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domingo, 29 de junho de 2014

São Pedro e São Paulo

Homilia de Dom Henrique Soares da Costa – Solenidade de São Pedro e São Paulo




At 12,1-11
Sl 33
2Tm 4,6-8.17-18
Mt 16,13-19
Eis os santos que, vivendo neste mundo, plantaram a Igreja, regando-a com seu sangue. Beberam do cálice do Senhor e se tornaram amigos de Deus”. – Estas palavras que o missal propõe como antífona de entrada desta solenidade, resumem admiravelmente o significado de São Pedro e são Paulo. A Igreja chama a ambos de “corifeus”, isto é líderes, chefes, colunas. E eles o são.

Primeiramente, porque são apóstolos. Isto é, são testemunhas do Cristo morto e ressuscitado. Sua pregação plantou a Igreja, que vive do testemunho que eles deram. Pedro, discípulo da primeira hora, seguiu Jesus nos dias de sua pregação, recebeu do Senhor o nome de Pedra e foi colocado à frente do colégio dos Doze e de todos os discípulos de Cristo. Generoso e ao mesmo tempo frágil, chegou a negar o Mestre e, após a ressurreição, teve confirmada a missão de apascentar o rebanho de Cristo. Pregou o Evangelho e deu seu último testemunho em Roma, onde foi crucificado sob o Imperador Nero. Paulo não conhecera Jesus segundo a carne. Foi perseguidor ferrenho dos cristãos, até ser alcançado pelo Senhor ressuscitado na estrada de Damasco. Jesus o fez se apóstolo. Pregou o Evangelho incansavelmente pelas principais cidades do Império Romano e fundou inúmeras igrejas. Combateu ardentemente pela fidelidade à novidade cristã, separando a Igreja da Sinagoga. Por fim, foi preso e decapitado em Roma, sob o Imperador Nero.

O que nos encanta nestes gigantes da fé não é somente o fruto de sua obra, tão fecunda. Encanta-nos igualmente a fidelidade à missão. As palavras de Paulo servem também para Pedro: “Combati o bom combate, completei a corrida, guardei a fé”. Ambos foram perseverantes e generosos na missão que o Senhor lhes confiara: entre provações e lágrimas, eles fielmente plantaram a Igreja de Cristo, como pastores solícitos pelo rebanho, buscando não o próprio interesse, mas o de Jesus Cristo. Não largaram o arado, não olharam para trás, não desanimaram no caminho… Ambos experimentaram também, dia após dia, a presença e o socorro do Senhor. Paulo, como Pedro, pôde dizer: “Agora sei, de fato, que o Senhor enviou o seu anjo para me libertar…”

Ambos viveram profundamente o que pregaram: pregaram o Cristo com a palavra e a vida, tudo dando por Cristo. Pedro disse com acerto: “Senhor, tu sabes tudo; tu sabes que te amo”; Paulo exclamou com verdade: “Para mim, viver é Cristo. Minha vida presente na carne, eu a vivo na fé do Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim”. Dois homens, um amor apaixonado: Jesus Cristo! Duas vidas, um só ideal: anunciar Jesus Cristo! Em Jesus eles apostaram tudo; por Jesus, gastaram a própria vida; da loucura da cruz e da esperança da ressurreição de Jesus, eles fizeram seu tesouro e seu critério de vida.

Finalmente, ambos derramaram o Sangue pelo Senhor: “Beberam do cálice do Senhor e se tornaram amigos de Deus”. Eis a maior de todas a honras e de todas as glórias de Pedro e de Paulo: beberam o cálice do Senhor, participando dos seus sofrimentos, unido a ele suas vidas até o martírio em Roma, para serem herdeiros de sua glória. Eis por que eles são modelo para todos os cristãos; eis por que celebramos hoje, com alegria e solenidade o seu glorioso martírio junto ao altar de Deus! Que eles intercedam por nós na glória de Cristo, para que sejamos fiéis como eles foram.

Hoje também, nossos olhos e corações voltam-se para a Igreja de Roma, aquela que foi regada com o sangue dos bem-aventurados Pedro e Paulo, aquela, que guarda seus túmulos, aquela, que é e será sempre a Igreja de Pedro. Alguns loucos, dizem, deturpando totalmente a Escritura, que ela é a Grande Prostituta, a Babilônia. Nós sabemos que ela é a Esposa do Cordeiro, imagem da Jerusalém celeste. Conhecemos e veneramos o ministério que o Senhor Jesus confiou a Pedro e seus sucessores em benefício de toda a Igreja: ser o pastor de todo o rebanho de Cristo e a primeira testemunha da verdadeira fé naquele que é o “Cristo, Filho do Deus vivo”. Sabemos com certeza de fé que a missão de Pedro perdura nos seus sucessores em Roma. Hoje, a missão de Pedro é exercida por Bento XVI. Ao Santo Padre, nossa adesão filial, por fidelidade a Jesus, que o constituiu pastor do rebanho. Não esqueçamos: o Papa será sempre, para nós, o referencial seguro da comunhão na verdadeira fé apostólica e na unidade da Igreja de Cristo. Quando surgem, como ervas daninhas, tantas e tantas seitas cristãs e pseudo-cristãs, nossa comunhão com Pedro é garantia de permanência seguríssima na verdadeira fé. Quando o mundo já não mais se constrói nem se regula pelos critérios do Evangelho, a palavra segura de Pedro é, para nós, uma referência segura daquilo que é ou não é conforme o Evangelho.

Rezemos, hoje, pelo nosso Santo Padre. Que Deus lhe conceda saúde de alma e de corpo, firmeza na fé, constância na caridade e uma esperança invencível. E a nós, o Senhor, por misericórdia, conceda permanecer fiéis até a morte na profissão da fé católica, a fé de Pedro e de Paulo, pala qual, em nome de Jesus, “Cristo Filho do Deus vivo”, os Santos Apóstolos derramaram o próprio sangue.

Ao Senhor, que é admirável nos seus santos e nos dá a força para o martírio, a glória pelos séculos dos séculos. Amém.

Dom Henrique Soares da Costa
fonte: www.presbiteros.com.br

Festa do Sacratíssimo Coração de Jesus


“Ninguém afaste do amor
do vosso bom Coração.
Buscai, nações, nesta fonte
as graças da remissão.

