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sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

NATAL HOJE E SEMPRE

                   

                                    
  
Dom Fernando Arêas Rifan*
                                              
Transcorridos muitos séculos desde que Deus criou o mundo e fez o homem  à sua imagem; - séculos depois de haver cessado o dilúvio, quando o Altíssimo fez resplandecer o arco-íris, sinal de aliança e de paz; - vinte e um séculos depois do nascimento de Abraão, nosso pai; - treze séculos depois da saída de Israel do Egito, sob a guia de Moisés; - cerca de mil anos depois da unção de Davi, como rei de Israel; - na septuagésima quinta semana da profecia de Daniel; - na nonagésima quarta Olimpíada de Atenas; - no ano 752 da fundação de Roma; - no ano 538 do edito de Ciro, autorizando a volta do exílio e a reconstrução de Jerusalém; - no quadragésimo segundo ano do império de César Otaviano Augusto, enquanto reinava a paz sobre a terra, na sexta idade do mundo: JESUS CRISTO DEUS ETERNO E FILHO DO ETERNO PAI, querendo santificar o mundo com a sua vinda, foi concebido por obra do Espírito Santo e se fez homem; transcorridos nove meses, nasceu da Virgem Maria, em Belém de Judá. Eis o Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo a natureza humana. Venham, adoremos o Salvador! Ele é Emanuel, Deus Conosco”. Este é o solene anúncio oficial do Natal, feito pela Igreja na primeira Missa da noite de Natal!

            O Natal é a primeira festa litúrgica, o recomeçar do ano religioso, como a nos ensinar que tudo recomeçou ali. O nascimento de Jesus foi o princípio da revelação do grande mistério da Redenção que começava a se realizar e já tinha começado na concepção virginal de Jesus, o novo Adão. Deus queria que o seu projeto para a humanidade fosse reformulado num novo Adão, já que o primeiro Adão havia falhado por não querer se submeter ao seu Senhor, desejando ser o senhor de si mesmo e juiz do bem e do mal. Assim, Deus enviou ao mundo o seu próprio Filho, o Verbo eterno, por quem e com quem havia criado todas as coisas. Esse Verbo se fez carne, incarnou-se no puríssimo seio da Virgem, por obra do Espírito Santo, e começou a ser um de nós, nosso irmão, Jesus. Veio ensinar ao homem como ser servo de Deus. Por isso, sendo Deus, fez-se em tudo semelhante a nós, para que tivéssemos um modelo bem próximo de nós e ao nosso alcance. Jesus é Deus entre nós, o “Emanuel – Deus conosco”, a face da misericórdia do Pai.

São Francisco de Assis inventou o presépio, a representação iconográfica do nascimento de Jesus, para que refletíssemos nas grandes lições desse maior acontecimento da história da humanidade, seu marco divisor, fonte de inspiração para pintores e místicos.

Que tal se fizéssemos um Natal contínuo, pensando mais no divinoSalvador, na sua doutrina, no seu amor, nas virtudes que nos ensinou, unindo-nos mais a ele pela oração e encontro pessoal com ele, imitando o seu exemplo, praticando as obras de misericórdia, convivendo melhor com nossa família...

Desse modo a mensagem do Natal vai continuar durante todo o Ano Novo, que assim será abençoado e felizFELIZ NATAL E ABENÇOADO ANO NOVO!

*Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney http://domfernandorifan.blogspot.com.br/

É Natal, Nasceu Jesus !



Mensagem Urbi et Orbi
de S.Santidade, o Papa Francisco

Na sua mensagem à Cidade e ao mundo (Mensagem “Urbi et Orbi” como habitualmente se chama) o Papa Francisco reconhece antes de tudo o facto central deste dia de Páscoa. “Jesus Cristo ressuscitou! O amor venceu o ódio, a vida venceu a morte, a luz afugentou as trevas!”, acrescentando que foi por nosso amor que Jesus Cristo se despojou da sua glória divina; esvaziou-Se a Si próprio, assumiu a forma de servo e humilhou-Se até à morte, e morte de cruz. Por isso, Deus O exaltou e fê-Lo Senhor do universo. E com a sua morte e ressurreição, Jesus indica a todos o caminho da vida e da felicidade , disse o Papa:

“Este caminho é a humildade, que inclui a humilhação. Esta é a estrada que leva à glória. Somente quem se humilha pode caminhar para as «coisas do alto», para Deus. O orgulhoso olha «de cima para baixo», o humilde olha «de baixo para cima»”.

E o Papa cita em seguida o exemplo dos discípulos Pedro e João que na manhã de Páscoa, informados pelas mulheres, correram até ao sepulcro e, tendo-o encontrado aberto e vazio, se aproximaram e se «inclinaram para entrar no sepulcro. Para entrar no mistério, reiterou pois o Papa Francisco, é preciso «inclinar-se», abaixar-se, porque somente quem se abaixa compreende a glorificação de Jesus e pode segui-Lo na sua estrada, contrariamente à lógica mundana:

“A proposta do mundo é impor-se a todo o custo, competir, fazer-se valer… Mas os cristãos, pela graça de Cristo morto e ressuscitado, são os rebentos duma outra humanidade, em que se procura viver ao serviço uns dos outros, ser não arrogantes mas disponíveis e respeitadores. Isto não é fraqueza, mas verdadeira força! Quem traz dentro de si a força de Deus, o seu amor e a sua justiça, não precisa de usar violência, mas fala e age com a força da verdade, da beleza e do amor”.

E o Papa invocou a este ponto ao Senhor ressuscitado a graça de não cedermos ao orgulho que alimenta a violência e as guerras, mas de termos a coragem humilde do perdão e da paz, tendo acrescentado:

“A Jesus vitorioso pedimos que alivie os sofrimentos de tantos irmãos nossos perseguidos por causa do seu nome, bem como de todos aqueles que sofrem injustamente as consequências dos conflitos e das violências em curso”.

E o pensamento do Papa dirigiu-se antes de tudo para a Síria, dizendo:

“Pedimos paz, antes de tudo, para a Síria e o Iraque, para que cesse o fragor das armas e se restabeleça a boa convivência entre os diferentes grupos que compõem estes amados países. Que a comunidade internacional não permaneça inerte perante a imensa tragédia humanitária no interior destes países e o drama dos numerosos refugiados”.

Em seguida, o Papa implorou paz para todos os habitantes da Terra Santa, para que possa crescer entre israelitas e palestinenses a cultura do encontro e se retome o processo de paz a fim de pôr termo a tantos anos de sofrimentos e divisões. E pediu também paz para a Líbia a fim de que cesse o absurdo derramamento de sangue em curso e toda a bárbara violência, e aqueles que têm a peito o destino do país se esforcem por favorecer a reconciliação e construir uma sociedade fraterna que respeite a dignidade da pessoa. E almejamos que, também no Iémen, prevaleça uma vontade comum de pacificação a bem de toda a população”. E confiou ao Senhor misericordioso o acordo recentemente alcançado em Lausanne (Suíça), a fim de que seja um passo definitivo para um mundo mais seguro e fraterno. E com particular solicitude recordou outros Países africanos a braços com conflitos:

“Do Senhor Ressuscitado imploramos o dom da paz para a Nigéria, o Sudão do Sul e as várias regiões do Sudão e da República Democrática do Congo. De todas as pessoas de boa vontade se eleve incessante oração por aqueles que perderam a vida – penso de modo particular aos jovens mortos na quinta-feira passada numa Universidade de Garissa, no Quénia -, por quantos foram raptados, por quem teve de abandonar a própria casa e os seus entes queridos.”

