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segunda-feira, 15 de julho de 2013

Festa de Nossa Senhora do Carmo - 13 de Julho de 2013



 
A Santíssima Virgem Maria, Esplendor e Glória do Carmelo 
 
 
Com grande alegria celebramos hoje, em comunhão com a Ordem Carmelita e com a Igreja universal, a solenidade da Santíssima Virgem Maria, Mãe e Rainha da Ordem do Carmo.O Monte Carmelo, espaço de silêncio, de contemplação e encontro com o Deus vivo, é exaltado pela sua beleza, desde os tempos bíblicos. A Palavra Carmelo, de origem hebraica, significa “vinha do Senhor”. Neste Monte santo, o Profeta Elias, grande contemplativo, viveu profundas experiências com Deus. Juntamente com a Santíssima Virgem Maria, esplendor e glória do Carmelo, ele foi escolhido pelos carmelitas como seu inspirador espiritual.
 
Elias, homem de audácia profética
 
A primeira leitura apresenta-nos o Profeta Elias, grande defensor do Deus vivo e verdadeiro, prostrado em oração, no cimo do Monte Carmelo, pedindo a chuva tão desejada, perante uma terrível seca que assolava a região. É que, apesar das enérgicas advertências de Elias que, na sua mensagem profética, apelava à constante conversão do coração, o povo eleito, em contacto com os povos idolátricos, inclinava-se muitas vezes para os falsos deuses e abandonava o Senhor.Diz-nos o texto bíblico que, em resposta à súplica de Elias, “o fogo do Senhor desceu sobre o holocausto e queimou-o (…) e o povo exclamou: “O Senhor é Deus! Só o Senhor é que é Deus!” (1Rs 18, 36-37). A oração ardente do Profeta, cheia de confiança e humildade, tocou o coração do Senhor Deus.
 
 
Abandonar o verdadeiro Deus, ou simplesmente ignorá-l’O, é uma tentação de todos os tempos e de todas as épocas, como na atual sociedade secularizada. A tentação da idolatria do dinheiro, do poder e do prestígio, do egoísmo e do prazer, conduz muitas vezes ao esquecimento do próprio Deus e cria no coração humano situações de angústia e sem horizontes de felicidade.
 
A nuvenzinha, que subia do mar, preanunciava a chuva benfazeja, como verdadeiro sinal de Esperança. E a chuva tão desejada, perante aquela grave calamidade da seca, surgiu em abundância e encheu de vida e de alegria a terra ressequida. 
 
 
Na plenitude dos tempos 
 
A segunda leitura, extraída da Carta de S. Paulo aos Gálatas, introduz-nos na era messiânica, “a plenitude dos tempos” (Gal 4,4), quando Deus enviou o Filho ao mundo, nascido de uma mulher, Maria. O texto, de uma grande beleza e profundidade teológica, está marcado pelo admirável ensinamento da filiação divina. Na verdade, o Espírito Santo, o novo Fogo descido do Céu, enviado por Deus, habita o coração dos crentes, como num templo. É o Espírito que nos introduz na comunhão do Amor trinitário e, no silêncio do coração, clama dentro de nós: “Abbá Pai”! Como ressonância desta vivência da inabitação trinitária, lembro a jovem mística Elizabeth da Trindade, carmelita francesa, falecida no início do séc. XX, e a sua missão profética e carismática no mistério da Igreja. Imersa no profundo Amor Trinitário, com o seu magistério espiritual, ilustra bem a riqueza da vivência pessoal da mensagem de S. Paulo sobre a filiação divina, incorporação em Cristo e dinamismo da graça baptismal, até à transformação no “Louvor de Glória da Trindade”, como a si própria se intitulava.Colhemos dos seus escritos esta bela e profunda mensagem, que a todos nos interpela: “A Trindade, eis aí a nossa morada, o nosso lar, a casa paterna de onde nunca devemos sair”. Antes de falecer, Elizabeth prometeu continuar a sua missão, desde a eternidade, de atrair o coração dos crentes à intimidade e recolhimento interior com o Deus, Uno e Trino. Como é belo viver esta harmonia espiritual, que nasce “do olhar contemplativo e adoração silenciosa” da presença de Deus em nós!
 
