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quarta-feira, 22 de junho de 2011

23 de Junho de 2011 - Festa de Corpus Christi


A Administração Apostólica São Joâo Maria Vianey
Divulga a Solene Festividade de Corpus Christi
Local : Igreja Principal - Paróquia do Coração Imaculado de N. Sra De Fátima
Campos dos Goytacazes - RJ

Santa Missa às 08:00 H seguida da Procissão Eucarística
Celebrante : Exmo Sr. D. Fernando Areas Rifan
Administrador Apostólico


O Sacerdote na Celebração Eucarística de Corpus Christi
(tradução dos Estudos do Oficio das Celebrações Litúrgicas do Sumo Pontifice)
 A Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo, nas palavras do Papa Bento XVI, "convida-nos a contemplar o mistério supremo da nossa fé: a Santíssima Eucaristia, presença real do Senhor Jesus Cristo no Sacramento do Altar. Cada vez que o sacerdote renova o sacrifício eucarístico, na oração da consagração, ele repete: "Este é o meu corpo ... este é o meu sangue ". Ele empresta sua voz, as mãos e o coração a Cristo, que quis permanecer conosco e ser o coração da Igreja "[1].

1. As origens da festa de Corpus Christi [2]

As origens remotas da festa de Corpus Christi está localizado no desenvolvimento do culto da Eucaristia, na Idade Média. As disputas doutrinárias entre Pascasio Radbertus († 865) e Ratramno de Corbie († 868), e especialmente entre Berengário de Tours († 1088) e Lanfranco de Pavia († 1089), levaram a um esclarecimento da doutrina sobre a Presença Real de Cristo no Sacramento e, portanto, um culto sincero e generalizado da Eucaristia.


No século XIII, manifesta-se um movimento mais amplo de devoção eucarística entre as pessoas e também entre os teólogos, com um forte contributo da nova ordem franciscana. O IV Concílio de Latrão (1215), afirmando a doutrina da Igreja com a fórmula da transubstanciação do pão e do vinho no Corpo e Sangue de Cristo, levou ao desenvolvimento do culto eucarístico. O próprio Conselho prescrita a obrigação da comunhão pascal anual da Eucaristia e da habitação em um local seguro [3]. E na liturgia disseminar a prática de elevar a hóstia e o cálice durante a Missa para os fiéis o desejo de ver e de adorar as espécies consagradas.


A solene celebração de Corpus Christi, tal como a conhecemos hoje, é devido à inspiração da religiosa flamenga Santa Juliana de Cornillon (1191-1258). A festa, fundada na diocese de Liège, na Bélgica actual, em 1246 e espalhou-se rapidamente, graças aos esforços do flamengo James Pantaleone de Troyes, mais tarde eleito Papa Urbano IV (1261-1264). Ele incluiu a festa no calendário litúrgico com a Transiturus de hoc mundo, 11 de agosto, 1264 [4]. No entanto, devido a diferentes eventos, era celebrada em toda a Igreja somente após o Concílio de Viena (1311-1312).


De acordo com a vida de Santa Juliana, o próprio Cristo disse que o principal motivo para querer que esta nova festa, era para recordar a instituição do Sacramento do seu Corpo e Sangue de maneira particularmente solene, o que não era possível na Quinta-Feira Santa, quando o liturgia é marcada pela lava-pés e pela Paixão do Senhor. Este festa seria um aumento de fé e de graça para os cristãos que incentivados a participar com mais atenção ao contrario do que ocorre em dias normais, com menos devoção, ou mesmo por negligência.


A festa foi marcada para quinta-feira após a oitava de Pentecostes, a primeira quinta-feira após a Páscoa, de acordo com o calendário litúrgico dell'usus antiquior. A festa é tão claramente ligada à Quinta-Feira Santa, e manifesta o seu caráter essencial: "Na festa de Corpus Christi, a Igreja revive o mistério da Quinta-Feira Santa à luz da Ressurreição" [5].


2. A Missa

Apesar das duvidas de historiadores, foi confirmado por pesquisas recentes que a Missa e o Ofício de Corpus Christi foram compostos por São Tomás de Aquino, sob as ordens do Papa Urbano IV. A missa original permaneceu a mesma nas várias edições do Missal Romano até os anos cinquenta do século XX, com a excepção do “tropo” do Kyrie [6] (retirado de uma fonte mais antiga), que havia desaparecido no Missal de São Pio V ( 1570).


Para a epístola escolheu-se a a criação da Instituiçào da Eucaristia do Apóstolo Paulo (1 Coríntios 11,23-29), em uma versão mais curta do mesmo texto, que é usado durante a Missa da Ceia do Senhor na Quinta-feira Santa (1 Cor 11 20-32). Esse quadro também faz parte do Evangelho (Jo 6,56-59) a partir do grande "discurso eucarístico" de Jesus, que segue o milagre da multiplicação dos pães.


Além das orações habituais e antífonas, a Missa contenha uma longa seqüência, também “dell’Aquinate”, o Lauda Sion. Essa seqüência é um belo exemplo de como a lex credenti se exprime na lex orandi, como mencionado Bento XVI:

"Temos apenas cantado a seqüência:" “Dogma datur christianis, / quod in carnem transit panis, / et vinum in sanguinem - É a verdade de cada cristão / transforma o pão em carne e o sangue torna-se o vinho ". Hoje reafirmamos com alegria nossa fé na Eucaristia, no mistério que constitui o coração da Igreja. [...] Portanto a festa de Corpus Christi é um festa singular, um importante ponto da fé e hoje de louvor para toda comunidade cristã. Esta festa teve origem num determinado contexto histórico e cultural: é fundada com a finalidade específica de reafirmar abertamente a fé do Povo de Deus em Jesus Cristo, vivo e realmente presente no Santíssimo Sacramento da Eucaristia. É uma festa criada para adorar, louvar e agradecer ao Senhor, "no sacramento da Eucaristia continua a amar-nos « até ao fim ", mesmo com o sacrifício de seu corpo e seu sangue" (Sacramentum caritatis, 1) [7].