O Papa recordou igualmente a Ucrânia, desejando que o país reencontre a paz e a esperança, graças ao empenho de todos as partes interessadas. E também pediu paz e liberdade para quem é vítima das novas e antigas formas de escravidão e marginalização:

“Paz e liberdade, pedimos para tantos homens e mulheres, sujeitos a formas novas e antigas de escravidão por parte de indivíduos e organizações criminosas. Paz e liberdade para as vítimas dos traficantes de droga, muitas vezes aliados com os poderes que deveriam defender a paz e a harmonia na família humana. E paz pedimos para este mundo sujeito aos traficantes de armas, que fazem lucros com o sangue dos homens e mulheres”.

A terminar o Papa dirigiu palavras de esperança para todos:

“Aos marginalizados, aos encarcerados, aos pobres e aos migrantes que tantas vezes são rejeitados, maltratados e descartados; aos doentes e atribulados; às crianças, especialmente as vítimas de violência; a quantos estão hoje de luto; a todos os homens e mulheres de boa vontade chegue a voz consoladora do Senhor Jesus: «A paz esteja convosco!». «Não temais! Ressuscitei e estou convosco para sempre!».

E o Papa deu a sua bênção, para a Cidade de Roma e para o mundo inteiro.

“Desejo estender os meus melhores votos de uma Feliz Páscoa a todos vós presentes nesta praça provenientes de vários países, bem como àqueles que estão conectados através dos meios de comunicação social. Levai às vossas casas e a quem encontrardes o alegre anúncio de que o Senhor da vida ressuscitou, trazendo consigo amor, justiça, respeito e perdão!

Muito obrigado pela vossa presença, pela vossa oração e pelo entusiasmo da vossa fé. Um pensamento especial e de gratidão pelo dom das flores, que também este ano vieram dos Países Baixos”

E concluiu desejando Feliz Páscoa a todos e com o habitual Rezai por mim, bom almoço e até logo”

domingo, 15 de novembro de 2015

15 de Novembro - Memória dos Fiéis Defuntos de Toda a Ordem Carmelita



Na Ordem Carmelita, hoje celebramos o dia de Todos os Santos. Todos aqueles que vestiram o santo hábito da Viagem do Carmo e testemunharam seu amor por uma vida santa. 


Santos do Carmelo, rogai por nós!


O amor de Cristo e a devoção à Santíssima Virgem Maria do Monte Carmelo unem os carmelitas entre si, nesta terra em que peregrinamos, levam-nos a interceder com amor fraterno pelos carmelitas que terminaram a sua peregrinação nesta vida e ainda esperam a gloriosa visão do Senhor. A oração comum da Ordem implora do Senhor a misericórdia para todos os seus membros, para que, por intercessão de Maria, sinal de esperança segura e de consolação, se associem nos Céus à restante família carmelita que já contempla a Deus face a face. Esta comemoração foi introduzida em 1683.


“Nós cremos na Vida Eterna e na Feliz Ressurreição.

Quando de volta à casa paterna, com o Pai os filhos se encontrarão”.


No Mês de Novembro, a Sagrada Liturgia nos apresenta duas celebrações muito importantes e muito interligadas entre si: a Solenidade de Todos os Santos e a Comemoração de todos os Fiéis defuntos, que a cada ano nos propiciam uma rica oportunidade de refletir sobre nossa vida na terra e sobre a vida eterna, a grande esperança da nossa fé. A Comemoração de todos os Santos vem nos lembrar a santidade de ações que todos nós devemos ter no decorrer de nossa vida. Fomos criados para sermos santos, chamados à Santidade, a sermos perfeitos como nosso Pai é perfeito. “O Prêmio da fé é a certeza de vivermos para sempre felizes com o Senhor”. 


Nossa vocação à santidade muitas vezes é colocada em crise visto aos apelos mundanos, nos esquecemos muitas vezes das obras de misericórdia, das lições do Sermão das Bem-aventuranças, das promessas feitas aos justos e principalmente nos esquecemos da vida eterna, da esperança de que um dia alcançaremos a verdadeira vida junto de Deus no céu onde “não haverá tristeza, doença, nem sombra de dor.” Ser santo é sem dúvida, o grande desafio de todo o cristão e a grande prêmio, pois nossa certeza “é que um dia veremos a Deus e contemplá-lo com nossos olhos é a felicidade sem fim”. Desta forma a Celebração dos Finados é a celebração de nossa esperança, pois “o último inimigo a ser destruído é a morte”. No mundo pagão, a morte recebe a seguinte expressão “ Tudo acabou”. Todavia, nossa resposta cristã é “ Para os que crêem a vida não é tirada e sim transformada e desfeito o nosso pobre corpo mortal nos é dado no céu um corpo glorioso” 

Lembrança dos Fiéis Defuntos 

Seja a celebração de Finados um dia de reflexão para todos os cristãos, um dia de meditar sobre nossa vida e de lembrar com saudade e carinho de todos os nossos entes queridos com quem tivemos a alegria de um dia conviver, lembrar de suas boas obras, meditar sobre nossas atitudes com eles, onde acertamos e onde erramos, para não incorrer em erros futuros. É dia de oração, de reflexão é não dia de festas, churrascos ou outras divertimentos. Deve ser também um “Dia da Família”, onde podemos ter a oportunidade de contar aos mais jovens os feitos das pessoas que já partiram desta vida, nossos antepassados, amigos e parentes, valorizando o aspecto familiar. 


A liturgia deste dia é muito rica em orações, leituras e preces que, bem vivenciadas, nos ajudam a refletir sobre nossa existência e sobre a vida eterna, que nós devemos preparar a cada dia de nossa vida. Momento também importante é o da visita ao Cemitério, lugar santo de oração, de muito respeito, pois ali esperam a ressurreição os corpos dos justos. Muito respeito também devemos com os falecidos, de modos geral com os túmulos e restos mortais, evitando quaisquer brincadeiras e comentários desagradáveis, críticas e deboches com os mortos, devendo sempre lembrar que os despojos se referem a um corpo que foi templo do Espírito Santo, por isto o corpo é aspergido e algumas vezes incensado.



Vivenciando estas celebrações, nossa atitude deve ser a de sempre estarmos vigilantes; bem viver esta vida, construindo a nossa vida de felicidade no céu , pois ”os olhos jamais contemplaram e ninguém sabe explicar o que Deus tem preparado para aquele que um dia o amar”. Mas a nossa fé nos propicia a esperança de crer, de almejar e construir ainda aqui na terra a vida Eterna, pois “peregrinos nós somos aqui, construindo morada nos céus, quando Deus chamar a si quem foi na Terra amigo seu.”


Oração:

Senhor, glória dos fiéis, concedei o descanso eterno aos nossos irmãos e irmãs defuntos, a quem nos une o mesmo Batismo e a mesma vocação no Carmelo, para que, tendo seguido a Cristo e sua Mãe, possam contemplar-Vos para sempre como seu criador e redentor. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade doEspírito Santo.

