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sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Pobreza Pessoal e Litúrgica - Por D. Fernando Arêas Rifan

                                  

Dom Fernando Arêas Rifan*

Jesus proclamou a primeira bem-aventurança para os pobres de coração. O Papa Francisco tem insistido na Igreja dos pobres. Os santos são o grande exemplo de pobreza pessoal a ser por nós imitado. Mas não devemos confundir a pobreza pessoal, desapego dos bens terrenos e simplicidade em nossa vida pessoal, com pobreza litúrgica e das coisas devidas a Deus. Os santos, pobres pessoalmente, foram os que mais construíram esplêndidas, belíssimas e ricas igrejas e catedrais e usaram toda a magnificência litúrgica para a glória de Deus.

São João Maria Vianney, o modelo de todos os sacerdotes, exigia tudo de melhor para a sua Igreja, tais como estandartes bordados a prata, ostensórios artísticos de prata dourada, baldaquino de veludo, paramentos de seda, bordados a ouro, etc. E dizia: “Uma batina velha fica muito bem debaixo duma casula bonita” (Francis Trochu, O Cura d’Ars): pobreza pessoal e riqueza litúrgica.

Falando sobre a beleza da liturgia e respondendo às “acusações de ‘triunfalismo’, em nome das quais se jogou fora, com excessiva facilidade, muito da antiga solenidade litúrgica”, o então Cardeal Ratzinger explicava: “Não é triunfalismo, de forma alguma, a solenidade do culto com que a Igreja exprime a beleza de Deus, a alegria da fé, a vitória da verdade e da luz sobre o erro e as trevas. A riqueza litúrgica não é riqueza de uma casta sacerdotal; é riqueza de todos, também dos pobres, que, com efeito, a desejam e não se escandalizam absolutamente com ela. Toda a história da piedade popular mostra que mesmo os mais desprovidos sempre estiveram dispostos instintiva e espontaneamente a privar-se até mesmo do necessário a fim de honrar, com a beleza, sem nenhuma avareza, ao seu Senhor e Deus” (A Fé em crise? E.P.U, pág. 97).

Sobre a Música Sacra no atual período pós-conciliar, Ratzinger fazia o seguinte comentário sobre a perda do brilho e o interesse pelo banal: “Uma coisa ficou clara depois das experiências dos últimos anos: a volta do utilitário não fez a liturgia mais aberta, senão mais pobre. A simplicidade necessária não se pode conseguir mediante um empobrecimento” (La Fiesta de la Fe, p. 135). E o mesmo Cardeal Ratzinger insistia: 

“Liturgia ‘simples’ não significa liturgia mísera ou reles: existe a simplicidade que provém do banal e outra que deriva da riqueza espiritual, cultural e histórica." Também nisso, deixou-se de lado a grande música da Igreja em nome da ‘participação ativa’, mas essa ‘participação’ não pode, talvez, significar também o perceber com o espírito, com os sentidos? 

Não existe nada de ‘ativo’ no intuir, no perceber, no comover-se? Não há aqui um diminuir o homem, reduzindo-o apenas à expressão oral, exatamente quando sabemos que aquilo que existe em nós de racionalmente consciente e que emerge à superfície é apenas a ponta de um iceberg, com relação ao que é a nossa totalidade? Questionar tudo isso não significa, evidentemente, opor-se ao esforço para fazer cantar todo o povo, opor-se à música ‘utilitária’. Significa opor-se a um exclusivismo (somente tal música), não justificado nem pelo Concílio nem pelas necessidades pastorais” (A Fé em crise?, pág. 96).


*Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney 

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

"Que teu desejo seja ver Deus. Teu temor, perdê-lo" - Recordando os 500 Anos do Nascimento de Santa Teresa - III



Santa Teresa de Jesus com São João da Cruz e Frei Antônio de Heredia
 Convento de Santa Teresa - Duruelo -  Ávila 


"Que teu desejo seja ver Deus. Teu temor, perdê-lo. Tua dor, não te comprazeres na sua presença. Tua satisfação, o que pode conduzir-te a ele. E viverás numa grande paz”. Assim ensinava Teresa de Cepeda y Ahumada que nasceu na cidade de Àvila em 28 de março de 1515. Filha de Alonso Sanchez Cepeda com Beatriz D'Ávila y Ahumada, a pequena desde cedo recebeu esmerada educação cristã e demonstrou traços de profunda piedade. Costumava retirar-se em oração e silêncio, estudar a vida dos santos e acolher os pobres e assisti-los com esmolas.

Quando criança fugiu com seu irmão para juntos buscarem o martírio, segundo a vida dos santos, mas foram impedidos pelo seu tio que os reconduziu ao lar. Aos quatorze anos, perdeu sua mãe e dedicou-se a devoção mariana. Assim dizia a jovem: “Então me dirigi a uma imagem de Nossa Senhora e supliquei com muitas lágrimas que me tomasse como sua filha". Aos quinze anos foi estudar no Convento das Agostinianas em Ávila. Uma enfermidade a fez retornar para casa, mas o seu coração estava profundamente tomado pelo desejo á vida religiosa. Aos vinte anos fugiu novamente para o Convento de La Encarnación, em Ávila. Um ano depois de seu ingresso, professou os votos e tornou-se Carmelita. Uma epidemia de malária novamente faz Teresa retornar para casa para tratar-se.

Retornando ao mosteiro, crescia em seu coração o desejo de reformar as instituições até então decadentes em sua espiritualidade e vivência. Empreendeu então vigorosa e ousada reforma nos critérios de admissão e vivência dos mosteiros, bem como na condução da vida espiritual e contemplativa. Em 1562 fundou o Convento São José e após um encontro com Frei Antonio de Jesús e São João da Cruz, decidiu alargar sua reforma aos mosteiros masculinos. Teresa continuou sua missão, viajando por toda a Europa fundando mosteiros que somaram 17 pessoalmente assistidos pro ela.

Em uma de suas viagens, já muito debilitada, Teresa veio a falecer. Antes de sua morte pronunciou: "Oh, Senhor, por fim chegou a hora de nos vermos face a face!". Era dia 4 de outubro de 1582 mas em virtude da reformulação do calendário gregoriano, a data de sua morte fixou-se no dia 15. Foi beatificada em 1614, pelo Papa Paulo V e canonizada em 1622, pelo Papa Gregório XV. O Papa Paulo VI, em 27 de setembro de 1970, a proclamou Doutora da Igreja.

Fonte : Zenit
(15 de Outubro de 2015) 

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Luís Martin (1823-1894) e Zélia Guérin (1831-1877). Enfim Santos !



este Domingo das Missões e dentro do momento em que se vive em Roma o Sínodo sobre a Família, o Papa Francisco canoniza 4 beatos, entre os quais os pais de Santa Teresinha.

Luís Martin (1823-1894) e Zélia Guérin (1831-1877) foram declarados bem-aventurados em 19 de outubro de 2008. A razão não foi por serem os pais de Santa Teresinha, mas por que se empenharam totalmente em fazer a vontade de Deus em qualquer situação de suas vidas. Luís e Zélia, com suas vidas, nos ensinam que a santidade é caminho para a esposa, o marido, os filhos, os colegas de trabalho e para a sexualidade. O santo não é um super-homem, mas um homem verdadeiro. Dentro do contexto da Terceira Assembleia Geral do Sínodo das Famílias, o Papa Francisco apresenta os pais de Santa Teresinha como modelos de santidade a serem seguidos pelas famílias hodiernas.

Se tanto amamos Teresinha de Lisieux, se tanto nos encanta sua santidade, devemos dizer que ela é também fruto de seus pais, um casal que vivia o amor de Deus tanto na alegria como nas tristezas. As muitas cartas deixadas por Zélia dão testemunho deste colocar-se inteiramente nas mãos de Deus.

“Eu amo loucamente as crianças e nasci para ter filhos”, dizia Zélia. Mas, contraditoriamente, esse lar não era para existir. Aos 20 anos, Luís esteve na Suíça para aprender o ofício de relojoeiro. Dirigiu-se ao Eremitério de São Bernardo, dos Cônegos Regulares de Santo Agostinho, querendo ser monge. O Prior foi direto em não aceitá-lo e uma das razões era por ele não conhecer o latim. Luís retorna a Alençon e se dedica à oficina de conserto de relógios.

Já Zélia Guérin desejava ser admitida entre as Irmãs de São Vicente de Paulo, em Alençon. A Superiora não vê nela sinal de vocação. Decide, então, aprender artes domésticas de bordados e confecções, abrindo pequeno negócio em Alençon e indo de casa em casa à procura de fregueses.