Santo Tomás de Aquino a quem se atribuíu à missa de Corpus Christi e o Prefácio do Natal do Senhor: " No mistério da encarnação de vosso Filho, nova luz da vossa glória brilhou para nós. E, reconhecendo a Jesus como Deus visível a nossos olhos, aprendemos a amar nele a divindade que não vemos”. [8]. Esta escolha é importante, pois estabelece uma íntima conexão entre o mistério da Encarnação e da Transubstanciação: no Sacramento é real e substancialmente presente, o Cristo vivo, o Corpo, Sangue, Alma e Divindade.


No Missal Romano de 1962, que atualmente é normativo para a forma extraordinária do Rito Romano, o Prefácio da Natividade foi substituído pelo comum. No entanto, em 1962, quatro novos prefácios foram aprovados para algumas dioceses, incluindo um prefácio do Santíssimo Sacramento, também usado para Corpus Christi.


No Missal Romano de 1970 e nas posteriores edições típicas, os textos da festa permaneceram essencialmente os mesmos, mas foi atribuído o novo prefácio da Santíssima Eucaristia. A diferença principal é o enriquecimento com a segunda leitura no ciclo de três anos (Ano A: Dt 8,2-3.14 b-16, 1 Cor 10,16-17, Jo 6:51-58; Ano B: 24,3 Es -8, Hb 9,11-15, Mc 14,12-16.22-26, Ano C: Gn 14,18-20, 1Cor 11,23-26, Lc 9,11-17).


3. A Procissão

Em todo o mundo, Corpus Christi é marcado pela procissão eucarística solene que segue após a missa. Também a festa, se recorda a celebração da Quinta-Feira Santa, que termina com a procissão eucarística até o altar da reposição. Deve-se notar, contudo, que a procissão de Quinta-feira Santa lembra o êxodo do Senhor no cenaculo para a solidão do Monte das Oliveiras, onde ele foi traído por Judas, e, portanto, tem um aspecto escuro e triste, é a noite que leva à Paixão Sexta-feira Santa. Em vez disso, a procissão eucarística de Corpus Christi é realizada à luz alegre da Ressurreição. Ao portar Cristo Sacramentado pelas cidades e aldeias, campos e lagos, a Igreja age "em obediência ao convite de Jesus para" proclamar de cima dos telhados "que ele nos contou em segredo (cf. Mt 10:27) . O dom da Eucaristia, os Apóstolos receberam do Senhor na intimidade da Última Ceia, mas era destinado a todos, a todo o mundo "[9].


Na solene celebração de Corpus Christi, em muitas paróquias e comunidades católicas, se expressa a alegria da fé, na qual Bento XVI, como teólogo e como papa, muitas vezes refletiu: a força com que a verdade da fé cristã se faz, deve ser a maneira de alegria com a qual se manifesta. Esta alegria é uma alegria pascal, enraizada de fato em Cristo, ressuscitado dentre os mortos. A Igreja tem necessidade de aproveitar todo o esplendor da beleza, de expressar esta alegria suprema.


Não devemos perder a coragem de insistir sobre a prioridade do culto divino, ultrapassando assim uma restrita interpretação moralista e legalista do cristianismo. Bento XVI dá o exemplo, porque é profundamente convencido de que "a lei e a moral não caminham juntos se não estiverem ancoradas no centro litúrgico e não se aspiram" [10]. A adoração, que se expressa de modo particular na Missa e da Procissão de Corpus Christi, é constitutiva da relação do homem com Deus e da direta existência humana no mundo.


Neste ano sacerdotal * , o ministro do Santíssimo Sacramento tem uma razão para voltar a meditar sobre a incomparável dignidade, que foram chamados por vocação divina. Sendo sacerdotes ordenados tem uma referência fundamental e insubstituível para o poder de consagrar a Eucaristia. Por várias razões que são de fundo teológico para a alegria de todo cristão diante do dom da Eucaristia, o sacerdote acrescenta ainda à sua forma - e certamente humanamente imerecida – Ao Cristo Sacerdote, que está verdadeiramente presente no Santíssimo Sacramento do Altar. Queremos, portanto, que sacerdotes de todo o mundo vivam a procissão de Corpus Christi como um tempo de adoração, contemplação e reflexão sobre o grande mistério que se torna presente de novo no mundo através de suas mãos, ungidas um dia com o santo crisma, para poder consagrar e tocar o Corpo sacramentado de Cristo.

(*considera-se que o presente estudo foi escrito no decorrer do Ano Sacerdotal 2009-2010)


Notas

1) Bento XVI, Angelus (10 giugno 2007).

2) Cf. L. Pristas, «The Calendar and Corpus Christi: An Historical and Theological Consideration of the Church’s Sacred Year», in U. M. Lang (ed.), The Genius of the Roman Rite: Historical, Theological and Pastoral Perspectives on Catholic Liturgy, Hillenbrand Books, Chicago 2010, pp. 159-178.

3) Concilio Lateranense IV (1215), Constitutiones, 20. De chrismate et eucharistia sub sera conservanda: in Conciliorum Oecumenicorum Decreta, p. 244.

4) Cf. DS 846-847.

5) Bento XVI, Omelia nella Solennità del SS.mo Corpo e Sangue di Cristo (26 maggio 2005). Hoje, em muitos países onde a quinta-feira não é um feriado, a festa de Corpus Christi é celebrada no domingo seguinte.

6) Com essa expressão se entende a ínvocação do «Kyrie, eleison» acompanhada de um verso introdutorio chamado «tropo», por ex.: «Senhor, que viestes salvar, os corações arrependidos, , tente piedade de nós».

7) Bento XVI, Omelia nella Solennità del SS.mo Corpo e Sangue di Cristo (7 giugno 2007).

8) «Quia per incarnati Verbi mysterium nova mentis nostrae oculis lux caritatis infulsit: ut dum visibiliter Deum cognoscimus, per hunc in invisibilium amorem rapiamur».

9) Bento XVI, Omelia nella Solennità del SS.mo Corpo e Sangue di Cristo (7 giugno 2007).

10) J. Ratzinger, Introduzione allo spirito della liturgia, San Paolo, Cinisello Balsamo 2001, p. 16.




domingo, 19 de junho de 2011

1º Domingo Depois de Pentecostes - Festa da Santíssima Trindade

É o mistério central da fé e da vida cristã.
Os cristãos são batizados em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.