14 de Novembro - Festa de Todos os Santos da Ordem Carmelitas




Assim como o profeta Elias, todos os santos do Carmelo foram moldadas por uma escola de fogo espiritual. Eles também insinuou o exemplo de Maria e fez a sua expressão mais verdadeira na experiência do amor e que o amor faz a história da Ordem. Eles se tornaram um hino de louvor a oferecer ao nosso Deus. “

Nós recebemos o grande presente de nossos irmãos e irmãs que consagraram suas vidas a Deus. Eles se abraçaram os ensinamentos do Divino Mestre e viveram suas vidas em “fidelidade a Jesus Cristo”. Deram-se ao serviço de Deus na oração, na abnegação evangélica, e em amar as almas. Às vezes, eles derramaram seu sangue para testemunhar este amor.

Quem são os santos do Carmelo? Eles são eremitas do Monte Carmelo, que “viviam em pequenas células semelhantes às células de uma colméia, eles viviam como abelhas de Deus, reunindo o mel divino da consolação espiritual.” Eles são mendigos das primeiras comunidades medievais, que descobriram a presença de Deus nos acontecimentos da vida cotidiana e, especialmente, de ver Deus em seus irmãos e irmãs. Eles são professores e pregadores, missionários e mártires, que procurou o rosto de Deus entre o povo. Eles são freiras que têm contribuído para o crescimento do povo de Deus por sua experiência mística e, especialmente, por meio de sua oração fervorosa e vida contemplativa. 

Eles são religiosos, que nos mostrou o rosto de Cristo através de seu apostolado em hospitais ou escolas, especialmente nas terras de missão.Eles são leigos, que foram capazes de encarnar o espírito do Carmelo e viveu esse espírito no meio do povo. Simão Stock, André Corsini, Alberto de Trapani, João da Cruz, Teresa de Ávila, Teresa do Menino Jesus, Edith Stein, Brandsma Tito, Paoli Angelo e inúmeros santos e beatos do Carmelo, juntamente com Maria, a Mãe do Carmelo, são agora cantando uma canção de louvor ao Pai Celestial. Eles podem ser grandes santos que a Igreja inteira venera e invoca na liturgia, ou eles são santos humildes, que são conhecidos e venerado por poucos fora da Ordem. Mas todos eles, através de suas vidas, ofereceram-nos um segredo de santidade para se tornar santos. Eles podem nos ensinar como viver as virtudes de esperança, amor e fé, e como fazer o nosso compromisso diário com Deus. E eles nos mostram como a dedicar todo o seu coração a Cristo. 

Todos os Santos Carmelitas deixar-se ser moldado de acordo com a imagem da Virgem Maria, que viveu na intimidade com o seu Filho. É a partir dela que eles aprenderam a viver em Cristo e viver o amor de Cristo. De sua eles foram inspirados a consagrar a sua vida para a Igreja e para as almas. Em suma, a vida da Virgem tem uma importância absoluta na experiência de todos os santos carmelitas. Rezamos para que o exemplo destes santos continuará a inspirar a santidade em uma nova geração de nossos irmãos e irmãs. Assim como eles, nós podemos viver em fidelidade a Jesus Cristo e servi-o com um coração puro e uma boa consciência. Como eles, podemos saber como nos dedicar dia e noite para a contemplação da Palavra e ao serviço generoso para a humanidade. Por fim, pedimos que os exemplos de santos carmelitas podem impactar nos imensamente e concretamente e nos fazem ter um profundo amor por Cristo, para a Igreja e para o mundo todo.


Dos Escritos de Santa Teresa de Jesus


'Todos os que trazemos este hábito sagrado do Carmo somos chamados à oração e contemplação, porque este foi nosso princípio, desta casta, daqueles santos Padres do Monte Carmelo, que buscavam este tesouro, esta preciosa Margarita.
Lembremo-nos dos santos Padres nossos antepassados. Bem sabemos como, por aquele caminho de pobreza e humildade, gozam de Deus. 

Ouço algumas vezes dizer que nos princípios das Ordens Religiosas, como eram os alicerces, fazia o Senhor maiores mercês àqueles santos nossos antepassados. E assim é, mas sempre nos havíamos de considerar alicerce dos que vierem depois. Porque, se agora nós que vivemos, não tivéssemos perdido o fervor dos nossos antepassados e se os que viessem após nós fizessem outro tanto, sempre estaria firme o edifício. Que me aproveita a mim que os santos passados tenham sido assim, se depois sou tão ruim que, com meus maus costumes, deixo estragos no edifício? Porque, é claro: os que vão chegando não se recordam tanto dos que há muitos anos morreram como dos que estão vendo. É engraçado que eu atribua o mal ao facto de não ser das primeiras e não veja a diferença que há entre a minha vida e virtude e as daqueles a quem Deus fazia tantas mercês.

Se vir que a sua Ordem em algo vai decaindo, procure ser pedra capaz de tornar a levantar o edifício, que para isso o Senhor dará ajuda. Por amor de Nosso Senhor lhes peço: lembrem-se quão depressa tudo se acaba, e da mercê que nosso Senhor nos fez trazendo-nos a esta Ordem. Mas ponham sempre os olhos na casta de onde vimos, naqueles Santos Profetas. Quantos santos temos no céu que trouxeram este hábito! 

Tenhamos a santa presunção, com a ajuda de Deus, de ser como eles. Pouco durará a batalha e o fim será eterno.'


Tags: Santos do Carmelo, Santos Carmelitas, Todos os Santos da Ordem do Carmo, Família Carmelitana, Ordem do Carmo, Santoral Carmelitano.

domingo, 1 de novembro de 2015

02 de Novembro, 2015 - Solenidade dos Fiéis Defuntos

Esta festa responde a uma larga tradição de fé na Igreja: orar por aqueles fiéis que acabaram sua vida terrena e que se encontram ainda em estado de purificação no Purgatório.

O Catecismo da Igreja Católica nos recorda que os que morrem em graça e amizade de Deus mas não perfeitamente purificados, passam depois de sua morte por um processo de purificação, para obter a completa formosura de sua alma.

A Igreja chama "Purgatório" a essa purificação; e para falar de que será como um fogo purificador, apóia-se naquela frase de São Paulo que diz: "a obra de cada um será posta em evidência. O dia torna-la-á conhecida, pois ele se manifestará pelo fogo e o fogo provará o que vale a obra de cada um."(1Cor 3, 13).

A prática de orar pelos defuntos é extremamente antiga. O 2º livro dos Macabeus no Antigo Testamento diz: "Eis por que ele mandou oferecer esse sacrifício expiatório pelos que haviam morrido, a fim de que fossem absolvidos do seu pecado" (2Mac. 12, 45); e seguindo esta tradição, a Igreja desde os primeiros séculos teve o costume de orar pelos defuntos.

A respeito, São Gregório Magno afirma: "Se Jesus Cristo disse que há faltas que não serão perdoadas nem neste mundo nem no outro, é sinal de que há faltas que sim são perdoadas no outro mundo. Para que Deus perdoe os defuntos das faltas veniais que tinham sem perdoar no momento de sua morte, para isso oferecemos missas, orações e esmolas por seu eterno descanso".

Estes atos de piedade são constantemente alentados pela Igreja.

Fonte : ACI Digital

O Tratado do Purgatório de Santa Catarina


Santa Catarina (1447-1510) nasceu em Gênova, filha de Francisca di Negro e Tiago Fieschi, então vice-rei de Nápoles sob Renato d’Anjou. Escreveu a obra O Tratado do Purgatório, em cujo prólogo se declara que ela foi “colocada no purgatório do ardente amor divino, que a queimava e a purificava de tudo aquilo que era possível purificar”.

