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sábado, 30 de novembro de 2013

01 Dezembro 2013 - Primeiro Domingo do Advento


Sermão para o Primeiro Domingo do Advento
Padre Daniel Pinheiro



Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém. Ave Maria. [...] Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós.

Entramos hoje, caros católicos, no Tempo do Advento, que como todos sabem é o tempo de preparação para a festa do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo, a segunda festa mais importante no calendário litúrgico após a Páscoa. O Natal, todavia, não é simplesmente a comemoração de um acontecimento histórico, ocorrido há mais de dois mil anos. O Natal, como toda festa litúrgica, traz consigo uma graça particular. A festas litúrgicas nos trazem à memória um mistério da vida de Nosso Senhor ou de Nossa Senhora, e trazem também a graça anexa a esse mistério. Ora, como a graça do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo é uma graça extraordinária, a Igreja quer nos preparar durante essas quatro semanas para recebê-la bem. As graças do nascimento de Cristo se comunicam de modo particular durante o Natal. A graça do Natal é, antes de tudo, considerar a caridade infinita de Deus para conosco e responder a essa caridade de Deus com amor e com um amor generoso por Deus. No presépio, na manjedoura, devemos ver no Menino Jesus, o amor de Deus. No Natal, o Menino Jesus quer nascer e crescer em nossas almas. É preciso que ele encontre lugar para Ele em nossa alma, ao contrário do que ocorreu na estalagem de Belém, em que não havia lugar para Nosso Senhor.

Para receber Nosso Senhor os judeus se prepararam durante vários séculos, receberam a lei de Moisés, foram guiados pelos profetas. E ainda assim, só uma pequena porção do povo judeu recebeu Nosso Senhor. Ele veio para os seus, mas os seus não o receberam, como rezamos todos os dias no Último Evangelho. 


Nós devemos nos preparar bem para a vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo. E, nessa preparação, devemos seguir os três exemplos que nos são dados pela Santa Igreja por meio da liturgia. 


O primeiro exemplo é o de Isaías, o Evangelista do Antigo Testamento. A Igreja faz suas as orações e súplicas de Isaías durante o Advento, em particular no Breviário: “Vinde, Senhor, e não tardeis”, “Vinde, Senhor, para nos salvar”, “Que as nuvens chovam o justo”. Isaías deve ser o nosso modelo de oração no tempo do Advento para que Cristo possa crescer em nossas almas ou para que possa nascer, se por acaso a perdemos. 

O segundo exemplo que nos é dado é o de São João Batista. Nos próximos três domingos do Advento São João Batista estará presente no Santo Evangelho. E de São João Batista devemos seguir o exemplo de penitência. Ora, foi com seu batismo de penitência que ele preparou os caminhos, quer dizer, as almas, para a vinda de Nosso Senhor. Também a Igreja quer que façamos penitência e ela nos ensina isso não só com a figura de São João Batista, mas também pelas regras litúrgicas. No Advento, o Glória não se canta, o órgão se silencia, as flores são proibidas, o roxo se faz presente. Todavia, essa penitência é repleta de esperança pelo pensamento que considera a vinda iminente do Salvador e, por isso, se canta ainda o Aleluia aos domingos. São João Batista deve ser nosso modelo de penitência para o Advento, nosso modelo de mortificação contra nossas más incilinações. 

O nosso terceiro exemplo para esse tempo litúrgico é, claro, Maria Santíssima. Nossa Senhora deve ser para nós exemplo de humildade, que é virtude própria do tempo de Advento: basta ver o Rei dos céus e da terra deitado numa manjedoura, num estábulo, sem poder falar – Ele, que é o Verbo de Deus. E é com Maria que devemos aprender a humildade, que consiste em reconhecer a grandeza de Deus e a nossa pequenez diante dEle. Todavia, o maior exemplo que Nossa Senhora nos dá no Advento é com sua Imaculada Conceição. A Imaculada Conceição significa inimizade com todo o pecado e com tudo o que pode levar ao pecado. Ao mesmo tempo a Imaculada Conceição significa a amizade com Deus e amor a tudo o que leva a Deus. É o que nos diz São Paulo na Epístola de hoje: “A noite vai adiantada, e o dia vem chegando. Despojemo-nos das obras das trevas e vistamo-nos das armas da luz. Comportemo-nos honestamente, como em pleno dia: nada de glutonerias, nada de bebedeira; nada de desonestidades – nem imodéstias, poderíamos dizer – nem dissoluções; nada de contendas, nada de ciúmes. Ao contrário, revesti-vos do Senhor Jesus Cristo. Para que Nosso Senhor nasça e cresça em nossas almas precisamos rejeitar as obras das trevas, os pecados, e devemos nos revestir das armas da luz que são as virtudes. Isso significa que o Advento é tempo de confissão, tempo de uma boa confissão.

Caros católicos, é hora de nos levantarmos do sono. Deixemos de lado a preguiça espiritual que nos impede de progredir e nos faz regredir. Deixemos de lado essa idéia de considerar as coisas de Deus e a prática da religião como algo triste, melancólico. Essa sonolência termina nos levando à inação, à ociosidade e delas para pecados mais graves. Levantemo-nos do sono, prontos para servir a Nosso senhor e servi-lo com alegria e generosidade; primeiro porque Ele merece, segundo porque é para o nosso próprio bem e do próximo. É hora de acordar da preguiça espiritual. Sigamos esses três exemplos. A oração ardente de Isaías para que Nosso Senhor habite cada vez mais perfeitamente a nossa alma. A prática da penitência de São João Batista, para nos desapegar das coisas desse mundo, ordenando-as sempre à nossa salvação. O objetivo da penitência e da oração é a inimizade ao pecado e a tudo o que conduz ao pecado. Essa inimizade nos é ensinada pela Imaculada Conceição. A inimizade ao pecado por um lado e a amizade a Deus e às virtudes por outro. 

Despojar-se das obras das trevas, vestir-se das armas da luz. Nosso Senhor nasce em torno do solstício de inverno no hemisfério norte, quer dizer, em torno dos dias do ano em que as noites são mais longas. Depois do solstício de inverno é a luz, o dia, que passará pouco a pouco a predominar. Nosso Salvador veio ao mundo quando esse estava completamente envolto nas trevas do pecado. Com sua vinda são as virtudes, a graça, a caridade, a luz que passará pouco a pouco a predominar, embora não necessariamente em quantidade. Como nos diz Santo Alfonso, Deus foi mais amado em pouco tempo depois da vinda de Cristo que durante todo o tempo que precedeu a encarnação, pois pela encarnação Deus mostrou ao homem toda a sua bondade. Vestir-se de Nosso Senhor Jesus Cristo e de suas virtudes. Responder ao amor infinito de Deus – ao Menino Jesus no estábulo – com uma caridade ardente que se expressa necessariamente em obras. Eis aí a finalidade do Advento. E não só do Advento, mas de nossas vidas.


Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.



Estejai, pois, preparados, porque, à hora em que não pensais, virá o Filho do Homem
S.Lucas 12,40


Fonte
http://missatridentinaembrasilia.org

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