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segunda-feira, 17 de novembro de 2014

15 de Novembro: Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos da Ordem Carmelita.


Em nossa Ordem existe uma piedosa tradição de que a Bem Aventurada Sempre Virgem Maria, em aparição ao Papa João XXII, por volta do ano 1320, teria feito a promessa do Privilégio Sabatino. Neste "privilégio", Nossa Senhora teria prometido que nos sábados, "desceria ao Purgatório" e de lá tiraria as almas dos irmãos do Carmo que encontrasse. 
Bem, com essa promessa não é dogma de fé, a Igreja, por prudência, crê que, a Virgem Maria, movida por seu amor maternal, retirará do Purgatório as almas de seus confrades carmelitas (frades, monjas, seculares e devotos do escapulário) o "mais brevemente possível", não necessariamente nos sábados. 
  
Portanto, é importante que continuemos orando pelas almas dos irmãos e irmãs falecidos de nossa Ordem, mesmo que eles já possam já estar no Céu. A oração pelas almas do Purgatório NUNCA SE PERDE. Deus sempre aproveita cada prece, cada penitência, cada sacrifício, cada Santa Missa ou obra de misericórdia que possa ser oferecida pelas Almas, mesmo que as que estão "recebendo orações" já estejam na visão beatífica de Deus. Quando isso acontece, Deus aproveita o mérito dos respectivos sufrágios para as almas que estão, digamos, mais "esquecidas" por seus familiares ou amigos. 


Santa Madre Teresa de Jesus nutria especial  devoção pelas almas do purgatório. Rezava
muito por elas e, de muitas, teve a  oportunidade de contemplar -lhes os sofrimentos e alcançar a libertação


Comemoremos com amor e piedade a memória de hoje e rezemos por aqueles nossos irmãos e irmãs da Ordem que nos antecederam na morte, para que a Virgem Maria, nossa Mãe, Rainha e Advogada leve a todos para as Mansões Celestiais, o Carmelo Celeste, onde não há mais dor, tristeza, fome, cansaço, problemas, fraquezas ou doença, onde todos são saciados pelo Amor infinito de Deus e mergulhados na mais profunda alegria e júbilo. Amém! 

Oração

Santíssima Virgem do Carmo, nossa Mãe, Santa Madre Teresa de Jesus e Santo Padre João da Cruz, rogai por nós e por nossos irmãos e irmãs carmelitas falecidos! Amém!

14 de Novembro - Todos os Santos Carmelitas

Ícone moderno mostrando os Santos e Santas do Carmelo aos pés de Maria,
nossa Mãe, Rainha e Senhora,  aos pés do Monte e junto à Fonte de Elias.
No dia 14 de Novembro o Calendário Litúrgico da Ordem Carmelita (Antiga Observância, Carmelitas Descalços e Institutos e Congregações de Espiritualidade Carmelitana) comemorou a Festa de Todos os Santos de nossa Ordem. "É uma festa muito bonita, pois, à semelhança da Solenidade de Todos os Santos (dia 01 de novembro), fazemos uma justa homenagem a todos aqueles santos, santas, beatos e beatas carmelitas (cuja santidade foi reconhecida oficialmente pela Igreja), bem como todos os habitantes do "Carmelo Celeste", que já gozam da visão beatífica da Santíssima Trindade, porém, que não foram ou não serão beatificados e/ou canonizados. 

A Ordem Carmelita "premiou" a Igreja com insignes santos: São Brocardo, São Bertoldo, Santo Alberto de Jerusalém, Santo Alberto de Trápani, Santo Ângelo da Sicília, São Pedro Tomás, Santo André Corsini, Santa Maria Madalena de Pazzi, Santa Teresa de Ávila (ou de Jesus), São João da Cruz, Santa Teresa Margarida Redi, São Rafael Kalinowski, Santa Teresinha do Menino Jesus, Santa Teresa Benedita da Cruz (Edith Stein), Santa Teresa de Los Andes, Santa Maria Maravilhas de Jesus, Beato Batista Mantovani, Beato Titus Brandsma, Beato Ciríaco Elias Chavara, Beato Francisco Palau y Quer, Beata Elisabete de Trindade, Beata Maria Sacrário, Beata Maria de Jesus, Beata Maria de Jesus Crucificado, Beata Maria dos Anjos, Beata Josefa Naval (da Ordem Secular) e muitos outros, que enriqueceram a Igreja e o mundo com o exemplo de suas vidas totalmente dedicadas ao Reino, com o testemunho de sua fidelidade a Deus e à Igreja, bem como com a sabedoria de seus escritos. 