"Nenhum contentamento pode ser comparado ao das almas do purgatório, a não ser o dos santos do Céu. Esse contentamento aumenta sem cessar pelo embebimento de Deus nas almas à medida em que os impedimentos desaparecem.

Tais impedimentos (para se unir a Deus) são as manchas do pecado, e o fogo os consome sem “saudade”, de sorte que a alma, neste estado, se abre continuamente para receber a divina comunicação. (Cap. II)

Quando Deus encontra uma alma se esforçando para retornar à pureza e simplicidade na qual foi criada, Ele intensifica nela a aspiração beatífica e acende no seu coração um ardor de caridade tão forte e tão impetuoso que qualquer obstáculo entre a alma e o seu fim se torna insuportável a ela. Assim quanto mais a visão de Deus é clara, maior o sofrimento. (Cap.III)

Suponhamos que no mundo inteiro, para mitigar a fome de cada criatura, haja apenas um pão e que mais nada além dele as satisfaça. O homem na sua saúde tem, por natureza, o instinto da alimentação. Mas, supondo-o capaz de se abster de comer sem morrer e sem perder suas forças e sua saúde, sua fome crescerá cada vez mais.

Ora, sabendo que somente aquele pão o poderá satisfazer e que enquanto não o tiver atingido sua fome não poderá ser aquietada, ele sofrerá penas intoleráveis, que aumentarão na medida em que ele se encontrar mais afastado. E se estiver certo de jamais o comer, seu inferno será tão completo como o dos condenados que, famintos de Deus, não têm nenhuma esperança de ver jamais o “pão da vida”.

Mas as almas do purgatório têm a esperança certa de ver a Deus e dele se saciar inteiramente. É o porque elas suportam a fome e sofrem todas as penas, até o momento em que entraram na eterna possessão do “pão de vida”, que é Nosso Senhor Jesus Cristo, nosso amor. (Cap. VI).

No que concerne a Deus, vejo que o Paraíso não tem portas e pode-se nele entrar que quiser, porque Deus é todo misericórdia e seus braços estão sempre abertos para nos receber na glória.

Mas a divina essência é tão pura – infinitamente mais pura do que a imaginação possa conceber – que a alma, encontrando em si a mais leve imperfeição, se lançaria por si mesma num milhão de infernos antes que aparecer impura na presença da divina Majestade. Percebendo então que o purgatório foi criado para a purificar, ela se lança nele, por si mesma, e aí encontra esta grande misericórdia: a destruição de suas faltas. (Cap. VIII)

A alma quanto mais é purificada, mais perfeitamente ela se une a Deus. Assim age o fogo divino na alma. Deus a mantém nas chamas até que cada imperfeição seja extinta.Realizado isto, a alma repousa completamente em Deus, tendo a Ele mesmo por seu ser. (Cap. X)

As almas do purgatório estão tão voltadas e transformadas em Deus que elas estão sempre contentes com sua adorável vontade. E se um alma experimentasse aproximar-se de Deus na visão beatífica com uma ínfima mancha, ela se sentiria nisso uma terrível injúria e um sofrimento maior do que permanecendo no purgatório. (Cap. XIV)

As almas do purgatório, enquanto sofrem de bom grado seus tormentos, elas constatam que Deus foi muitíssimo bom para com elas, considerando o que elas mereceram e o quanto foram grandes suas ofensas a seus olhos.

Se a bondade de Deus não temperasse sempre a justiça com a misericórdia (satisfazendo-a com o precioso sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo), um só pecado mereceria um milhão de infernos. Elas sofrem suas penas com tanto agrado que não quereriam mitigá-las um mínimo, julgando quanto justamente elas as mereceram.

Elas não resistem mais à vontade de Deus uma vez que, tão brevemente, estarão na possessão do Céu. (Cap. XVI)

Esta forma de purificação segundo a qual eu vejo aplicada às almas do purgatório, eu experimento em mim mesma nos dois últimos anos e cada dia eu a vejo e sinto mais e mais claramente.

Minha alma parece viver no meu corpo como num purgatório verdadeiramente semelhante ao purgatório real, com a única diferença que são sofrimentos que o corpo possa aguentar sem morrer, mas que crescem gradual e continuamente conquanto que ele não pereça. (Cap. XVII)

Finalmente, para concluir, compreendamos bem que tudo quanto é humano é totalmente aperfeiçoado por nosso Deus todo poderoso e misericordioso, e que esta é a ação do purgatório. (Cap. XVII)

Fonte: Sainte Catherine de Genes (Santa Catarina de Gênova), Traté du Purgatoire – Éditions de l’Emmanuel, 1992 – Paris

Santoral Carmelitano - Novembro


05 de Novembro - Beata Francisca de Abósia (Francesca D`Amboise) 

07 de Novembro - Beato Francisco Palau y Quer

08 de Novembro - Beata Elizabeth da Trindade

Em breve :

Dia 14 - Todos od Santos Carmelitas

Dia 15  - Todas as Almas dos Fiéis Defuntos da Ordem do Carmo

01 de Novembro, 2015 - Solenidade de Todos os Santos - Homilia Catequética sobre a Intercessão