1. A revelação do Deus uno e trino

O mistério central da fé e da vida cristã é o mistério da Santíssima Trindade. Os cristãos são batizados em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo” (Compêndio, 44). Toda a vida de Jesus é revelação de Deus Uno e Trino: na anunciação, no nascimento, no episódio de sua perda e encontro no Templo quando tinha doze anos, em sua morte e ressurreição, Jesus se revela como Filho de Deus de uma forma nova com relação à filiação conhecida por Israel. No início de sua vida pública, também no momento de seu batismo, o próprio Pai testemunha ao mundo que Cristo é o Filho Amado (cfr. Mt 3, 13-17 e par.) e o Espírito desce sobre Ele em forma de pomba. A esta primeira revelação explícita da Trindade corresponde a manifestação paralela na Transfiguração, que introduz o mistério Pascal (cfr. Mt 17, 1- 5 e par.). Finalmente, ao despedir-se de seus discípulos, Jesus os envia a batizar em nome das três Pessoas divinas, para que seja comunicada a todo o mundo a vida eterna do Pai, do Filho e do Espírito Santo (cfr. Mt 28, 19).


No Antigo Testamento, Deus havia revelado sua unicidade e seu amor para com o povo eleito: Javé era como um Pai. Mas depois de haver falado muitas vezes por meio dos profetas, Deus falou por meio de seu Filho (cfr. Hb 1, 1-2), revelando que Javé não é apenas como um Pai, mas que é Pai (cfr. Compêndio, 46). Jesus se dirige a Ele em sua oração com o termo aramaico Abba, usado pelos meninos israelitas para se dirigirem ao próprio pai (cfr. Mc 14, 36), e distingue sempre sua filiação daquela dos discípulos. Isto é tão chocante que se pode dizer que a verdadeira razão da crucificação é justamente o chamar-se a si mesmo Filho de Deus em sentido único. Trata-se de uma revelação definitiva e imediata [1], porque Deus se revela com sua Palavra: não podemos esperar outra revelação, porquanto Cristo é Deus (cfr., por ex., Jo 20, 17) que se nos dá, inserindo-nos na vida que emana do regaço de seu Pai.


Em Cristo, Deus abre e entrega sua intimidade, que seria inacessível ao homem pelas próprias forças somente [2]. Esta mesma revelação é um ato de amor, porque o Deus pessoal do Antigo Testamento abre livremente seu coração e o Unigênito do Pai sai ao nosso encontro, para fazer-se uma só coisa conosco e levar-nos de volta ao Pai (cfr. Jo 1, 18). Trata-se de algo que a filosofia não podia adivinhar, pois, fundamentalmente, só se pode conhecer mediante a fé.


2. Deus em sua vida íntima

Deus não só possui uma vida íntima, mas Deus é – identifica-se – com sua vida íntima, uma vida caracterizada por eternas relações vitais de conhecimento e de amor, que nos levam a expressar o mistério da divindade em termos de processões.


De fato, os nomes revelados das três Pessoas divinas exigem que se pense em Deus como o proceder eterno do Filho do Pai e, na mútua relação – também eterna – do Amor que “sai do Pai” (Jo 15, 26) e “toma do Filho” (Jo 16,14), que é o Espírito Santo. A Revelação nos fala, assim, de duas processões em Deus: a geração do Verbo (cfr. Jo 17.6) e a processão do Espírito Santo. Com a característica peculiar de que ambas são relações imanentes, porque estão em Deus: mais, são o próprio Deus, uma vez que Deus é Pessoal; quando falamos de processão, pensamos ordinariamente em algo que sai de outro e implica mudança e movimento. Posto que o homem foi criado à imagem e semelhança de Deus Uno e Trino (cfr. Gn 1, 26-27), a melhor analogia com as processões divinas pode ser encontrada no espírito humano, em que o conhecimento que temos de nós mesmos não sai para fora: o conceito (a idéia) que fazemos de nós mesmos é distinta de nós mesmos, mas não está fora de nós. O mesmo podemos dizer do amor que temos para conosco. De forma parecida, em Deus, o Filho procede do Pai e é sua Imagem, analogamente como o conceito é imagem da realidade conhecida. Só que esta imagem em Deus é tão perfeita que é o próprio Deus, com toda sua infinitude, sua eternidade, sua onipotência: o Filho é uma só coisa com o Pai, o mesmo Algo, essa é a única e indivisa natureza divina, ainda que sendo outro Alguém. O Símbolo Niceno-Constantinopolitano o expressa com a fórmula “Deus de Deus, Luz de Luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro”. O fato é que o Pai gera o Filho, doando-se a Ele, entregando-Lhe Sua substância e Sua natureza; não em parte como acontece com a geração humana, mas perfeita e infinitamente.


O mesmo pode ser dito acerca do Espírito Santo, que procede como o Amor do Pai e do Filho. Procede de ambos, porque é o dom eterno e incriado que o Pai entrega ao Filho, gerando-o, e que o Filho devolve ao Pai como resposta a Seu Amor. Este dom é dom de si, porque o Pai gera o Filho comunicando-lhe total e perfeitamente seu próprio Ser mediante seu Espírito. A terceira Pessoa é, portanto, o Amor mútuo entre o Pai e o Filho [3]. O nome técnico desta segunda processão é expiração. Seguindo a analogia do conhecimento e do amor, pode-se dizer que o Espírito age como a vontade que se move em direção ao Bem conhecido.


Estas duas processões chamam-se imanentes, e se diferenciam radicalmente da criação, que é transeunte, no sentido de que é algo que Deus realiza fora de si. Ao serem processões, dão conta da distinção em Deus, enquanto que, ao serem imanentes, dão razão da unidade. Por isso, o mistério do Deus Uno e Trino não pode ser reduzido a uma unidade sem distinções, como se as três Pessoas fossem apenas três máscaras; ou a três seres sem unidade perfeita, como se se tratasse de três deuses distintos, ainda que juntos.


As duas processões são o fundamento das distintas relações que em Deus se identificam com as Pessoas divinas: o ser Pai, o ser Filho e o ser expirado por Eles. De fato, como não é possível ser pai e ser filho da mesma pessoa, no mesmo sentido, assim, não é possível ser, ao mesmo tempo, a Pessoa que procede pela expiração e as duas Pessoas das quais procede. Convém esclarecer que, no mundo criado, as relações são acidentes, no sentido de que suas relações não se identificam com seu ser, ainda que o caracterizem profundamente, como no caso da filiação. Em Deus, posto que nas processões é doada toda a substância divina, as relações são eternas e se identificam com a própria substância.


