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domingo, 19 de maio de 2013

19 de Maio 2013 - Festa de Pentecostes



Vinde, ó santo Espírito,
vinde, Amor ardente,
acendei na terra
vossa luz fulgente

Ao chegar o dia de Pentecostes, achavam-se todos eles reunidos no mesmo lugar. Produziu-se então subitamente, lá do céu, um rumor semelhante a uma forte rajada de vento, que encheu toda a casa onde eles se encontravam instalados, apareceram-lhes línguas à maneira de fogo, que se iam dividindo, e poisou uma sobre cada um deles. Então ficaram todos cheios do Espírito Santo e começaram a falar outras línguas, consoante o Espírito lhes concedia se exprimissem (Act. 2, 1-4).

 
Estavam então residindo em Jerusalém judeus piedosos de todas as nações que há debaixo do céu. Logo que se deu este ruído, acudiu muita gente, e ficou pasmada, porque cada um os ouvia falar na sua própria língua. (...) Então Pedro, apresentando-se com os onze, levantou a voz (...). Os que receberam a sua palavra foram baptizados; e ficaram agregadas a eles, naquele dia, cerca de três mil pessoas (Act 2, 5-6, 14, 41).

 Vinde, Pai dos pobres:
na dor e aflições,
vinde encher de gozo
nossos corações.
 
 «A vinda solene do Espírito Santo no dia de Pentecostes não foi um acontecimento isolado. Quase não há uma página dos Actos dos Apóstolos em que se não fale d’Ele e da acção pela qual guia, dirige e anima a vida e as obras da primitiva comunidade cristã. É Ele que inspira a pregação de S. Pedro (Cfr. Act. 4, 8), que confirma na fé os discípulos (Cfr. Act. 4, 31), que sela com a sua presença o chamamento dirigido aos gentios (Cfr. Act. 10, 44-47), que envia Saulo e Barnabé para terras distantes, a fim de abrirem novos caminhos à doutrina de Jesus (Cfr. Act. 13, 2-4). Numa palavra, a sua presença e a sua actuação dominam tudo.


Esta realidade profunda que o texto da Sagrada Escritura nos dá a conhecer não é uma simples recordação do passado, de uma espécie de idade de oiro da Igreja, perdida na História. Acima das misérias e dos pecados de cada um de nós, é também a realidade da Igreja de hoje e da Igreja de todos os tempos. Eu rogarei ao Pai – anunciou o Senhor aos seus discípulos – e Ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco eternamente (Jo 14, 16). Jesus cumpriu nas suas promessas: ressuscitou, subiu aos Céus e, em união com o Eterno Pai, envia-nos o Espírito Santo para nos santificar e nos dar a vida ».
Cristo que passa, nn. 127-128

Benfeitor supremo
em todo o momento,
habitando em nós
sois o nosso alento.

«Viver segundo o Espírito Santo é viver de Fé, de Esperança, de Caridade; é deixar que Deus tome posse de nós e mude desde a raiz os nossos corações, para os fazer à sua medida. Uma vida cristã madura, profunda e firme não é coisa que se improvise, porque é fruto do crescimento em nós da graça de Deus. Nos Actos dos Apóstolos, descreve-se a situação da primitiva comunidade cristã numa frase breve mas cheia de sentido: perseveravam todos na doutrina dos Apóstolos, e na comum fracção do pão e nas orações (Act. 2, 42) (…).

Não há cristãos de segunda classe, obrigados a pôr em prática apenas uma versão reduzida do Evangelho: todos recebemos o mesmo baptismo e, embora exista uma ampla diversidade de carismas e de situações humanas, um mesmo é o Espírito que distribui os dons divinos, uma mesma a Fé, uma só a Esperança, uma só a Caridade (Cfr. 1 Cor. 12, 4-6 e 13, 1-13).

Descanso na luta
e na paz encanto,
no calor sois brisa,
conforto no pranto
 
Podemos, pois, ter por dirigida a nós mesmos a pergunta do Apóstolo: não sabeis que sois templo de Deus, e que o Espírito Santo habita em vós? (1 Cor. 3, 16), e recebê-la como um convite a um trato mais pessoal e directo com Deus. Infelizmente, o Paráclito é, para alguns cristãos, o Grande Desconhecido: um nome que se pronuncia, mas que não é Alguém – uma das Três Pessoas do Único Deus - , com quem se fala e de quem se vive.

 
Ora, é indispensável ter para com Ele familiaridade e confiança, cheia de simplicidade como nos ensina a Igreja através da Liturgia. Assim conheceremos melhor Nosso Senhor e, ao mesmo tempo, compreenderemos melhor o imenso dom que significa ser cristão: veremos quanto é grande e verdadeiro o endeusamento, a participação da vida divina, a que atrás me referi». 
Luz de santidade,
que no Céu ardeis,
abrasai as almas
dos vossos fiéis.
 
 
São José Maria Escrivá
Cristo que passa, n. 134
http://www.pt.josemariaescriva.info
Artigo"A-vinda-do-espirito-santo"
 
 
 
Tags: Festa de Pentecostes, Vinda do Espírito Santo, Festa do Espírito Santo, Liturgia Pentecostes, Divino Espírito Santo, Dons do Espírito Santo.

Veni Sancte Spiritus

sábado, 18 de maio de 2013

16 de Julho 2013 - São Simão Stock


Aparição de Nossa Senhora do Carmo
na Inglaterra
 Cambridge,16 de Julho de 1251.

English Version - Click Here !


