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sábado, 12 de julho de 2014

As primeiras Reformas da Ordem da Carmelita - Nova Fase na Europa


Solenne Novenário de Nossa Senhora do Carmo
Quinto Dia - 11 de Julho de 2014


As primeiras Reformas da Ordem Carmelita : 

Em junho de 1245, Inocêncio IV escreveu três cartas para os carmelitas. Nas duas primeiras, ele confirma as cartas de Gregório IX e de Honório III. Na terceria carta ele dá licença para pedir esmolas e os recomenda ao povo. Assim, ele garante que eles se situem do lado dos menores como mendicantes. Em 1246, o mesmo Papa escreve uma carta aos bispos, pedindo que aceitem os Carmelitas em suas dioceses. Esta carta de 1246 e a última de 1245 revelam que a adaptação dos carmelitas à nova situação na Europa não era nada fácil. De um lado, os bispos não os aceitavam e não lhes davam lugar para moradia, pois olhavam os carmelitas como pessoas infiéis, fugitivas do mosteiro. De outro lado, o povo não os acolhia e não lhes dava esmola! Na sua recomendação aos bispos o Papa explica: “Eles sairam da Palestina não por infidelidade, mas por causa da perseguição!” 


A recomendação do Papa ao povo dava aos carmelitas uma espécie de carteira de identidade. Quando interpelados para se identificar na hora de pedir esmola, podiam apresentar uma carta de recomendação do Papa! Mas a dificuldade e a resistência não vinham só dos bispos e do povo. Vinham também de dentro deles mesmos. Alguns não se adaptavam. Viviam na Europa como se fosse na Palestina. (Viviam na América latina como se fosse a Europa!) Daí as tensões que vão reaparecer mais tarde para o fim do século XIII com a eleição de Nicola para Geral da Ordem. A carta do Papa Inocêncio IV aos bispos também é resultado de um pedido dos próprios carmeli¬tas. Eles procuravam um espaço dentro da Igreja, em que pudessem “sibi et proximis ad salutem profice¬re” (Contribuir para a salvação do próximo e de si mesmos). Sinal de que entre eles o número dos clérigos estava aumentando. Eles queriam o apostolado junto com a vida contemplativa. 6. 


O ANO DE 1246: REALIZAÇÃO DO PRIMEIRO CAPÍTULO GERAL DA ORDEM Na carta de 1247, em que finalmente se aprova a Regra, Inocêncio IV fala de um Capítulo Geral, realizado no ano anterior, em 1246. Fala ainda do Prior Geral e dos seus definidores, e informa que o Capítulo Geral lhe enviou Reginaldo e Pedro como seus representantes a fim de pedir para que ele, o Papa, com a sua autoridade, resolvesse algumas dúvidas da Regra. Com outras palavras, os carmelitas já se tinham organizado como Ordem, pois tinham Prior Geral. Tinham Províncias que mandavam delegados para o Capítulo. Nesse mesmo capítulo, eles decidiram enfrentar o problema interno, pois resolveram pedir do Papa a ajuda necessária para, como diz a carta, resolver algumas “dúvidas na Regra” e “mitigar” alguns outros pontos que já não estavam de acordo com a nova situação em que se encontravam. Isto é um sinal de que a Regra tinha uma autoridade de norma jurídica para eles. 


De “fonte de inspiração” ela passou a ser “Regra obrigatória de vida”. Por isso, aquilo que na Regra não estava de acordo com a nova situação de vida, só podia ser mudado pela autoridade máxima tanto do Capítulo Geral como do Papa. Assim, no início e no fim deste período de 40 anos, está um pedido dirigido à autoridade da Igreja, ao patriarca Alberto e ao Papa Inocêncio IV, para que interfira dando a sua aprovação ao modo de viver dos carmelitas. Nas duas ocasiões, a iniciativa partiu dos frades. Além da informação dada pela carta do Papa, nada se sabe de concreto sobre este primeiro Capítulo Geral realizado em 1246: nem data exata, nem lugar, nem modo, nem texto! Aliás, todos estes primeiros 40 anos da existência da Ordem, são praticamente desconhecidos para nós. Parece mesmo uma longa gestação dentro do útero da história. O nascimento foi no 1º de outubro de 1247! 7. O ANO DE 1247: APROVAÇÃO DEFINITIVA DA REGRA POR INOCÊNCIO IV A pedido dos Carmelitas, o papa entregou a Regra a dois frades dominicanos, Hugo e Guilherme, para fazer a revisão e adaptá-la às exigências da nova situação. No dia 1º de outubro de 1247, o novo texto foi promulgado. Algumas mudanças significativas entraram no texto. Na realidade, não se trata de “mudanças”, mas sim de fidelidade à inspiração original na nova situação em que viviam na Europa. O Papa fez o mesmo que Alberto tinha feito: expressou e codificou o que já estava sendo vivido na prática. 