Estas três relações eternas não só caracterizam, mas também se identificam com as três Pessoas divinas, posto que pensar no Pai significa pensar no Filho; e pensar no Espírito Santo, significa pensar naqueles em relação aos quais Ele é Espírito. Assim, as três Pessoas divinas são três Alguém, mas um único Deus. Não como se dá entre os homens que participam da mesma natureza humana, sem esgotá-la. As três Pessoas são cada uma toda a Divindade, identificando-se com a única Natureza de Deus [4]: as Pessoas são Uma na Outra. Por isso, Jesus disse a Felipe que quem O viu, viu o Pai (cfr. Jo 14, 6), posto que Ele e o Pai são uma só coisa (cfr. Jo 10, 30 e 17, 21). Esta dinâmica, que se chama tecnicamente pericoresis ou circumincessão (dois termos que fazem referência a um movimento dinâmico em que um se intercambia com o outro como em uma dança em círculo), ajuda a perceber que o mistério de Deus Uno e Trino é o mistério do Amor: “Ele mesmo é uma eterna comunicação de amor: Pai, Filho e Espírito Santo, e nos destinou a participar n’Ele” (Catecismo, 221).


3. Nossa vida em Deus

Sendo Deus eterna comunicação de Amor, é compreensível que esse Amor se extravase fora d’Ele em seu agir. Toda a ação de Deus na história é obra conjunta das três Pessoas, posto que se distinguem somente no interior de Deus. Não obstante, cada uma imprime nas ações divinas ad extra sua característica pessoal [5]. Usando uma imagem, poder-se-ia dizer que a ação divina é sempre única, como o dom que nós poderíamos receber da parte de uma família amiga, que é fruto de um só ato; mas, para quem conhece as pessoas que constituem a família, é possível reconhecer a mão ou a intervenção de cada uma, pela marca pessoal deixada por cada uma no único presente.


Este reconhecimento é possível porque conhecemos as Pessoas divinas naquilo que as distingue pessoalmente, mediante suas missões, quando Deus Pai enviou, juntamente o Filho e o Espírito Santo, na história (cfr. Jo 3, 16-17 e 14-26), para que se fizessem presentes entre os homens: “são, principalmente, as missões divinas da Encarnação do Filho e do dom do Espírito Santo as que manifestam as propriedades das Pessoas divinas” (Catecismo, 258). Eles são como as duas mãos do Pai [6] que abraçam os homens de todos os tempos, para levá-los ao seio do Pai. Se Deus está presente em todos os seres enquanto princípio do que existe, com as missões o Filho e o Espírito Santo se fazem presentes de forma nova [7]. A própria Cruz de Cristo manifesta ao homem de todos os tempos o eterno dom que Deus faz de Si mesmo, revelando em sua morte a íntima dinâmica de seu Amor que une as três Pessoas.


Isto significa que o sentido último da realidade, aquilo que todo homem deseja, o que foi buscado pelos filósofos e pelas religiões de todos os tempos, é o mistério do Pai que gera o Filho, no Amor, que é o Espírito Santo. Na Trindade se encontra, assim, o modelo originário da família humana [8] e sua vida íntima é a aspiração verdadeira de todo amor humano. Deus quer que todos os homens constituam uma só família, isto é, uma só coisa com Ele mesmo, sendo filhos no Filho. Cada pessoa foi criada à imagem e semelhança da Trindade (cfr. Gn 1, 27) e está feita para existir em comunhão com os demais homens, e, sobretudo, com o Pai celestial. Aqui se encontra o fundamento último do valor da vida de cada pessoa humana, independentemente de suas capacidades ou de suas riquezas.


Mas o acesso ao Pai só se pode encontrar em Cristo, Caminho, Verdade e Vida (cfr. Jo14, 6): mediante a graça, os homens podem chegar a ser um só corpo místico na comunhão da Igreja. Através da contemplação da vida de Cristo e através dos sacramentos, temos acesso à própria vida íntima de Deus. Pelo Batismo, somos enxertados na dinâmica de Amor da família das três Pessoas divinas. Por isso, na vida cristã, trata-se de descobrir que, a partir da existência ordinária, das múltiplas relações que estabelecemos, e de nossa vida familiar, que teve seu modelo perfeito na Sagrada Família de Nazaré, podemos chegar a Deus: “Procura o convívio com as três Pessoas, com Deus Pai, com Deus Filho, com Deus Espírito Santo. E para chegares à Trindade Santíssima, passa por Maria” [9]. Deste modo, pode-se descobrir o sentido da história, como caminho da trindade à Trindade, aprendendo com a “trindade da terra” – Jesus, Maria e José – a levantar o olhar para a Trindade do Céu.


Autor : Giulio Maspero

 
Bibliografía básica
Catecismo da Igreja Católica, 232-267.
Compendio do Catecismo da Igreja Católica, 44-49.

Leituras recomendadas

São Josemaria, Homilia “Humildade”, Amigos de Deus, 104-109.
J. Ratzinger, El Dios de los cristianos. Meditaciones, Ed. Sígueme, Salamanca 2005.

