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sábado, 19 de janeiro de 2013

Reflexão para o Tempo da Epifania - Modelo de Filho


Por Dom Fernando Arêas Rifan *
      
Uma das “Epifanias” ou manifestações divinas, que celebramos no domingo passado, aconteceu no Batismo de Jesus, com a descida, sobre Ele, do Divino Espírito Santo, em forma de pomba, e a voz do Pai Eterno, apontando-o como seu filho amado e predileto. Jesus se manifestava assim de modo especial aos judeus, como se tinha manifestado a todos em geral, especialmente aos povos gentios, na pessoa dos Magos.No Batismo de penitência, dado por João Batista, Jesus se iguala aos pecadores, para nos dar exemplo de humildade.


 “A Palavra de Deus, que por amor assumiu a fragilidade e as contradições da condição humana, quis descer até o fundo dessa situação assumindo sobre si até o pecado, para reconciliar todos e tudo com Deus (cf. Cl 1,20), dando início em si mesmo ao retorno do mundo à ordem e à paz original na submissão perfeita a Deus.


 “Aquele que não conhecera o pecado, Deus o fez pecado por causa de nós, a fim de que, por ele, nos tornemos justiça de Deus” (2 Cr 5,21). ‘Nas águas é lavado/ o celestial cordeiro; / O que não tem pecado / nos lava em si primeiro’. O mergulhar de Jesus nas águas do rio Jordão desenvolve o processo da sua descida na carne (Natal) e antecipa a sua conclusão no ‘batismo’ da sua Paixão e Morte (Páscoa) (cf. Mc 10, 39), com a descida aos infernos, onde o crucificado, que deu sua própria vida por amor, chama novamente Adão e Eva, as raízes simbólicas da existência humana, à vida nova dos resgatados como filhos e filhas de Deus. “Depois de ser batizado, Jesus saiu logo da água”. Com ele é o mundo inteiro que sai das obscuridades do pecado e inicia um novo caminho” (Dom Emanuele Bargellini).   


O Batismo dado por João Batista era um ritual de penitência, não um sacramento, esse instituído depois por Nosso Senhor. Mas essa comemoração é uma ocasião para refletirmos no nosso Batismo, o primeiro sacramento que recebemos, pelo qual nos tornamos filhos de Deus, por adoção, e membros da Igreja, incorporados ao Corpo Místico de Cristo, recebendo assim a graça santificante, que nos eleva à ordem sobrenatural, tornando-nos participantes da natureza divina. Foi algo importantíssimo que marcou definitivamente a nossa vida como cristãos.             


Mas, infelizmente, muitos cristãos só ficam no seu Batismo, não vivem mais na graça recebida nem a desenvolvem, não são coerentes com o seu cristianismo. Como disse o Papa Bento XVI, “há muitos que são batizados, mas não suficientemente evangelizados” (Verbum Domini, 96). Falta, além do Batismo, a necessária conversão, ou seja, uma vida coerente com o Batismo recebido. A consequência foi bem lembrada no Documento de Aparecida (12): “Não resistiria aos embates do tempo uma fé católica reduzida a uma bagagem, a um elenco de normas e proibições, a práticas de devoção fragmentadas, a adesões seletivas e parciais das verdades da Fé, a uma participação ocasional em alguns sacramentos, a moralismos brandos ou crispados que não convertem a vida dos batizados... A todos nos toca recomeçar a partir de Cristo”. Jesus, saindo das águas do Batismo, é o modelo para a nossa conversão.          
Dom Fernando Arêas Rifan
www.adapostolica.org

*Bispo da Administração Apostólica Pessoal                                                                      
 São João Maria Vianney

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Tags : Epifania, Sagrada Familia, Oitava do Natal, Jesus Maria e José



quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Santo Andre Corsini - 09 de Janeiro