Luís vive ardente espiritualidade alimentada no seio das Conferências de São Vicente de Paulo, onde pôde se inserir no trabalho social e cristão. As circunstâncias o levaram a conhecer Zélia Guérin, jovem de face diáfana e de sorriso doce e misterioso. Os dois se encontram e meses depois se casam, em 13 de julho de 1858. Zélia está com 27 anos e inicia com Luís um amor sólido e durável. Entre 1860 e 1873 nascem nove filhos, dos quais quatro morrem pouco depois do nascimento: Helena, José, João Batista e Melânia Teresa.

Constituíam um casal típico da pequena burguesia francesa do século XIX. Levam uma vida ordinária, é verdade, mas Deus ocupa um lugar especial em sua vida pessoal e comunitária. Diariamente frequentavam a Missa da manhã: Deus antes de tudo! A filha Celina escreveu, mais tarde: “Quando papai comungava, ele permanecia em silêncio na volta para casa”. “Continuo a conversar com Nosso Senhor”, dizia. No meio das tristezas pela perda dos filhos, “tudo aceitamos na serenidade e no abandono à vontade de Deus”. Oração em família duas vezes ao dia, ao toque do Ângelus ao meio-dia e às 18h. Natal, Quaresma, Páscoa, os meses marianos de maio e outubro, o 15 de agosto ocupam um lugar central em sua vida, tocando profundamente suas filhas. Essa espiritualidade conjugal e familiar não os isolou dos outros, pelo contrário, reforçou sua atenção a todos: domésticas, conhecidos, vizinhos.

A casa dos Martin era casa de caridade. Luís recolhe um epiléptico na rua e cuida de assisti-lo. Não hesita em convidar à mesa os mendigos encontrados na rua. Visita os anciãos. Ensina às filhas a honrar o pobre e a tratá-lo como um igual. Teresa será a mais sensibilizada por esse exemplo. Podemos afirmar que a doutrina da “pequena via” que fez de Teresinha Doutora da Igreja nasce do exemplo da vida de Luís e Zélia. Em seus escritos, Santa Teresinha mais vezes dirá: “O bom Deus deu-me um pai e uma mãe mais dignos do Céu que da terra”.

Luís e Zélia educavam suas filhas para que fossem santas. O desejo de santidade que ali se vivia impregnava toda a vida familiar. A santidade se manifesta nas etapas vividas pelo casal, etapas tão semelhantes às de um casal atual: casamento tardio, trabalho, dupla jornada de Zélia entre a casa e a loja, ambos assumem a educação das filhas. Foram consumidos por doenças contemporâneas: o câncer de Zélia e a doença neuropsiquiátrica de Luís. Atravessam a guerra de 1870 entre França e Alemanha, as crises econômicas, o drama da morte de Zélia em 1877. Sozinho, Luís deve criar e educar suas cinco filhas: Maria, Paulina, Leônia, Celina e Teresa.

Luís e Zélia vivem o sofrimento, cada um a seu modo. Em dezembro de 1864 Zélia descobre um câncer impossível de ser operado, que não lhe oferece nenhuma chance de cura. Zélia aceita a morte com coragem heroica, trabalhando até a véspera, a cada manhã participando da Missa. Sua força era a existência das cinco filhas. Em agosto de 1877 seus seios são amputados. Preocupa-se, sobretudo, por Leônia, meio doentinha. Carrega a cruz por 12 anos, até a morte aos 46 anos, em 28 de agosto de 1877.

A Paixão de Luís com todos esses acontecimentos é enorme. A partir de novembro de 1877 passa a residir em Lisieux e, sucessivamente, entrega todas as filhas a Deus na vida consagrada: Paulina (1882), Maria (1886), Leônia (1899), Teresa (1888) e depois Celina (1894).

Relendo sua vida familiar à luz do Amor Misericordioso, em 1896, Teresinha relembra a entrada no Carmelo nos braços de “seu Rei” e nunca imaginaria que poucos dias após a tomada do hábito seu querido pai “deveria beber a mais amarga, a mais humilhante de todas as taças”. “Os três anos de martírio de Papai me parecem os mais amáveis, os mais frutuosos de toda a nossa vida. Eu não os trocaria por nada, por nenhum êxtase ou revelação este tesouro que deve provocar uma santa inveja nos Anjos da Corte Celeste”.

Pouco antes da doença, Luís escreveu às três filhas carmelitas: “Devo dizer-vos, minhas queridas filhas, que sou obrigado a agradecer e fazer-vos agradecer ao bom Deus, porque eu sinto que nossa família, apesar de tão humilde, tem a honra de ser privilegiada por nosso adorável Criador”.

É verdade que Deus cumulou de bênçãos e graças o lar de Luís e Zélia. É mais verdade, porém, que ambos abriram suas vidas ao dom de Deus, dele fazendo participar intensamente suas filhas.

Eles foram canonizados neste domingo, 18 de outubro, coincidindo com o Sínodo da Família e no Dia Mundial das Missões. Francisco tornou oficial esse fato em um consistório ordinário público celebrado no dia 27 de junho.

O Santo Padre já havia reconhecido, em março deste ano, o segundo milagre que abriria as portas para a canonização dos pais de Santa Teresinha: foi a cura inexplicável de uma menina chamada Carmem.

Carmem nasceu com uma hemorragia cerebral que lhe afetava os pulmões e o coração. Agora ela está curada e sem sequelas. A cura foi fruto de um pedido de intercessão – insistente e fervoroso – feito pela mãe de Carmem ao casal Louis e Maria Azelia Martin.

Com essas canonizações, o Papa explicita a importância da santidade dessa família cristã como um caminho concreto para a crise da família hoje.

Este Mês das Missões começou com a festa da co-padroeira das missões, conhecida como Santa Teresa do Menino Jesus. Marie-Françoise Thérèse Martin nasceu em 1873 e faleceu em 1897. Ela foi canonizada em 1925 e tornada Doutora da Igreja em 1997. Embora nunca tenha saído do Mosteiro das Carmelitas Descalças de Lisieux, é considerada a Patrona das Missões.

Em 18 de março, o Papa validou a recuperação de uma menina doente na Espanha como um milagre atribuído à intercessão dos pais da santa. Louis Martin e Zélie Guérin, mortos em 1894 e 1877, aos 71 e aos 46 anos, respectivamente, foram beatificados em 2008. Eles tiveram nove filhos, dos quais quatro faleceram ainda jovens, e cinco meninas ingressaram na vida religiosa. Casados em julho de 1858, eles compartilharam 19 anos de vida conjugal.

Assim sendo, queremos pedir a intercessão deste tão nobre casal a todas as famílias do mundo inteiro, para que vivamos a santidade que Deus tanto nos pede.

Autor: Cardeal Orani João Tempesta - Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro

Professor Educador - por D. Fernando Arêas Rifan - Ad. Apostólica S.J,Maria Vianney



Dom Fernando Arêas Rifan*

Amanhã, dia 15, dia de Santa Teresa de Jesus, grande mestra da vida espiritual, e exatamente por isso, é comemorado o dia do professor. Da mesma ordem religiosa de Santa Teresa, temos outra mestra, mas da simplicidade diária na santidade, Santa Teresinha do Menino Jesus, que dedicou sua vida no Carmelo à oração e ao sacrifício pelos missionários, sendo por isso, proclamada padroeira das Missões, cujo dia celebraremos no próximo domingo.

Deixo aqui consignada a minha saudação e gratidão a todos os que se dedicam a essa nobre e benemérita carreira, difícil, mas nem sempre reconhecida e condignamente gratificada. Mais do que uma profissão, educar é uma arte, uma vocação e uma missão: formar, conduzir crianças, jovens e adultos no caminho da verdade, sugerindo opiniões conscientes, aconselhando e tornando-se amigos e irmãos dos seus alunos. Que Deus os abençoe e lhes dê coragem, paciência e perseverança nessa sua verdadeira missão. Missionários da educação!

Ser professor é ser educador e mestre. E ser mestre é muito mais do que ensinar matérias, como bem escreveu o nosso ilustre poeta Antônio Roberto Fernandes, de saudosa memória: “Ser mestre não é só contar a história/ de um certo Pedro Álvares Cabral/ Mas descobrir, de novo, a cada dia,/ um mundo grande, livre, fraternal. - Ser mestre não é só mostrar nos mapas/ onde se encontra o Pico da Neblina/ Mas é subir, guiando os alunos,/ à montanha da vida que se empina... Ser mestre é ser o pai, a mãe, o amigo,/ mostrando sempre a direção da luz,/ pois a palavra Mestre – sobretudo –/ também é um dos nomes de Jesus”.