Aberto foi pela lança
e, na paixão transpassado,
deixou jorrar água e sangue,
lavando o nosso pecado.” 

(Vésperas I – Sagrado Coração de Jesus)

A Igreja celebra a Festa do Sagrado Coração de Jesus na sexta feira da semana seguinte à Festa de Corpus Christi. O coração é mostrado na Escritura como símbolo do amor de Deus. No Calvário o soldado abriu o lado de Cristo com a lança (Jo 19,34). Diz a Liturgia que “aberto o seu Coração divino, foi derramado sobre nós torrentes de graças e de misericórdia”. Jesus é a Encarnação viva do Amor de Deus, e seu Coração é o símbolo desse Amor. Por isso, encerrando uma conjunto de grandes Festas (Páscoa, Ascensão, Pentecostes, Santíssima Trindade, Corpus Christi), a liturgia nos leva a contemplar o Coração de Jesus. 

Este sagrado Coração é a imagem do amor de Jesus por cada um de nós. É a expressão daquilo que São Paulo disse: ”Eu vivi na fé do Filho de Deus, que me amou e se entregou a si mesmo por mim (Gl 2,20). É o convite a que cada um de nós retribua a Jesus este amor, vivendo segundo a Sua vontade e trabalhando com a Igreja pela salvação das almas. 

Muitos Santos veneraram o Coração de Jesus. Santo Agostinho disse: “Vosso Coração, Jesus, foi ferido, para que na ferida visível contemplássemos a ferida invisível de vosso grande amor”. São João Eudes, grande propagador desta devoção no século XVII, escreveu o primeiro ofício litúrgico em honra do Coração de Jesus, cuja festa se celebrou pela primeira vez na França, em 20 de outubro de 1672. 

Jesus revelou o desejo da Festa ao seu Sagrado Coração à religiosa Santa Margarida Maria Alacoque, na França, mostrando-lhe o “Coração que tanto amou os homens e é por parte de muitos desprezado”. S. Margarida teve como diretor espiritual o padre jesuíta S. Cláudio de la Colombière, canonizado por João Paulo II, e que se incumbiu de progagar a grande Festa. 

O Papa Pio XII afirmou que tudo o que S. Margarida declarou “estava de acordo com a nossa fé católica”. Este foi um grande sinal a mais da misericórdia e da graça para as necessidades da Igreja, especialmente num tempo em que grassava a heresia do jansenismo (do bispo francês Jansen) que ensinava uma religião triste e ameaçadora. 

O Papa Clemente XIII aprovou a Missa em honra do Coração de Jesus e Pio X, dia 23 de agosto de 1856, estendeu a Festa para toda a Igreja a ser celebrada na sexta-feira da semana subseqüente à festa de Corpus Christi. O papa Leão XIII consagrou o mundo ao Sagrado Coração de Jesus. Paulo VI disse certa vez que ela é garantia de crescimento na vida cristã e garantia da salvação eterna. 

Entre as Promessas que Jesus fez à Santa Margarida está a das Nove Primeiras Sextas Feiras do mês: aos fiéis que fizerem a Comunhão em nove primeiras sextas-feiras de cada mês, seguidas e sem interrupção, prometeu o Coração de Jesus a graça da perseverança final, o que significa que a pessoa nunca deixará a fé católica e buscará a sua santificação. São as chamadas Comunhões reparadoras a Jesus pela ofensa que tantas vezes seu Sagrado Coração é tão ofendido pelos homens. 

Pio XII disse: “Nada proíbe que adoremos o Coração Sacratíssimo de Jesus Cristo, enquanto é participante e símbolo natural e sumamente expressivo daquele amor inexaurível em que, ainda hoje, o Divino Redentor arde para com os homens”. 

Essas são as Promessas que Jesus fez: 

“No extremo da misericórdia do meu Coração onipotente, concederei a todos aqueles que comungarem nas primeiras sextas feiras de cada mês, durante nove meses consecutivos a graça do arrependimento final. Eles não morrerão sem a minha graça e sem receber os SS. sacramentos. O meu coração naquela hora extrema ser-lhe-á seguro abrigo”. 

As outras promessas do Coração de Jesus a Santa Margarida Maria Alacoque:

1 - Conceder-lhe-ei todas as graças necessárias ao seu estado.

2 - Porei a paz em suas famílias.

3 - Consolá-los-ei nas suas aflições.

4 - Serei seu refúgio na vida e especialmente na hora da morte.

5 - Derramarei copiosas bênçãos sobre suas empresas.

6 - Os pecadores encontrarão no meu Coração a fonte, oceano infinito de misericórdia.

7 - Os tíbios se tornarão fervorosos.

8 - Os fervorosos alcançarão rapidamente grande perfeição.

9 - Abençoarei os lugares onde estiver exposta e venerada a imagem do meu Coração.

10 - Darei aos sacerdotes a força de comover os corações mais endurecidos.

11 - O nome daqueles que propagarem esta devoção ficará escrito no meu Coração e de lá nunca será apagado.

Prof.Felipe Aquino
fonte: www.catequisar.como.br

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Corpus Christi - Fé, Amor, Reparação

Por Dom Fernando Arêas Rifan*







Amanhã celebraremos com toda a Igreja a solene festa do Corpo de Deus, ou Corpus Christi, solenidade em honra do Corpo de Cristo, presente na Santíssima Eucaristia.
 

Por que tal festa? “Augustíssimo sacramento é a Santíssima Eucaristia, na qual se contém, se oferece e se recebe o próprio Cristo Senhor e pela qual continuamente vive e cresce a Igreja. O Sacrifício Eucarístico, memorial da morte e ressurreição do Senhor, em que se perpetua pelos séculos o Sacrifício da cruz, é o ápice e a fonte de todo o culto e da vida cristã, por ele é significada e se realiza a unidade do povo de Deus, e se completa a construção do Corpo de Cristo. Os outros sacramentos e todas as obras de apostolado da Igreja se relacionam intimamente com a santíssima Eucaristia e a ela se ordenam” (Direito Canônico cân. 897).
 