[1] Cfr. São Tomás de Aquino, In Epist. Ad Gal., c. 1, lect. 2.
[2] “Deus deixou marcas de seu ser trinitário na criação e no Antigo Testamento, mas a intimidade de seu ser como Trindade Santa constitui um mistério inacessível à razão humana sozinha e, inclusive, à fé de Israel, antes da Encarnação do Filho de Deus e do envio do Espírito Santo. Este mistério foi revelado por Jesus Cristo, e é a fonte de todos os demais mistérios” (Compêndio, 45).
[3] “O Espírito Santo é a Terceira Pessoa da Santíssima Trindade. É Deus, uno e igual ao Pai e ao Filho; ‘procede do Pai’ (Jo, 15, 26), o qual é princípio sem princípio e origem de toda a vida trinitária. E procede também do Filho (Filioque), pelo dom eterno que o Pai faz ao Filho. O Espírito Santo, enviado pelo Pai e pelo Filho encarnado, guia a Igreja até o conhecimento da ‘verdade plena’ (Jo 16, 13)” (Compêndio, 47).
[4] “A Igreja expressa sua fé trinitária confessando um só Deus em três Pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo. As três divinas Pessoas são um só Deus porque cada uma delas é idêntica à plenitude da única e indivisível natureza divina. As três são realmente distintas entre si por suas relações recíprocas: o Pai gera o Filho, o Filho é gerado pelo Pai, o Espírito Santo procede do Pai e do Filho” (Compêndio, 48).
[5] “Inseparáveis em sua única substância, as divinas pessoas são também inseparáveis em seu agir: a Trindade tem uma só e mesma operação. Mas, no único agir divino, cada pessoa se faz presente segundo o modo que lhe é próprio na Trindade” (Compêndio, 49).
[6] Cfr. Santo Irineu, Adversus haereses, IV, 20, 1.
[7] Cfr. São Tomás de Aquino, Summa Theologiae, I, q. 43, a. 1, c. y a. 2, ad. 3.
[8] “O ‘Nós’ divino constitui o modelo eterno do ‘nós’ humano; primeiramente daquele ‘nós’ que está formado pelo homem e a mulher, criados à imagem e semelhança de Deus” ( João Paulo II, Carta às famílias, 2-2-1994, 6).
[9] São Josemaria Escrivá, Forja, 543.

Fonte: Opus Dei

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Os Dons do Divino Espírito Santo


"Brotará uma vara do tronco de Jessé e um rebento das suas raízes:

- Espírito de Sabedoria e de Entendimento".
- Espírito de Conselho e de Fortaleza.
- Espírito de Ciência e de Temor de Deus.
- E pronunciará os seus decretos no Temor do Senhor. (Is. 11/1-3).

 Nestas palavras o profeta, Isaías indicou os Dons que devia possuir o Messias.
Do mesmo modo estas palavras nos ensinam quais as qualidades especiais que hão de receber os que seguem a Jesus, segundo a Economia Divina, quando eles recebem os Dons do Espírito Santo.

O Espírito da Verdade

(Jo 14, 15-21)

"Se me amais, observareis meus mandamentos, e rogarei ao Pai e ele vos dará outro Paráclito, para que convosco permaneça para sempre, o Espírito da Verdade, que o mundo não pode acolher, porque não o vê nem o conhece. Vós o conheceis, porque permanece convosco. Não vos deixarei órfãos. Eu virei a vós. 19 Ainda um pouco e o mundo não mais me verá, mas vós me vereis porque eu vivo e vós vivereis. Nesse dia compreendereis que estou em meu Pai e vós em mim e eu em vós. Quem tem meus mandamentos e os observa é que me ama; e quem me ama será amado por meu Pai. Eu o amarei e me manifestarei a ele". (Em Jo 14, 15 diz: "Se me amais, observareis meus mandamentos".)


O autêntico amor há de manifestar-se com obras: "Isto é na verdade o amor: obedecer àquele que se ama e crer nele" (São João Crisóstomo, Hom. sobre São João, 74), e: "Por isso Jesus quer fazer-nos compreender que o amor a Deus, para o ser deveras, há de refletir-se numa vida de entrega generosa e fiel ao cumprimento da Vontade divina: aquele que recebe os Seus mandamentos e os guarda, esse é que O ama (cfr Jo 14, 21). O próprio São João exorta-nos noutro passo a que 'não amemos de palavra e com a língua, mas com obras e de verdade' (1 Jo 3, 18), e ensina-nos que 'o amor de Deus consiste em que cumpramos os Seus mandamentos' (1 Jo 5, 3)" (Edições Theologica).


Amar a Deus e não observar os seus mandamentos é um contra-senso, é absolutamente impossível. Mente aquele que afirma amar a Deus, mas desobedece aos Seus mandamentos.

O amor a Deus não consiste em "poesias" e sentimentalismo, mas sim, em viver os mandamentos. Aquele que ama verdadeiramente a Deus obedece aos Seus mandamentos.

O Pe. Gabriel de Santa Maria Madalena escreve: "A observância dos mandamentos como prova de amor autêntico - muitas vezes recomendada no Sermão da última Ceia - é apresentada por Jesus como condição para receber o Espírito Santo. Só quem vive no amor e, portanto, no cumprimento da vontade divina, está apto a receber o Espírito Santo, Amor infinito feito Pessoa".

Em Jo 14, 16-17 diz: "... e rogarei ao Pai e ele vos dará outro Paráclito, para que convosco permaneça para sempre, o Espírito da Verdade, que o mundo não pode acolher, porque não o vê nem o conhece. Vós o conheceis, porque permanece convosco".


O Senhor promete aos Apóstolos em diversas ocasiões que lhes enviará o Espírito Santo (cfr 14,26; 15,36; 16,7-14; Mt 10,20). Aqui anuncia-lhes que um fruto da Sua mediação diante do Pai será a vinda do Paráclito. O Espírito Santo, com efeito, virá sobre os discípulos depois da Ascensão do Senhor (cfr At 2,1-13), enviado pelo Pai e pelo Filho. Aqui Jesus ao prometer que por meio d'Ele o Pai lhes enviará o Espírito Santo, está a revelar o mistério da Santíssima Trindade.


Edições Theologica comenta: "Paráclito significa etimologicamente 'chamado junto a um' com o fim de o acompanhar, consolar, proteger, defender... Daí que o Paráclito se traduza por Consolador, Advogado, etc. Jesus fala do Espírito Santo como de 'outro Paráclito', porque será dado aos discípulos em Seu lugar como Advogado ou Defensor que os assista, já que Ele vai subir aos Céus. Em 1 Jo 2,1 chama-se Paráclito a Jesus Cristo: 'Temos Advogado diante do Pai: Jesus Cristo, o Justo'. Cristo, portanto, é também nosso Advogado e Mediador no Céu junto ao Pai (cfr Hb 7,25). O Espírito Santo cumpre agora o ofício de guiar, proteger e vivificar a Igreja".


O Papa Paulo VI comenta: "Porque, como sabemos, dois são os elementos que Cristo prometeu e outorgou, ainda que diversamente, para continuar a Sua obra (...): o apostolado e o Espírito. O apostolado atua externa e objetivamente; forma o corpo, por assim dizer, material da Igreja, confere-lhe as suas estruturas visíveis e sociais; enquanto o Espírito Santo atua internamente, dentro de cada uma das pessoas, como também sobre a comunidade inteira, animando, vivificando e santificando".