A melhor definição de educação nós a encontramos no Direito Canônico, conjunto de normas da Igreja (cânon 795): é a formação integral da pessoa humana, dirigida ao seu fim último e, ao mesmo tempo, ao bem comum da sociedade, de modo que as crianças e jovens possam desenvolver harmonicamente seus dotes físicos, morais e intelectuais, adquirir um sentido mais perfeito da responsabilidade e um uso correto da liberdade, preparando-se para participar ativamente da vida social. Que missão nobre, sublime e difícil a do professor-educador! Indicando aos alunos o sentido da vida, ele vai ajudá-los a dominar seus instintos e a dirigi-los pela razão, a desenvolver o conjunto de suas faculdades, a combater as más paixões e desenvolver as boas, a adquirir o domínio de si e a orientar seus sentimentos, levando em conta as diversas fases da vida e as características do seu temperamento, formando assim sua personalidade e seu caráter. Sendo assim, o mestre é cooperador da Graça de Deus, que, como Pai, só quer o bem dos seus filhos. 

A você, portanto, caro professor e querida professora, a nossa homenagem por ter recebido de Deus tão nobre e importante missão e a nossa gratidão reconhecida pelo seu trabalho, que não se mede pela produção imediata, mas por frutos, muitas vezes escondidos, que só vão aparecer ao longo da vida e que estarão escritos no livro da eternidade. “Os que educaram a muitos para a justiça brilharão como estrelas para sempre” (Dn 12,3).


*Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney


Junto à Fonte da Vida, o fulgor de uma nova Luz! - Recordando os 500 Anos do Nascimento de Santa Teresa - II





Homilia de D. António Carrilho, Bispo do Funchal, na Eucaristia
do 500º Aniversário de nascimento de Santa Teresa de Ávila
Igreja do Carmo – Funchal, 28 de Março de 2015

Junto à Fonte da Vida, o fulgor de uma nova Luz!

Neste ano dedicado à Vida Consagrada, temos a feliz coincidência do quinto centenário do nascimento de Santa Teresa de Jesus, nascida em Ávila, a 28 de Março de 1515. É com muita alegria que estamos a celebrar o ano jubilar teresiano pleno de graças e de riqueza eclesial, daquela que antes de morrer pronunciou com ardente amor e imensa gratidão: “sou filha da Igreja”.


De origem nobre, inteligente e determinada, humilde e alegre, a jovem Teresa apaixonou-se por Jesus Cristo e professou solenemente na Ordem de Nossa Senhora do Carmo, em Ávila. Favorecida pelo Senhor com admiráveis graças e dons sobrenaturais, a santa espanhola foi uma insigne mestra de oração, iniciou e empenhou-se, generosamente, na reforma da Ordem Carmelita, conforme o espírito primitivo.

A pedido dos seus confessores, deixou uma vasta obra escrita sobre o percurso oracional até aos mais altos cumes da mística, com grande profundidade espiritual e teológica. Paulo VI proclamou-a doutora da Igreja, a 27 de Setembro de 1970.

Sabedoria de Deus, um novo olhar

A Palavra que a liturgia nos apresenta para esta solenidade refere-se à oferta da água viva que alegra, ilumina o coração e devolve-nos um novo olhar para contemplarmos e penetrarmos na Fonte que jorra para a Vida eterna, como Santa Teresa de Jesus.

A simbologia da água foi sempre muito querida a Teresa de Jesus, para comunicar às suas Irmãs Carmelitas o tesouro inesgotável da sabedoria e a ciência do amor divino. Ela própria experimentou na sua vida a beleza profunda da oração e da altíssima intimidade com Deus, a quem trata reverentemente por “Sua Majestade”.

No texto que escutámos, (...) ressalta a superioridade dos bens de ordem espiritual sobre os bens materiais. Aliás, é um dos temas constantes na literatura sapiencial bíblica. Consciente da sublimidade do tema, o autor do livro da Sabedoria pede a Deus luz para poder comunicar convenientemente as palavras divinas. “Com ela me vieram todos os bens e nas suas mãos está uma riqueza incalculável” (Sab 7,11). A autêntica sabedoria é um “reflexo da luz eterna”.

Os santos, como Santa Teresa de Jesus, aprenderam, sob a ação do Espírito Santo, a orientar a sua liberdade para a Verdade total, configurando-se com Cristo e com o Evangelho. “Porque não sabemos o que havemos de pedir como convém, o mesmo Espírito intercede por nós com gemidos inefáveis” (Rm 8,26).Por isso, a sua vida transformou-se num belo Cântico de Amor, de Sabedoria e de Beleza. A grande santa carmelita foi um astro resplandecente, que iluminou e continua a iluminar a Igreja e o mundo com o seu testemunho refulgente.

No abismo da luz divina

Acabámos de escutar o diálogo surpreendente entre Jesus e uma mulher, que se transformou numa das mais belas páginas do Evangelho de S. João. Sabemos que Santa Teresa sentia uma grande predileção pelo relato evangélico da samaritana, com quem se identifica. A santa contemplava, abismada, o mistério destas duas sedes: sede infinita de Deus pela humanidade; sede insaciável da parte da mulher, “porque Deus satisfaz e deixa-a com uma sede maior d’Ele”, diz Teresa fascinada, e acrescenta: “Com que sede se deseja ter esta sede”.

Também nós, estamos à beira do poço para saciar a nossa sede. "Mas quem beber da água que Eu lhe darei, esse nunca mais terá sede. E a água que Eu lhe der se tornará nele uma fonte de água que jorra para a vida eterna"(Jo 4,14). Esta água, que Jesus nos oferece, atinge as exigências mais profundas do coração humano sedento de essencial, de amor, de paz e de luz, de vida eterna. A fé em Jesus nasce do testemunho e do contacto “pessoal e amoroso” com Ele, único Salvador do mundo, como nos recomenda Santa Teresa.

Só Deus basta!
Além da reforma da sua Ordem, Teresa legou-nos, com a sua sábia pena de escritora, a riqueza dum admirável património espiritual e místico mundial sobre a oração, que é um ensinamento de grande sabedoria, beleza e atualidade. “Só Deus basta!” Foi a primeira mulher proclamada Doutora da Igreja pelo Papa Paulo VI, a 27 de Setembro de 1970.

Teresa fala-nos da sua experiência orante, uma belíssima história de amizade com Jesus Cristo. “A oração não é outra coisa senão tratar intimamente com Aquele que sabemos nos ama”. Teresa sente que Jesus está sempre a seu lado. E com esta companhia tinha forças para sofrer, viver e aceitar em tudo a Sua vontade. Depois da sua morte teve grandes seguidores e seguidoras, apesar de “ser mulher e ruim”, como ousava dizer com profunda humildade. Entre elas recordo a doutora Edite Steien, carmelita, a Irmã Benedita da Cruz, filósofa, santa e mártir do século XX.

O perfil espiritual de Santa Teresa
Teresa não é apenas a mística, com experiências sobrenaturais inacessíveis, mas é sobretudo a mulher humaníssima, cheia de alegria e de humor, que encantava todos os que conviviam com ela. “De devoções às tontas, Deus nos livre”, dizia Teresa apontando sempre para Jesus e seu Evangelho.

Na época conturbada em que viveu, manteve-se sempre fiel ao magistério da Igreja, fazendo-se rodear por grandes teólogos e letrados: S. João da Cruz, P. Graciano, S. Pedro de Alcântara e S. João de Ávila, que a esclareciam nos caminhos do espírito e graças sobrenaturais de oração. São dela estas palavras de elevada espiritualidade e grande sabedoria: “O amor não consiste em ter lágrimas, nem tão pouco gostos e ternuras que geralmente desejamos e com os quais nos consolamos, mas em servir a Deus com justiça, fortaleza de ânimo e humildade. O amor a Deus e ao próximo não são boas razões, mas obras”.

Sabemos quanto teve de sofrer devido à doença, com os trabalhos das fundações e outras contrariedades. Com alegria, por amor de Jesus e pela salvação dos irmãos e irmãs, abraçou a Cruz corajosamente, em abandono e pobreza evangélica.

No abraço da eternidade
Na noite de 4 de Outubro de 1582, falecia Teresa de Jesus, com sessenta e sete anos, em Alba de Tormes. Esta admirável filha da Igreja, com o seu olhar fixo na eternidade, diz com grande alegria e gratidão: “Já é tempo de caminhar”. O Papa Francisco, na mensagem ao Bispo de Ávila, neste Ano Jubilar Teresiano, acrescenta: “Já é tempo de caminhar, andando pelos caminhos da alegria, da oração, da fraternidade, do tempo vivido como graça! Percorramos os caminhos da vida pela mão de santa Teresa. Seus passos conduzem-nos sempre a Jesus”.

Neste tempo em que a crise de identidade projeta as pessoas para fora de si mesmas, numa cultura de superficialidade e vazio, Teresa convida-nos a viver a urgência da intimidade com Jesus, o Amigo, crucificado e glorioso, no silêncio da escuta e da oferta da vida, pautada pelo Evangelho, no compromisso com Deus e com os outros.