O mesmo nos ensina o Catecismo da Igreja Católica: “A Eucaristia é o coração e o ápice da vida da Igreja, pois nela Cristo associa sua Igreja e todos os seus membros a seu sacrifício de louvor e ação de graças oferecido uma vez por todas na cruz a seu Pai; por seu sacrifício ele derrama as graças da salvação sobre o seu corpo, que é a Igreja. A Eucaristia é o memorial da Páscoa de Cristo: isto é, da obra da salvação realizada pela Vida, Morte e Ressurreição de Cristo, obra esta tornada presente pela ação litúrgica. 

"Enquanto sacrifício, a Eucaristia é também oferecida em reparação dos pecados dos vivos e dos defuntos, e para obter de Deus benefícios espirituais ou temporais” (nn.1407, 1409 e 1414)".
 

Esse tesouro de valor incalculável, a Santíssima Eucaristia, centro e o ponto culminante da vida da Igreja Católica, foi instituído por Jesus na Última Ceia, na Quinta-feira Santa. Mas, então, a Igreja estava ocupada com as dores da Paixão de Cristo e não podia dar largas à sua alegria por tão augusto testamento. Por isso, na primeira quinta-feira livre depois do tempo pascal, ou seja, amanhã, a Igreja festeja com toda a solenidade, com Missa e procissão solenes, Jesus Cristo, vivo e ressuscitado, presente sob as espécies de pão e vinho, na Hóstia Consagrada. Esta festa tem a finalidade de expressarmos publicamente a nossa fé, nosso amor e nossa adoração para com Jesus Eucarístico e, ao mesmo tempo, nossa reparação pelos ultrajes, sacrilégios, profanações, e, até também, pelos abusos litúrgicos que infelizmente acontecem com relação à Santíssima Eucaristia.
 

O Papa João Paulo II, na sua Encíclica “Ecclesia de Eucharistia”, já nos advertia contra os “abusos que contribuem para obscurecer a reta fé e a doutrina católica acerca deste admirável sacramento” e lastimava que se tivesse reduzido a compreensão do mistério eucarístico, despojando-o do seu aspecto de sacrifício para ressaltar só o aspecto de encontro fraterno ao redor da mesa, concluindo: “A Eucaristia é um dom demasiado grande para suportar ambiguidades e reduções”.
 

Nessa festa de Corpus Christi, demonstremos, pois, a importância da Eucaristia na Igreja e a nossa fé, adoração, respeito, reparação e amor por Jesus Eucarístico. 





*Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney
http://domfernandorifan.blogspot.com.br/


quarta-feira, 18 de junho de 2014

Festa de Corpus Christi



Pe. Amaro Gonçalo.

1. Nesta quinta-feira, voltamos à sala de cima, ao cenáculo, à última ceia, de quinta-feira santa. Nessa altura, Jesus, prestes a partir para o Pai, pronto a dar toda a sua vida por nós, quis firmar uma aliança, um pacto de amizade connosco! E esta aliança foi selada e celebrada com o seu próprio Corpo e Sangue, isto é, com a sua própria vida, entregue até ao fim por todos nós! “Isto é o Meu Corpo entregue. Isto é o meu sangue derramado”. Como se Jesus nos dissesse: “Assim sou Eu. Dou-vos a minha vida inteira. Olhai: este pão é o meu corpo desfeito por vós; este vinho é o meu sangue derramado por todos. Não me esqueçais nunca. Fazei isto em memória de mim”. Esta é, portanto, a aliança: Jesus dá a vida por nós, para que nós saibamos dar a vida pelos outros. Celebrar a Eucaristia é dizer e fazer como Jesus fez: «Esta minha vida não a quero guardar exclusivamente para mim. Quero passar por este mundo reproduzindo em mim algo do que Jesus viveu». Este é afinal o espírito da nova aliança: Jesus fica para sempre connosco na Eucaristia dando a sua vida por nós. E nós estamos, doravante e para sempre convidados a participar desta ceia de comunhão com Ele, recebendo dEle a Vida, que queremos dar aos outros! 

2. Percebemos, assim, pelo evangelho, que este encontro misterioso com Jesus na Ceia, é importante e decisivo, para a qualidade e vitalidade da nossa amizade com Ele! E é um encontro tão importante, que Jesus insiste na necessidade de o preparar bem e atempadamente! É um encontro solene, para o qual se reserva uma sala superior alcatifada e pronta. E é, ao mesmo tempo, um encontro familiar, onde Jesus une e reúne os seus amigos mais íntimos, numa casa, que um tal dono da família cede de bom grado. A Eucaristia é, pois, um banquete, onde a nova família de Jesus se alimenta, para viver da própria vida de Jesus. Mas é, ao mesmo tempo, um banquete sagrado, onde o próprio Jesus Se oferece sacrificando-se, como cordeiro imolado, por nós! Eis porque à volta desta mesa, temos de estar «à vontade», como que em nossa casa, mas sem alguns «à vontades», que banalizam o drama desta cena e desta ceia, cujo mistério nos transcende! 

3. Gostaria, hoje, de destacar a insistência de Jesus nos «preparativos para celebrar», o que implica não apenas vir com tempo e a tempo, para preparar bem o coração, para este encontro de amor; mas exige também um cuidado extremo pela beleza e harmonia de toda a celebração da Eucaristia! A todos é pedido o esforço por criar um ambiente familiar, acolhedor dos outros e recolhedor do mistério de Deus! Isto pressupõe uma preparação interior e pessoal, pois trata-se de celebrar uma presença de amizade, que só a luz da fé pode vislumbrar e admirar! Por isso, na Eucaristia, têm particular importância os ritos que nos preparam de imediato para a comunhão: a começar pela oração do pai-nosso, que aviva o nosso espírito de família e nos faz suplicar pelo pão e pelo perdão; também o gesto da paz, se destina a contagiar o amor de Deus e não pode reduzir-se a um cumprimento banal e ainda por cima fora de horas. A invocação «Senhor, eu não sou digno» é o último gesto da fé humilde, com que respondemos ao convite e nos preparamos para estender a mão ao dom do pão eucarístico. São João Maria Vianney gostava de dizer aos seus paroquianos: "Vinde à comunhão... É verdade que não sois dignos dela, mas dela tendes necessidade". 

4. Conscientes de sermos indignos, por causa dos pecados, mas com a necessidade de nos alimentarmos no sacramento eucarístico, renovemos, neste dia do Corpo de Deus, a nossa fé, na real presença de Cristo, vivo e ressuscitado, na Santíssima Eucaristia! Aliás, “não se deve dar por certa esta fé! 