Sim. Os Santos intercedem pelos fiéis

Uma das maiores duvida criadas com a figura dos santos é sua capacidade de serem mediadores entre Deus e os homens. Devido à passagem bíblica de 1Tim 2:5 muitos têm feito uma interpretação errada. Diz: "Pois há um só Deus, e um só mediador entre Deus e os homens, um homem, Cristo Jesus". A primeira interpretação nos diria que não cabe dúvida de que só Jesus é o mediador entre Deus e os homens, portanto, afirmar que a intercessão dos santos é possível seria algo antibíblico, mas, a realidade é que não a contradiz.
Muitos destas interpretações se apóiam em prejuízos contra a Igreja e a grande maioria de interpretadores fundamentalistas termina contradizendo-se. Isto também se deve à ignorância sobre o que ensina a Igreja Católica.
Em 1 Tim 2, 5 se utiliza a palavra "mesités" (mediador) e também em outras passagens do Novo Testamento da Bíblia em grego, um termo que principalmente aparece junto a "aliança": Jesus é o mediador da nova aliança.
Quando na parte final de 1 Tim 2, 5 se diz " Cristo Jesus homem", nota-se a intenção do apóstolo Paulo por demonstrar que é como homem que Jesus é capaz de ser o reconciliador e mediador para o homem. Já que o pecado veio da desobediência do ser humano o único que pode redimi-lo deverá ser humano. Alguns quiseram utilizar esta mensagem de Paulo para lhe tirar o ofício de mediadora à Igreja e acrescentam arbitrariamente a entrevista de Col 1,18: "Cristo é a cabeça do corpo, que é a Igreja", mas o caráter de mediador em Jesus é parte de sua função como homem e não como cabeça da Igreja.
É importante destacar que algo em que católicos e protestantes estão de acordo sobre o texto é que Paulo destaca que Jesus é verdadeiro homem e não só um mediador. O texto não vai a contraposição da Igreja, salvo que se busque uma quinta pata no gato.
Os seguintes comentários tratam o termo mediador:
"Que Cristo seja o único mediador não significa que tenha terminado o papel dos homens na história da salvação. A mediação de Jesus reveste aqui abaixo sinais sensíveis: são os homens, a quem Jesus confia uma função para com sua Igreja; inclusive na vida eterna associa Jesus Cristo, em certa maneira, a sua mediação os membros de seu corpo que entraram na glória. (...) Os que desempenham não são, propriamente falando, intermediários humanos com uma missão idêntica a que tiveram os mediadores do AT; não acrescentam uma nova mediação a do único mediador: não são a não ser os meios concretos utilizados por este para chegar aos homens. (...) Evidentemente, esta função cessa uma vez que os membros do Corpo de Cristo se reuniram com sua cabeça em sua glória. Mas então, em relação aos membros da Igreja que lutam ainda na terra, os cristãos vencedores exercem ainda uma função de outra índole. Associados à realeza de Cristo (Rev 2,26s; 3,21; cf. 12,5; 19,15), que é um aspecto de sua função mediadora, apresentam a Deus as orações dos Santos daqui abaixo (5,8; 11,18), que são um dos fatores do fim da história." (Leon-Dufour, Vocabulário de Teologia Bíblica)
"Os cristãos compartilham a autoridade do rei dos reis, constituindo-se em mediadores sacerdotais no mundo da humanidade." ( Harrington, Revelation)
O cristão quando reza por outro ou a um santo, sua oração é em Cristo, não pensando que Cristo não tem nada a ver na oração. Nossa oração não exclui a mediação de Cristo mas sim é uma mediação participada de sua mediação. Assim, na Escritura se demonstra como muitas qualidades de Deus nos atribuem.
O Catecismo da Igreja Católica nos indica (956):
Pelo fato que os do céu estão mais intimamente unidos com Cristo, consolidam mais firmemente a toda a Igreja na santidade... Não deixam de interceder por nós ante o Pai. Apresentam por meio do único Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, os méritos que adquiriram na terra... Sua solicitude fraterna ajuda, pois, muito a nossa debilidade.
Muitos cristãos pensam que os Santos e todos os que morrem já não podem rezar. É um engano incrível pensar que Deus não permita que o amor dos santos siga vivendo ao rezar por seus seres amados, pois se esquece que nosso Pai é Deus de vivos, e não de mortos. 
"Os quatro viventes e os vinte e quatro anciões se prostraram diante do Cordeiro. Tinha cada um uma cítara e taças de ouro cheias de perfumes, que são as orações dos santos" (Ap 5,8).
A mediação dos Santos é real e verdadeiramente forte já que eles vivem a Glória de estar com Cristo nos Céus, e seguindo de novo o apóstolo Paulo quando diz: "Exorto, pois, acima de tudo que se façam pedidos, orações, intercessões e ações de graças por todos os homens (1 Tim 2,1)", os cristãos têm a necessidade de orar para viver o amor reconciliador que nos ensinou Jesus ao nos abrir as portas da Casa do Pai.
Fonte: ACI Digital

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Pobreza Pessoal e Litúrgica - Por D. Fernando Arêas Rifan

                                  

Dom Fernando Arêas Rifan*

Jesus proclamou a primeira bem-aventurança para os pobres de coração. O Papa Francisco tem insistido na Igreja dos pobres. Os santos são o grande exemplo de pobreza pessoal a ser por nós imitado. Mas não devemos confundir a pobreza pessoal, desapego dos bens terrenos e simplicidade em nossa vida pessoal, com pobreza litúrgica e das coisas devidas a Deus. Os santos, pobres pessoalmente, foram os que mais construíram esplêndidas, belíssimas e ricas igrejas e catedrais e usaram toda a magnificência litúrgica para a glória de Deus.

São João Maria Vianney, o modelo de todos os sacerdotes, exigia tudo de melhor para a sua Igreja, tais como estandartes bordados a prata, ostensórios artísticos de prata dourada, baldaquino de veludo, paramentos de seda, bordados a ouro, etc. E dizia: “Uma batina velha fica muito bem debaixo duma casula bonita” (Francis Trochu, O Cura d’Ars): pobreza pessoal e riqueza litúrgica.

Falando sobre a beleza da liturgia e respondendo às “acusações de ‘triunfalismo’, em nome das quais se jogou fora, com excessiva facilidade, muito da antiga solenidade litúrgica”, o então Cardeal Ratzinger explicava: “Não é triunfalismo, de forma alguma, a solenidade do culto com que a Igreja exprime a beleza de Deus, a alegria da fé, a vitória da verdade e da luz sobre o erro e as trevas. A riqueza litúrgica não é riqueza de uma casta sacerdotal; é riqueza de todos, também dos pobres, que, com efeito, a desejam e não se escandalizam absolutamente com ela. Toda a história da piedade popular mostra que mesmo os mais desprovidos sempre estiveram dispostos instintiva e espontaneamente a privar-se até mesmo do necessário a fim de honrar, com a beleza, sem nenhuma avareza, ao seu Senhor e Deus” (A Fé em crise? E.P.U, pág. 97).

Sobre a Música Sacra no atual período pós-conciliar, Ratzinger fazia o seguinte comentário sobre a perda do brilho e o interesse pelo banal: “Uma coisa ficou clara depois das experiências dos últimos anos: a volta do utilitário não fez a liturgia mais aberta, senão mais pobre. A simplicidade necessária não se pode conseguir mediante um empobrecimento” (La Fiesta de la Fe, p. 135). E o mesmo Cardeal Ratzinger insistia: 

“Liturgia ‘simples’ não significa liturgia mísera ou reles: existe a simplicidade que provém do banal e outra que deriva da riqueza espiritual, cultural e histórica." Também nisso, deixou-se de lado a grande música da Igreja em nome da ‘participação ativa’, mas essa ‘participação’ não pode, talvez, significar também o perceber com o espírito, com os sentidos? 

Não existe nada de ‘ativo’ no intuir, no perceber, no comover-se? Não há aqui um diminuir o homem, reduzindo-o apenas à expressão oral, exatamente quando sabemos que aquilo que existe em nós de racionalmente consciente e que emerge à superfície é apenas a ponta de um iceberg, com relação ao que é a nossa totalidade? Questionar tudo isso não significa, evidentemente, opor-se ao esforço para fazer cantar todo o povo, opor-se à música ‘utilitária’. Significa opor-se a um exclusivismo (somente tal música), não justificado nem pelo Concílio nem pelas necessidades pastorais” (A Fé em crise?, pág. 96).


*Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney 

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

"Que teu desejo seja ver Deus. Teu temor, perdê-lo" - Recordando os 500 Anos do Nascimento de Santa Teresa - III



Santa Teresa de Jesus com São João da Cruz e Frei Antônio de Heredia
 Convento de Santa Teresa - Duruelo -  Ávila 


"Que teu desejo seja ver Deus. Teu temor, perdê-lo. Tua dor, não te comprazeres na sua presença. Tua satisfação, o que pode conduzir-te a ele. E viverás numa grande paz”. Assim ensinava Teresa de Cepeda y Ahumada que nasceu na cidade de Àvila em 28 de março de 1515. Filha de Alonso Sanchez Cepeda com Beatriz D'Ávila y Ahumada, a pequena desde cedo recebeu esmerada educação cristã e demonstrou traços de profunda piedade. Costumava retirar-se em oração e silêncio, estudar a vida dos santos e acolher os pobres e assisti-los com esmolas.

