa. E como eles tinham que se dividir em novos grupos, fois lhes concedido a possibilidade de fundar novas casas não só em ermidas, mas onde fosse mais conveniente. Também uma alteração na guarda do silêncio da noite desde as Completas até depois de Prima.


A Ordem do Carmo chegou ao seu esplendor com 9 províncias em 1287 e o total de  14 em 1321, 18 em 1362, com um total de uns doze mil religiosos em meados do século XIV.


"Entre seus santos, destacam-se Alberto da Sicília (segunda metade do século XIII), B. Franco de Sena (1291), Pedro Tomás (1366), André Corsini (1373) e o B. Nuno Alvarez Pereira (1431) [2] . Também no cultivo das ciências eclesiásticas participaram ativamente os Carmelitas, sobretudo desde o final do século XIII, alcançando, os estudos na Ordem, sua máxima expansão durante o século XIV ".



"Porém, as diversas circunstâncias históricas que levaram à decadência geral da Igreja na segunda metade do século XIV afetaram também, como às demais Ordens, à Ordem Carmelitana. Em primeiro lugar a peste negra (1348-1350) assolou conventos e províncias inteiras, produzindo, em alguns casos, uma verdadeira ruptura com a tradição anterior, pois ao repovoarem-se os conventos vazios, entraram pessoas sem vocação suficiente, assustadas com a peste, e as que tinham verdadeira vocação nem sempre encontraram mestres para as educar na vida religiosa."


"O cisma do Ocidente (1378-1417) agravou a situação, dividindo a Ordem sob as duas autoridades opostas de Roma e Avinhão, e fazendo sentir nos religiosos e nos fiéis as conseqüências negativas das dissensões no vértice da Igreja. Finalmente a guerra dos cem anos entre Inglaterra e França (1337-1435). "Desde o Concílio de Constanza (1414-1418) até o de Trento (1545-1563), o problema mais urgente da Igreja e das Ordens religiosas será o da Reforma. E a Ordem do Carmo também trabalhou com perseverança até ver seus esforços coroados de sucesso."


Passada este cap;itulo triste da História da Ordem do Camo o Papa Eugênio IV "concedeu  a Bula Romani Pontificis, datada de 15 de fevereiro de 1532 e expedida em 1435. A Bula concede a faculdade de comer carne três vezes por semana e que, em horas convenientes possam sair de suas celas para dar uma passeio pelos claustros ou estar um tempo na igreja. Note-se que Eugênio IV não retocou o texto da Regra. Limitou-se unicamente a essas declarações marginais, deixando em sua integridade o texto aprovado por Inocêncio IV."


"Com esta nova aprovação pontifícia, recebe novo impulso o trabalho de restauração da Ordem, que foi, pouco a pouco, levando-se a termo através do trabalho pessoal dos Gerais e com diversas iniciativas provenientes também da base e que deram origem ao fenômeno comum das Congregações reformadas."


"Os Priores Gerais que mais se distinguiram por seu trabalho na reforma da Ordem foram o Beato Soreth (Geral de 1451 a 1471), o Beato Batista de Mantua (1513-1516), Nicolás Audet (1524-1562) e, finalmente, Juan Bautista Rossi (Rubeo), vigário geral em 1562 e Geral desde 1564 até 1578 [7] . Com o pleno acolhimento dos decretos da reforma do Concílio Tridentino, a Ordem recuperou sua antiga prosperidade, alcançando o número de 15.000 membros antes das supressões dos séculos XVIII e XIX."


"O ideal da Ordem manteve-se sempre o mesmo, desde que, com a aprovação de Inocêncio IV, associou à contemplação o apostolado, ainda que as formas concretas em que se foi vivendo foram adaptando-se às circunstâncias históricas e o breve texto da Regra foi explicado e comentado através das Constituições e de numerosos tratados espirituais."


"Também a devoção à Santíssima Virgem e a Santo Elias, que caracteriza a vida dos Carmelitas, foi expressando-se de diversas formas com o correr dos tempos, porém, sempre dentro de uma continuidade. Em Maria encontram a personificação mais perfeita da aspiração do Carmelo à união com Deus. “Maria é o ideal vivido da vida carmelitana: vida de escuta da Palavra de Deus e entrega total a seu serviço na obra da salvação” . A figura de Elias, modelo e inspirador da vida monástica desde suas origens e exemplo de homem de oração, foi calando cada vez mais fundo na espiritualidade da Ordem, que chegou inclusive a considerá-lo durante alguns séculos, como seu verdadeiro fundador no sentido estrito da palavra."



Próximo estudo : A grande Reforma de Santa Teresa de Ávila
adaptado de "Carmelo Teresiano  - Páginas de sua História"
Frei Idelfonso Morriones

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