Um Pouco de História 

O Monte Carmelo, na Palestina, é o lugar sagrado do Antigo e Novo Testamento. É o Monte em que o Profeta Elias evidencia a existência e a presença do Deus verdadeiro, Vendo os 450 sacerdotes pagãos do Baal e os 400 profetas dos bosques, fazendo descer do céu o fogo devorador que lhes extinguiu a vida. (III Livro dos Reis, XVIII, 19 seg.).

É ainda o Profeta Elias que implora do Senhor chuva benfazeja, depois de uma seca de três anos e três meses (III Livro dos Reis, XVIII, 45). É no Monte Carmelo que a tradição colocou a origem da Ordem Carmelitana. Ali viviam eremitas entregues à oração e à penitência.


Os Fatos

A palavra Carmelo (em hebraico, "carmo" significa vinha; e "elo" significa senhor; portanto, "Vinha do Senhor"): este nome nos leva para esta famosa montanha da Palestina, donde o profeta Elias e o sucessor Elizeu fizeram história com Deus e com Nossa Senhora, que foi pré-figurada por uma nuvenzinha branca que, num período de grande seca, prenunciava a chuva redentora que cairia sobre a terra ressequida (cf I Rs 18,20-45).

Por uma intuição sobrenatural, soube que essa simples nuvem, com forma de uma pegada humana, simbolizava aquela mulher bendita, predita depois pelo Profeta Isaías (“Eis que uma virgem conceberá e dará à luz um filho”), que seria a Mãe do Redentor. Do seu seio virginal sairia Aquele que, lavando com seu sangue a terra ressequida pelo pecado, abriria aos homens a vida da graça.


Estes profetas foram "participantes" da obra Carmelita, que só vingou devido à intervenção de Maria, pois a parte dos monges do Carmelo que sobreviveram (século XII) da perseguição dos muçulmanos; fugiram para a Europa e radicaram-se em vários países entre eles a Inglaterra. Dos seguidores de Elias e seus continuadores, de acordo com a tradição, nasceu a Ordem do Carmo, da qual Maria Santíssima é a Mãe e esplendor, segundo as palavras também de Isaías “A glória do Líbano lhe será dada, o esplendor do Carmelo e de Saron” (Is 35, 2).


São Simão Stock

Na Inglaterra, vivia um homem penitente, como o Profeta Elias, austero como João Batista. Chamava-se Simão. Mas, diante de sua vida solitária na convexidade de uma árvore no seio da floresta, deram-lhe o apelido de Stock.


Simão nasceu no ano de 1165 no castelo de Harford, no condado de Kent, Inglaterra, em atenção às preces de seus piedosos pais, que uniam a mais alta nobreza à virtude. Alguns escritores julgam mesmo que tinham parentesco com a família real.

Sua mãe consagrou-o à Santíssima Virgem desde antes de nascer. Em reconhecimento a Ela pelo feliz parto, e para pedir sua especial proteção para o filhinho, a jovem mãe, antes de o amamentar, oferecia-o à Virgem, rezando de joelhos uma Ave-Maria. Bela atitude de uma senhora altamente nobre!

O menino aprendeu a ler com pouquíssima idade. A exemplo de seus pais, começou a rezar o Pequeno Ofício da Santíssima Virgem, e logo também o Saltério. Esse verdadeiro pequeno gênio, aos sete anos de idade iniciou o estudo das Belas Artes no Colégio de Oxford, com tanto sucesso que surpreendeu os professores. Foi também nessa época admitido à Mesa Eucarística, e consagrou sua virgindade à Santíssima Virgem.

Perseguido pela inveja do irmão mais velho, e atendendo a uma voz interior que lhe inspirava o desejo de abandonar o mundo, deixou o lar paterno aos 12 anos, encontrando refúgio numa floresta onde viveu inteiramente isolado durante 20 anos, em oração e penitência









Nossa Senhora revelou-lhe então seu desejo de que ele se juntasse a certos monges que viriam do Monte Carmelo, na Palestina, à Inglaterra, “sobretudo porque aqueles religiosos estavam consagrados de um modo especial à Mãe de Deus”. Simão saiu de sua solidão e, obedecendo também a uma ordem do Céu, estudou teologia, recebendo as sagradas ordens. Dedicou-se à pregação, até que finalmente chegaram dois frades carmelitas no ano de 1213. Ele pôde então receber o hábito da Ordem, em Aylesford.  

Nossa Senhora voltou ao céu e o Escapulário permaneceu como sinal de Maria. Na última aparição de Lourdes e de Fátima, Nossa Senhora traz o Escapulário.

São passados mais de 750 anos, desde o dia 16 de julho de 1251. Todos os que trouxeram o Escapulário, com verdadeira piedade, com sincero desejo de perfeição cristã, com sinais de conversão, sempre foram protegidos na alma e no corpo contra tantos perigos que ameaçam a vida espiritual e corporal. É só ler os anais carmelitanos para provar a proteção e a assistência de Maria Santíssima. 





 


O Escapulário é a devoção de papas e reis, de pobres e plebeus, de homens cultos e analfabetos. É a devoção de todos. Foi a devoção de São Luis IX, de Luis XIII, Luis XIV da França, Carlos VII, Filipe I e Filipe III da Espanha, Leopoldo I da Alemanha, Dom João I, de Portugal.

E a devoção dos Papas: Bento XV o pontífice da paz, chamou o Escapulário a "arma dos cristãos" e aconselhava aos seminaristas que o usassem. Pio IX gravou em seu cálice a seguinte inscrição: "Pio IX, confrade Carmelita". Leão XVIII, pouco antes de morrer, disse aos que o cercavam: "Façamos agora a Novena da Virgem do Carmo e depois morreremos".