Foram muitos os mártires que derramaram seu sangue por causa de seu amor e fidelidade a Cristo, especialmente no século XX, na Guerra Civil Espanhola e em países dominados pela Alemanha nazista na Segunda Guerra Mundial. 

Três santos foram proclamados pela Igreja com o título de Doutor ou Doutora da Igreja, coisa raríssima em outras Ordens religiosas (somente a Ordem Franciscana também tem três Doutores da Igreja): Santa Teresa de Jesus (ou de Ávila), grande mestra da oração; São João da Cruz, o "doutor místico" e Santa Teresinha do Menino Jesus e da Sagrada Face, a "doutora da pequena via". Seus escritos: autobiografias, livros sobre espiritualidade, cartas e poemas, são obras maravilhosas e celestes, que ainda hoje encantam e encantarão o mundo até o final dos tempos! 

Procuremos sempre conhecer esses nossos irmãos e irmãs! Muitos outros (dezenas) aguardam o reconhecimento oficial da Igreja a respeito de suas virtudes heroicas e milagres alcançados por sua intercessão. 

Imitemos-lhes a fé, a constância, a fidelidade, a determinação e o amor a Deus e ao próximo que os levou ao "Cume do Monte Carmelo" que é o próprio Cristo Jesus. Amém! 
Todos os Santos Carmelitas, rogai por nós! "

Reflexão

"Deus vestiu o Monte do Carmo com arroios de água, fontes cris¬talinas, árvores frondosas, plan¬tas e flores maravilhosas, ao mes¬mo tempo que adornou a Montanha espiritual com Profe¬tas, Apóstolos, Mártires, Confes¬sores, Eremitas e Doutores; quais açucenas imaculadas enchem os vales do Carmelo com o suave perfume da sua santidade. 

Os Santos do Carmo são uma grande multidão de irmãos que consagraram a sua vida a Deus, seguindo o caminho de Cristo, nos braços da Virgem Maria em oração constante e amor aos ir¬mãos, a ponto de muitos terem bordado com o vermelho do seu sangue a branca capa do hábito da Mãe do Carmo, entregando a sua vida como mártires do Evangelho. 

Eremitas no Monte Carmelo, mendicantes na Idade Média, missionários e evangelizadores nas Descobertas, mestres e pregadores nas universidades, religiosas que enriqueceram o povo com a misteriosa fecundidade da sua vida contemplativa, apostólica e orante, leigos que nas suas vidas souberam incarnar com sabedoria a suavidade do espírito do Carmelo. Esta é a grande família do Carmo que, enquanto peregrina, se dedicou à oração constante e à caridade permanente, e, tendo terminado a sua prova, nos deixou o exemplo. Agora, os nossos irmãos, os santos do Carmo, chamam-nos enquanto cantam sem cessar ao Cordeiro Imaculado, vestidos de capas brancas. 

Contemplamos hoje esta multidão imensa de quantos Deus conduziu à Montanha Santa do Carmo para lhes fazer saborear, já nesta pátria passageira, as delícias da oração, o gozo da vida do Céu e os inumeráveis frutos da árvore da Vida. 

Que o exemplo de todos estes santos seja para nós um estímulo a vivermos inebriados pelo espírito do Carmo no seguimento de Cristo e na imitação da nossa Rainha, Mãe e Irmã, a Flor do Carmelo. Padroeira, Esperança e Estrela dos Carmelitas que já reinam no Céu e dos que ainda peregrinam
os na terra.

 

Oração

Nós vos pedimos, Senhor, 
que nos assistam com a sua protecção 
a Virgem Maria, Mãe e Rainha do Carmelo 
e todos os Santos da família do Carmo, 
para que, seguindo fielmente os seus exemplos 
sirvam a vossa Igreja 
com a oração e com obras dignas de Vós.

Fontes:
www.carmelitas.org.br
www.carmelitas.pt

Tags: Santos Carmelitas, Família Carmelita, Festa de Todos os Santos da Ordem do Carmo, Santos do Carmelo.


sábado, 8 de novembro de 2014

08 de Novembro - Beata Elisabeth da Trindade


 
 
Irmã Elisabeth sempre foi atraída para o seu interior. Com plena consciência de ser um templo habitado pelo próprio Deus, esforçou-se por aquietar seu mundo interior, numa atenção de amor ao Senhor. Suas numerosas cartas revelam um coração sensível e cheio de amor, terno e mergulhado no mistério que a envolve.