O Paráclito é o nosso Consolador enquanto caminhamos neste mundo no meio de dificuldades e sob a tentação da tristeza: "Por maiores que sejam as nossas limitações, nós, homens, podemos olhar com confiança para os Céus e sentir-nos cheios de alegria: Deus ama-nos e liberta-nos dos nossos pecados. A presença e a ação do Espírito Santo na Igreja são o penhor e a antecipação da felicidade eterna, dessa alegria e dessa paz que Deus nos prepara" (São Josemaría Escrivá, Cristo que passa, n.° 128), e: "Paráclito quer dizer consolador e também advogado, assistente, auxílio. Jesus foi o primeiro consolador que, em sua misericórdia, nos enviou o Pai celeste. O Espírito Santo é também um consolador, para nós como para os Apóstolos. O Espírito Santo permanecerá eternamente convosco, o que quer dizer que a sua assistência foi prometida, não somente aos Apóstolos, mas a todos os seus sucessores.


Os mundanos, guiados pelo espírito do erro, não são capazes de discernir ou compreender os dons do Espírito Santo, bem que o tenham debaixo dos olhos. Por isso não o podem receber. Permanecerá convosco, com o corpo da Igreja, com a Igreja universal, e estará em vós, no coração de cada um, pela graça santificante. Todo cristão, em estado de graça é um templo do Espírito Santo" (Dom Duarte Leopoldo), e também: "Posta esta premissa, Jesus mesmo, voltando ao Pai, enviará aos seus 'um outro Consolador' - advogado, defensor - que o substituirá junto aos discípulos, permanecerá sempre com eles e com toda a Igreja. Sendo 'Espírito', sua presença e atuação serão invisíveis, absolutamente espirituais. O mundo imerso na matéria e obscurecido pelo erro não poderá conhecê-lo, nem recebê-lo, pois está em franca oposição com o 'Espírito de Verdade" (Pe. Gabriel de Santa Maria Madalena).


Dídimo do Espírito Santo comenta: "Chamou ao Espírito Santo outro Consolador, não pela diversidade de essência, senão de operação, porque o Salvador desempenhava o ofício de mediador e de enviado, para que na condição de Pontífice rogasse por nós pecadores, e a denominação de Paráclito do Espírito Santo já tem outro sentido, e é o de consolador dos tristes", e: "Também disse: 'Para que permaneça entre vocês eternamente'... Aqui insinua implicitamente que o Espírito Santo não morrerá como Ele, nem tampouco se separará" (São João Crisóstomo, Ut supra), e também: "Este é na Trindade o Espírito Santo, a quem a Igreja proclama coeterno e consubstancial com o Pai e o Filho" (Santo Agostinho, Ut supra), e ainda: "Observe-se que quando chama ao Espírito Santo, Espírito de verdade, manifesta que o Espírito Santo é seu próprio Espírito. Depois, quando promete que o Pai o enviará, que é também o Espírito do Pai. Por esta razão o Espírito Santo procede do Pai e do Filho" (São Beda), e: "Todo aquele que o Espírito Santo enche com sua presença, se eleva ao desejo das coisas invisíveis. E como os corações mundanos não desejam senão as visíveis, não o recebe este mundo, que não sabe levantar-se até o amor do invisível" (São Gregório, Moralium 5, 20).


Em Jo 14, 18-21 diz: "Não vos deixarei órfãos. Eu virei a vós. Ainda um pouco e o mundo não mais me verá, mas vós me vereis porque eu vivo e vós vivereis. Nesse dia compreendereis que estou em meu Pai e vós em mim e eu em vós. Quem tem meus mandamentos e os observa é que me ama; e quem me ama será amado por meu Pai. Eu o amarei e me manifestarei a ele".


A desgraça do órfão é o isolamento. Abandonado e só na terra, não tem mais pai nem mãe para amá-lo e defendê-lo. Jesus, porém, nos deixa um Pai no céu, e na terra uma mãe terna e carinhosa - a Santa Igreja Católica. Não somos órfãos, porque temos o nosso Divino Salvador realmente presente na Santíssima Eucaristia.


Edições Theologica comenta: "Em vários momentos da Ceia transparece a tristeza dos Apóstolos diante das palavras de despedida do Senhor (cfr Jo 15, 16; 16, 22). Jesus fala-lhes com ternura, chamando-lhes filhinhos (Jo 13, 33) e a amigos (Jo 15, 15), e promete-lhes que não ficarão sós, pois lhes enviará o Espírito Santo, e Ele mesmo voltará a estar com eles. Na verdade, vê-Lo-ão de novo depois da Ressurreição, quando lhes aparecer durante quarenta dias falando com eles do reino de Deus (cfr At 1, 3). Ao subir aos Céus deixarão de vê-Lo; não obstante, Jesus continua no meio dos Seus discípulos, segundo tinha prometido (cfr Mt 28, 20), e vê-Lo-emos face a face no Céu".


Santo Agostinho escreve: "Então poderemos ver o que agora cremos. Também agora Ele está entre nós, e nós n'Ele; mas agora cremo-Lo, então conhecê-Lo-emos, e ainda que agora O conheçamos pela fé, então conhecê-Lo-emos pela contemplação. Enquanto vivemos neste corpo corruptível que pesa à alma, como sucede agora, estamos a peregrinar para o Senhor: caminhamos na fé e não na visão. Mas então vê-Lo-emos diretamente, tal qual é" (In Ioann. Evang., 75, 4).


"Nesse dia compreendereis que estou em meu Pai e vós em mim e eu em vós".

Três dias depois da sua morte, os Apóstolos tornariam a vê-lo ressuscitado e glorioso. Nesse dia, sob a ação do Espírito Santo, eles deviam conhecer que Jesus está no Pai, que nós estamos em Jesus, e que Jesus está em nós. É a revelação do grande mistério de que fala São Paulo aos Efésios: 'O Cristo habita em vós pela fé' de modo invisível, porém real.


Feliz a alma que tem o sentimento da presença de Jesus em seu coração! Este sentimento é a sua força, é o Céu antecipado.


"Quem tem meus mandamentos e os observa é que me ama; e quem me ama será amado por meu Pai. Eu o amarei e me manifestarei a ele".