Hoje corre-se o risco de uma secularização rastejante, também no interior da Igreja, que se pode traduzir num culto eucarístico formal e vazio, em celebrações sem aquela participação do coração, que se expressa em veneração e respeito pela liturgia. 

É sempre forte a tentação de reduzir a oração a momentos superficiais e apressados, deixando-se subjugar pelas atividades e preocupações terrenas” (Bento XVI, Homilia no Corpus Christi 2009). Sintomas disto mesmo são, por exemplo, a falta de pontualidade na celebração; a facilidade com que se deixa tocar e se atende o telemóvel em plena Missa; a ligeireza com que certas pessoas se abeiram da comunhão, quase por arrasto ou imitação; a falta de decoro no modo como se recebe a sagrada hóstia na mão. Ora “a ninguém é permitido aviltar este mistério que está confiado às nossas mãos: é demasiado grande para que alguém possa permitir-se tratá-lo a seu livre arbítrio, não respeitando o seu caráter sagrado” (João Paulo II, Ecc. Euch. 52). 

5. Neste final de ano pastoral, guardemos fielmente o segredo da aliança: Jesus fica connosco, através da Eucaristia, e nós aceitamos o convite e o desafio a estar com Ele! A sala do encontro é a Igreja Paroquial. A mesa do banquete é o altar da Eucaristia! Ser fiel à aliança de Jesus connosco, e à nossa aliança com Jesus, passa também por não faltar a este encontro. Que nós saibamos corresponder a este amor de Jesus, por nós, respondendo, como numa só voz: “Faremos tudo o que o Senhor nos ordenou”!

sábado, 7 de junho de 2014

Reflexão para Festa de Pentencostes


O Espírito Santo

Veni, Sancte Spiritus! – “Vinde, ó Santo Espírito Santo, e envia um raio celeste da tua luz”: trata-se de uma estrofe da Sequência de Pentecostes, composta por John Dunstable (1380-1453) e que foi provavelmente entoada na coroação do rei inglês Henrique VI em Paris em 1431. Toda a Igreja clama: Vem, Espírito Santo! “Ó Deus (…) derramai por toda a extensão do mundo os dons do Espírito Santo, e realizai agora no coração dos fiéis as maravilhas que operastes no início da pregação do Evangelho” (oração coleta da Missa do dia de Pentecostes).

O Espírito Santo foi chamado alguma vez de “O Grande Desconhecido” (Caminho, 57). Isso me faz lembrar daquela passagem dos Atos dos Apóstolos na qual Paulo ao chegar a Éfeso e conversar com alguns discípulos lhes perguntou: “Recebestes o Espírito Santo, quando abraçastes a fé” Eles responderam da seguinte maneira: “Mas nem sequer ouvimos dizer que existe um Espírito Santo” (At 19,2). Dá a impressão muitas vezes que alguns cristãos nem sabem que existe um Espírito Santo. Quem é o Espírito Santo É a terceira Pessoa da Santíssima Trindade, “é o Senhor e Doador de Vida, que procede do Pai e do Filho, que com o Pai e o Filho recebe uma mesma adoração e glória e que falou pelos profetas” – como dizemos no Credo. O Espírito Santo é Deus como é Deus o Pai e o Filho. Ele é o Consolador enviado por Cristo para comunicar-nos a vida divina. É ele quem nos introduz no Mistério de Cristo, é ele quem nos dá a graça e as virtudes da fé, da esperança e da caridade, os dons e os frutos. Quem é o Espírito Santo É aquele que mora na sua alma em graça, o doce hóspede da alma, foi ele que fez de você o templo de Deus, filho de Deus, membro da Igreja, quem deu a você a salvação, a justificação, a vida eterna. “Desde o nascimento da Igreja, é ele quem dá a todos os povos, o conhecimento do verdadeiro Deus; e une, numa só fé, a diversidade das raças e línguas” (prefácio de Pentecostes).

Não podemos ignorar o Espírito Santo e seu poder. Quando o ele vem habitar em nós, vem com o Pai e com o Filho. Santa Teresa conta que, ao considerar certa vez a presença das Três divinas Pessoas na sua alma, “estava espantada de ver tanta majestade em coisa tão baixa como é a minha alma”, e então o Senhor disse-lhe: “Não é baixa, minha filha, pois está feita à minha imagem”.

Nós fomos feitos à imagem e semelhança de Deus. Ele quis que participássemos da sua natureza divina. É pelo Espírito Santo que nós recebemos essa participação. “Como não dar graças a Deus pelos prodígios que o Espírito não cessou de realizar nestes dois milênios de vida cristã? O evento de graça do Pentecostes tem, com efeito, continuado a produzir os seus maravilhosos frutos, suscitando em toda a parte ardor apostólico, desejo de contemplação, empenho em amar e servir com total dedicação a Deus e aos irmãos. Ainda hoje o Espírito alimenta na Igreja gestos pequenos e grandes de perdão e de profecia” (João Paulo II, Homilia do Domingo de Pentecostes de 1998).

Pentecostes era uma festa celebrada pelos judeus cinquenta dias depois da Páscoa. Inicialmente, era uma festa na qual se dava graças a Deus pela colheita da cevada e do trigo, uma festa agrícola. Já no século I, porém, tornou-se a festa que celebrava a aliança (o dom da lei e a constituição do Povo de Deus). Cinquenta dias depois da Páscoa, os discípulos de Cristo recebem o Espírito Santo, a lei na nova aliança no sangue de Jesus. O Espírito Santo constituiu assim a nova comunidade do Povo de Deus.

Nessa comunidade de fé e de salvação, a Igreja, todos devem estar unidos em Cristo e na força do Espírito Santo. As línguas de Pentecostes significam essa unidade do Povo de Deus. Pentecostes é, então, o reverso de Babel (cf. Gn 11,1-9); em Babel houve dispersão, em Pentecostes, a unidade. O Espírito Santo, que é o amor do Pai e do Filho, é também amor entre nós. Lembremo-nos que é sempre o amor que une os corações. O amor, por ser conhecido propriamente somente pelos que se amam, é sempre muito discreto. Daí a discrição eficaz do Espírito Santo: sua missão é levar a Palavra de Jesus a todos; auxiliar a Igreja para que anuncie destemidamente a Palavra da salvação, Jesus Cristo; introduzir os seres humanos nas profundezas da graça através dos sacramentos. Isso condiz com o Espírito Santo que é amor, já que o autêntico amor sempre pensa mais no outro que em si mesmo.