“Encontrei o meu céu na terra, pois o céu é Deus e Deus está na minha alma. No dia em que o compreendi, tudo se tornou luminoso para mim e eu gostaria de confiar este segredo, bem baixinho, àqueles que amo” (Carta 107).
 
 
Cada pessoa tem sua identidade, e esta identidade se estende também à área espiritual. Ou seja, como todos temos nossa maneira peculiar de agir, de nos relacionar com o outro, de expressar nossos sentimentos e afetos, também temos nosso modo pessoal de viver a intimidade com o Senhor.
 
 
Para Elisabeth da Trindade, oração “é aquela elevação da alma a Deus em todas as coisas, que nos coloca numa espécie de contínua comunhão com a Santíssima Trindade, levando-nos, assim, a fazer tudo com simplicidade, sob o seu olhar” (C 191).

 Em outro lugar, diz a uma jovem leiga: “Não é, porventura, verdade que sua alma sente a necessidade de fortalecer-se na prece, sobretudo na oração, nesse íntimo diálogo cordial em que a alma se derrama em Deus e Deus nela, a fim de transformá-la nele?” (C 234).


 Vemos que, para a carmelita de Dijon, oração e comunhão são a mesma coisa. Oração é amor, e quem ama deseja identificar-se com a pessoa amada. Também o orante sente em si esse desejo de identificação com o Senhor, que o atrai ao deserto e lhe fala ao coração. Elisabeth da Trindade chegou ao cume de uma vida oracional, à união transformante – ou matrimônio espiritual – onde é o próprio Deus quem age e toma para si o ser inteiro da pessoa que se entrega. Seu desejo de transformação em Jesus Cristo, e Jesus crucificado, foi plenamente realizado e muito rapidamente Deus consumou sua obra na vida de Elisabeth, que se sentia “esposa do crucificado” e se apossou totalmente desse novo estado de vida.

 
Oração como amor esponsal


“Ser esposa de Cristo! Não é só a expressão do mais doce dos sonhos: é uma realidade divina: é a expressão de todo um mistério de semelhança e união”. Com esse texto, escrito em 1902, vemos sintetizado o pensamento de Elisabeth da Trindade sobre o amor esponsal a Jesus Cristo. De fato, se no relacionamento dos esposos dentro do sacramento do matrimônio pode-se experimentar esta realidade de semelhança e união, ao ponto que, após alguns anos de convivência no verdadeiro amor, um já se assemelhe ao outro e se entendam mesmo à distância e sem usarem as palavras, muito mais num relacionamento com Deus.

Como o Verbo de Deus quis se assemelhar em tudo ao homem – com exceção do pecado – e para isso se encarnou e “armou sua tenda” no meio de nós, também o coração de Elisabeth tem esse sonho de identificação. E o realiza total e profundamente. De fato, no fim de sua vida, quando a doença já havia realizado nela toda uma obra de destruição física, suas Irmãs da comunidade do Carmelo de Dijon atestam que pareciam ver o próprio Crucificado estendido naquela cama. O amor tem a característica de transformar em si tudo o que toca.

 Elisabeth elenca outras características do amor esponsal em suas obras. Já na sua célebre “Elevação à Santíssima Trindade”, diz a Jesus Cristo: “Ó meu Cristo amado, crucificado por amor; quisera ser uma esposa para vosso coração, quisera cobrir-vos de glória, amar-vos... até morrer de amor! Sinto, porém, minha impotência e peço-vos revestir-me de vós, identificar minha alma com todos os movimentos da vossa, submergir-me, invadir-me, substituir-vos a mim, para que minha vida seja uma verdadeira irradiação da vossa”.

É próprio do amor não buscar a própria glória. O egoísmo é o oposto do amor, e quem ama esquece-se para que o outro seja. “Convém que ele cresça e eu desapareça”, dizia João Batista sobre Jesus. E as pessoas que vivem o amor sabem desaparecer – sem que isso signifique anular-se como pessoa – para que o outro seja “coberto de glória”.


Sentem-se felizes ao ver isso se realizar, porque já se supõem uma mútua comunhão de dons. O que é de um é também do outro, e esta já é outra característica do amor esponsal apresentada por Elisabeth. “Ser esposa quer dizer abandonar-se como Ele se abandonou; quer dizer ser imolada como Ele, por Ele e para Ele – o Cristo se torna totalmente nosso e nós nos tornamos totalmente Dele”. Já não mais existe o “meu” e o “teu”, tudo o que é de um pertence ao outro e vice-versa.