Nasceu no século XIV, dentro de uma família muito conhecida em Florença: a família Corsini. Nasceu no ano de 1302. Seus pais, Nicolau e Peregrina não podiam ter filhos, mas não desistiam, estavam sempre rezando nesta intenção até que veio esta graça e tiveram um filho. O nome: André.
Os pais fizeram de tudo para bem formá-lo. Com apenas 15 anos, ele dava tanto trabalho e decepções para seus pais que sua mãe chegou a desabafar: “Filho, você é, de fato, aquele lobo que eu sonhava”. Ele ficou assustado, não imaginava o quanto os caminhos errados e a vida de pecado que ele estava levando, ainda tão cedo, decepcionava tanto e feria a sua mãe. Mas a mãe completou o sonho: “Este lobo entrava numa igreja e se transformava em cordeiro”. André guardou aquilo no coração e, sem a mãe saber, no outro dia, ele entrou numa igreja. Aos pés de uma imagem de Nossa Senhora ele orava, orava e a graça aconteceu. Ele retomou seus valores, começou uma caminhada de conversão e falou para o provencial carmelita que queria entrar para a vida religiosa. Não se sabe, ao certo, se foi imediatamente ou fez um caminho vocacional, o fato é que entrou para a vida religiosa na obediência às regras, na vida de oração e penitência. Ele foi crescendo nessa liberdade, que é dom de Deus para o ser humano.
Santo André ia se colocando a serviço dos doentes, dos pobres, nos trabalhos tão simples como os da cozinha. Ele também saía para mendigar para as necessidades de sua comunidade. Passou humilhação, mas sempre centrado em Cristo.
Os santos foram e continuam a ser pessoas que comunicaram Cristo para o mundo. Mas Deus tinha mais para André. Ele ordenou-se padre e como tal continuava nesse testemunho de Cristo até que Nosso Senhor o escolheu para Bispo de Fiesoli. De início, ele não aceitou e fugiu para a Cartuxa de Florença e ficou escondido; ao ponto de as pessoas não saberem onde ele estava e escolher um outro para ser bispo, pela necessidade. Mas um anjo, uma criança apareceu no meio do povo indicando onde ele estava escondido. Apareceu também uma outra criança para ele dizendo-lhe que ele não devia temer, porque Deus estaria com ele e a Virgem Maria estaria presente em todos os momentos. Foi por essa confiança no amor de Deus que ele assumiu o episcopado e foi um santo bispo. Até que em 1373, no dia de Natal, Nossa Senhora apareceu para ele dizendo do seu falecimento que estava próximo. No dia da Epifania do Senhor, ele entrou para o céu.
Santo André Corsini, rogai por nós!

Tags : Santos Carmelitas, Santoral Carmelita Janeiro, Santos do Carmelo, Santo Andre Corsini.

São Pedro Tomás - 08 de Janeiro


Celebramos no último dia 08 de Janeiro  de S. Pedro Tomás, bispo carmelita francês do século XIV. Nasceu por volta do ano 1305 em Concón, Aquitânia, França. Os seus pais viviam em pobreza extrema, o que levou Pedro Tomás a abandonar o lar paterno muito cedo para não ser pesado aos seus. Era de estatura baixa, mas possuía uma inteligência rara e profunda.

Vivendo de esmolas conseguiu estudar, tornando-se mestre e professor com apenas 17 anos. Foi convidado para ser professor dos estudantes carmelitas, vindo depois também ele a entrar na Ordem em 1327. Ensinou várias matérias em muitos conventos da Ordem (Bordéus, Albi, Agen e Paris), até ser nomeado Procurador da Ordem junto da Santa Sé, que então se encontrava em Avinhão. Em certa ocasião, vendo o Padre Geral a humilde e pequena aparência do santo, envergonhava-se de o apresentar aos Cardeais. No entanto, certo Cardeal que conhecia a fama de Frei Pedro Tomás resolveu-se ele mesmo a apresentá-lo.