Maternidade espiritual de Maria
 
O relato evangélico de S. João fala-nos da situação dramática da morte de Jesus, perante o olhar enternecido de sua Mãe, que O acompanha naqueles últimos momentos, tão importantes na história da Humanidade. Ao consumar a obra da Redenção, Jesus agonizante na Cruz, confiou a Igreja nascente a Maria e revelou-lhe a sua maternidade espiritual: “Eis a tua Mãe”! Maria é a Mãe da Igreja e o discípulo amado representa todos os seus membros: Maria é, também, a Mãe de cada um de nós! E diz-nos o texto que “a partir daquele momento, o discípulo (João) recebeu-a em sua casa”(Jo 19,27).Receber Maria na nossa casa é deixá-la entrar no nosso coração e na nossa vida, na família, na escola e na sociedade em geral. É também aprender na escola de Maria a verdadeira Sabedoria, os valores evangélicos, encarnados em gestos concretos de amor, perdão, disponibilidade e serviço generoso aos outros. Com Maria-Mãe em nossa casa, sentimo-nos sempre seguros e amparados, em todos os momentos, especialmente nas dificuldades da vida. A sua mão terna e firme aponta-nos o Caminho, que é Jesus Cristo Senhor, fonte de Vida e Esperança.
 
O Escapulário, penhor de esperança
 
Sabemos através da tradição secular da Ordem do Carmo que, a 16 de Julho de 1251, Nossa Senhora apareceu a S. Simão Stock e lhe ofereceu o Escapulário, dizendo. “Eis o privilégio que te dou a ti e a todos os filhos do Carmelo: todo o que for revestido desse hábito será salvo”. Esta graça foi rapidamente difundida pelos fiéis, sendo muitos, ainda hoje, aqueles que recebem e trazem consigo o Escapulário de Nossa Senhora do Carmo.João Paulo II, grande devoto de Nossa Senhora, confidenciava um dia: “Eu também levo no meu coração, há tanto tempo, o Escapulário do Carmo! Por isso, peço à Virgem do Carmo que nos ajude a todos, os religiosos e as religiosas do Carmelo e os piedosos fiéis que a veneram filialmente, para crescermos em seu amor e irradiarmos no mundo a presença desta Mulher do silêncio e da oração, invocada como Mãe da misericórdia, Mãe da esperança e da graça".Um rico património espiritual. Na Ordem do Carmo floresceram, ao longo dos séculos, grandes santos e santas, também da Ordem Terceira, que enriqueceram a Igreja com um rico património espiritual teológico-místico, como por exemplo, Santa Teresa de Ávila, S. João da Cruz, reformadores do Carmelo e doutores da Igreja, Santa Teresinha do Menino Jesus, tão conhecida e amada na nossa terra, e tantos outros. 
 
Ainda hoje, o seu testemunho vivencial mantém um grande fascínio e actualidade pela beleza e frescura da sua mensagem mística.De particular relevância é o amor e afecto filial, que a Ordem sempre dedicou a Nossa Senhora do Carmo. Dizia Santa Teresa de Ávila, cheia de ternura e gratidão para com a Santa Mãe de Deus: “É maravilhoso e agradável a Nosso Senhor qualquer serviço feito à sua Mãe, e a sua misericórdia é grande para os que o fazem”. A família carmelita aprendeu na escola da Virgem do Carmo, a Senhora da Contemplação, o caminho da entrega e disponibilidade total ao Amor, na Igreja.Todos beneficiamos desta rica espiritualidade, com a presença dos Sacerdotes Carmelitas, aqui nesta igreja, no centro da cidade, onde tantas pessoas se encontram com Maria, a Mãe do Carmelo, sinal de consolação e de esperança, e caminho seguro que conduz a Deus. Como Bispo do Funchal, agradeço-lhes a presença, o testemunho e a actividade pastoral que desenvolvem na nossa Diocese.Santa Mãe de Deus, Senhora do Carmo, rogai por nós! 
 
 
Funchal, 16 de Julho de 2010† António Carrilho, Bispo do Funchal
 
Solenidade de Nossa Senhora do Carmo Igreja do Carmo - Funchal, 17 de Julho de 2010 

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