Os membros da Igreja devem estar unidos. Hoje, ao terminar a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, façamos o propósito de continuar rezando por essa intenção de Cristo: “que todos sejam um” (Jo 17,21). Todos nós, discípulos de Cristo, precisamos – é importante para nós e para a evangelização – viver bem unidos: uma só fé, os mesmos sacramentos, um só governo: o do Papa e o dos Bispos em comunhão com ele. A divisão é vergonhosa para nós. “Celebrai, pois, este dia como membros do único corpo de Cristo. E não o celebrareis em vão, se realmente sois aquilo que celebrais, isto é, se estais perfeitamente incorporados naquela Igreja que o Senhor enche do Espírito Santo e faz crescer progressivamente através do mundo inteiro. (…) Esta é a casa de Deus, edificada com pedras vivas. Nela o Eterno Pai gosta de morar; nela seus olhos jamais devem ser ofendidos pelo triste espetáculo da divisão entre seus filhos” (Dos Sermões de um Autor africano anônimo do séc.VI). Bento XVI destacava, ao terminar a Semana pela unidade do ano 2006, que não há verdadeiro ecumenismo sem conversão interior. Como é importante que nos convertamos e que estejamos unidos para ajudar os demais na conversão e na unidade.

O Espírito Santo é simbolizado tanto pelo fogo – “o fogo simboliza a energia transformadora do Espírito Santo” (Cat. 696) – como pela água, que significa “o nascimento e a fecundidade da vida dada no Espírito Santo” (Id.). Nós experimentamos a água e o fogo, ao mesmo tempo. Nascemos da água e do Espírito no momento do nosso Batismo (cf. Jo 3,5), a partir daí o Espírito Santo começa umas ações muito especiais em nós que vai transformando-nos mais e mais. São Basílio também nos fala da importância de estar com o Espírito Santo, de que o Espírito Santo esteja em nós: “Por estarmos em comunhão com ele, o Espírito Santo, torna-nos espirituais, recoloca-nos no Paraíso, reconduz-nos ao Reino dos céus e à adoção filial, dá-nos a confiança de chamarmos Deus de Pai e de participarmos na graça de Cristo, de sermos chamados filhos da luz e de termos parte na vida eterna” (“Sobre o Espírito Santo”, 15,36, in Cat. 736). Peçamos nós também, em união com toda a Igreja e com Maria, Mãe da Igreja: Vinde Espírito Santo!

Pe. Françoá Costa
Fonte: www.presbiteros.com.br

A devoção ao Sagrado Coração de Jesus e a Encíclica Haurietes Aquas de Pio II


Em 15 de maio de 2006 o papa Bento XVI enviou ao superior-geral da Companhia de Jesus uma carta por ocasião dos cinqüenta anos da Encíclica Haurietis Aquas. Pio XII, por sua vez, havia escrito essa encíclica para celebrar e recordar a todos o primeiro centenário da extensão a toda a Igreja da festa do Sagrado Coração de Jesus

Dessa forma, aproveitando a concatenação dos aniversários, o Papa quis religar-se ao fio ininterrupto dessa devoção que há séculos acompanha e conforta tantos cristãos em seu caminho. Nesta ocasião, pedimos algumas reflexões ao cardeal Martini, e ele nos enviou o texto que segue

Lembro-me muito bem do tempo em que saiu a encíclica Haurietis Aquas in Gaudio. Eu era então estudante de Sagrada Escritura e membro da comunidade do Pontifício Instituto Bíblico, onde era professor o ilustre biblista padre Agostino Bea, depois criado cardeal pelo papa João XXIII. Padre Bea era um estreito colaborador do papa Pio XII, e na comunidade se dizia, penso que com boas razões, que ele havia contribuído para preparar esse documento. Certamente impressionava a orientação bíblica de todo o texto, a partir do título, que é uma citação do livro de Isaías (12,3). Por isso, a encíclica (que trazia a data de 15 de maio de 1956) foi lida com muita atenção pela comunidade do Instituto Bíblico, que apreciava em particular o seu embasamento nos textos da Escritura. 


No passado, essa devoção, que de per si tem uma longa história na Igreja, se desenvolveu entre o povo a partir sobretudo das chamadas “revelações” de tipo particular, como a revelação a Santa Margarida Maria, no século XVII. A percepção de como nessa devoção tradicional estava sintetizada concretamente a mensagem bíblica do amor de Deus era algo que nos reaproximava dela, uma devoção que no passado recente havia sido muito cara sobretudo à Companhia de Jesus, em particular em sua luta contra o rigorismo jansenista. 

O fato de o papa Bento ter desejado escrever uma carta para lembrar justamente essa encíclica ao superior-geral da Companhia de Jesus se deve certamente também a que os jesuítas se consideravam particularmente responsáveis pela difusão dessa devoção na Igreja. Isso também era afirmado por Santa Margarida Maria, segundo a qual esse encargo fora desejado pelo próprio Senhor, que se manifestava a ela. 

Foi assim que a devoção ao Sagrado Coração me foi apresentada no noviciado dos jesuítas, na década de 1940. Isto me levava a refletir sobre a maneira como era possível viver uma devoção como essa e, ao mesmo tempo, deixar-se inspirar na vida espiritual pela riqueza e pela maravilhosa variedade da palavra de Deus contida nas Escrituras. 


Bento XVI com o cardeal Carlo Maria Martini

E essa pergunta se impunha com ainda maior insistência, na medida em que o meu caminho cristão pessoal também se deparou de certa forma desde a infância com essa devoção. Ela me havia sido infundida por minha mãe, com a prática das primeiras sextas-feiras do mês. Nesse dia, minha mãe nos fazia levantar cedo para ir à missa na igreja paroquial e tomar a comunhão. A promessa era que quem se confessasse e tomasse a comunhão seguidamente nas nove primeiras sextas-feiras do mês (não era permitido pular nenhuma!) podia estar certo de obter a graça da perseverança final. Essa promessa era muito importante para minha mãe. Lembro-me de que, para nós, jovens, havia também um outro motivo para ir tão cedo à missa. De fato, na época tomávamos o café da manhã num bar com um bombrioche. 