 Vemos na carmelita de Dijon uma delicadeza de percepção das realidades humanas do desponsório para depois transpô-las ao âmbito espiritual com simplicidade e profundidade. “É fixá-lo (o Esposo) sempre com o olhar para perceber o mínimo sinal e o mínimo desejo; é entrar em todas as suas alegrias, condividir todas as suas tristezas. Quer dizer ser fecundos co-redentores, gerar almas para a graça, multiplicar os filhos adotivos do Pai, os redimidos por Cristo, os co-herdeiros de sua glória”. Assim como é próprio do matrimônio a fecundidade, também no amor esponsal não pode haver esterilidade. “Pelos frutos os conhecereis”, dizia Jesus. E o fruto de um amor desse quilate são as almas conquistadas para o Reino. Por isso, quem atingiu esse grau de comunhão com Deus não pode ficar ocioso.


 Quer trabalhar e se consumir para que todos possam encontrar esse “tesouro escondido”. A salvação das almas torna-se uma espécie de “obsessão” em sua vida. Faz tudo o que pode e sabe, para cativar as pessoas para Deus. Quer se consumir pelos irmãos assim como seu Esposo o fez numa cruz.


“Quantas coisas esse nome (esposa de Cristo) evoca sobre o amor dado e recebido, sobre a intimidade, a fidelidade, a dedicação absoluta!” Além dessas características até agora citadas, existe uma que resume e engloba todas as demais: a UNIDADE. De fato, não existe verdadeiro matrimônio sem uma total unidade. Os méritos de Jesus Cristo, as promessas, as palavras, o amor, enfim, tudo que lhe pertence se torna posse da esposa e tudo que é da esposa – dons, fraquezas, sonhos, ideais, limitações etc. – é assumido pelo Esposo. Por isso, tudo o que toca a Ele toca também a ela. É o mistério do amor que faz de dois UM.


 Deus vai preparando a pessoa para este cume de um relacionamento no amor, que os místicos chamam “matrimônio espiritual”, e está magistralmente descrito nas sétimas moradas do livro “Castelo Interior”, de Santa Teresa de Jesus. Elisabeth entendeu-o bem, por isso encerra sua descrição de uma “esposa de Cristo” com estas palavras: “Quer dizer o Pai, o Verbo e o Espírito que invadem a alma, deificam-na, consomem-na no UM por amor. Quer dizer matrimônio, o estado estável, porque é a união indissolúvel das vontades e dos corações. E Deus disse: Façamos uma companhia semelhante a eles: eles serão dois num só ser”.


Em conclusão, vemos como a Beata Elisabeth estava consciente de sua missão de esposa junto ao coração de seu Esposo Jesus. Ela emprega esta expressão muitíssimas vezes em seus escritos e cita o livro bíblico do Cântico dos Cânticos também muitas vezes – livro que inspirou a tantos místicos no concernente à doutrina sobre o mais elevado grau de intimidade com Deus como sendo o matrimônio espiritual. Deus, ao criar o homem, capacitou-o a viver esse misterioso relacionamento de amor esponsal com Ele. Dando-lhe o Espírito Santo transformou-o em templo da Santíssima Trindade pelo Batismo e o convida de diversos modos a entrar em comunhão de amor com Ele. O homem, por sua vez, traz em si uma sede insaciável de infinito, sede do próprio Deus e busca, apesar das limitações impostas por sua condição de pecador, esta união plena com o Senhor num amor forte, transformante e unitivo.

 
Mestra da oração

 Quem encontra o tesouro vai, vende tudo o que possui e volta para comprá-lo, mas depois não pode mais mantê-lo escondido, deve fazer a luz iluminar a todos, colocando o candeeiro sobre a mesa. Uma vida oracional tão profunda, chegando à união transformante de que fala São João da Cruz, não poderia ficar confinada apenas ao interior da própria beata Elisabeth da Trindade. É preciso responder a tamanho amor e gratuidade do Senhor com as obras. “Obras quer o Senhor”, dizia Santa Teresa de Jesus para quem chega às sétimas moradas de seu “Castelo Interior”.


Elisabeth não retém para si as graças que Deus lhe concede – sobretudo a de uma oração profunda e adoradora –, mas convida a todos, sacerdotes, leigos, jovens e adultos a buscar ao Deus Trindade que habita em seus corações pelo Batismo. Suas cartas são páginas do mais fino e delicado apostolado entre suas amigas e amigos. Abre a cada um deles um leque de possibilidades para o encontro com o Senhor em meio aos afazeres normais da vida que levam. Sua missão é atrair as pessoas ao interior de si mesmas para o encontro pessoal com Deus. A partir daí o próprio Senhor se encarrega de fazer sua transformação em suas vidas.