Foi co-fundador da Faculdade de Teologia na Universidade de Bolonha.O Papa fê-lo seu Núncio e Legado, encomendando-lhe muitas e difíceis missões que Frei Pedro Tomás resolveu sempre em bem junto de reis e imperadores. Foi arauto e apóstolo incansável da paz e da unidade da Igreja, pelo que depressa este nosso irmão grangeou em toda a parte fama de santo. Foi eleito bispo aos 49 anos. Depois de ter exercido o múnus de bispo em Patti e Lipari, Corão (Peloponeso) e Creta, foi nomeado Patriarca de Constantinopla em 1364.


Apesar dos altos cargos que exerceu, nas suas viagens Frei Pedro Tomás procurava sempre, como residência, os conventos dos seus irmãos carmelitas, vivendo ali como irmão e com os irmãos de Nossa Senhora do Carmo a vida normal da comunidade, segundo a Regra. 


Morreu no dia 6 de Janeiro de 1366 no Convento do Carmo de Famagusta, Chipre, «reduzido a pele e ossos». Apesar de ser bispo pediu que o levassem para sua última morada vestido com o hábito da Ordem. Era muito devoto de Nossa Senhora. É dele a profecia inspirada pela Virgem Maria de que a Ordem do Carmo durará até ao fim dos tempos. Amou tanto Nossa Senhor que parece trazia no coração o seu nome. Foi um dos mais ardorosos defensores da Imaculada Conceição de Maria Santíssima.


Os seus esforços pela promoção e consolidação da unidade da Igreja Oriental fazem deste santo do séc. XIV um precursor do ecumenismo e um verdadeiro «apóstolo da unidade da Igreja».

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

03 de Janeiro - Beato Ciríaco Elias Chavara - O Amigo dos Pobres)


"O dia em que você não fizer algum bem aos outros, esse dia não será computado nos dias desua vida."


(Lutou sem descanso contra a difusão do cisma)


"Hoje, terça feira, dia 3 de janeiro de 1871, às sete e um quarto da manhã, o padre Ciríaco Elias da Sagrada Família, primeiro prior, falaceu, depois de uma vida de singular inocência. Pôde declarar, antes da morte, que nunca perdeu a Graça Batismal. Cultivou com afinco as virtudes, particularmente, a simplicidade de coração, a fé viva, a entranhável obediência bem como a devoção ao Santíssimo Sacramento, à Bem Aventurada Virgem Maria e a São José. Passou por muitos trabalhos em benefício dos cristãos de Malabar, principalmente, por ocasião do cisma de Mar Rokos. 

Foi então quando, designado vigário geral da Igreja sírio malabar, demonstrou sua extraordinária devoção à Santa Sé. Lutou sem descanso contra a difusão daquele cisma e, assim, pôde salvar da cisão eclesial não menos de quarenta comunidades paroquiais. Por esse motivo, o Romano Pontífice, sumamente agradecido, escreveu-lhe uma carta de felicitação, assinada de próprio punho. Ele foi o fundador e primeiro prior dos Carmelitas Terceiros de Malabar. Erigiu também um Instituto religioso feminino à custa de superar enormes dificuldades. Devido às virtudes que o adornaram, a seus conhecimentos científicos e ao domínio da língua siríaca, gozou de notável ascendente no povo sírio malabar, sem excluir os nestorianos e pagãos. Suportou, durante dois anos, uma enfermidade incurável com espírito de total abnegação, ou melhor com alegria cristã.


Não sentia afeição desordenada às coisas da terra, desapego que se tornou patente, de modo muito claro, no fim dos seus dias. Depois de receber os sacramentos com uma piedade e devoção fora do comum, exalou seu último suspiro irradiando uma espécie de gozo celestial, no meio das lágrimas de seus filhos espirituais ali presentes e, sobretudo, das minhas (eu o conhecia como a minha própria pessoa). Tinha 65 anos de idade. Foi sepultado na igreja de Santa Filomena de Koonammavu. Alma santa e bela, rogai por mim."