Quando criança fugiu com seu irmão para juntos buscarem o martírio, segundo a vida dos santos, mas foram impedidos pelo seu tio que os reconduziu ao lar. Aos quatorze anos, perdeu sua mãe e dedicou-se a devoção mariana. Assim dizia a jovem: “Então me dirigi a uma imagem de Nossa Senhora e supliquei com muitas lágrimas que me tomasse como sua filha". Aos quinze anos foi estudar no Convento das Agostinianas em Ávila. Uma enfermidade a fez retornar para casa, mas o seu coração estava profundamente tomado pelo desejo á vida religiosa. Aos vinte anos fugiu novamente para o Convento de La Encarnación, em Ávila. Um ano depois de seu ingresso, professou os votos e tornou-se Carmelita. Uma epidemia de malária novamente faz Teresa retornar para casa para tratar-se.

Retornando ao mosteiro, crescia em seu coração o desejo de reformar as instituições até então decadentes em sua espiritualidade e vivência. Empreendeu então vigorosa e ousada reforma nos critérios de admissão e vivência dos mosteiros, bem como na condução da vida espiritual e contemplativa. Em 1562 fundou o Convento São José e após um encontro com Frei Antonio de Jesús e São João da Cruz, decidiu alargar sua reforma aos mosteiros masculinos. Teresa continuou sua missão, viajando por toda a Europa fundando mosteiros que somaram 17 pessoalmente assistidos pro ela.

Em uma de suas viagens, já muito debilitada, Teresa veio a falecer. Antes de sua morte pronunciou: "Oh, Senhor, por fim chegou a hora de nos vermos face a face!". Era dia 4 de outubro de 1582 mas em virtude da reformulação do calendário gregoriano, a data de sua morte fixou-se no dia 15. Foi beatificada em 1614, pelo Papa Paulo V e canonizada em 1622, pelo Papa Gregório XV. O Papa Paulo VI, em 27 de setembro de 1970, a proclamou Doutora da Igreja.

Fonte : Zenit
(15 de Outubro de 2015) 

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Luís Martin (1823-1894) e Zélia Guérin (1831-1877). Enfim Santos !



este Domingo das Missões e dentro do momento em que se vive em Roma o Sínodo sobre a Família, o Papa Francisco canoniza 4 beatos, entre os quais os pais de Santa Teresinha.

Luís Martin (1823-1894) e Zélia Guérin (1831-1877) foram declarados bem-aventurados em 19 de outubro de 2008. A razão não foi por serem os pais de Santa Teresinha, mas por que se empenharam totalmente em fazer a vontade de Deus em qualquer situação de suas vidas. Luís e Zélia, com suas vidas, nos ensinam que a santidade é caminho para a esposa, o marido, os filhos, os colegas de trabalho e para a sexualidade. O santo não é um super-homem, mas um homem verdadeiro. Dentro do contexto da Terceira Assembleia Geral do Sínodo das Famílias, o Papa Francisco apresenta os pais de Santa Teresinha como modelos de santidade a serem seguidos pelas famílias hodiernas.

Se tanto amamos Teresinha de Lisieux, se tanto nos encanta sua santidade, devemos dizer que ela é também fruto de seus pais, um casal que vivia o amor de Deus tanto na alegria como nas tristezas. As muitas cartas deixadas por Zélia dão testemunho deste colocar-se inteiramente nas mãos de Deus.

“Eu amo loucamente as crianças e nasci para ter filhos”, dizia Zélia. Mas, contraditoriamente, esse lar não era para existir. Aos 20 anos, Luís esteve na Suíça para aprender o ofício de relojoeiro. Dirigiu-se ao Eremitério de São Bernardo, dos Cônegos Regulares de Santo Agostinho, querendo ser monge. O Prior foi direto em não aceitá-lo e uma das razões era por ele não conhecer o latim. Luís retorna a Alençon e se dedica à oficina de conserto de relógios.

Já Zélia Guérin desejava ser admitida entre as Irmãs de São Vicente de Paulo, em Alençon. A Superiora não vê nela sinal de vocação. Decide, então, aprender artes domésticas de bordados e confecções, abrindo pequeno negócio em Alençon e indo de casa em casa à procura de fregueses.

Luís vive ardente espiritualidade alimentada no seio das Conferências de São Vicente de Paulo, onde pôde se inserir no trabalho social e cristão. As circunstâncias o levaram a conhecer Zélia Guérin, jovem de face diáfana e de sorriso doce e misterioso. Os dois se encontram e meses depois se casam, em 13 de julho de 1858. Zélia está com 27 anos e inicia com Luís um amor sólido e durável. Entre 1860 e 1873 nascem nove filhos, dos quais quatro morrem pouco depois do nascimento: Helena, José, João Batista e Melânia Teresa.

Constituíam um casal típico da pequena burguesia francesa do século XIX. Levam uma vida ordinária, é verdade, mas Deus ocupa um lugar especial em sua vida pessoal e comunitária. Diariamente frequentavam a Missa da manhã: Deus antes de tudo! A filha Celina escreveu, mais tarde: “Quando papai comungava, ele permanecia em silêncio na volta para casa”. “Continuo a conversar com Nosso Senhor”, dizia. No meio das tristezas pela perda dos filhos, “tudo aceitamos na serenidade e no abandono à vontade de Deus”. Oração em família duas vezes ao dia, ao toque do Ângelus ao meio-dia e às 18h. Natal, Quaresma, Páscoa, os meses marianos de maio e outubro, o 15 de agosto ocupam um lugar central em sua vida, tocando profundamente suas filhas. Essa espiritualidade conjugal e familiar não os isolou dos outros, pelo contrário, reforçou sua atenção a todos: domésticas, conhecidos, vizinhos.

A casa dos Martin era casa de caridade. Luís recolhe um epiléptico na rua e cuida de assisti-lo. Não hesita em convidar à mesa os mendigos encontrados na rua. Visita os anciãos. Ensina às filhas a honrar o pobre e a tratá-lo como um igual. Teresa será a mais sensibilizada por esse exemplo. Podemos afirmar que a doutrina da “pequena via” que fez de Teresinha Doutora da Igreja nasce do exemplo da vida de Luís e Zélia. Em seus escritos, Santa Teresinha mais vezes dirá: “O bom Deus deu-me um pai e uma mãe mais dignos do Céu que da terra”.

Luís e Zélia educavam suas filhas para que fossem santas. O desejo de santidade que ali se vivia impregnava toda a vida familiar. A santidade se manifesta nas etapas vividas pelo casal, etapas tão semelhantes às de um casal atual: casamento tardio, trabalho, dupla jornada de Zélia entre a casa e a loja, ambos assumem a educação das filhas. Foram consumidos por doenças contemporâneas: o câncer de Zélia e a doença neuropsiquiátrica de Luís. Atravessam a guerra de 1870 entre França e Alemanha, as crises econômicas, o drama da morte de Zélia em 1877. Sozinho, Luís deve criar e educar suas cinco filhas: Maria, Paulina, Leônia, Celina e Teresa.

Luís e Zélia vivem o sofrimento, cada um a seu modo. Em dezembro de 1864 Zélia descobre um câncer impossível de ser operado, que não lhe oferece nenhuma chance de cura. Zélia aceita a morte com coragem heroica, trabalhando até a véspera, a cada manhã participando da Missa. Sua força era a existência das cinco filhas. Em agosto de 1877 seus seios são amputados. Preocupa-se, sobretudo, por Leônia, meio doentinha. Carrega a cruz por 12 anos, até a morte aos 46 anos, em 28 de agosto de 1877.

A Paixão de Luís com todos esses acontecimentos é enorme. A partir de novembro de 1877 passa a residir em Lisieux e, sucessivamente, entrega todas as filhas a Deus na vida consagrada: Paulina (1882), Maria (1886), Leônia (1899), Teresa (1888) e depois Celina (1894).

