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domingo, 12 de dezembro de 2010

12 de Dez. 2010 - 2º Domingo do Avento - «Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas»

Neste segundo domingo de Advento, ecoa no Evangelho a voz de João Batista, profeta enviado por Deus como precursor do Messias. Ele apresenta-se no deserto da Judéia e, fazendo eco de um antigo oráculo de Isaías, brada: "Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas". Esta mensagem atravessa os séculos e chega até nós, repleta de extraordinária actualidade convidando-nos, também a nós, a preparar o caminho do Senhor no nosso coração e na nossa vida.

Evangelho segundo S. Lucas (13-1-16)

No décimo quinto ano do reinado do imperador Tibério, quando Pôncio Pilatos era governador da Judeia, Herodes tetrarca da Galileia, seu irmão Filipe tetrarca da região da Itureia e Traconítide e Lisânias tetrarca de Abilene, no pontificado de Anás e Caifás, foi dirigida a palavra de Deus a João, filho de Zacarias, no deserto. E ele percorreu toda a zona do rio Jordão, pregando um baptismo de penitência para a remissão dos pecados, como está escrito no livro dos oráculos do profeta Isaías: «Uma voz clama no deserto: ‘Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas. Sejam alteados todos os vales e abatidos os montes e as colinas; endireitem-se os caminhos tortuosos e aplanem-se as veredas escarpadas; e toda a criatura verá a salvação de Deus’»


Reflexão

"Minha irmã, meu irmão, neste segundo domingo do Advento, o Evangelho de Mateus dá grande destaque à figura de João Batista. Mostra-o pregando no deserto da Judeia, diz que sua missão fora anunciada pelo profeta Isaías – que viveu no século oito, antes de Cristo –, vestia-se e alimentava-se de modo radicalmente simples, e falava com muita autoridade, quando chamava as pessoas à conversão. O Batista é apresentado como um dos antigos profetas, no estilo do grande profeta Elias, do qual o povo esperava o retorno. Para Mateus não há dúvida, de que Elias está presente na figura de João. De fato, de Elias se diz que “um cinto de couro lhe cingia os rins” (2Rs 1,8).


A pregação do Batista é resumida num refrão: “Convertei-vos, porque o reino dos céus está próximo” (Mt 3,2). Neste refrão podemos perceber que os ouvintes de João estavam no aguardo de um grande acontecimento. Este acontecimento, João afirma que é para breve, e ele o chama de “reino dos céus” (“Reino de Deus”, em Mc 1,15; Lc 6,20 e Jo 3,3). “O reino dos céus está próximo” é uma boa notícia, é um “evangelho”. No contexto do Evangelho de hoje, o refrão do Batista vem atender às expectativas do povo, de uma mudança da realidade para melhor. Podemos até imaginar um modo de explicar o convite de João: “Minha gente, aquilo que vocês tanto esperavam, aquilo que os nossos antepassados tanto esperaram, enfim, está chegando. Já não vai demorar muito; está próximo”.


A expressão “O reino de Deus está próximo” indica também, quem será o autor, aquele que irá inaugurar essa mudança: Deus. Mudança para melhor, só pode vir de Deus. João Batista é apresentado não só como o profeta da esperança, mas, sobretudo, como profeta da certeza. O que ele anuncia, embora, não tenha uma data definida para acontecer, não é algo que vá levar mais muito tempo. Os destinatários são os próprios ouvintes. Nisto ele difere de Isaías e dos outros profetas, que faziam suas promessas para um tempo futuro, sem nenhum compromisso com o tempo do cumprimento dessas promessas. Portanto, o anúncio de João suscita não só a esperança, mas também a certeza: “O reino dos céus está próximo”.

Mateus não dá nenhuma explicação sobre o “reino dos céus”. Nós, ouvintes do terceiro milênio precisaríamos de maiores detalhes, para compreendermos de que se trata. Mas os ouvintes de João, certamente, sabiam do que o Batista estava falando. Por isso não temos outras informações. O certo é que, para acolher o reino dos céus, as pessoas devem preparar-se espiritualmente e moralmente: “Convertei-vos”, diz o profeta.


A palavra “conversão” vem do latim. Em latim, “convertere” significa “mudar de rumo”, “mudar de direção”; está relacionada a caminho. Quem vai trilhando o caminho da maldade, não reúne as condições para acolher a novidade do reino dos céus. Mas não está descartado, porque o reino vem para todos. Por isso o convite insistente de João, para que, todos os que andam desviados, fora do caminho traçado por Deus, mudem de rumo, retomem o bom caminho. Isto em latim. Mas, em grego, “conversão” é “matánoia”, quer dizer, mudança de mentalidade, mudança de pensamento. Para mim, o grego é melhor. De fato, as pessoas só mudam suas ações, suas práticas, quando mudam sua maneira de pensar. E ninguém muda a maneira de pensar, assim, sem mais nem menos, sem ter passado por um processo muito trabalhoso. Haverá idas e voltas, avanços e recuos. Esta é a dinâmica da conversão. Quando João Batista lança o seu convite, para que as pessoas se convertam, não espera que haja uma mudança em massa e imediata. 


Ele tem vista um despertar, o início de um movimento de renovação espiritual e moral, que irá se consolidando com o tempo. O evangelista Lucas dá maiores detalhes sobre os propósitos de João. Segundo Lucas, o Batista explica ao povo, por onde o movimento deve começar: “Quem tiver duas túnicas dê uma a quem não tem nenhuma; e o mesmo faça quem tiver alimentos”. Aos cobradores de impostos ele dizia: “Não cobreis mais do que a taxa fixada”; e aos soldados: “Não pratiqueis torturas nem chantagem contra ninguém e contentai-vos com o vosso salário”. Vemos aqui que a conversão começa com mudanças básicas de atitude. A partilha, a justiça, a não violência. Isso era o que, naquele momento, era urgente fazer. Não era tudo, mas era um grande começo (cf. Lc 3,10-14).


Em resumo, o mundo novo, a realidade nova, de gente feliz e homens pacíficos sonhados pelos profetas Isaías e João Batista, enfim, o reino dos céus ou reino de Deus, começa a surgir a partir destas mudanças básicas de atitude. É só as pessoas deixarem Deus tomar conta do seu coração. Por isso é que João Batista garante: “O reino dos céus está próximo”. O reino de Deus sempre está próximo, porque Deus nunca desiste do ser humano."

Autor : Frei Areque, OFMCap.
Fonte : http://viprocam.com.br

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