Pio XI escrevia, em 1262, ao Geral dos Carmelitas: "Aprendi a conhecer e a amar a Virgem do Carmo nos braços de minha mãe, nos primeiros dias de minha infância".

Pio XII afirmava: "É certamente o Sagrado Escapulário do Carmo, como veste Mariana, sinal e garantia da proteção e salvação ao Escapulário com que estavam revestidos. Quantos nos perigos do corpo e da alma sentiram a proteção Materna de Maria".

Pio XII ainda chegou a escrever: "Devemos colocar em primeiro lugar a devoção do escapulário de Nossa Senhora do Carmo - e ainda - escapulário não é 'carta-branca' para pecar; é uma 'lembrança' para viver de maneira cristã, e assim, alcançar a graça duma boa morte".

O Papa João XXIII assim se pronunciou: "Por meio do Escapulário do Carmo, pertenço à família Carmelitana e aprecio muito esta graça com a certeza de uma especialíssima proteção de Maria. A devoção a Nossa Senhora do Carmo torna-se uma necessidade e direi mais uma violência dulcíssima para os que trazem o Escapulário do Carmo" Paulo VI afirmava que entre os exercícios de piedade devem ser recordados o Rosário de Maria e o Escapulário do Carmo.

O Papa Beato João Paulo II era devotíssimo de Nossa Senhora e coloca a recitação do Rosário entre suas orações prediletas. Ele quis ser Carmelita. Defendeu sua tese sobre São João da Cruz, o grande Carmelita renovador da Ordem.

John Mathias Haffert, autor do livro "Maria na sua Promessa do Escapulário", entrevistou a Irmã Carmelita Lúcia, a vidente de Fátima ainda viva e perguntou, por que na última aparição Nossa Senhora segurava o escapulário na mão?


Irmã Lúcia respondeu simplesmente: "É que Nossa Senhora quer que todos usem o Escapulário".

Em 1215, tendo chegado aos ouvidos de São Brocardo, Geral latino do Carmo, a fama das virtudes de Simão, quis tê-lo como coadjutor na direção da Ordem; em 1226, nomeou-o Vigário-Geral de todas as províncias européias.

São Simão teve que enfrentar uma verdadeira tormenta contra os carmelitas na Europa, suscitada pelo demônio através de homens ditos zelosos pelas leis da Igreja, os quais queriam a todo custo suprimir a Ordem sob vários pretextos. Mas o Sumo Pontífice, mediante uma bula, declarou legítima e conforme aos decretos de Latrão a existência legal da Ordem dos Carmelitas, e a autorizou a continuar suas fundações na Europa.

São Simão participou do Capítulo Geral da Ordem na Terra Santa, em 1237. Em um novo Capítulo, em 1245, foi eleito 6° Prior-Geral dos Carmelitas.


A Aparição da Mãe de Deus a São Simão Stock.

Após a algum tempo de calmaria, as perseguições reiniciaram com mais intensidade.

Na falta de auxílio humano, São Simão recorria à Virgem Santíssima com toda a tristeza de seu coração, pedindo-Lhe que fosse solícita à sua Ordem, tão provada, e que desse um sinal de sua aliança com ela. Na manhã do dia 16 de julho de 1251, suplicava com maior empenho à Mãe do Carmelo sua proteção, recitando a bela oração por ele composta:

"Flor do Carmelo, Vinha florífera, Esplendor do céu, Virgem fecunda, singular. Ó Mãe benigna, sem conhecer varão, aos Carmelitas dá privilégio, Estrela do Mar!".

Terminada esta prece, levanta os olhos marejados de lágrimas, vê a cela encher-se, subitamente, de luz. Rodeada de anjos, em grande cortejo, apareceu-lhe a Virgem Santíssima, revestida de esplendor, trazendo nas mãos o Escapulário dizendo a São Simão Stock, com inexprimível ternura maternal:

“‘Recebe, diletíssimo filho, este Escapulário de tua Ordem como sinal distintivo e a marca do privilégio que eu obtive para ti e para todos os filhos do Carmelo; é um sinal de salvação, uma salvaguarda nos perigos, aliança de paz e de uma proteção sempiterna. Quem morrer revestido com ele será preservado do fogo eterno’’.

Essa graça especialíssima foi imediatamente difundida nos lugares onde os carmelitas estavam estabelecidos, e autenticada por muitos milagres que, ocorrendo por toda parte, fizeram calar os adversários dos Irmãos da Santíssima Virgem do Monte Carmelo.

São Simão Stock atingiu extrema idade e altíssima santidade, operando inúmeros milagres, tendo também obtido o dom das línguas; foi chamado a pátria celeste por Deus em 16 de maio de 1265.

As promessas específicas de Nossa Senhora do Carmo.

Primeira: Quem morrer com o Escapulário não padecerá o fogo do inferno.

Em primeiro lugar, ao fazer a sua promessa, Maria não quer dizer que uma pessoa que morra em pecado mortal se salvará. A morte em pecado mortal e a condenação são uma e a mesma coisa. A promessa de Maria traduz-se, sem dúvida, por estas outras palavras:

“Quem morrer revestido do Escapulário, não morrerá em pecado mortal”.

Para tornar isto claro, a Igreja insere, muitas vezes, a palavra “piamente” na promessa: “aquele que morrer piamente não padecerá do fogo do inferno”.

Segunda: Nossa Senhora livrará do Purgatório quem portar seu Escapulário, no primeiro sábado após sua morte.