Relendo sua vida familiar à luz do Amor Misericordioso, em 1896, Teresinha relembra a entrada no Carmelo nos braços de “seu Rei” e nunca imaginaria que poucos dias após a tomada do hábito seu querido pai “deveria beber a mais amarga, a mais humilhante de todas as taças”. “Os três anos de martírio de Papai me parecem os mais amáveis, os mais frutuosos de toda a nossa vida. Eu não os trocaria por nada, por nenhum êxtase ou revelação este tesouro que deve provocar uma santa inveja nos Anjos da Corte Celeste”.

Pouco antes da doença, Luís escreveu às três filhas carmelitas: “Devo dizer-vos, minhas queridas filhas, que sou obrigado a agradecer e fazer-vos agradecer ao bom Deus, porque eu sinto que nossa família, apesar de tão humilde, tem a honra de ser privilegiada por nosso adorável Criador”.

É verdade que Deus cumulou de bênçãos e graças o lar de Luís e Zélia. É mais verdade, porém, que ambos abriram suas vidas ao dom de Deus, dele fazendo participar intensamente suas filhas.

Eles foram canonizados neste domingo, 18 de outubro, coincidindo com o Sínodo da Família e no Dia Mundial das Missões. Francisco tornou oficial esse fato em um consistório ordinário público celebrado no dia 27 de junho.

O Santo Padre já havia reconhecido, em março deste ano, o segundo milagre que abriria as portas para a canonização dos pais de Santa Teresinha: foi a cura inexplicável de uma menina chamada Carmem.

Carmem nasceu com uma hemorragia cerebral que lhe afetava os pulmões e o coração. Agora ela está curada e sem sequelas. A cura foi fruto de um pedido de intercessão – insistente e fervoroso – feito pela mãe de Carmem ao casal Louis e Maria Azelia Martin.

Com essas canonizações, o Papa explicita a importância da santidade dessa família cristã como um caminho concreto para a crise da família hoje.

Este Mês das Missões começou com a festa da co-padroeira das missões, conhecida como Santa Teresa do Menino Jesus. Marie-Françoise Thérèse Martin nasceu em 1873 e faleceu em 1897. Ela foi canonizada em 1925 e tornada Doutora da Igreja em 1997. Embora nunca tenha saído do Mosteiro das Carmelitas Descalças de Lisieux, é considerada a Patrona das Missões.

Em 18 de março, o Papa validou a recuperação de uma menina doente na Espanha como um milagre atribuído à intercessão dos pais da santa. Louis Martin e Zélie Guérin, mortos em 1894 e 1877, aos 71 e aos 46 anos, respectivamente, foram beatificados em 2008. Eles tiveram nove filhos, dos quais quatro faleceram ainda jovens, e cinco meninas ingressaram na vida religiosa. Casados em julho de 1858, eles compartilharam 19 anos de vida conjugal.

Assim sendo, queremos pedir a intercessão deste tão nobre casal a todas as famílias do mundo inteiro, para que vivamos a santidade que Deus tanto nos pede.

Autor: Cardeal Orani João Tempesta - Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro

Professor Educador - por D. Fernando Arêas Rifan - Ad. Apostólica S.J,Maria Vianney



Dom Fernando Arêas Rifan*

Amanhã, dia 15, dia de Santa Teresa de Jesus, grande mestra da vida espiritual, e exatamente por isso, é comemorado o dia do professor. Da mesma ordem religiosa de Santa Teresa, temos outra mestra, mas da simplicidade diária na santidade, Santa Teresinha do Menino Jesus, que dedicou sua vida no Carmelo à oração e ao sacrifício pelos missionários, sendo por isso, proclamada padroeira das Missões, cujo dia celebraremos no próximo domingo.

Deixo aqui consignada a minha saudação e gratidão a todos os que se dedicam a essa nobre e benemérita carreira, difícil, mas nem sempre reconhecida e condignamente gratificada. Mais do que uma profissão, educar é uma arte, uma vocação e uma missão: formar, conduzir crianças, jovens e adultos no caminho da verdade, sugerindo opiniões conscientes, aconselhando e tornando-se amigos e irmãos dos seus alunos. Que Deus os abençoe e lhes dê coragem, paciência e perseverança nessa sua verdadeira missão. Missionários da educação!

Ser professor é ser educador e mestre. E ser mestre é muito mais do que ensinar matérias, como bem escreveu o nosso ilustre poeta Antônio Roberto Fernandes, de saudosa memória: “Ser mestre não é só contar a história/ de um certo Pedro Álvares Cabral/ Mas descobrir, de novo, a cada dia,/ um mundo grande, livre, fraternal. - Ser mestre não é só mostrar nos mapas/ onde se encontra o Pico da Neblina/ Mas é subir, guiando os alunos,/ à montanha da vida que se empina... Ser mestre é ser o pai, a mãe, o amigo,/ mostrando sempre a direção da luz,/ pois a palavra Mestre – sobretudo –/ também é um dos nomes de Jesus”.

A melhor definição de educação nós a encontramos no Direito Canônico, conjunto de normas da Igreja (cânon 795): é a formação integral da pessoa humana, dirigida ao seu fim último e, ao mesmo tempo, ao bem comum da sociedade, de modo que as crianças e jovens possam desenvolver harmonicamente seus dotes físicos, morais e intelectuais, adquirir um sentido mais perfeito da responsabilidade e um uso correto da liberdade, preparando-se para participar ativamente da vida social. Que missão nobre, sublime e difícil a do professor-educador! Indicando aos alunos o sentido da vida, ele vai ajudá-los a dominar seus instintos e a dirigi-los pela razão, a desenvolver o conjunto de suas faculdades, a combater as más paixões e desenvolver as boas, a adquirir o domínio de si e a orientar seus sentimentos, levando em conta as diversas fases da vida e as características do seu temperamento, formando assim sua personalidade e seu caráter. Sendo assim, o mestre é cooperador da Graça de Deus, que, como Pai, só quer o bem dos seus filhos. 

A você, portanto, caro professor e querida professora, a nossa homenagem por ter recebido de Deus tão nobre e importante missão e a nossa gratidão reconhecida pelo seu trabalho, que não se mede pela produção imediata, mas por frutos, muitas vezes escondidos, que só vão aparecer ao longo da vida e que estarão escritos no livro da eternidade. “Os que educaram a muitos para a justiça brilharão como estrelas para sempre” (Dn 12,3).


*Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney


Junto à Fonte da Vida, o fulgor de uma nova Luz! - Recordando os 500 Anos do Nascimento de Santa Teresa - II





Homilia de D. António Carrilho, Bispo do Funchal, na Eucaristia
do 500º Aniversário de nascimento de Santa Teresa de Ávila
Igreja do Carmo – Funchal, 28 de Março de 2015

Junto à Fonte da Vida, o fulgor de uma nova Luz!

Neste ano dedicado à Vida Consagrada, temos a feliz coincidência do quinto centenário do nascimento de Santa Teresa de Jesus, nascida em Ávila, a 28 de Março de 1515. É com muita alegria que estamos a celebrar o ano jubilar teresiano pleno de graças e de riqueza eclesial, daquela que antes de morrer pronunciou com ardente amor e imensa gratidão: “sou filha da Igreja”.