Caminho de luz
Queridos diocesanos da Madeira e Porto Santo: neste dia de luz e de graça, peço a Nossa Senhora do Carmo abençoe a Ordem Carmelita, que tanto enriquece a nossa Igreja diocesana, pelo seu notável serviço pastoral, no acolhimento e escuta dos fiéis, em especial, no sacramento da Reconciliação e orientação espiritual.

Faço votos de que o “Caminho de Luz”, feliz iniciativa dos 500 anos, percorrido com o bastão que Santa Teresa usou nas fundações, ilumine o coração da humanidade e todos aqueles que anunciam a verdadeira Luz do mundo, Cristo Jesus.


Funchal, 28 de Março de 2015
†António Carrilho, Bispo do Funchal

http://www.diocesedofunchal.pt/

"Nada te perturbe, nada te espante, tudo passa!" - Recordando o 500 Anos do Nascimento de Santa Teresa de Ávila


ada te perturbe, nada te espante, tudo passa! Só Deus não muda. A paciência, por fim, tudo alcança. Quem a Deus tem, nada lhe falta, pois só Deus basta. 

Esta é provavelmente a frase mais conhecida no mundo de Santa Teresa de Ávila (1515-1582), celebrada hoje pela Igreja Católica.

Neste dia, é também encerrado o Ano Jubilar pela V Centenário de nascimento de Santa Teresa, que teve início em 15 de outubro do ano passado. Naquela ocasião, o Papa Francisco enviou uma carta ao Bispo de Ávila, Monsenhor Jesús García Burillo, sublinhando a importância da figura desta santa.

“Na escola da santa andarilha aprendemos a ser peregrinos. A imagem do caminho pode sintetizar muito bem a lição da sua vida  e da sua obra. Ela entendeu a sua vida como caminho de perfeição pelo qual Deus conduz o homem, morada após morada, até Ele e, ao mesmo tempo, o põe em caminho para os homens”, escreveu o Pontífice.

Teresa de Cepeda y Ahumada nasceu no dia 28 de março de 1515, em uma nobre família de Ávila, na Espanha, filha de Alonso Sánchez de Cepeda e Beatriz de Ahumada.

Aos 20 anos, decidiu-se pela vida religiosa, apesar da resistência de seu pai. Em sua biografia, diz que ela saiu de sua casa em uma manhã para entrar no mosteiro carmelita da Encarnação. Lá, viveu por 27 anos, com uma grande comunidade religiosa composta por cerca de 180 freiras, suportando e superando uma grave doença, que marcou sua vida.

Por volta dos 40 anos, Teresa sentiu o chamado que tem ficou conhecido como “experiência mística”, o que mudou o curso de sua vida. Aos 47 anos, Teresa começou uma terceira fase, empreendendo sua tarefa de fundadora andarilha.

As carmelitas, como a maioria das religiosas, tinham decaído muito do primeiro ardor, a princípios do século XVI. As religiosas podiam sair da clausura com o menor pretexto, de sorte que o convento se converteu no sítio ideal para quem desejava uma vida fácil e sem problemas. As comunidades eram extremamente numerosas, o qual era causa e efeito da relaxação. Por exemplo no convento de Ávila havia 140 religiosas.

Santa Teresa empreendeu o desafio de levar a cabo a iluminada ideia de fundar uma comunidade mais reduzida e reformada. A Santa estabeleceu a mais estrita clausura e o silêncio quase perpétuo. O convento carecia de rendas e reinava nele a maior pobreza; as religiosas vestiam rudimentares hábitos, usavam sandálias em vez de sapatos (por isso lhes chamou descalças) e estavam obrigadas à perpétua abstinência de carne.

Santa Teresa não admitiu no princípio mais que 13 religiosas, mas logo aceitou que houvesse 21. Em 1567, o superior general dos carmelitas, João Batista Loiro (Rossi), visitou o convento de Ávila e ficou muito satisfeito com o trabalho realizado ali pela Santa, assim que concedeu a esta plenos poderes para fundar outros conventos do mesmo tipo e até a autorizou fundar dois conventos de frades reformados (carmelitas comtemplativos).

Caracterizada por sua simplicidade, prudência, amabilidade e caridade, Santa Teresa tinha uma profunda vida de oração e, em obediência a seu confessor, porque ela não era uma pessoa culta e se expressava com um castelhano singelo, escreveu suas visões e experiências espirituais. Essas obras são agora um grande presente para a Igreja.

Os escritos de Santa Teresa sublinham, sobretudo o espírito de oração, a maneira de praticá-lo e os frutos que produz. Como a Santa escreveu precisamente na época em que estava consagrada a difícil tarefa de fundar conventos de carmelitas reformadas, suas obras, prescindindo de seu conteúdo e natureza, dão testemunho de seu vigor, laboriosidade e capacidade de recolhimento.

Escreveu o “Caminho de Perfeição” para dirigir a suas religiosas, e o livro das “Fundações” para animá-las e as edificar. Quanto ao “Castelo Interior”, pode-se considerar que escreveu para a instrução de todos os cristãos.

Santa Teresa morreu nos braços da Beata Ana, em Alba de Tormes no dia 4 de outubro de 1582, pronunciando as palavras: “Sou filha da Igreja”. Sua canonização se realizou em 1622. Foi proclamada doutora da Igreja em 27 de setembro de 1970 pelo Papa Paulo VI.

Fonte : ACI Digital

tags : Teresa de Ávila, Santa Teresa D`Avila, Teresa de Jesus, 500 Anos do Nascimento de Santa Teresa, Reformadora do Carmelo.

domingo, 11 de outubro de 2015

Festa de N. Sra. Aparecida - 12 de Outubro de 2015


Padre Daniel Pinheiro

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo.

“Tu, Virgem Maria, és a glória de Jerusalém, a alegria de Israel, a honra do nosso povo” Judith 15, 10

"Lançando-a novamente pescaram a cabeça da imagem de Nossa Senhora, que era uma imagem de Nossa Senhora da Conceição"

Em 1717, três pescadores buscavam peixes no Rio Paraíba, próximo de Guaratinguetá, interior de São Paulo. Era em torno do dia 12 de outubro, e a câmara da vila havia pedido aos pescadores da região que apresentassem todos os peixes que pudessem conseguir ao novo governador da capitania que estava de passagem pela localidade. Os três pescadores percorreram grande distância entre dois portos sem conseguir pegar peixe algum. Eis, então, que lançando a rede mais uma vez pescaram o corpo da Senhora, sem a cabeça. Lançando-a novamente pescaram a cabeça da imagem de Nossa Senhora, que era uma imagem de Nossa Senhora da Conceição, da Imaculada Conceição. Continuando a pescaria depois de tal descoberta, conseguiram pescar tantos e tantos peixes que tiveram de parar, receosos de que as canoas naufragassem por causa da abundante pesca. Eram certamente extraordinários esses fatos: o encontro da imagem, o encontro da cabeça que naturalmente deveria ter sido arrastada mais longe pela correnteza da água, além de ser dificilmente colhida por uma rede de pescador, dada a sua dimensão. Extraordinária também a pesca abundante que seguiu o encontro da imagem. A devoção a Nossa Senhora Aparecida começou, então, no oratório dos pescadores e graças foram obtidas e milagres realizados, notadamente as velas que se apagavam e se reacendiam sozinhas por diversas vezes. A devoção foi tanta, que, hoje, Aparecida é o maior Santuário Mariano no mundo. Em 1930, o Santo Padre, o Papa Pio XI, na plenitude de seu poder apostólico, constituiu e declararou a mui Bem-aventurada Virgem Maria concebida sem mancha, sob o título de “Aparecida”,a Padroeira principal de todo o Brasil diante de Deus. No ano seguinte, 1931, no dia 31 de maio, em presença do Sr. Presidente da república, de altas autoridades civis e militares, de numerosas divisões das Forças Armadas, do Episcopado Brasileiro e de enorme multidão de fiéis, o Cardeal-Arcebispo do Rio de Janeiro proferiu o ato de consagração de todo o Brasil a Nossa Senhora Aparecida, recomendando à Excelsa Padroeira todos os interesses e as necessidades da pátria. Nossa Senhora da Conceição era já a padroeira do Brasil por provisão do Rei de Portugal em 1646 e por declaração de D. Pedro I quando da independência. Simplesmente, ajuntou-se nesse momento o título de Aparecida por causa dos milagres ocorridos, das graças alcançadas e da devoção do povo.