Embora às vezes se interprete este privilégio ao pé da letra, isto é, que a pessoa será livre do Purgatório no primeiro sábado após sua morte, “tudo que a Igreja, tem para explicar estas palavras, tem dito oficialmente em várias ocasiões, é que aqueles que cumprem as condições do Privilégio Sabatino serão, por intercessão de Nossa Senhora, libertos do Purgatório pouco tempo depois da morte, e especialmente no sábado”. De qualquer modo, se formos fiéis em observar as palavras da Virgem Santíssima, Ela será muito mais fiel em observar as suas, como nos mostra o seguinte exemplo:


A Aparição de Fátima e o Escapulário.

Após a última aparição de Nossa Senhora de Fátima na Cova da Iria, surgiram aos olhos dos três videntes varias cenas.

Na primeira, ao lado de São José e tendo o Menino Jesus ao colo, Ela apareceu como Nossa Senhora do Rosário. Em seguida, junto a Nosso Senhor acabrunhado de dores a caminho do Calvário, surgiu como Nossa Senhora das Dores. Finalmente, gloriosa, coroada como Rainha do Céu e da Terra, a Santíssima Virgem apareceu como Nossa Senhora do Carmo, tendo o Escapulário à mão.

Por que Nossa Senhora apareceu com o Escapulário nesta última visão a 13 de Outubro em Fátima? Perguntaram a Lúcia em 1950.

Lúcia respondeu: É que Nossa Senhora quer que todos usem o Escapulário respondeu ela.

“E é por este motivo que o Rosário e o Escapulário, são dois sacramentais marianos mais privilegiados, universais, mais antigos e valiosos, adquirem hoje uma importância maior do que em nenhuma época passada da História”


Fonte: http://nossa-senhora.webnode.com.br/nossa-senhora-do-carmo/

segunda-feira, 13 de maio de 2013

13 de Maio 2013 - Festa de Nossa Senhora do Rosário de Fátima



 Recordando a Homilia do B. João Paulo II
Um ano após o atentando - 1982

English Version - Click Here
 1. “E a partir daquele momento, o discípulo recebeu-A em sua casa” (Io. 19, 27)

Com estas palavras termina o Evangelho da Liturgia de hoje, aqui em Fátima. O nome do discípulo era João. Precisamente ele, João, filho de Zebedeu, apóstolo e evangelista, ouviu do alto da Cruz as palavras de Cristo: “Eis a tua Mãe”. Anteriormente, Jesus tinha dito à própria Mãe: “Senhora, eis o Teu filho”.

Este foi um testamento maravilhoso.

Ao deixar este mundo, Cristo deu a Sua Mãe um homem que fosse para Ela como um filho: João. A Ela o confiou. E, em consequência desta doação e deste acto de entrega, Maria tornou-se mãe de João. A Mãe de Deus tornou-se Mãe do homem.

E, a partir daquele momento, João “recebeu-A em sua casa”. João tornou-se também amparo terreno da Mãe de seu Mestre; é direito e dever dos filhos, efectivamente, assumir o cuidado da mãe. Mas acima de tudo, João tornou-se por vontade de Cristo o filho da Mãe de Deus. E, em João, todos e cada um dos homens d’Ela se tornaram filhos.

2. “Recebeu-A em sua casa” – esta frase significa, literalmente, na sua habitação.

Uma manifestação particular da maternidade de Maria em relação aos homens são os lugares, em que Ela se encontra com eles; as casas onde Ela habita; casas onde se sente uma presença toda particular da Mãe.

Estes lugares e estas casas são numerosíssimos. E são de uma grande variedade: desde os oratórios nas habitações e dos nichos ao longo das estradas, onde sobressai luminosa a imagem da Santa Mãe de Deus, até às capelas e às igrejas construídas em Sua honra. Há porém, alguns lugares, nos quais os homens sentem particularmente viva a presença da Mãe. Não raro, estes locais irradiam amplamente a sua luz e atraem a si a gente de longe. O seu círculo de irradiação pode estender-se ao âmbito de uma diocese, a uma nação inteira, por vezes a vários países e até aos diversos continentes. Estes lugares são os santuários marianos.

Em todos estes lugares realiza-se de maneira admirável aquele testamento singular do Senhor Crucificado: aí, o homem sente-se entregue e confiado a Maria e vem para estar com Ela, como se está com a própria Mãe. Abre-Lhe o seu coração e fala-Lhe de tudo: “recebe-A em sua casa”, dentro de todos os seus problemas, por vezes difíceis. Problemas próprios e de outrem. Problemas das famílias, das sociedades, das nações, da humanidade inteira.

3. Não sucede assim, porventura, no santuário de Lourdes na França? Não é igualmente assim, emJasna Góra em terras polacas, no santuário do meu País, que este ano celebra o seu jubileu dos seiscentos anos?

Parece que também lá, como em tantos outros santuários marianos espalhados pelo mundo, com uma força de autenticidade particular, ressoam estas palavras da Liturgia do dia de hoje: “Tu és a honra do nosso povo” (Iudit. 15,10); e também aquelas outras:
 
“Perante a humilhação da nossa gente”, “... aliviaste o nosso abatimento, com a tua rectidão, na presença do nosso Deus”(Iudt. 13,20).

Estas palavras ressoam aqui em Fátima quase como eco particular das experiências vividas não sópela Nação portuguesa, mas também por tantas outras nações e povos que se encontram sobre a face da terra; ou melhor, elas são o eco das experiências de toda a humanidade contemporânea, de toda a família humana.

4. Venho hoje aqui, porque exatamente neste mesmo dia do mês, no ano passado, se dava, na Praça de São Pedro, em Roma, o atentado à vida do Papa, que misteriosamente coincidia com o aniversário da primeira aparição em Fátima, a qual se verificou a 13 de Maio de 1917.