Como se manifesta Jesus àqueles que o amam? - Pela luz da graça e da fé, cada vez mais intensa, conforme a pureza da sua alma, e pela visão de Deus na outra vida. Quereis mais claro? Perguntai a São Paulo, a São Francisco de Assis, a Santa Teresa, a Santa Catarina de Sena e a Santa Madalena de Pazzi. Eles, os santos, as almas puras, vos dirão como, na escola de Jesus, os mais ignorantes se tornam sábios e grandes sábios.


Pe. Divino Antônio Lopes FP.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Vigilia de Pentecostes

 
“Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito os inspirava”. Que Espírito é este, que encheu hoje os Apóstolos e a inteira Igreja de Cristo?


Ele é o Espírito do Ressuscitado, soprado pelo Cristo Senhor: “Jesus disse: ‘Como o Pai me enviou (no Espírito Santo), eu também vos envio (neste mesmo Espírito)!’ Depois soprou sobre eles e disse: ‘Recebei o Espírito Santo!’”


Nele, tudo fora criado desde o princípio: “O Espírito do Senhor encheu o universo; ele mantém unidas todas as coisas e conhece todas as línguas” (Sb 1,7). Somente no Santo Espírito podemos compreender que toda a criação e toda a história são penetradas pela vida de Deus que nos vem pelo Cristo; somente no Santo Espírito podemos perceber a unidade e bondade radicais da criação que nos cerca, mesmo com tantas trevas e contradições. É o Santo Espírito, doce Consolador, que nos livra do desespero e da falta de sentido!


Nele tudo se mantém, tudo tem consistência, tudo é precioso: “Encheu-se a terra com as vossas criaturas: se tirais o seu respiro, elas perecem e voltam para o pó de onde vieram. Enviais o vosso Espírito e renascem e da terra toda a face renovais”. É por sua ação constante que tudo existe e persiste no ser. Sem ele, tudo voltaria ao nada e nada teria consistência real. Nele, tudo tem valor, até a mais simples das criaturas…


Sem ele, nada, absolutamente, podemos nós: “Sem a luz que acode, nada o homem pode, nenhum bem há nele!” Por isso Jesus disse: “Sem mim, nada podeis fazer (Jo 15,5)”, porque sem o seu Espírito Santo que nos sustenta e age no mais íntimo de nós, tudo quanto fizéssemos não teria valor para o Reino dos Céus. Jesus é a videira, nós, os ramos, o Espírito é a seiva que, vinda do tronco, nos faz frutificar…


Ele é a nova Lei – não aquela inscrita sobre tábuas de pedra, mas inscrita no nosso coração (cf. Ez 11,19; Jr 31,31-34), pois “o amor de Deus foi derramado nos nossos corações pelo Espírito que nos foi dado” (Rm 5,5). A lei de Moisés, em tábuas de pedra, fora dada no Sinai em meio a relâmpagos, trovões, fogo, vento e terremotos (cf. Ex 19); agora, a Nova Lei, o Santo Espírito nos vem em línguas de fogo e vento barulhento e impetuoso, para marcar o início da Nova Aliança, do Amor derramado no íntimo de nós!


Ele tudo perdoa e renova e, Cristo, pois é Espírito para a remissão dos pecados: “A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados!” É, pois, no Espírito que a Santa Igreja anuncia a paz do Evangelho do perdão de Deus para a humanidade em Cristo Jesus!


Ele nos une no Corpo de Cristo, que é a Igreja, pois “fomos batizados num único Espírito para formarmos um só corpo…” – Neste Corpo, ele nos enche de dons, carismas e ministérios, pois “a cada um é dada a manifestação do Espírito para o bem comum”. É no Espírito que a Igreja é uma na diversidade de tantos dons e carismas; uma nas diferenças de seus membros…


Ele faz a Igreja falar todas as línguas, fá-la abrir-se ao mundo, procurar o mundo com “santa inquietude”, não para render-se ao mundo ou imitá-lo ou perder-se nele, mas para “anunciar as maravilhas de Deus” em Cristo Jesus, chamando o mundo à conversão e à vida nova em Cristo!


Enfim, Ele torna Jesus sempre presente no nosso coração e no coração da Igreja e no testemunha incessantemente, sempre e em tudo que Jesus é o Senhor, pois “ninguém pode dizer: Jesus é o Senhor, a não ser no Espírito Santo!” – para a glória de Deus Pai. Amém.

Homilia do D. Henrique Soares da Costa – Solenidade de Pentecostes
fonte : http://www.presbiteros.com.br/

domingo, 5 de junho de 2011

Mes Sagrado Coração

A história de Santa Margarida Alacoque nos transporta ao Evangelista e Apóstolo João, que tinha por costume reclinar sua cabeça junto ao peito de Jesus.
Ali encontrava abrigo e proteção; com íntima pureza de criança, ouvia as batidas do Sagrado Coração, penetrando em todos os seus insondáveis mistérios, na plenitude de Sua misericórdia, do Seu Amor infinito. Os evangelistas referem-se a ele como “o discípulo que Jesus amava”.


Ele que, junto a Maria Santíssima fez-se presente aos pés da Santa Cruz; ele, que representando toda a humanidade, recebeu das mãos de Jesus a Maria. A Mãe de Deus, naquele momento, era a ele confiada como Mãe de todos os homens. É certo que São João foi maternalmente consolado e amparado, encontrando junto ao Imaculado Coração, o mesmo aconchego filial que recebera carinhosamente do Divino Mestre.


Santa Margarida, ao ser milagrosamente curada, propôs-se a entrar no Convento das Irmãs Ursulinas, mas Jesus como que “cochichando” em seu ouvido, mandou que ingressasse no Mosteiro de Santa Maria da Visitação, pela devoção que a congregação cultivava pelos Corações de Jesus e Maria.


Assim como São João, Santa Margarida conheceu o Coração de Jesus de perto, penetrando nas suas mais íntimas maravilhas, impossíveis de serem assimiladas pelo nosso frágil discernimento. Mas é justamente para nós que está direcionada esta graça, a graça de obter os favores espirituais através da devoção ao Sagrado Coração de Jesus. É mais um dom precioso que o Senhor nos deixou por herança. Não passemos indiferentes diante deste tesouro valiosíssimo, capaz de proporcionar abundantes graças não só para nós ou para nossas famílias, mas extensiva a todas as pessoas que andam mais afastadas da Igreja e particularmente, às almas que ainda padecem no purgatório.