Todos esses fatos nos permitem tecer algumas considerações interessantes. Antes de tudo, a importância de Nossa Senhora na obra da redenção. Nas duas pescas milagrosas no Evangelho, Nosso Senhor quer mostrar aos apóstolos que sem Ele, os únicos frutos que realmente nos interessam, que são os frutos de vida eterna, são inexistentes, apesar de nossos trabalhos e esforços nessa terra. Com Cristo, porém, e seguindo a sua palavra os frutos para a vida eterna são abundantes. Ora, a origem da devoção a Nossa Senhora Aparecida nos mostra algo parecido em relação a Nossa Senhora. A devoção a Nossa Senhora é necessária para que possamos chegar ao Filho e assim nos salvarmos, com frutos abundantes. Enquanto a imagem estava no fundo do rio, esquecida e quebrada, a pesca foi inútil. Depois de encontrarem a imagem e tratarem-na com o devido respeito, a pesca foi abundante. Nossa Senhora, na sua extrema delicadeza, permitiu aos pescadores que apresentassem o fruto de seus trabalhos ao governador da capitania. Nós, nós devemos apresentar os frutos de nossas obras a Nosso Senhor Jesus Cristo, justo juiz, governador do mundo. Sem o auxílio Maria Santíssima não teremos obras dignas de serem apresentadas a nosso Deus, porque Deus quis, não por necessidade, claro, mas por livre vontade que os homens passassem por Maria e quis salvar o homem de forma semelhante como esse havia pecado. No paraíso havia um homem, personagem principal e havia uma mulher que cooperou no seu pecado. Na Redenção há um homem, Cristo, que é também Deus e há uma mulher que coopera na obra infinitamente perfeita de Cristo, Maria.

Dissemos, então, que o Brasil foi consagrado a Nossa Senhora no dia 31 de Maio, data que se tornou depois a data da festa de Nossa Senhora Rainha. Pela consagração de nosso país a Nossa Senhora Aparecida nós reconhecemos e declaramos explicitamente e justamente um fato que já existe. Nossa Senhora é Rainha por sua maternidade divina, aliás, celebrada ontem, mas também por direito de conquista adquirido por sua participação única na obra da redenção de seu Filho. Nossa Senhora é Rainha dos Céus e da terra. Nossa Senhora é, portanto, Rainha do Brasil. Consagrando o Brasil a ela, dizemos que queremos nos submeter a ela espontaneamente, seguindo o seu exemplo e suas ordens, como fizeram os servos em Caná quando do primeiro milagre de NSJC. A devoção a Nossa Senhora consiste em servi-la e imitá-la para poder melhor servir e imitar Nosso Senhor Jesus Cristo.

Hoje, infelizmente, o Brasil, por meio de suas autoridades não quer mais honrar publicamente e se submeter a Nossa Senhora e, por meio dela, honrar e se submeter a Nosso Senhor Jesus Cristo. Claro, existem ainda pessoas devotas de Nossa Senhora Aparecida, mas é preciso que o país também o seja. Se o país por meio de seus governantes pode reconhecer a importância de tal ou tal obra pública, pode também reconhecer que Deus existe, que Cristo é Deus, que a religião católica é a verdadeira, e que devemos voltar a Deus pelo mesmo caminho pelo qual Ele veio até nós: por Maria. Infelizmente, hoje, a imagem de Nossa Senhora Aparecida, embora colocada no maior Santuário mariano do mundo é desprezada pelo nosso país e muitas vezes mesmo por aqueles que mais deveriam zelar pela honra de Nossa Senhora. É como se a imagem se encontrasse no fundo do rio e quebrada. É preciso, então, fazer como os pescadores. É preciso que Nossa Senhora seja reencontrada e venerada pelo Brasil, pelas autoridades públicas, pelo povo. É por meio de Nossa Senhora que Cristo quer distribuir as infinitas graças que mereceu em estrita justiça durante a sua vida, paixão e morte. O bem de um país não é somente o bem econômico ou um bem social material, mas inclui necessariamente o bem espiritual, bem espiritual que só pode vir de Cristo por Maria. Cristo veio ao mundo por Maria. Ele concede as suas graças por Maria. O bem de nosso país, o verdadeiro bem de nosso país, que consiste, antes de tudo, no favorecimento da prática das virtudes, da única verdadeira religião, passa necessariamente por Nossa Senhora. O bem de nosso país não virá da política ou de uma ideologia. O bem do nosso país deve vir da restauração de tudo em Cristo. Enquanto o Brasil persistir em deixar Nossa Senhora no fundo das águas, nosso país não avançará realmente. Não avançará naquilo que realmente importa: o trabalho pelo bem das almas que só se pode fazer em união com a Santa Igreja. Enquanto Nossa senhora está no fundo das águas, o país caminha para o abismo, rejeitando todos os bens que lhe tinham sido concedidos por Deus. Quantas das supostas leis de nosso país hoje ofendem a Nosso Senhor e quantas outras não estão a caminho de serem aprovadas? O divórcio, que tem destruído a sociedade brasileira e a sociedade no mundo inteiro junto com a anticoncepção. Tantas liberdades absolutas que são liberdades para o erro e para propagá-lo…Uniões homossexuais reconhecidas pelo Estado. Aborto, eutanásia. Quantas liberdades garantidas por lei que são no fundo libertinagem… O projeto de novo código penal está repleto dessas leis ofensivas a Deus e, portanto, prejudiciais ao homem: aborto, eutanásia, suicídio assistido, assassinato de crianças indígenas, se isso é conforme ao costume de uma dada tribo, punição dos que se opõem às uniões homossexuais, descriminalização do uso de drogas, prostituição infantil, terrorismo etc. Claro que tudo isso aparece no texto do projeto com outras palavras que chocam menos o povo brasileiro, que, em sua maioria, se opõe a tudo isso. Nem o argumento da democracia numérica justifica o que querem fazer. Chegamos ao ponto em que os animais são mais importantes que os homens, segundo esse mesmo projeto de Código Penal em trâmite no Congresso: não socorrer um homem é pena de uma a seis meses, enquanto não socorrer um animal é pena de 1 a 4 anos. Inversão absurda, mas se se considera que o homem é mais importante que Deus por que não considerar que os animais são mais importantes que o homem? Aquele que nega Deus é capaz dos maiores absurdos. É isso que estamos vendo em nosso país. Nossa Senhora está no fundo das águas, esquecida e desprezada por nossa pátria.

Somos nós, então, que devemos pescar a imagem de Nossa Senhora no fundo das águas, a fim de que Ela proteja nosso país e faça com que o Brasil respeite os direitos de Deus, realizando assim a sua finalidade que é o bem de seus cidadãos. Somos nós que devemos ter uma devoção pessoal e verdadeira por Nossa Senhora, imitando as suas virtudes e pedindo que Ela seja reconhecida como a soberana suprema desse país. Devemos, por dever de justiça, de piedade filial, rezar e confiar nosso país a Nossa Senhora, a fim de que ele a reconheça como Mãe e Rainha e se submeta plenamente à vontade de seu Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo. E devemos incutir isso em nossas crianças. Por uma grande coincidência, não é?, dessas que não costumam ocorrer jamais, por um grande acaso, hoje é também o dia das crianças. Por que? Para fazer esquecer aos brasileiros e, sobretudo, àqueles que são o futuro de nossa sociedade, a soberania de Maria Santíssima e por meio dela a soberania de Seu Filho. Para fazer crer que o feriado é para as crianças se divertirem.

Devemos deixar claro para as crianças que o fundamental nesse dia 12 de outubro é Nossa Senhora e que foi ela quem nos trouxe o maior presente: o Menino Jesus. E se hoje é feriado, o objetivo não é outro: honrar Nossa Senhora e fazê-lo publicamente, confiando o nosso país a Ela e agradecendo todo o bem que Nossa Senhora já fez pelo nosso país.

Desde o começo de sua história, o Brasil se destacou por sua devoção à Imaculada Conceição. É preciso que isso continue.

Nossa Senhora da Conceição Aparecida, salvai o Brasil!

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

Sermão para a Solene Festa de Nossa Senhora da Conceição Aparecida
 (12 de outubro de 2012)

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Beato Bartolo Longo e sua Devoção ao Rosário




A festa de Nossa Senhora do Rosário,

(...) está construída sobre uma importante coluna histórica que dá testemunho da poderosa eficácia da oração à Maria. Foi instituída pelo Papa Pio V em 1572 com o nome de Nossa Senhora da Vitória, um lembrete eterno da Batalha de Lepanto. Esta sangrenta batalha naval culminou exatamente um ano antes, em 7 de outubro de 1571, com a derrota do Império Otomano pelas Liga Santa, cuja armada tinha sido confiada pelo Papa à Nossa Senhora.

O mérito da vitória que salvou a Europa e o cristianismo da ameaça expansionista dos otomanos foi, portanto, atribuído desde o começo à proteção de Maria, que os cristãos – encabeçados por Pio V – tinham invocado recitando o Rosário.