Depois de tomar a comunhão em nove primeiras sextas-feiras seguidas, era oportuno repetir a série, para ter a certeza de obter a graça desejada. Disso veio depois também o hábito de dedicar esse dia ao Sagrado Coração de Jesus, hábito que depois, de mensal, se tornou semanal: toda sexta-feira do ano era dedicada de certa forma ao Coração de Cristo. 

Assim era na minha lembrança a devoção daquela época. Ela estava concentrada sobretudo no louvor e na entrega ao Coração de Jesus, visto um pouco em si mesmo, quase separado do resto do corpo do Senhor. Algumas imagens reproduziam de fato apenas o Coração do Senhor, coroado de espinhos e atravessado pela lança. 

Um dos méritos da encíclica Haurietis aquas era justamente ajudar a pôr todos esses elementos em seu contexto bíblico e sobretudo pôr em relevo o significado profundo dessa devoção, ou seja, o amor de Deus, que desde a eternidade ama o mundo e deu por ele o seu Filho (Jo 3, 16; cf. Rm 8,32, etc.). 

Assim, o culto do Coração de Jesus cresceu em mim com o passar do tempo. Talvez se tenha atenuado um pouco, no que diz respeito a seu símbolo específico, ou seja, o coração de Jesus. E se tornou, para mim e para muitos outros na Igreja, uma devoção pelo íntimo da pessoa de Jesus, por sua consciência profunda, sua escolha de dedicação total a nós e ao Pai. Nesse sentido, o coração é considerado biblicamente como o centro da pessoa e o lugar das suas decisões. E é assim que vejo como essa devoção nos ajuda ainda hoje a contemplar o que é essencial na vida cristã, ou seja, a caridade. Compreendo também melhor como ela está em estreita relação com a Companhia de Jesus, a qual é gerada espiritualmente pelos Exercícios de Santo Inácio de Loyola. De fato, os Exercícios são o convite a contemplar longamente Jesus nos mistérios da sua vida, morte e ressurreição, para poder conhecê-lo, amá-lo e segui-lo. 


Como foi que ocorreu e como ocorrerá ainda no futuro um desenvolvimento positivo das sementes lançadas pela encíclica no terreno da Igreja? Creio que um momento fundamental foi o Concílio Vaticano II, em sua constituição Dei Verbum. Ela exortou todo o povo de Deus a uma familiaridade orante com as Escrituras. Daí também as diversas “devoções” recebem aprofundamento e alimento sólido. Um grande mérito desse devoção foi, portanto, ter chamado a atenção para a centralidade do amor de Deus como chave da história da salvação. Mas, para perceber isso, era necessário aprender a ler as Escrituras, a interpretá-las de maneira unitária, como uma revelação do amor de Deus pela humanidade. A encíclica Haurietis aquas marcou um momento decisivo desse caminho. 


Poderíamos ver o ponto de chegada atual na encíclica do papa Bento XVI Deus caritas est. Ele escreve: 

“Na história de amor que a Bíblia nos narra, Deus vem ao nosso encontro, procura conquistar-nos - até a Última Ceia, até o Coração trespassado na cruz, até as aparições do Ressuscitado...”; e conclui dizendo: “Cresce então o abandono em Deus, e Deus torna-se a nossa alegria (cf. Sl 73[72],23-28)”. 

A questão, portanto, é ler com inteligência espiritual cada vez maior as Sagradas Escrituras, tendo desperta a atenção para o que está na raiz de toda a história da salvação, ou seja, o amor de Deus pela humanidade e o mandamento do amor ao próximo, síntese de toda a Lei e dos Profetas (cf. Mt 7,12). 

Dessa forma serão caladas também hoje as objeções que ao longo dos séculos foram feitas ao culto do Sagrado Coração, que era acusado de intimismo ou de fomentar uma postura passiva, em prejuízo ao serviço ao próximo. Pio XII lembrava e desmentia essas dificuldades, que não desapareceram nem nos nossos tempos, se Bento XVI pode escrever em sua encíclica: “Chegou o momento de reafirmar a importância da oração diante do ativismo e do secularismo que ameaça muitos cristãos empenhados no trabalho caritativo” (nº 37). 

Um outro mérito da encíclica Haurietis aquas consistia em sublinhar a importância da humanidade de Jesus. Nisso retomava as reflexões dos Padres da Igreja sobre o mistério da Encarnação, insistindo no fato de que o Coração de Jesus “devia sem dúvida pulsar de amor e de qualquer outro afeto sensível” (cf. nos 21-28). Por isso a encíclica ajuda a nos defendermos de um falso misticismo que tenderia a deixar de lado a humanidade de Cristo para aproximar-se de maneira de certa forma direta do mistério inefável de Deus. Como afirmaram não apenas os Padres da Igreja, mas também grandes santos como Santa Teresa d’Ávila e Santo Inácio de Loyola, a humanidade de Jesus continua a ser uma passagem ineliminável para compreender o mistério de Deus. Não se trata portanto de venerar apenas o Coração de Jesus como símbolo concreto do amor de Deus por nós, mas de contemplar a plenitude cósmica da figura de Cristo: “Ele é antes de tudo e tudo nele subsiste [...], pois nele aprouve a Deus fazer habitar toda a plenitude” (Cl 1,17.19). 


A devoção ao Sagrado Coração nos lembra também como Jesus doou a si mesmo “de todo o coração”, ou seja, de bom grado e com entusiasmo. Assim, nos é dito que o bem deve ser feito com alegria, pois “há mais felicidade em dar que em receber” (At 20,35) e “Deus ama a quem dá com alegria” (2Cor 9,7). Isso todavia não deriva de um simples propósito humano, mas é uma graça que o próprio Cristo nos obtém, é um dom do Espírito Santo que torna fáceis todas as coisas e nos sustenta no caminho cotidiano mesmo nas provações e nas dificuldades. 