De origem nobre, inteligente e determinada, humilde e alegre, a jovem Teresa apaixonou-se por Jesus Cristo e professou solenemente na Ordem de Nossa Senhora do Carmo, em Ávila. Favorecida pelo Senhor com admiráveis graças e dons sobrenaturais, a santa espanhola foi uma insigne mestra de oração, iniciou e empenhou-se, generosamente, na reforma da Ordem Carmelita, conforme o espírito primitivo.

A pedido dos seus confessores, deixou uma vasta obra escrita sobre o percurso oracional até aos mais altos cumes da mística, com grande profundidade espiritual e teológica. Paulo VI proclamou-a doutora da Igreja, a 27 de Setembro de 1970.

Sabedoria de Deus, um novo olhar

A Palavra que a liturgia nos apresenta para esta solenidade refere-se à oferta da água viva que alegra, ilumina o coração e devolve-nos um novo olhar para contemplarmos e penetrarmos na Fonte que jorra para a Vida eterna, como Santa Teresa de Jesus.

A simbologia da água foi sempre muito querida a Teresa de Jesus, para comunicar às suas Irmãs Carmelitas o tesouro inesgotável da sabedoria e a ciência do amor divino. Ela própria experimentou na sua vida a beleza profunda da oração e da altíssima intimidade com Deus, a quem trata reverentemente por “Sua Majestade”.

No texto que escutámos, (...) ressalta a superioridade dos bens de ordem espiritual sobre os bens materiais. Aliás, é um dos temas constantes na literatura sapiencial bíblica. Consciente da sublimidade do tema, o autor do livro da Sabedoria pede a Deus luz para poder comunicar convenientemente as palavras divinas. “Com ela me vieram todos os bens e nas suas mãos está uma riqueza incalculável” (Sab 7,11). A autêntica sabedoria é um “reflexo da luz eterna”.

Os santos, como Santa Teresa de Jesus, aprenderam, sob a ação do Espírito Santo, a orientar a sua liberdade para a Verdade total, configurando-se com Cristo e com o Evangelho. “Porque não sabemos o que havemos de pedir como convém, o mesmo Espírito intercede por nós com gemidos inefáveis” (Rm 8,26).Por isso, a sua vida transformou-se num belo Cântico de Amor, de Sabedoria e de Beleza. A grande santa carmelita foi um astro resplandecente, que iluminou e continua a iluminar a Igreja e o mundo com o seu testemunho refulgente.

No abismo da luz divina

Acabámos de escutar o diálogo surpreendente entre Jesus e uma mulher, que se transformou numa das mais belas páginas do Evangelho de S. João. Sabemos que Santa Teresa sentia uma grande predileção pelo relato evangélico da samaritana, com quem se identifica. A santa contemplava, abismada, o mistério destas duas sedes: sede infinita de Deus pela humanidade; sede insaciável da parte da mulher, “porque Deus satisfaz e deixa-a com uma sede maior d’Ele”, diz Teresa fascinada, e acrescenta: “Com que sede se deseja ter esta sede”.

Também nós, estamos à beira do poço para saciar a nossa sede. "Mas quem beber da água que Eu lhe darei, esse nunca mais terá sede. E a água que Eu lhe der se tornará nele uma fonte de água que jorra para a vida eterna"(Jo 4,14). Esta água, que Jesus nos oferece, atinge as exigências mais profundas do coração humano sedento de essencial, de amor, de paz e de luz, de vida eterna. A fé em Jesus nasce do testemunho e do contacto “pessoal e amoroso” com Ele, único Salvador do mundo, como nos recomenda Santa Teresa.

Só Deus basta!
Além da reforma da sua Ordem, Teresa legou-nos, com a sua sábia pena de escritora, a riqueza dum admirável património espiritual e místico mundial sobre a oração, que é um ensinamento de grande sabedoria, beleza e atualidade. “Só Deus basta!” Foi a primeira mulher proclamada Doutora da Igreja pelo Papa Paulo VI, a 27 de Setembro de 1970.

Teresa fala-nos da sua experiência orante, uma belíssima história de amizade com Jesus Cristo. “A oração não é outra coisa senão tratar intimamente com Aquele que sabemos nos ama”. Teresa sente que Jesus está sempre a seu lado. E com esta companhia tinha forças para sofrer, viver e aceitar em tudo a Sua vontade. Depois da sua morte teve grandes seguidores e seguidoras, apesar de “ser mulher e ruim”, como ousava dizer com profunda humildade. Entre elas recordo a doutora Edite Steien, carmelita, a Irmã Benedita da Cruz, filósofa, santa e mártir do século XX.

O perfil espiritual de Santa Teresa
Teresa não é apenas a mística, com experiências sobrenaturais inacessíveis, mas é sobretudo a mulher humaníssima, cheia de alegria e de humor, que encantava todos os que conviviam com ela. “De devoções às tontas, Deus nos livre”, dizia Teresa apontando sempre para Jesus e seu Evangelho.

Na época conturbada em que viveu, manteve-se sempre fiel ao magistério da Igreja, fazendo-se rodear por grandes teólogos e letrados: S. João da Cruz, P. Graciano, S. Pedro de Alcântara e S. João de Ávila, que a esclareciam nos caminhos do espírito e graças sobrenaturais de oração. São dela estas palavras de elevada espiritualidade e grande sabedoria: “O amor não consiste em ter lágrimas, nem tão pouco gostos e ternuras que geralmente desejamos e com os quais nos consolamos, mas em servir a Deus com justiça, fortaleza de ânimo e humildade. O amor a Deus e ao próximo não são boas razões, mas obras”.

Sabemos quanto teve de sofrer devido à doença, com os trabalhos das fundações e outras contrariedades. Com alegria, por amor de Jesus e pela salvação dos irmãos e irmãs, abraçou a Cruz corajosamente, em abandono e pobreza evangélica.

No abraço da eternidade
Na noite de 4 de Outubro de 1582, falecia Teresa de Jesus, com sessenta e sete anos, em Alba de Tormes. Esta admirável filha da Igreja, com o seu olhar fixo na eternidade, diz com grande alegria e gratidão: “Já é tempo de caminhar”. O Papa Francisco, na mensagem ao Bispo de Ávila, neste Ano Jubilar Teresiano, acrescenta: “Já é tempo de caminhar, andando pelos caminhos da alegria, da oração, da fraternidade, do tempo vivido como graça! Percorramos os caminhos da vida pela mão de santa Teresa. Seus passos conduzem-nos sempre a Jesus”.

Neste tempo em que a crise de identidade projeta as pessoas para fora de si mesmas, numa cultura de superficialidade e vazio, Teresa convida-nos a viver a urgência da intimidade com Jesus, o Amigo, crucificado e glorioso, no silêncio da escuta e da oferta da vida, pautada pelo Evangelho, no compromisso com Deus e com os outros.

Caminho de luz
Queridos diocesanos da Madeira e Porto Santo: neste dia de luz e de graça, peço a Nossa Senhora do Carmo abençoe a Ordem Carmelita, que tanto enriquece a nossa Igreja diocesana, pelo seu notável serviço pastoral, no acolhimento e escuta dos fiéis, em especial, no sacramento da Reconciliação e orientação espiritual.

Faço votos de que o “Caminho de Luz”, feliz iniciativa dos 500 anos, percorrido com o bastão que Santa Teresa usou nas fundações, ilumine o coração da humanidade e todos aqueles que anunciam a verdadeira Luz do mundo, Cristo Jesus.


Funchal, 28 de Março de 2015
†António Carrilho, Bispo do Funchal

http://www.diocesedofunchal.pt/

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