Os conselhos que dá a uma amiga revelam esse transbordamento de sua vida interior: “Sim, querida senhora, vivamos com Deus como com um amigo. Procuremos avivar a nossa fé para comunicar-nos com Ele através de todas as coisas, pois assim conseguiremos a santidade. Carregamos o céu dentro de nós... parece-me ter encontrado o meu céu na terra, porque o céu é Deus e Deus está na minha alma. O dia em que compreendi isso, tudo se iluminou dentro de mim e muito gostaria de sussurrar esse segredo àqueles que amo, para que também eles, através de todas as coisas, se unam sempre a Deus e se concretize aquela oração de Jesus Cristo: ‘Pai, que sejam perfeitos na unidade’ (Jo 17,23)” (C 107).


 Ainda que sem esse título, Elisabeth da Trindade é ‘mestra’ na vida de oração. Basta tomar algum de seus escritos e todos nos sentimos envolvidos por um clima de interioridade. Nesta época em que vivemos, entre tantos desafios e questionamentos, Elisabeth nos desperta ao amor puro e genuíno para com o Senhor, para que possamos depois irradiá-lo, sendo agentes de transformação deste mundo.

 
Irmã Maria Elizabeth da Trindade, OCD – Carmelo S. José – Passos(MG)
 
 

07 de Novembro - Beato Francisco Palau

Francisco Palau - Fundador das Carmelitas Missionárias
e Carmelitas Missionárias Teresianas
 
Hoje a Igreja faz memória deste insigne pastor, o Beato Francisco Palau (1881 - 1872). Frade Carmelita Descalço e eremita que amou a Igreja e por ela gastou sua vida. Exerceu o ministério de Exorcista, foi padre conciliar do Vaticano I, segue uma de suas mais belas homilias:
"Deus em sua providência, dispôs não remediar nossos males, nem nos conceder suas graças, senão mediante a oração, e que pela oração de uns sejam salvos outros. (cf. Tg 5,16ss). Se os céus enviaram seu orvalho e as nuvens choveram o Justo, se abriu-se a terra e brotou o Salvador (cf. Is 45, 8), quis Deus que, à sua vinda, precedessem os clamores e súplicas dos santos profetas, particularmente as súplicas daquela Virgem singular que conquistou os céus com a fragância de suas virtudes e atraiu a seu seio o Verbo incriado. O Redentor veio e por meio de uma oração contínua reconciliou o mundo com seu Pai. Para que a oração de Jesus Cristo e os frutos da sua redenção se apliquem a alguma nação ou povo, para que haja quem o ilumine com a pregação do Evangelho e lhe administre os sacramentos, é indispensável que haja alguém ou muitos, que, com gemidos e súplicas, com orações e sacrifícios, tenha antes conquistado aquele povo e o tenha reconciliado com Deus.
 
A isto, entre outros fins, se dirigem os sacrifícios que oferecemos em nossos altares. A Hóstia Santa que apresentamos neles todos os dias ao Pai, acompanhada de nossas súplicas, não é só para renovar a memória da vida, paixão e morte de Jesus Cristo, mas também, para obrigar com ela o Deus de bondade a que se digne aplicar a redenção de seu Filho à nação, província, cidade, aldeia, àquela ou àquelas pessoas por quem se celebra a santa missa. Nela é onde propriamente se negocia a redenção com o Pai, ou seja, a conversão das nações. Antes que a redenção se aplicasse ao mundo, ou, o que é o mesmo, antes que o estandarte da cruz fosse hasteado nas nações, o Pai dispôs que seu Unigênito, feito carne, o negociasse com "súplicas contínuas, com veemente clamor e lágrimas" (Hb 5,7), com angústia de morte e com derramamento de todo o seu sangue, especialmente no altar da cruz, que levantou sobre o Calvário.
 