Estas datas encontraram-se entre si de tal maneira, que me pareceu reconhecer nisso um chamamento especial para vir aqui. E eis que hoje aqui estou. Vim para agradecer à Divina Providência, neste lugar, que a Mãe de Deus parece ter escolhido de modo tão particular.

“Misericordiae Domini, quia non sumus consumpti” – Foi graças ao Senhor que não fomos aniquilados (Lam. 3, 22) – repito uma vez mais com o Profeta.

Vim, efectivamente, sobretudo para aqui proclamar a glória do mesmo Deus:
“Bendito seja o Senhor Deus, Criador do Céu e da Terra”, quero repetir com as palavras da Liturgia de hoje (Iudt. 13,18).

E ao Criador do Céu e da Terra elevo também aquele especial hino de glória, que é Ela própria: a Mãe Imaculada do Verbo Encarnado:

“Abençoada sejas, minha filha, pelo Deus Altíssimo / Mais do que todas as mulheres sobre a Terra... / A confiança que tiveste não será esquecida pelos homens, / E eles hão-de recordar sempre o poder de Deus. / Assim Deus te enalteça eternamente” (Ibid. 13, 18-20).

Na base deste canto de louvor, que a Igreja entoa com alegria, aqui como em tantos lugares da terra, está a incomparável escolha de uma filha do género humano para ser Mãe de Deus.
E por isso seja sobretudo adorado Deus: Pai, Filho, e Espírito Santo.

Seja bendita e venerada Maria, protótipo da Igreja, enquanto “habitação da Santíssima Trindade”.

5. A partir daquele momento em que Jesus, ao morrer na Cruz, disse a João: “Eis a tua Mãe”, e a partir do momento em que o discípulo “A recebeu em sua casa”, o mistério da maternidade espiritual de Maria teve a sua realização na história com uma amplidão sem limites. Maternidade quer dizer solicitude pela vida do filho. Ora se Maria é mãe de todos os homens, o seu desvelo pela vida do homem reveste-se de um alcance universal. A dedicação de qualquer mãe abrange o homem todo. A maternidade de Maria tem o seu início nos cuidados maternos para com Cristo.

Em Cristo, aos pés da Cruz, Ela aceitou João e, nele, aceitou todos os homens e o homem totalmente. Maria a todos abraça, com uma solicitude particular, no Espírito Santo. É Ele, efectivamente, “Aquele que dá a vida”, como professamos no Credo. É Ele que dá a plenitude da vida, com abertura para a eternidade.

A maternidade espiritual de Maria é, pois, participação no poder do Espírito Santo, no poder d’Aquele “que dá a vida”. E é ao mesmo tempo, o serviço humilde d’Aquela que diz de si mesma: “Eis a serva do Senhor” (Luc. 1, 38).
Fonte: Vaticano
MISSA NO SANTUÁRIO DE NOSSA SENHORA DO ROSÁRIO
HOMILIA DE S. SANTIDADE BEATO JOÃO PAULO II
Fátima, 13 de Maio de 1982
Tags: Nossa Senhora de Fátima, Devoção a Maria, Devoção Mariana, Leigos Carmelitas, Santuário de Fátima 

domingo, 12 de maio de 2013

12 de Maio 2013 - Ascenção do Senhor


A Liturgia põe, mais uma vez, diante dos nossos olhos, o último dos mistérios da vida de Jesus Cristo entre os homens: a sua Ascensão aos Céus.

 
Sempre me pareceu lógico - e me encheu de alegria - que a Santíssima Humanidade de Jesus Cristo subisse à glória do Pai, mas penso também que esta tristeza, própria do dia da Ascensão, é uma prova do amor que sentimos por Jesus, Senhor Nosso. Ele, sendo perfeito Deus, fez-Se homem, perfeito homem, carne da nossa carne e sangue do nosso sangue, mas separou-Se de nós para ir para o Céu. Como não havemos de sentir a sua falta?

A festa da Ascensão do Senhor sugere-nos também outra realidade: o Cristo que nos anima a esta tarefa no mundo espera-nos no Céu. Por outras palavras: a vida na terra, que amamos, não é a definitiva: porque não temos aqui cidade permanente, mas andamos em busca da futura cidade imutável.

Pedro e os restantes voltam para Jerusalém, - cum gaudio magno - com grande alegria (Lc XXIV, 52). - É justo que a Santa Humanidade de Cristo receba a homenagem, a aclamação e a adoração de todas as hierarquias dos Anjos e de todas as legiões dos bem-aventurados da Glória. Mas tu e eu sentimo-nos órfãos; estamos tristes e vamos consolar-nos com Maria.

Pensemos agora nos dias que se seguiram à Ascensão, à espera do Pentecostes. Os discípulos cheios de fé pelo triunfo de Cristo ressuscitado (e ansiosos pelo Espírito Santo prometido), querem sentir-se unidos, e encontramo-los cum Maria Matre Iesu, com Maria, Mãe de Jesus. A oração dos discípulos acompanha a oração de Maria: era a oração de uma família unida.

A partir da vida de oração podemos compreender um outro tema que nos propõe a festa de hoje: o apostolado, pôr em prática os ensinamentos de Jesus, transmitidos aos seus pouco antes de subir aos céus: servir-me-eis de testemunhas em Jerusalém, em toda a Judeia, na Samaria e até às extremidades da terra.