Mas a batalha de Lepanto é apenas o símbolo historicamente mais representativo de uma realidade que se repete ao longo dos séculos: a intervenção milagrosa de Maria no curso dos acontecimentos e na vida das pessoas. Se em Lepanto o Rosário foi a arma que esteva entre o desejo imperialista dos muçulmanos e a Europa, em tantas outras ocasiões, o Rosário foi a alavanca que converteu corações secos e levou à salvação pessoas que peregrinavam pela via da perdição.

É o caso de Bartolo Longo, italiano, nascido em Latiano, na Apúlia, em 1841. Ele teve uma infância agitada nas prestigiosas escolas cristãs. Foi educado nos valores da oração e da fé, até quando a saída da vida familiar e da cidade o levou a percorrer perigas quimeras.



Após o colegial, mudou-se primeiro para a cidade de Lecce e depois para Nápoles, onde estudou direito. Eram os anos das Guerras de independência, onde o ímpeto idealista estava contagiando as almas de tantos brilhantes jovens italianos. Difundiam-se, especialmente nas universidades e nos círculos intelectuais, as ideias iluministas e o ódio contra a Igreja, considerada um manto obscurantista que sufocava os sonhos de liberdade.

As modas culturais do momento não pouparam o jovem Longo. Nascido em uma Itália fortemente enraizada na fé e nos valores da tradição, foi-lhe irresistível a atração de uma cidade como Nápoles, propulsora das novas e exuberantes ideias, prenunciando uma mudança cultural que teria modificado o País.

A decepção o levou aos círculos mais fechados e elitistas da cidade. Desceu às profundezas da maçonaria, onde cultivou um sempre maior interesse com relação ao espiritismo. A companhia de intelectuais anticlericais, bem como a descida às práticas mágicas e aos conhecimentos esotéricos, eram-lhe mais uma forma de comportamento para tirar a veste provincial que trazia até o momento.

Ele próprio irá dizer que foi tão tragado por esses ambientes que se tornou um verdadeiro “sacerdote de satanás”. Logo logo a euforia transformou-se em sentimentos de desânimo que o fizeram cair em uma fortíssima forma de depressão e o levou muitas vezes à beira do suicídio.

Em desespero, tentou algo que pudesse aliviar a sua angústia íntima. Conversou com um professor amigo, Vincenzo Pepe, da Puglia como ele, que não lhe poupou reprovações e o convidou a distanciar-se de certos ambientes. “Se você continuar com estas práticas, vai terminar em um manicômio!”, repetia-lhe com frequência. E o convidou também a falar com o Pe. Alberto Radente, certo de que este dominicano, excelente diretor espiritual, teria conseguido ajudar Bartolo Logo a dissipar a escuridão da sua alma.

Após uma série de encontros com esse padre, o jovem Longo confessou-se e começou um caminho de mudança. Ainda estava cheio de maus pensamentos, mas estava tendo uma experiência extraordinária que poderia oferecer-lhe um grande avanço.

Um dia, quando perambulava desesperado pelo Vale de Pompéia, foi como que iluminado por uma frase que lhe falava muitas vezes o Pe. Radente: “Se você procura salvação propaga o Rosário. É promessa de Maria”. E logo depois sentiu o ressoar de um sino distante. Naquela hora elevou os braços ao céu e gritou: 


“Se é verdade que prometestes a São Domingos que quem propagar o Rosário se salva, eu me salvarei porque não sairei dessa terra de Pompéia sem ter aqui propagado o teu Rosário!”.

Nas semanas seguintes, uma série de eventos indicaram a Longo que a sua súplica teria sido ouvida. Estreitou laços com a condessa De Fusco e tornou-se administrador dos seus bens. Começou a frequentar os grupos de oração no Sagrado Coração de Jesus que a condessa guiava, até tornar-se seu estreito colaborador e depois também marido.

O casal decidiu transformar o Vale de Pompéia, pobre e esquecido, em um epicentro da devoção ao Santo Rosário. Escolheram uma velha igreja do lugar, onde colocaram um quadro de Nossa Senhora do Rosário dado a eles por uma irmã dominicana amiga do pe. Radente. Aquele quadro é conhecido hoje em todo o mundo como o ícone da Beata Virgem do Santo Rosário de Pompéia, que surgiu dentro do que se tornou um Santuário entre os mais conhecidos e frequentados de todo o orbe católico. Tudo graças ao trabalho da condessa De Fusco e do seu marido Bartolo Longo.

Bartolo é também o autor da Súplica à Nossa Senhora de Pompéia, escrita em 1883, bicentenário de uma outra vitória militar fundamental para a salvação da Europa e da Cristandade, aquela da Liga Santa sobre os turcos em Viena (1683). Antes de morrer, no dia 5 de outubro de 1926, mês de Maria, Bartolo Longo suspirou: "Meu único desejo é o de ver Maria, que me salvou e me salvará das garras de Satanás." No dia 26 de outubro de 1980, João Paulo II o beatificou.

Recordando Santa Teresa de Lisieux no Mês das Missões



"viveu neste mundo somente 24 anos, ao final do século XIX, conduzindo uma vida muito simples e escondida, mas que, após a morte e a publicação dos seus escritos, tornou-se uma das santas mais conhecidas e amadas".

"A "pequena Teresa" nunca deixou de ajudar as almas mais simples, os pequenos, os pobres e os sofredores que a ela rezam, mas também iluminou toda a Igreja com a sua profunda doutrina espiritual, a tal ponto que o Venerável Papa João Paulo II, em 1997, desejou dar-lhe o título de Doutora da Igreja, em acréscimo àquele de Padroeira das Missões, já atribuído por Pio XI em 1939. O meu amado Predecessor a definiu "perita da scientia amoris".

"Essa ciência, que vê resplandecer no amor toda a verdade da fé, Teresa a expressa principalmente na narração da sua vida, publicado um ano após sua morte sob o título História de uma alma".

Teresa nasceu em 1873 em Alençon (França.). Era a mais nova dos nove filhos de Louis e Zélie Martin, beatificados em 2008. A Santa ficou órfã de mãe aos 4 anos e mais tarde sofreu uma grave enfermidade nervosa da que se curou em 1886 graças ao que chamou "o sorriso de Nossa Senhora".


Em 1887 peregrina a Roma com seu pai e sua irmã e pede ao Papa Leão XIII que lhe conceda entrar com apenas quinze anos no Carmelo de Lisieux .Um ano depois seu desejo se torna realidade, mas ao mesmo tempo inicia a grave enfermidade mental de seu padre que fará que Teresa se aproxime da contemplação do Rosto do Jesus em sua paixão. Em 1890 pronuncia os votos religiosos. Em 1896 começa um período de grande sofrimento físico, que a levará à morte, e à "noite escura" espiritual.

"Com Maria ao lado da Cruz de Jesus, Teresa vive então a fé mais heroica, como luz nas trevas que invadem sua alma. A Carmelitana tem consciência de viver essa grande prova pela salvação de todos os ateus do mundo moderno, chamados por ela de "irmãos".", disse o Papa. 
"Nesse contexto de sofrimento, vivendo o maior amor nas pequenas coisas da vida cotidiana, a santa leva a cumprimento a sua vocação de ser o Amor no coração da Igreja".

Teresa morreu na tarde de 30 de setembro de 1897, dizendo as simples palavras: "Meu Deus, vos amo!".

"Essas últimas palavras da Santa são a chave de toda a sua doutrina, da sua interpretação do Evangelho. O ato de amor, expresso no seu último suspiro, era como o contínuo respiro da sua alma, como o batimento do seu coração. As simples palavras "Jesus Te amo" estão ao centro de todos os seus escritos".
“Teresa é um dos "pequenos" do Evangelho que se deixam conduzir por Deus na profundidade do seu Mistério. Uma guia para todos, sobretudo para aqueles que, no Povo de Deus, desempenham o ministério de teólogos. Com a humildade e caridade, a fé e a esperança, Teresa entra continuamente no coração da Sagrada Escritura que contém o Mistério de Cristo", afirmou o Papa.

"E tal leitura da Bíblia, nutrida pela ciência do amor, não se opõe à ciência acadêmica. A ciência dos santos, de fato, da qual ela mesma fala na última página da História de uma alma, é a ciência mais alta".

"Confiança e Amor" são, portanto, o ponto final da narrativa da sua vida, duas palavras que, como faróis, iluminaram todo o seu caminho de santidade, para poder guiar os outros sobre a "pequena vida da confiança e do amor", da infância espiritual ".