Enfim, eu gostaria de mencionar aquilo que é chamado apostolado da oração, que nasceu no século XIX, por obra de padres jesuítas, em estreita conexão com a devoção ao Sagrado Coração. Considero que ele ponha à disposição de todos os fiéis, com a oferta cotidiana do dia em união com a oferta eucarística que Jesus faz de si, um instrumento muito simples para pôr em prática o que diz São Paulo no início da segunda parte da Carta aos Romanos, dando uma síntese prática da vida cristã: “Exorto-vos, portanto, irmãos, pela misericórdia de Deus, a que ofereçais vossos corpos como hóstia viva, santa e agradável a Deus: este é o vosso culto espiritual” (Rm 12,1). 

Muitas pessoas simples podem encontrar no apostolado da oração uma ajuda para viver o cristianismo de maneira autêntica. Ele nos lembra também a importância da vida interior e da oração. Em Jerusalém se sente de maneira particular como a oração, e em particular a intercessão, constitui uma prioridade. Não naturalmente apenas a pobre oração de cada indivíduo, mas uma oração unida à intercessão de toda a Igreja, a qual, por sua vez, nada mais é que um reflexo da intercessão de Jesus por toda a humanidade. 

Essa intercessão se eleva sem interrupção por parte de Jesus ao Pai, pela paz entre os homens e pela vitória do amor sobre o ódio e a violência. Precisamos muito disso em nossos dias, sobretudo nesta “cidade da oração” e “cidade do sofrimento” que é Jerusalém. 

fonte :30dias


sexta-feira, 6 de junho de 2014

A Devoção ao Sagrado Coração no Carmelo


Santa Teresa por amor de Jesus e da Santa Igreja. 
Padecer ou morrer”. 


Homens da Galiléia, porque ficais aí a olhar para o céu? Esse Jesus que vos acaba de ser arrebatado para o céu voltará do mesmo modo que o vistes subir para o céu. (At 1,11)

" O CARMELO E O SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS - Nada quero senão ser vítima do Vosso Coração MEDITAÇÃO ORANTE A cadeia de montanhas do Carmelo na Palestina é famosa pela sua vegetação exuberante e a Ordem do Carmelo Descalço, espalhada pelo mundo, é famosa pelos seus belos jardins cuidados carinhosamente pelas irmãs carmelitas. Toda essa beleza da flora é símbolo de uma realidade ainda mais bela, que é a espiritualidade do Carmelo, a qual é atualizada e vivida em cada célula deste Corpo Místico, cuja cabeça é Cristo e cujo Coração é o Coração do mesmo Cristo. 

Nesta vivência mística da oração meditada, no silêncio do Carmelo escuta-se o Coração de Cristo pulsando. O Monte Carmelo, na sua pobreza e simplicidade, se ergue sem que nada o possa abalar, pois sua base é a própria vitória de Cristo sobre a morte e sobre todas as forças contrárias à vida humana. No Carmelo, parece que o pulsar do Coração divino tem outro som, ainda mais puro e inspirador do que em qualquer outro lugar. Assim como as idas e vindas do sangue pelo corpo humano, em sístole e diástole, assim também o amor de Cristo, que procede do Pai e nos chega pelo Espírito Santo, é transmitido para cada uma dessas células do Corpo de Cristo. 

Nós, forças vivas da Igreja, somos esse Corpo. Cristo vive em nós, especialmente pela comunhão eucarística. O amor de Cristo, que pulsa em seu Sagrado Coração, precisa do nosso amor, tão frágil, para ser testemunhado e vivificado em um mundo carente de Deus. No Carmelo, este Sangue divino, impulsionado pelo Coração de Jesus, oxigenado pelo Espírito Santo, passa pelas células vivas da comunidade carmelitana. No Carmelo, o Coração de Jesus bate unido misteriosa e espiritualmente com as batidas cardíacas e com o ritmo de oração de cada um dos vocacionados, postulantes, noviços, irmãs, irmãos, seminaristas, freis, sacerdotes e, por último e não menos importante, com os carmelitas seculares, em comunhão com toda a Igreja. 

Concluímos esta meditação orante, apoiando-nos em nossos escapulários e clamando à Virgem Maria do Monte Carmelo, nossa Estrela-Guia nesta caminhada carmelita, que interceda por nós junto ao Sagrado Coração de Jesus para que tenhamos humildade e coragem de sermos fiéis discípulos e missionários cristãos, perseverantes em nossa santa vocação sem desanimar até alcançarmos a plena união com nosso Deus, que é Pai, Filho e Espírito Santo. Amém. 

"QUERO SER IMITADOR VOSSO “Sim, meu Deus, somente quero ser perfeito imitador Vosso, e se Vossa vida foi uma vida oculta, de humilhação, amor e sacrifício, assim há de ser a minha, desde agora. Portanto, para sempre há de ser a minha, desde agora. Portanto, para sempre hei de me encerrar EM VOSSO AMABILÍSSIMO CORAÇÃO COMO EM UM DESERTO, para em Vós, convosco e por Vós levar uma vida oculta de amor e sacrifício. Sabeis que nada quero senão ser vítima de Vosso Sagrado Coração, consumido por inteiro em holocausto pelo fogo do Vosso divino amor. 

Eis por que VOSSO CORAÇÃO HÁ DE SER O ALTAR em que serei consumido em Vós, meu caro Senhor, e Vós haveis de ser o sacerdote que consumirá esta vítima com os ARDORES DE VOSSO CORAÇÃO SANTO. 

Prometo-vos também fazer com que não haja obstáculo à Vossa ação em mim segundo Vossos desejos. E já que inspirais a meu coração que eu me torne semelhante a Vós em tudo quanto me for possível, será este o objetivo de meus cuidados. Hei de imitar-Vos particularmente nas VIRTUDES QUE TANTO AGRADAM VOSSO AMABILÍSSIMO CORAÇÃO, ou seja: humildade, mansidão, obediência e pureza de intenção nas ações interiores e exteriores, sempre agindo com espírito de simplicidade... ”

quinta-feira, 5 de junho de 2014

O Preço a Pagar - Por D. Fernando Arêas Rifan*

                         
“Bem-aventurados os que sofrem perseguição por amor da justiça, porque deles é o reino dos céus” (Mt 5,10). Esta é a oitava das bem-aventuranças, exclamações com as quais Jesus começou o seu “sermão da montanha”, resumo do seu Evangelho. A perseguição e o martírio se tornaram então uma característica dos seus discípulos. “Sereis expulsos, perseguidos, presos, açoitados, mortos, por causa do meu nome, levados à presença de reis e governadores, para testemunhar de mim perante eles” (Mc13,9 - Lc21,13 – Jo16,2, passim). 