Jesus subiu aos céus, dizíamos. Mas o cristão pode, na oração e na Eucaristia, conviver com Ele nos mesmos moldes dos primeiros doze, abrasar-se no seu zelo apostólico, para com Ele fazer um serviço de corredenção, que é semear a paz e a alegria. Servir, pois o apostolado não é outra coisa. Se contarmos exclusivamente com as nossas próprias forças, nada conseguiremos no terreno sobrenatural; sendo instrumentos de Deus, conseguiremos tudo: tudo posso n'Aquele que me conforta. Deus, pela, sua infinita bondade, dispôs-Se a utilizar estes instrumentos ineptos. Daí que o Apóstolo não tenha outro fim senão deixar agir o Senhor, mostrar-se inteiramente disponível, para que Deus realize - através das suas criaturas, através da alma escolhida - a sua obra salvadora.


São José Maria Escrivá
Cristo que Passa,117, 119,120, 126,141 




O Flos Carmeli deseja a todas as Mães
As Bênçãos Copiosas da Mãe Celestial
A Mãe das Mães !

Prece a Maria Santíssima pelas Mães

Mãe de Jesus,
Mãe da minha mãe e das mães de todo o mundo,
Protege aquelas que a ti se assemelham pela maternidade,
Sustenta aquelas que em ti se espelham na hora da luta,
Consola aquelas que a ti se unem pela dor.

Ensina às mães a paciência das longas esperas,
Explica a elas os mistérios da vida gerada.
Confidencia-lhes as alegrias que só as mães entendem,
E as angústias que só elas sofrem.

Senta-te com elas à mesa de tua casa em Nazaré,
E conversem sobre seus filhos.
Falem de seus sonhos, de suas preocupações,
Rezem juntas, meditem a Palavra.

Consola as mães na hora da separação,
Lembra-te do dia em que Jesus partiu para o mundo,
Deixando-te muda de saudades.

E diga a todas as mães, Mãe de cristo Jesus,
O amor e a gratidão de seus filhos,
Que nem sempre sabem falar,
Porque, afinal, são sempre crianças.

Deus abençoe você e, em especial, todas as mães!

Padre Reginaldo Manzotti

sábado, 4 de maio de 2013

A Devoção Mariana na Ordem do Carmo

 La Bruna - O ícone mais antigo de Nossa Senhora
Venerada sob o Título de Santa Maria do Monte Carmelo
La Bruna. Basilica di Santa Maria del Carmine, in Napoli

English Version - Click Here

A Ordem do Carmo é uma Ordem Religiosa que desde a sua origem se distinguiu como uma Ordem eminentemente Mariana: o nosso título jurídico é este: Ordem dos Irmãos da Bem-Aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo. Prova desta índole Mariana da Ordem do Carmo está exatamente na existência da primeira capela dedicada a Nossa Senhora construída no Monte Carmelo. AIí naquela capelinha, nasceu entre os Carmelitas, o seu amor e sua devota veneração a SS. Virgem Maria. A nossa devoção a Maria foi crescendo no correr dos anos, criou raízes na Ordem e fora dela e ganhou um impulso extraordinário em meados do século XIII - com a aparição de Nossa Senhora a São Simão Stock entregando-lhe o seu Escapulário. 


Porém a devoção Mariana na Ordem do Carmo, remonta do Antigo Testamento, que segundo o profeta Elias, vendo uma nuvenzinha, que se levantava no mar, bem como a pegada de homem, teria nela reconhecido no símbolo, a figura da futura Mãe do Salvador   (1 Reis 19,44). Os discípulos de Elias, recordando aquela visão do mestre, teriam fundado uma Congregação, com sede no Monte Carmelita, com o fim declarado de prestar homenagens à Mãe do Senhor.


O Monte Carmelo se separa a Palestina da região de Tiro. Sua elevação e formosura é decantada no livro do Cântico dos Cânticos neste tópico tão poético: “Tua cebeça é como o Carmelo” (Cant 7,5). Até os pagãos veneravam este monte, pois Tácito diz que havia ali um altar e Suetônio narra que o Imperador Romano Vespasiano aí ofereceu um sacrifício. No tempo do profeta Elias foi o local triunfo do mesmo sobre os sacerdotes de Baal.

 

O Monte Carmelo foi guarida freqüente do profeta Eliseu e Nossa Senhora é o “Refúgio dos Pecadores”. Os discípulos dos referidos profetas viveram nas fraldas deste Monte e foram, por assim dizer, os antecessores dos carmelitas de todas as eras. Na época das Cruzadas, na Idade Média, para lá se dirigiram muitos cristãos e através de uma lenta formação deram origem à atual Ordem carmelitana fundada em 1180. Sob a invocação de Santo Elias lá se edificou um Convento, depois transformado em Hospital. 

 

Quem viaja ao Oriente não deixa de visitar o formoso mosteiro a quinhentos metros sobre o nível do mar com uma belíssima Igreja Stella Maris. Debaixo do altar, há uma gruta chamada de Elias onde se celebram Missas participadas por inúmeros devotos. A recordação de todos estes fatos, ao ensejo da festa de Nossa Senhora do Carmo, alimentam a devoção à Mãe de Jesus. Dela, diz São Bernardo, nunca se ouviu dizer que não tivesse atendido as súplicas dos que a invocam com confiança e imitam suas virtudes.



 O Ícone La Bruna

O ícone Maria “La Bruna” (nossa morena) é a mais antiga imagem mariana adotada pelos Carmelitas (ícone do carmelo), e originária provavelmente do Monte Carmelo. Sua representação foi concebida para comunicar ao observador os valores da vida de Maria. São detalhes interessantes na simbologia mariana do ícone.


The icon Maria "La Bruna" (our morena) is the oldest Marian image adopted by the Carmelites (icon of carmelo), and probably originates from Mount Carmel. Its representation is designed to communicate the values of life of Mary. They are interesting details in the symbolism of the Marian icon.