Segue aqui a lista dos principais acréscimos e mudanças. Num apêndice damos o texto da Regra em Latim, sublinhando os acréscimos feitos por Inocêncio IV com relação ao texto de Alberto. Capítulo 1 acrescentou: com castidade e abdicação de propriedade. Capítulo 2 sobre o lugar da moradia. É novo. Aceita a nova maneira de viver e de trabalhar nas cidades. Mas mantém a fidelidade à inspiração original. Capítulo 4 sobre o refeitório comum. É novo. A moradia em comum na mesma casa já não permite cada um ter a sua cozinha, como se fazia no Monte Carmelo, onde as celas ficavam distantes uma da outra. Capítulo 8 sobre o Ofício Divino. O texto de Alberto não distinguia os “clérigos”. O novo texto os distingue. O grupo já não é mais só de leigos. Tornou-se uma “Ordem Clerical”. Capítulo 9 sobre não ter propriedade. O texto de Inocêncio acentua a proibição de não ter pro¬priedade. Acrescenta a licença de se ter burros e galinhas, o que situa os carmelitas definitivamente entre os “menores”. Capítulo 13 sobre o jejum. O texto de Inocêncio é praticamente novo. Relativiza o jejum e per¬mite comer carne nas viagens da mendicância. O serviço evangelizador ao povo como mendicante prevalece e leva a modificar uma norma do tempo da Carta de Alberto. Capítulo 16 sobre o silêncio. No novo texto, o silêncio é encurtado: do completório até à hora Prima. No texto de Alberto era das vésperas até a Tertia. 


Aqui também, o serviço evangelizador prevaleceu sobre a vida como eremita do tempo da Carta de Alberto. Estas mudanças foram introduzidas no texto para permitir que os Carmelitas pudessem continuar a viver o antigo carisma ou ideal de sempre na nova situação que enfrentavam na Europa. O texto anterior foi destruído por ordem do Papa. O único texto válido é este texto revisado de Inocêncio IV, de 1º de outubro de1247. Serve até hoje de inspiração e norma de vida para toda a Família Carmelitana, sejam religiosos ou religiosas, leigos ou leigas. Do texto original não se tem mais o texto exato, mas apenas uma reconstrução provável. 3. CONCLUSÃO A partir de 1247 recomeça a história. As tensões continuam. Pois elas não se resolvem por decreto. Mas um caminho estava aberto. Em torno de 1250, Simão Stock, o Geral da Ordem, assume a nova caminhada. De 1266 a 1271, o Geral Nicola o Francês convoca todos a voltar para o Monte Carmelo. Seu Apelo não foi ouvido. Desde o seu início, a Ordem do Carmo carrega dentro de si esta dupla tendência: desejo de solidão, de oração, de Deus, do absoluto; e desejo realista de servir, de seguir a Igreja que se renova, de estar do lado dos pobres, de ser “mendicante”. Viver esta dupla tensão é a forma de sermos fiéis a nós mesmos! 


A Ordem veio do Oriente para a Europa, passou da solidão para a cidade, da vida só de oração para o apos¬tolado, do trabalho manual para a mendicância. Neste nosso século, muitos carmelitas vieram da Europa para a América Latina. Vale a pena lembrar os pontos que nortearam a adaptação na Europa: 1. Realismo; 2. Von¬tade renovada de estar do lado dos menores, dos pobres; 3. Vontade de viver em fraternidade numa forma renova¬da de vida religosa; 4. Fidelidade à oração e à mística. Fidelidade ao ideal que Alberto propôs e ao qual os Car¬melitas procuram ser fiéis através e apesar de todas as mudanças da época. O que chama a atenção até hoje é a extrema rapidez da multiplicação da Ordem no século XIII nos vários países da Europa. Em pouco mais de 60 anos, desde 1238 até o ano 1300, eles fundaram mais de 160 conven¬tos em praticamente todos os países da Europa. Na mesma época cresciam os Franciscanos, os Dominicanos, os Servitas e tantas outras Ordens novas. Naquele mundo em mudança, os carmelitas souberam apresentar o ideal do Carmelo de uma forma que fosse ideal para a juventude da época. Do contrário, não se explica este rápido crescimento. Eles souberam apresentar o ideal carmelitano para os Menores do seu tempo. Outra coisa que chama a atenção até hoje é a fidelidade à origem e a coragem de viver a tensão entre vi¬ver na contemplação e viver a serviço dos Menores. Esta tensão se expressa na história dos primeiros qua¬renta anos que acabamos de ver, e se reflete na história que seguiu depois durante a segunda metade do sécu¬lo XIII. A tensão encontrou sua expressão histórica na coragem de Simão Stock e na decisão de Nicola o Fran¬cês de convidar todos os confrades para voltar para o Monte Carmelo. 


Ambos eram superior geral da Ordem. Uma 3ª coisa que chama a atenção é a criatividade que tiveram para reencontrar o deserto do Carmelo en¬tre os Menores da Europa. Não se deve considerar a adoção da vida Mendicante como um abandono parcial do ideal primitivo, mas sim como uma releitura radical deste mesmo ideal dentro da nova situação que viviam na Europa. A decisão de adotar a vida mendicante é a resposta de fidelidade ao que Deus estava pedindo. Os nos¬sos primeiros irmãos deixaram-se questionar pela Tradição e pelos Pobres, e procuraram ser fiéis a ambos. É evidente o significado de tudo isto para nós carmelitas, hoje, na América Latina. Os nossos primeiros irmãos que foram falar com Alberto, nos provocam e incomodam. Eles são realmente os fundadores que até hoje nos desafiam a recriar o m esmo carisma na nossa realidade.

Continua...

fonte :www.carmelitasdiviprov.com.br/


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