Assim o martírio, testemunho pelo sofrimento por causa da Fé ou da virtude, sempre esteve presente na Igreja, desde os primeiros tempos, como vemos nos Atos dos Apóstolos, passando pelas perseguições romanas até aos tempos modernos. A Igreja sempre teve mártires e os tem hoje.

Entre os inúmeros exemplos de cristãos perseguidos atualmente nos países muçulmanos, está o interessante caso de Mohammed al-Sayyid al-Moussawi, nascido no Iraque, em uma família xiita rica e aristocrática, descendente de Maomé. 

Muçulmano convicto, foi prestar o serviço militar, onde descobriu, com terror e assombro que teria que dividir a caserna com um cristão, a quem ele tinha aprendido a detestar e evitar. Pensava em convertê-lo ao islamismo, mas depois foi cativado pela gentileza e amizade do seu colega. Um dia, na ausência do companheiro, Mohammed folheou o seu livro sobre Jesus, que, sem saber por que, lhe provocou uma alegria que lhe fez bem. Ele pediu depois ao colega que lhe desse o Evangelho. 

O colega cristão recusou, dizendo que só lhe daria, se ele primeiro lesse honestamente o Alcorão. Essa leitura, feita com seriedade, o decepcionou e perturbou, ao ver as contradições e constatar que o comportamento e a vida de Maomé, um amontoado de adultérios e de roubos, eram para ele uma fonte de vergonha. 

Ao ler o Evangelho, ficou encantado com o Pão da Vida, com o qual misteriosamente ele havia sonhado. E surgiu nele um sentimento fortíssimo e amoroso por esse Jesus Cristo de que os Evangelhos falam. Só uma ideia vinha à sua mente: converter-se ao cristianismo, uma loucura que podia custar-lhe a vida, pois no islamismo a mudança de religião é um crime, punido com pena de morte. Sua família fez tudo para que desistisse da sua decisão. Sofreu intimidações, murros, a prisão e a tortura, um longo calvário, mas ele não cedeu. 

A autoridade religiosa muçulmana pronunciou contra ele uma fatwa, sentença de morte. Seus irmãos dispararam contra ele em plena rua. Gravemente ferido, desmaiou. Perdeu tudo. Conseguiu fugir e hoje, com o nome de Joseph Fadelle, vive na França com a sua família. É cristão católico, com nacionalidade francesa. Sua história ele a descreve no seu livro “O PREÇO A PAGAR por me tornar cristão”, publicado aqui pelas Paulinas, cuja leitura fascinante recomendo a todos.

Hoje ele nos diz: “Eu ganhei tudo com Cristo. Todo cristão é chamado a tomar a sua cruz seguindo Jesus Cristo... Isso traz uma paz e uma alegria profundas... É preciso pôr Cristo no centro das famílias e no centro de nossas vidas”. 


*Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney 

A cultura do Encontro - Dom Fernando Rifan - Adapostolica

Dom Fernando Arêas Rifan* 






Domingo próximo, dia 1º de junho, é o 48º Dia Mundial das Comunicações Sociais. Como vivemos hoje a cultura do desencontro e do descartável, reflitamos sobre a mensagem do Papa Francisco para esse dia, cujo tema é a cultura do encontro. 

Vivemos num mundo que está se tornando cada vez menor, parecendo, por isso mesmo, que deveria ser mais fácil fazer-nos próximos uns dos outros. Todavia, dentro da humanidade, permanecem divisões e conflitos. Os meios de comunicação podem ajudar e particularmente a internet pode oferecer maiores possibilidades de encontro e de solidariedade entre todos. 

No entanto, existem aspectos problemáticos: a velocidade da informação supera a nossa capacidade de reflexão e discernimento, e não permite uma expressão equilibrada e correta de si mesmo. O ambiente de comunicação pode ajudar-nos a crescer ou, pelo contrário, desorientar-nos. O desejo de conexão digital pode acabar por nos isolar do nosso próximo, de quem está mais perto de nós. Estes limites são reais, mas não justificam uma rejeição dos mass-media; a comunicação é uma conquista mais humana que tecnológica. Devemos recuperar certo sentido de pausa e calma. Isto requer tempo e capacidade de fazer silêncio para escutar. Então aprenderemos a ver o mundo com olhos diferentes e saberemos apreciar melhor também os grandes valores inspirados pelo Cristianismo, como, por exemplo, a visão do ser humano como pessoa, o matrimônio e a família, a distinção entre esfera religiosa e esfera política, os princípios de solidariedade e subsidiariedade, entre outros.

Então, como pode a comunicação estar ao serviço de uma autêntica cultura do encontro? A resposta está na parábola do bom samaritano, que é também uma parábola do comunicador. Na realidade, quem comunica faz-se próximo. E o bom samaritano não só se faz próximo, mas cuida do homem que encontra quase morto na estrada. E quando falo de estrada penso nas estradas do mundo onde as pessoas vivem. Entre estas estradas estão também as digitais, congestionadas de feridos: homens e mulheres que procuram uma salvação ou uma esperança. Também graças à rede, pode a mensagem cristã viajar “até aos confins do mundo” (At 1, 8). 


Abrir as portas das igrejas significa também abri-las no ambiente digital, seja para que as pessoas entrem, independentemente da condição de vida em que se encontrem, seja para que o Evangelho possa cruzar o limiar do templo e sair ao encontro de todos. Mas o testemunho cristão não se faz com o bombardeio de mensagens religiosas, mas com a vontade de se doar aos outros, através da disponibilidade para se deixar envolver, pacientemente e com respeito, nas suas questões e nas suas dúvidas, no caminho de busca da verdade e do sentido da existência humana. Pensemos no episódio dos discípulos de Emaús. É preciso saber-se inserir no diálogo com os homens e mulheres de hoje, para compreender os seus anseios, dúvidas, esperanças, e oferecer-lhes o Evangelho, isto é, Jesus Cristo. Dialogar não significa renunciar às próprias ideias e tradições, mas à pretensão de que sejam únicas e absolutas.





*Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney

                                    

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