L'icône Maria "La Bruna" (notre MORENA) est la plus ancienne image mariale adopté par les Carmélites (icône de Carmelo), et probablement originaire de Mont-Carmel. Sa représentation est conçu pour communiquer les valeurs de la vie de Marie. Ils sont intéressants détails dans le symbolisme de l'icône mariale.


El icono de María "La Bruna" (nuestra morena) es la más antigua imagen mariana, aprobada por los Carmelitas (icono de Carmelo), y probablemente se origina en el Monte Carmelo. Su representación ha sido diseñado para comunicar los valores de la vida de María. Son interesantes detalles en el simbolismo del icono mariano.
  1. A cor dourada (lembrando o sol) das aureolas e do fundo indica a santidade de Maria, coração sempre revestido de Deus.
  2. A cor azul marinho (cor do mar, da fertilidade) do manto proclama a Maternidade Divina de Maria.
  3. A cor vermelha (símbolo do amor) da túnica, cuja parte cobre o Menino, indica o forte amor da Mãe para com o seu filho Jesus.
  4. A estrela (adorno) no manto de Maria é sinal de sua virgindade antes, durante e depois do parto: mulher de coração indiviso para Deus.
  5. A cor da manga do Menino (pele de ovelha) nos está a indicar: eis aí o Cordeiro de Deus.
  6. O rosto do Menino, com idade indefinida, comunica algo profundo: este é o Verbo eterno do Pai que se fez homem.
  7. A mão esquerda de Maria segura o Filho no colo, sinal de ternura.
  8. A mão direita, responde à súplica da oração "Salve Regina": mostrai-nos Jesus, bendito fruto...”, indicando: “Eis o caminho, a verdade e a vida”.
  9. A posição do Menino, rosto colado ao da Mãe, é clara demonstração da recíproca ternura dos dois.
  10. Os olhos de Maria e de Jesus são voltados para o observador, exprimindo a missão redentora de Jesus e a participação co-redentora de Maria.

Toda a composição do ícone acima, do tipo iconográfico da eleusa (ternura), fala da realidade da Virgem Mãe de Deus no mistério de Cristo e da Igreja. É catequético, chamando o observador para a familiaridade e imitação de Maria. O ícone recebeu a coroa de ouro por Decreto do Capítulo do Vaticano a 11/06/1875. O altar onde é venerado este precioso ícone, desde o século XIII, fica na Basílica di Santa Maria del Carmine Maggiori, em Nápoli, Itália.


Esse Ícone inspirou várias releituras, que hoje são mais conhecidas que original, que foram pintadas aprimorando com as novas técnicas da pintura.




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fontes:
Ordem do Carmo

Abertura do Mês de Maio - Festa de São José Operário -



 Rogai por nós, São José, Modelo dos Operários;
Para que sejamos dignos das promessas de Cristo!


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A Igreja inteira reconhece S. José como seu protector e padroeiro. Ao longo dos séculos tem-se falado dele, sublinhando diversos aspectos da sua vida, sempre fiel à missão que Deus lhe confiara. Por isso, desde há muitos anos, me agrada invocá-lo com um título carinhoso: Nosso Pai e Senhor.

S. José é realmente Pai e Senhor, protegendo e acompanhando no seu caminho terreno aqueles que o veneram, como protegeu e acompanhou Jesus enquanto crescia e se fazia homem. Ganhando intimidade com ele descobre-se que o Santo Patriarca é, além disso, Mestre da vida interior, porque nos ensina a conhecer Jesus, a conviver com Ele, a tomar consciência de que fazemos parte da família de Deus. E S. José dá-nos essas lições sendo, como foi, um homem corrente, um pai de família, um trabalhador que ganhava a vida com o esforço das suas mãos. Este facto possui também, para nós, um significado que é motivo de reflexão e de alegria.

Ao celebrar hoje a sua festa, quero evocar a sua figura, recordando o que dele nos diz o Evangelho para podermos assim descobrir melhor o que, através da vida simples do Esposo de Santa Maria, nos transmite Deus.

Tanto S. Mateus como S. Lucas nos falam de S. José como varão descendente de uma estirpe ilustre: a de David e de Salomão, reis de Israel. Historicamente, os pormenores dessa descendência são algo confusos. Não sabemos qual das duas genealogias que os evangelistas trazem corresponde a Maria - Mãe de Jesus, segundo a carne - e qual a S. José, que era seu Pai segundo a lei judaica. Nem sabemos se a cidade natal de José era Belém, onde se dirigiu para se recensear, ou Nazaré, onde vivia e trabalhava.

Sabemos, no entanto, que não era uma pessoa rica; era um trabalhador como milhões de homens no mundo. Exercia o ofício fatigante e humilde que Deus escolheu também para Si quando tomou a nossa carne e viveu trinta anos como uma pessoa mais entre nós.

A Sagrada Escritura diz que José era artesão. Vários Padres acrescentam que foi carpinteiro. S. Justino, falando da vida de trabalho de Jesus, afirma que fazia arados e jugos. Baseando-se talvez nestas palavras, Santo Isidoro de Sevilha concluiu que José era ferreiro. De qualquer modo era um operário que trabalhava ao serviço dos seus concidadãos, que tinha uma habilidade manual, fruto de anos de esforço e de suor.

Das narrações evangélicas depreende-se a grande personalidade humana de S. José: em nenhum momento nos aparece como um homem diminuído ou assustado perante a vida; pelo contrário, sabe enfrentar-se com os problemas, superar as situações difíceis, assumir com responsabilidade e iniciativa os trabalhos que lhe são encomendados.