"Confiança como aquela da criança que se abandona nas mãos de Deus, inseparável do compromisso forte, radical do verdadeiro amor, que é dom total de si, para sempre, como diz a Santa contemplando Maria: "Amar é dar tudo, e dar a si mesmo"", concluiu o Santo Padre.
Papa Bento XVI
Audiência Geral
06 Abr. 11 / 01:53 pm (ACI)

terça-feira, 6 de outubro de 2015

Mês do Santo Rosário




Por especial desígnio da infinita misericórdia de Deus, Maria Santíssima revelou a um grande santo - Domingos de Gusmão, fundador dos Dominicanos - um meio fácil e seguro de salvação: o Santo Rosário.

Sempre que os homens o utilizam, tudo floresce na Igreja. No mundo passa a reinar a paz, as famílias vivem em concórdia, e os corações são abrasados de amor a Deus e ao próximo.

Sempre que dele se esquecem, as desgraças se multiplicam, os homens se afastam do bom caminho, reina a discórdia nas famílias, o caos se estabelece no mundo...

O Santo a quem Nossa Senhora deu o Rosário

São Domingos viveu numa época de grandes tribulações para a Igreja, pois uma terrível heresia, como nunca antes houvera - a dos albigenses - se espalhara no sul da França, e ameaçava toda a Cristandade. A corrupção moral gerada era tão grande que abalava os fundamentos da própria sociedade temporal.

São Domingos, por meio de suas pregações ardorosas, tentou durante longos anos trazer para o seio da Igreja aqueles infelizes, que se tinham desviado da verdade. Mas as eloqüentes e inflamadas palavras de um santo não conseguiam penetrar naqueles corações empedernidos e entregues a todos os vícios e desvios morais.

Intensificou o santo suas orações... Aumentou suas penitências... Fundou um instituto religioso para acolher os convertidos... De pouco ou nada adiantaram seus esforços. As conversões eram raras e de pouca duração. Muitos, por pressão do ambiente, voltavam à prática do erro.

O que fazer?

Se suas orações e penitências ainda não tinham conseguido mover o coração de Deus, era, talvez, porque a Providência Divina estivesse à espera de um supremo ato de virtude dele. Movido por tais sentimentos, um dia, São Domingos, saiu de seu convento, em Toulouse, no sul da França, decidido a arrancar de Deus as graças necessárias para seu apostolado.

Entrou na floresta e se entregou à oração e à penitência, disposto a não sair dali sem obter uma resposta do Céu.

São Domingos era grande devoto de Maria Santíssima. E suas preces subiram até o trono do Altíssimo pelas mãos virginais da Mãe de Deus. Se não foram capazes de mover o coração de Deus, é certo que comoveram o coração maternal de Maria. Após três dias e três noites de oração incessante, quando as forças físicas abandonavam já São Domingos, lhe apareceu a Virgem Maria, manifestando-lhe seu afeto maternal e sua grande predileção.

- Meu querido Domingos - disse-lhe Nossa Senhora com suavidade inefável - sabes de que meio se serviu a Santíssima Trindade para reformar o mundo?

- Senhora - respondeu São Domingos - Vós sabeis melhor do que eu, porque depois de vosso Filho Jesus Cristo, fostes o principal instrumento de nossa salvação.

"Eu te digo, então - continuou Maria Santíssima - que o instrumento mais importante foi a Saudação Angélica, ou Ave-Maria, que é o fundamento do Novo Testamento. E, portanto, se queres ganhar para Deus esses corações endurecidos, reza meu Rosário."

São Domingos saiu dali com novo ânimo e imediatamente se dirigiu à Catedral de Toulouse para fazer uma pregação.

Mal ele transpôs a porta do templo, os sinos começaram repicar, por obra dos anjos, para reunir os habitantes da cidade. Assim que São Domingos começou a falar, nuvens espessas cobriram o céu e uma terrível tempestade com raios e trovões se abateu sobre a cidade. Como se não bastassem os repetidos estampidos que faziam empalidecer todo o mundo, a terra tremeu e o dia escureceu, como se fosse noite.

O pavor do povo aumentou quando uma imagem de Nossa Senhora, situada em local bem visível, levantou os braços três vezes para pedir a Deus vingança contra eles, se não se convertessem e pedissem a proteção de Maria Santíssima.

São Domingos implorou a misericórdia de Deus, e por fim a tempestade parou, permitindo-lhe que falasse com toda a alma sobre as maravilhas do Rosário.

Os habitantes de Toulouse arrependeram-se de seus pecados, abandonaram o erro, e começaram a rezar o Rosário. A mudança nos costumes da cidade foi grande.

A partir de então, São Domingos, em seus sermões, em vez de argumentar contra os erros dos hereges, de atacar os maus costumes e de invocar a justiça de Deus, passou a pregar a devoção ao Rosário, convidando seus ouvintes a rezá-lo diariamente, com fervor, de forma que a misericórdia de Nossa Senhora envolvesse as almas e as transformasse profundamente.

Maria foi a verdadeira vencedora dos erros dos albigenses, por meio do Rosário, trazendo de novo para a fé católica toda aquela gente, salvando assim a França e a Cristandade.

As maravilhas e os milagres obtidos pelo Rosário, encarregaram-se de propagá-lo por toda a parte, tornando-se esta a devoção mais querida dos fiéis cristãos, verdadeiramente devotos de Maria, até hoje.

Ao ser anunciada pela primeira vez a devoção do Rosário, pelos lábios ardorosos de São Domingos, em Toulouse, a natureza manifestou a grandiosidade de suas pompas para estar à altura de tão importante revelação, da qual Maria faz depender a salvação e santificação de seus filhos e filhas prediletos.

E nós?

Hoje, não temos um São Domingos para pregar as excelências do Rosário, nem a terra treme, nem os céus se manifestam. Mas, podemos nós louvar Maria, cantando as maravilhas que Ela operou nas almas, por meio desta devoção, ao mesmo tempo tão simples, tão eficaz e tão agradável a Deus.

Poderá haver prece mais agradável a Deus do que contemplar os mistérios da vida de Jesus Cristo e de Maria Santíssima, rezar as mais excelsas orações compostas pelo próprio Filho de Deus, por sua Mãe Virginal e pelo Espírito Santo?

O Rosário, a devoção mais excelente depois da Missa

A Santíssima Virgem revelou ao Beato Alano de la Roche, da ordem dos dominicanos, que depois do santo Sacrifício da Missa, que é a primeira e mais viva memória da paixão de Jesus Cristo, não havia devoção mais excelente e meritória que o Rosário, que é como uma segunda memória e representação da vida e paixão de Jesus Cristo.

A oração para ser eficaz tem de ser feita com Fé. Quanto mais fé tivermos, mais força e mérito terá nossa oração, e mais glória daremos a Deus. Pois a fé é o fundamento de todas as virtudes cristãs. Por isso devemos começar o Rosário rezando o Credo, ou Símbolo dos Apóstolos.

Para rezar bem, não é preciso fazer orações longas e rebuscadas. Existe oração mais simples e mais sublime do que a Ave-Maria? Ela resume toda a teologia cristã sobre Nossa Senhora. Nela há um louvor e uma invocação. O louvor contém tudo o que faz a grandeza de Maria. A invocação encerra tudo o que devemos pedir a Ela.

A primeira parte da Ave-Maria nos foi revelada pela Santíssima Trindade: ''Ave Maria cheia de graça, o Senhor é contigo''. Santa Isabel, iluminada pelo Espírito Santo, acrescentou a segunda: ''Bendita és tu entre as mulheres, e bendito é o fruto do teu ventre''. E a Igreja, no primeiro concílio de Éfeso, no ano 430, acrescentou a conclusão, depois de ter definido que a Santíssima Virgem é verdadeiramente Mãe de Deus.

A Ave-Maria contém a fé e a esperança dos patriarcas, dos profetas e dos apóstolos. Ela é a constância e a força dos mártires, a ciência dos doutores, a perseverança dos confessores e a vida dos religiosos. Ela é o cântico da lei da graça, a alegria dos anjos e dos homens, o terror e a confusão dos demônios.

A Saudação Angélica é o arco-íris, o sinal da clemência e da graça que Deus concedeu ao mundo.

O valor da Ave-Maria

Conta o Beato Alano, para dar uma noção do valor da Ave-Maria, que uma religiosa muito devota do Rosário, que havia sofrido de uma doença em extremo dolorosa em vida, apareceu depois da morte a uma de suas irmãs e lhe disse: ''Se eu pudesse voltar a meu corpo para dizer somente uma Ave-Maria, ainda que fosse sem muito fervor, para obter o mérito desta oração, sofreria com gosto todas as dores que padeci antes de morrer''.

Relata ainda o Beato Alano, que tendo-lhe aparecido São Domingos lhe contou o que ocorrera, antes de uma pregação, sobre São João Evangelista, na Catedral de Notre Dame, em Paris. O Rosário era sua preparação para os sermões. Estava rezando, numa capela, quando lhe apareceu Nossa Senhora, trazendo um livro, que lhe disse:

- ''Domingos, por melhor que seja o sermão que decidiste pregar, trago aqui outro melhor''.