(Pe. Leopoldo Beccaro - ofícios próprios da Liturgia das Horas - OCD)*


*Foi missionário carmelita e diretor espiritual desse beato carmelitano.



Mensagem de ano Novo - Dom Fernando Arêas Rifan


ANO NOVO DE PAZ!



                                                          Dom Fernando Arêas Rifan*

“Bem-aventurados os obreiros da paz” foi o título da mensagem do Papa para o dia 1º de janeiro, dia mundial da Paz: “Cada ano novo traz consigo a expectativa de um mundo melhor. Peço a Deus, Pai da humanidade, que nos conceda a concórdia e a paz a fim de que possam tornar-se realidade, para todos, as aspirações duma vida feliz e próspera”.
           

Bento XVI analisa o clima do nosso tempo que, “caracterizado pela globalização, com seus aspectos positivos e negativos, e também por sangrentos conflitos ainda em curso e por ameaças de guerra, requer um renovado e concorde empenho na busca do bem comum, do desenvolvimento de todo o homem e do homem todo”.


E o Papa aponta as potenciais causas de atritos: “Causam apreensão os focos de tensão e conflito causados por crescentes desigualdades entre ricos e pobres, pelo predomínio duma mentalidade egoísta e individualista que se exprime inclusivamente por um capitalismo financeiro desregrado. Além de variadas formas de terrorismo e criminalidade internacional, põem em perigo a paz aqueles fundamentalismos e fanatismos que distorcem a verdadeira natureza da religião, chamada a favorecer a comunhão e a reconciliação entre os homens”.


A  paz é uma vocação natural do homem: “E, no entanto, as inúmeras obras de paz, de que é rico o mundo, testemunham a vocação natural da humanidade à paz. Em cada pessoa, o desejo de paz é uma aspiração essencial e coincide, de certo modo, com o anelo por uma vida humana plena, feliz e bem sucedida. Por outras palavras, o desejo de paz corresponde a um princípio moral fundamental, ou seja, ao dever-direito de um desenvolvimento integral, social, comunitário, e isto faz parte dos desígnios que Deus tem para o homem. Na verdade, o homem é feito para a paz, que é dom de Deus”.


“Tudo isso me sugeriu buscar inspiração, para esta Mensagem, nas palavras de Jesus Cristo: Bem-aventurados os obreiros da paz, porque serão chamados filhos de Deus. A bem-aventurança de Jesus diz que a paz é... dom messiânico e obra humana. Na verdade, a paz pressupõe um humanismo aberto à transcendência; é fruto do dom recíproco, de um mútuo enriquecimento, graças ao dom que provém de Deus e nos permite viver com os outros e para os outros... Por isso, é indispensável que as várias culturas de hoje superem antropologias e éticas fundadas sobre motivos teórico-práticos meramente subjetivistas e pragmáticos, em virtude dos quais as relações da convivência se inspiram em critérios de poder ou de lucro, os meios tornam-se fins, e vice-versa, a cultura e a educação concentram-se apenas nos instrumentos, na técnica e na eficiência. Condição preliminar para a paz é o desmantelamento da ditadura do relativismo e da apologia duma moral totalmente autônoma, que impede o reconhecimento de quão imprescindível seja a lei moral natural inscrita por Deus na consciência de cada homem. A paz é construção em termos racionais e morais da convivência, fundando-a sobre um alicerce cuja medida não é criada pelo homem, mas por Deus”.

        *Bispo da Administração Apostólica Pessoal
                                                                         São João Maria Vianney



SANTORAL CARMELITA 
Janeiro
  •  3 – Beato Ciríaco Elias Chavara
  •   8 - São Pedro Tomás
  •  9 - Santo André Corsini
  •  27 – Santo Henrique de Ossó e Cervelló
  •   29 – Beata Arcangela Girlani

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