Para viver a virtude da castidade não é preciso ser-se velho ou carecer de vigor. A castidade nasce do amor; a força e a alegria da juventude não constituem obstáculo para um amor limpo. Jovem era o coração e o corpo de S. José quando contraiu matrimónio com Maria, quando conheceu o mistério da sua Maternidade Divina, quando vivei junto d'Ela respeitando a integridade que Deus lhe queria oferecer ao mundo como mais um sinal da sua vinda às criaturas. Quem não for capaz de compreender um amor assim conhece muito mal o verdadeiro amor e desconhece por completo o sentido cristão da castidade.

Como dizíamos, José era artesão da Galileia, um homem como tantos outros. E que pode esperar da vida um habitante de uma aldeia perdida, como era Nazaré? Apenas trabalho, todos os dias, sempre com o mesmo esforço. E, no fim da jornada, uma casa pobre e pequena, para recuperar as forças e recomeçar o trabalho no dia seguinte.

Mas o nome de José significa em hebreu Deus acrescentará. Deus dá à vida santa dos que cumprem a sua vontade dimensões insuspeitadas, o que a torna importante, o que dá valor a todas as coisas, o que a torna divina. À vida humilde e santa de S. José, Deus acrescentou - se me é permitido falar assim - a vida da Virgem Maria e a de Jesus Nosso Senhor. Deus nunca se deixa vencer em generosidade. José podia fazer suas as palavras que pronunciou Santa Maria, sua Esposa: Quia fecit mihi magna qui potens est, fez em mim grandes coisas Aquele que é todo poderoso quia respexit humilitatem, porque pôs o seu olhar na minha pequenez.

José era efectivamente um homem corrente, em quem Deus confiou para realizar coisas grandes. Soube viver exactamente como o Senhor queria todos e cada um dos acontecimentos que compuseram a sua vida. Por isso, a Sagrada Escritura louva José, afirmando que era justo. E, na língua hebreia, justo quer dizer piedoso, servidor irrepreensível de Deus, cumpridor da vontade divina; outras vezes significa bom e caritativo para com o próximo.

Numa palavra, o justo é o que ama a Deus e demonstra essa amor, cumprindo os seus mandamentos e orientando toda a sua vida para o serviço dos seus irmãos, os homens.

A José - lemos num sermão de Santo Agostinho -não só se lhe deve o nome de pai, mas este é-lhedevido mais do que a qualquer outro. E continua:Como era pai? Tanto mais profundamente pai, quanto mais casta foi a sua paternidade. Alguns pensavam que era pai de Nosso Senhor Jesus Cristo da mesma forma que são pai os outros, que geram segundo a carne e não recebem os seus filhos só como fruto do seu afecto espiritual. Por isso, diz S. Lucas: pensava-se que era pai de Jesus.

Porque diz apenas pensava-se? Porque opensamento e o juízo humanos referem-se àquilo que costuma acontecer entre os homens. E o Senhor não nasceu do germe de José. Mas à piedade e caridade de José nasceu um filho da Virgem Maria, que era Filho de Deus.

José amou Jesus como um pai ama o seu filho, tratou-o dando-lhe tudo que de melhor tinha. José, cuidando daquele Menino como lhe tinha sido ordenado, fez de Jesus um artesão: transmitiu-lhe o seu ofício. Por isso, os vizinhos de Nazaré falavam de Jesus chamando-lhe indistintamente faber e fabri filius”: artesão e filho do artesão. Jesus trabalhou na oficina de José e junto de José. Como seria José, como teria actuado nele a graça, para ser capaz de levar a cabo a tarefa de desenvolver no aspecto humano o Filho de Deus?

Por isso, Jesus devia parecer-se com José no modo de trabalhar, nos traços do seu carácter, na maneira de falar. No realismo de Jesus, no seu espírito de observação, no seu modo de se sentar à mesa e de partir o pão, no seu gosto por falar dum modo concreto tomando como exemplo as coisas da vida corrente, reflecte-se o que foi a infância e a juventude de Jesus e, portanto, a sua convivência com José.

Não é possível desconhecer a sublimidade do mistério. Esse Jesus que é homem, que fala com o sotaque de uma determinada região de Israel, que se parece com um artesão chamado José, esse é o Filho de Deus. E quem pode ensinar alguma coisa a Deus? Mas é realmente homem e vive normalmente: primeiro como menino; depois, como rapaz que ajuda na oficina de José; finalmente como homem maduro, na plenitude da idade. Jesus crescia em sabedoria, em idade e em graça diante de Deus e dos homens.

José foi, no aspecto humano, mestre de Jesus; conviveu com Ele diariamente, com carinho delicado, e cuidou dele com abnegação alegre. Não será esta uma boa razão para considerarmos este varão justo, este Santo Patriarca, no qual culmina a Fé da Antiga Aliança, Mestre de vida interior? A vida interior não é outra coisa senão o convívio assíduo e intimo com Cristo, para nos identificarmos com Ele. E José saberá dizer-nos muitas coisas sobre Jesus. Por isso, não deixeis nunca de conviver com ele; ite ad Joseph, como diz a tradição cristã com uma frase tomada do Antigo Testamento.

Mestre da vida interior, trabalhador empenhado no seu trabalho, servidor fiel de Deus em relação contínua com Jesus: este é José. Ite ad Joseph. Com S. José o cristão aprende o que é ser Deus e estar plenamente entre os homens, santificando o mundo. Ide a José e encontrareis Jesus. Ide a José e encontrareis Maria, que encheu sempre de paz a amável oficina de Nazaré.




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