 
Deus, para conceder suagaça ainda àqueles que não a pedem nem podem ou não querem pedí-la, dispôs e ordenou: "Orai uns pelos outros par que sejam salvos" (Tg 5, 16ss). Se Deus deu a graça da conversão à Santo Agostinho, foi devido às lágrimas de Santa Mônica, e a Igreja não teria São Paulo, diz um santo Padre, se não fosse a oração de Santo Estevão. E é digno de notar-se aqui que os aoóstolos, enviados a pregar e ensinar a todas as nações, reconhecem que o fruto de sua pregação era efeito mais de sua oração que de sua palavra quando, na escolha dos sete diáconos para que se encarregassem das obras externas de caridade, dizem: "Quanto a nós, permaneceremos assíduos à oração e ao ministério da palavra" (At 6,4). Reparem bem, dizem que se aplicarão primeiro à oração e só depois desta ao ministério da palavra, porque sem dúvida, nunca foram converter um povo sem antes que na oração tivessem conseguido que se convertessem.
 
 
Jesus Cristo empregou toda a sua vida em orar e só três anos para pregar!
 
Assim como Deus não concede suas graças aos homens senão mediante a oração, porque deseja que o reconheceçamos como a fonte de onde dimana todo bem, assim também mão nos quer salvar dos perigos, nem curar-nos as chagas, nem consolar-nos nas aflições senão mediante a mesma oração"
 
Escritos Espirituais do Beato Francisco Palau, presbítero:
Luta da alma com Deus, Roma 1981, pp. 42-44; 135-136.
 
 

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Eles nos Precederam....





Dom Fernando Arêas Rifan*

No próximo dia 2 celebraremos a memória dos fieis defuntos, dos nossos falecidos, daqueles que estiveram conosco e hoje estão na eternidade, os “finados”, aqueles que chegaram ao fim da vida terrena e já começaram a vida eterna. Portanto, não estão mortos, estão vivos, mais até do que nós, na vida que não tem fim, “vitam venturi saeculi”. Sua vida não foi tirada, mas transformada. Por isso, o povo costuma dizer dos falecidos: “passou desta para a melhor!” Olhemos, portanto, a morte com os olhos da fé e da esperança cristã, não com desespero, pensando que tudo acabou. Uma nova vida começou eternamente. 

Para nosso consolo, ouçamos a Palavra de Deus: “Deus não criou a morte e a destruição dos vivos não lhe dá alegria alguma. Ele criou todas as coisas para existirem... e a morte não reina sobre a terra, porque a justiça é imortal” (Sb 1, 13-15). 

Os pagãos chamavam o local onde colocavam os seus defuntos de necrópole, cidade dos mortos. Os cristãos inventaram outro nome, mais cheio de esperança, “cemitério”, lugar dos que dormem. É assim que rezamos por eles na liturgia: “Rezemos por aqueles que nos precederam com o sinal da fé e dormem no sono da paz”. 

Os santos encaravam a morte com esse espírito de fé e esperança. Assim São Francisco de Assis, no cântico do Sol: “Louvado sejais, meu Senhor, pela nossa irmã, a morte corporal, da qual nenhum homem pode fugir. Ai daqueles que morrem em pecado mortal! Felizes dos que a morte encontra conformes à vossa santíssima vontade! A estes não fará mal a segunda morte”. “É morrendo que se vive para a vida eterna!”. S. Agostinho nos advertia, perguntando: “Fazes o impossível para morrer um pouco mais tarde, e nada fazes para não morrer para sempre?” 

Quantas boas lições nos dá a morte. Assim nos aconselha São Paulo: “Enquanto temos tempo, façamos o bem a todos” (Gl 6, 10). “Para mim o viver é Cristo e o morrer é um lucro... Tenho o desejo de ser desatado e estar com Cristo” (Fl 1, 21.23). “Eis, pois, o que vos digo, irmãos: o tempo é breve; resta que os que têm mulheres, sejam como se as não tivessem; os que choram, como se não chorassem; os que se alegram, como se não se alegrassem; os que compram, como se não possuíssem; os que usam deste mundo, como se dele não usassem, porque a figura deste mundo passa” (1 Cor 7, 29-31). Diz A Imitação de Cristo que bem depressa se esquecem dos falecidos: “Que prudente e ditoso é aquele que se esforça por ser tal na vida qual deseja que a morte o encontre!... Melhor é fazeres oportunamente provisão de boas obras e enviá-las adiante de ti, do que esperar pelo socorro dos outros” (I, XXIII). O dia de Finados foi estabelecido pela Igreja para não 
deixarmos nossos falecidos no esquecimento.

Três coisas pedimos com a Igreja para os nossos falecidos: o descanso, a luz e a paz. Descanso é o prêmio para quem trabalhou. O reino da luz é o Céu, oposto ao reino das trevas que é o inferno. E a paz é a recompensa para quem lutou. Que todos os que nos precederam descansem em paz e a luz perpétua brilhe para eles. Amém


*Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney

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