(autor desconhecido)


As 12 promessas de Jesus, reveladas `a Santa Margarida Maria Alacoque, aos devotos do seu Sagrado Coração:

1ª Promessa: “A minha bênção permanecerá sobre as casas em que se achar exposta e venerada a imagem de meu Sagrado Coração”.
2ª Promessa: “Eu darei aos devotos de meu Coração todas as graças necessárias a seu estado.”
3ª Promessa: “Estabelecerei e conservarei a paz em suas famílias”.
4ª Promessa: “Eu os consolarei em todas as suas aflições”.
5ª Promessa: “Serei refúgio seguro na vida e principalmente na hora da morte”.
6ª Promessa: “Lançarei bênçãos abundantes sobre os seus trabalhose empreendimentos”.
7ª Promessa: “Os pecadores encontrarão em meu Coração fonte inesgotável de misericórdias”.
8ª Promessa: “As almas tíbias tornar-se-ão fervorosas pela prática dessa devoção”.
9ª Promessa: “As almas fervorosas subirão em pouco tempo a uma alta perfeição".
10ª Promessa: “Darei aos sacerdotes que praticarem especialmente essa devoção o poder de tocar os corações mais endurecidos”.
11ª Promessa: "As pessoas que propagarem esta devoção terão o seu nome inscrito para sempre no meu Coração”.
12ª Promessa: “A todos os que comunguem nas primeiras sextas-feiras de nove meses consecutivos, darei a graça da perseverança final e da salvação eterna”.-

quarta-feira, 1 de junho de 2011

31 de Maio de - Festa da Visitação e Encerramento do Mês de Maria


"Maria pôs-se a caminho para a montanha..." (Lc 1, 39).


"Ressoam aos nossos corações as palavras do evangelista Lucas: "Ao ouvir a saudação de Maria,... Isabel ficou cheia do Espírito Santo" (1, 41).(...)  E o encontro entre a Senhora e a prima Isabel é como uma espécie de "pequeno Pentecostes". Quero sublinhá-lo esta tarde, quase na vigília da grande solenidade do Espírito Santo.


Na narração evangélica, a Visitação vem imediatamente a seguir à Anunciação: a Virgem Santa, que leva no seio o Filho concebido por obra do Espírito Santo, irradia à sua volta graça e alegria espiritual. É a presença do Espírito em Si que faz exultar de alegria o filho de Isabel, João, destinado a preparar o caminho para o Filho de Deus feito homem.


Onde está Maria, está Cristo; e onde está Cristo, está o seu Espírito Santo, que procede do Pai e d'Ele mesmo no mistério sacrossanto da vida trinitária. Os Actos dos Apóstolos sublinham a razão da presença orante de Maria no Cenáculo, juntamente com os Apóstolos reunidos à espera de receber a "força do Alto". O "sim" da Virgem, "fiat", atrai sobre a humanidade o Dom de Deus:


como na Anunciação, também no Pentecostes. Assim continua a acontecer no caminho da Igreja. Reunidos em oração com Maria, pedimos uma abundante efusão do Espírito Santo sobre toda a Igreja, para que, a velas despregadas, se faça ao largo no novo milénio. De modo particular, invoquemo-lo sobre quantos trabalham diariamente ao serviço da Sé Apostólica, a fim de que o trabalho de cada um seja sempre animado do espírito de fé e de zelo apostólico.


É muito significativo que o último dia do mês de Maio nos traga a festa da Visitação. Com esta conclusão, é como se quiséssemos dizer que cada dia deste mês foi para nós uma espécie de visitação. Vivemos durante o mês de Maio uma contínua visitação, assim como o viveram Maria e Isabel. Agradeçamos a Deus por este facto bíblico nos ter sido proposto, hoje, pela Liturgia.


A todos vós, aqui reunidos em tão grande número, desejo que a graça da visitação de Maria, vivida durante o mês de Maio e especialmente nesta última tarde, se prolongue nos dias que se seguem.

J.Paulo II - em 31 de maio de 2001
fonte : Vaticano
Reflexão


A Igreja celebra a festa da Visitação de Nossa Senhora à sua prima Santa Isabel em Ain-Karin, na Judéia. Isabel estava grávida de São João Batista, o precursor de Jesus.

É o encontro de duas mulheres que celebram jubilosas a vinda de Jesus Salvador:   "o Reino de Deus, a Boa Nova, as promessas de Deus já estão cumpridas e continuam a se cumprir em meio aos homens de boa vontade."

Em seu evangelho, São Lucas afirma: "Naqueles dias, Maria pôs-se a caminho para a região montanhosa, dirigindo-se apressadamente a uma cidade de Judá. Encontrou na casa de Zacarias e saudou Isabel. Ora, quando Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança lhe estremeceu no ventre e Isabel ficou repleta do Espírito Santo."

Com um grande grito, exclamou:  "Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto de teu ventre!" ( Lucas 01, 39ss)


É o milagre da vida que brota com força e poder e vence o mundo. É a força e o poder da Palavra de Deus que faz a virgem conceber e aquela que era estéril dar à luz. ( Lucas 01, 30ss)

É por isso que Maria, trazendo Jesus em seu seio, prorrompe neste sublime canto de alegria e júbilo que é o "Magnificat". ( Lucas 01, 46-55)

Oração


Deus, nosso Pai, ao terminar o mês de maio, consagrado a Nossa Senhora, vossa e nossa Mãe, inspirai em nós uma confiança e um amor filial àquela que nos trouxe Jesus.  E possamos com ela cantar:

"Minha alma engrandece o Senhor, e meu espírito exulta em Deus, meu Salvador, porque olhou para a humilhação de sua serva. Sim!

"Doravante as gerações todas me chamarão de bem-aventurada, pois o Todo-poderoso fez grandes coisas em meu favor. Seu nome é santo e sua misericórdia perdura de geração em geração para aqueles que o temem. Agiu com a força de seu braço, dispersou os homens de coração orgulhoso".

"Depôs poderosos de sueus tronos, e a humildes exaltou. Cumulou de bens a famintos e despediu ricos de mãos vazias. Socorreu Israel, seu servo, lembrado de sua misericórdia conforme prometera a nossos pais em favor de Abrãao e de sua descendência, para sempre!"

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