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terça-feira, 8 de julho de 2014

Eliseu - Continuador da Missão de Elias


Solene Novenário de N.Sra. do Carmo - 08 de Julho de 2014
Igreja do Carmo - Campos - RJ
Tema do Segundo Dia do Novenário : Eliseu o continuador da missão de Elias

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Por duas vezes a Bíblia menciona a estada de Eliseu no Monte Carmelo: para lá ele se retira após o episódio dos meninos devorados pelos ursos (2Rs 2,25) e ali a sunamita vai encontrá-lo para suplicar-lhe que devolva a vida ao seu filho (2Rs 4,25). Uma gruta com dois patamares era considerada como a “casa de Eliseu”, aquela onde ele recebeu a visita da sunamita. Ali foi construída uma laura (cenóbio) bizantina conhecida como Mosteiro de S. Eliseu.

A vocação de Eliseu está colocada após a teofania do Horeb (1Rs 19,16-21). Segundo a ordem divina, ele é aquele que deve suceder ao Tesbita. Por isso torna-se seu servidor e discípulo (2Rs 2,1-18). Pelo fato de acompanhar e ser testemunha do rapto de Elias, Eliseu herda o duplo espírito do Tesbita (2Rs 2,1-18). O carro e os cavalos que raptaram Elias constituem a escolta invisível de Eliseu (2Rs 6,17). Numerosos milagres e prodígios exaltam “o homem de Deus”, o taumaturgo a serviço dos pobres e que intervém na política. Morto, o seu cadáver ressuscita um morto (2Rs 13,20-21). No livro do Eclesiástico, o seu elogio segue o do seu mestre (Eclo 48,12-14) e recorda o dom do espírito de Elias que recebeu durante o rapto. Entre as suas obras maravilhosas é indicada a ressurreição de um morto após a sua morte. A cura de Naamã, o Sírio, é recordada no Evangelho (Lc 4,27), também depois de recordar Elias.



"No âmbito da história da Ordem é digna de nota a lenda sobre a homilia que Santo Elias teria proferido aos seus filhos, antes de subir ao céu num carro de fogo. Um autor medieval, Tiago Saliano, retoma a lenda e ainda é capaz de construir o texto inteiro da prédica, proferida em latim clássico! Um outro momento em que o Profeta aproveita a oportunidade para dar uma canja aos seus filhos do Monte Carmelo foi durante a transfiguração de Jesus, em que ele aparece ao seu lado, juntamente com Moisés. Alguém preocupou-se em escrever também esta homilia.

Uma lenda famosa tem a fonte do profeta como protagonista. Ela pára de jorrar na ausência dos carmelitas e volta a verter sempre que retornam.

Tais lendas são formas literárias simbólicas, com o largo uso da fantasia, que querem dizer, ao seu modo, verdades permanentes. Através delas Elias estabelece-se como o pai do Carmelo, inspirador de toda a Ordem, chamada a ser, por isso, profética como ele. Nele os carmelitas encontraram a exemplaridade eremítica e apostólica.

Os ventos que levaram os eremitas a aportarem no Monte Carmelo, foram os mesmos que levaram seus descendentes a encontrarem em Elias a perfeita expressão de seu "duplo espírito", da contemplação e da ação apostólica, do encontro com Deus no encontro com os irmãos, do divino e do humano.

O Carmelo, neste encontro com o Profeta, perpetua a tradição monástica que, já nos seus inícios, viu em Elias um exemplo inspirador da vida orante e solitária. Cassiano, Antão, Pacômio, Agostinho, Gregório Nazianzeno, e outros Padres da Igreja, todos exaltam a figura do Profeta sob este perfil.


De fato, o ciclo eliano, imortalizado no dois livros dos Reis, revelam o profeta como homem de solidão, que encontra Jahvé, que sofre solitariamente, que ora e jejua. A sua ascensão no fogo significa a paixão ardente pelo Absoluto e a sua dedicação ao Deus vivente. 

De outro lado a Sagrada Escritura também nos dá testemunho dos momentos de empenho ativo do profeta em defesa da pureza da fé e da justiça. As suas lutas contra as várias opressões religiosas e econômicas não foram simples episódios esporádicos. A história da vinha de Nabot, a seca e o desafio do Monte Carmelo, o contraste com a caravana que vai consultar Baal-Zebub, têm, certamente, uma força imperativa a indicar o campo do mundo como lugar de uma ativa presença de quem arde de zelo por Deus.


A primeira tradição espiritual carmelitana enfatizou os valores eremíticos, orantes e solitários de Elias. Mas, já no século XIV, no contexto de uma dilatação do serviço apostólico e uma quase mínima experiência eremítica, começa a aparecer uma interpretação também apostólica de Elias. As duas frases bíblicas com que o Carmelo se refere a Elias: Vivit Deus ante cuius conspectum sto (I Re. 17,1) e Zelo zelatus sum pro Dominus Deo Exercituum (I Re. 19.10.14), representam os valores contemplativo e ativo dialeticamente conexos.

Ricos são os símbolos utilizados nos textos sagrados sobre o Profeta. Eles servem para expressar os aspectos mais característicos do profetismo de Elias. A seca, a chuva recordam a aridez da vida distante de Deus e a fecundidade de sua presença; o fogo, presente no sacrifício, no encontro com os soldados enviados pelo Rei, ou no momento de sua subida para o céu, sinaliza a força divina e o ardor do coração do profeta. Os fenômenos naturais no Monte Horeb expressam o modo como Deus povoa a solidão dos que se abrem à sua ação. Elias é só. Sente-se só na adoração a Deus; luta só contra os profetas de Baal; foge só; está a sós com Deus; quer que Eliseu o deixe, para ir sozinho aonde Deus lhe manda; sobe só aos céus. Só Deus pode povoá-lo. O manto, enfim, é significante do poder transmitido, do apoio, da fraternidade, do bem compartilhado.

Da importância que Elias tomou no Carmelo como figura em que a história da espiritualidade carmelitana concentrou as balizas da sua vida, são testemunhas os pais do Carmelo Descalço, Teresa e João da Cruz.

Por seis vezes Santa Madre recorda o Profeta em suas obras. Três das citações estão concentradas nas Moradas, o livro de ouro da Santa Madre, em que ela trata do cume da vida contemplativa (5M 1,3; 6M, 7,8; 7M, 4,13).

Em um de seus poemas conclama: “Caminhemos para o céu, monjas do Carmelo, ao Pai Elias seguindo, nós vamos contradizendo, com sua fortaleza e zelo”. Trata-se de duas virtudes caras a Teresa: determinada determinação, força de vontade, decisão firme e zelo pela causa de Deus, que se revela no serviço à Igreja. Em Fundações 27,17 relembra Santo Elias fugindo de Jezabel, quando sentia o cansaço nas suas caminhadas fundacionais (cf. tb. F. 28,20).

Também São João da Cruz cita o Profeta por seis vezes (S.II, 8,4;20,2; 24,3; S. III, 42,5; C.14, 14-15; Ch.2, 17). Em 5 citações refere-se a ele como "nosso pai"; em uma "o profeta".


Extraído de : http://www.carmelo.com.br/default.asp?pag=p000068


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