Muito contente leu o livro inteiro, e como Maria havia dito, compreendeu bem que aquilo era o que convinha pregar. Agradeceu de todo o coração a Maria e se dirigiu ao púlpito para começar a falar. Diante dele estavam os professores e alunos da Universidade de Paris além de grande número de pessoas de importância.

Sobre o Apóstolo São João apenas disse que tinha merecido ser escolhido para guardião da Rainha do Céu, e acrescentou:

''Senhores e mestres ilustres: estais acostumados a escutar sermões elegantes e sábios, porém eu não quero dirigir-vos as doutas palavras da sabedoria humana, mas mostrar-vos o Espírito de Deus e sua virtude''.

E então São Domingos passou a explicar a Ave-Maria como lhe tinha ensinado Nossa Senhora, comovendo assim profundamente todo aquele auditório de sábios.


A oração composta pelo Filho de Deus

Outra oração de que se compõe o Rosário é o Pai-Nosso - composta pelo próprio Filho de Deus. É a oração perfeita. Ela contém todos os nossos deveres para com Deus, os atos de todas as virtudes e a expressão de todas as nossas necessidades espirituais e corporais.

Ao dizer ''Pai-Nosso que estais nos Céus'', fazemos atos de fé, de adoração e de humildade. Desejando que ''seu Nome seja santificado'' , e glorificado, fazemos aparecer um zelo ardente pela glória dEla. Ao Lhe pedirmos a ''posse de seu Reino'', fazemos um ato de esperança. Desejando que ''sua vontade seja feita assim na Terra como no Céu'', mostramos um espírito de perfeita obediência.

Rogando-Lhe ''o pão nosso de cada dia'' praticamos a pobreza de espírito e o desapego dos bens da Terra. Suplicando-Lhe o ''perdão de nossos pecados'' fazemos um ato de contrição. E ''perdoando aqueles que nos ofenderam'' exercemos a misericórdia na sua mais alta perfeição. Pedindo-Lhe o ''socorro nas tentações'' fazemos atos de humildade, de prudência e de força. Esperando que Ele ''nos livre do mal'' praticamos a paciência. E se, ao recitarmos essa Prece não tivermos intenções contrárias ao sentido dessas divinas palavras, estaremos detestando todos os pecados e observando todos os Mandamentos da Lei de Deus.


Os Mistérios do Rosário

Faz parte do Rosário a meditação dos mistérios da vida de Jesus Cristo e de sua Mãe, que nos transportam misticamente para junto de Maria - lembra-nos o Papa João Paulo II, em sua luminosa Carta Rosarium Virginis Maria.

Ela vive com os olhos fixos em Cristo. As recordações de Jesus, estampadas na alma dEla, acompanharam-na em cada circunstância, levando-a a percorrer com o pensamento os vários momentos da sua vida junto com seu Filho. Foram estas recordações que constituíram, de certo modo, o ''rosário'' que Ela mesma recitou constantemente nos dias da sua vida terrena. Na meditação dos mistérios do Rosário - afirma ainda o Papa - os cristãos sintonizam com as recordações e o olhar de Maria. Ela é a nossa mestra na contemplação dos mistérios da vida de Jesus.

Não é pequeno o mérito que alcançamos com a meditação dos Mistérios do Rosário.

''Todas as vezes que os fiéis rezam, em estado de graça, o Santo Rosário, com a meditação dos mistérios da vida e paixão de Jesus Cristo, obtêm plena e completa remissão de seus pecados.'' - revelou um dia Maria Santíssima ao venerável Domingos da ordem dos Cartuxos.

E se alguém tiver a consciência carregada de algum pecado, tome o Rosário, recite uma parte dele, em honra de alguns Mistérios da vida de Jesus Cristo, e fique certo de que, enquanto estiver meditando e honrando tais Mistérios, Ele apresentará suas Chagas sagradas a seu Pai no Céu, intercedendo por quem está rezando e obtendo a contrição e o perdão de seus pecados, afirma São Luís Maria Grignion de Montfort, grande divulgador do Rosário.


Frutos do Rosário

Enquanto a devoção do Rosário foi praticada, a piedade florescia nas Ordens religiosas e no mundo cristão.

Mas 100 anos depois de ter sido divulgada por São Domingos, já tinha caído quase no esquecimento. Como conseqüência se multiplicaram os males sobre a cristandade: a peste negra devastou a Europa, dizimando um terço da população, surgiram novas heresias, a Guerra dos Cem Anos espalhou desordens por toda a parte e o Grande Cisma do Ocidente dividiu a Igreja durante longo período.

Para atalhar o mal, e sobretudo para preparar a Igreja para enfrentar os embates futuros, suscitou Deus o Beato Alano de la Roche, da Ordem Dominicana, para restaurar o antigo fervor pelo Rosário.

Um dia em que ele celebrava Missa, em 1460, perguntou-lhe Nosso Senhor: ''Por que me crucificas tu de novo? São teus pecados que me crucificam. E me crucificas ainda porque sabes que é necessário pregar o Rosário e assim desviar muitas almas do pecado. Se não o fazes és culpado dos pecados que elas cometem'' .

A partir de então o Beato Alano tornou-se um incansável divulgador do Rosário, restabelecendo esta devoção por toda a parte e convertendo grande número de almas.

Conta o Beato Alano, que numa revelação de Nossa Senhora a São Domingos, lhe havia dito Ela:

''Filho meu, não te surpreendas de que não tenham êxito tuas pregações, porque trabalhas em uma terra que não foi regada pela chuva. Quando Deus quis renovar o mundo, enviou antes a chuva da saudação angélica. Incentiva a devoção ao Rosário e recolherás grandes frutos para as almas.''


Os Papas pediram que se rezasse o Rosário

Foi, sobretudo, nos momentos em que a Igreja passou por grandes provações, que o Rosário teve um papel decisivo, fazendo com que os católicos perseverassem na Fé, e levantando uma barreira contra o mal.

Os Papas lhe confiaram as causas mais difíceis. Assim fez São Pio V, ao ver a cristandade ameaçada pelos exércitos do império otomano, que avançavam por mar e por terra devastando tudo e perseguindo os cristãos.

A 17 de setembro de 1569 o Papa pediu que se rezasse o Rosário em toda a Cristandade, pedindo a Nossa Senhora que protegesse a Igreja. Ao mesmo tempo, com o auxílio da Espanha e de Veneza reuniu uma esquadra para defender os países católicos do Mar Mediterrâneo dos ataques muçulmanos.

Dois anos depois, a 7 de outubro de 1571, a esquadra católica, comandada por Dom João de Áustria, encontrou a poderosa esquadra otomana no golfo de Lepanto, na Grécia. E apesar da superioridade numérica do adversário, os católicos saíram vitoriosos, afastando definitivamente o risco de uma invasão.

Antes da batalha, todos os soldados e marinheiros cristãos rezaram o Rosário com grande devoção. A vitória - que parecia quase impossível - deveu-se à proteção de Nossa Senhora do Rosário, que segundo testemunho dado pelos próprios muçulmanos, apareceu durante a batalha, infundindo-lhes grande terror.

Em Roma, o Papa São Pio V teve uma revelação, na mesma hora em que se dava a batalha, anunciando-lhe a vitória da esquadra católica.

Para celebrar tão grande triunfo sobre os adversários da verdadeira fé, São Pio V acrescentou à ladainha de Nossa Senhora a invocação ''Auxílio dos Cristãos'' . E instituiu no dia 7 de outubro a festa de Nossa Senhora das Vitórias, que um Papa posterior mudou para Nossa Senhora do Rosário.

Em muitas outras ocasiões Nossa Senhora interferiu em grandes batalhas, para proteger a Igreja e a Cristandade de seus piores inimigos.

Foi para comemorar a vitória do Príncipe Eugênio de Saboya sobre o exército otomano, em Temevar, na Romênia, devida também à eficácia do Rosário, que o Papa Clemente XI ordenou que a festa de Nossa Senhora do Rosário fosse celebrada universalmente.

Novas provações para a Igreja

A Igreja seria ainda sacudida por muitas tempestades. Para fortalecer seus filhos e prepará-los para suportar as grandes provações futuras, suscitou Deus uma alma de fogo para pregar de novo o Rosário, que mais uma vez tinha caído no esquecimento.

São Luís Maria Grignion de Montfort exerceu sua missão profética, um século antes da Revolução Francesa, que tantas desordens e perseguições à Igreja desencadeou naquele país, e em toda a Europa. As regiões que deram ouvidos à sua pregação foram as que melhor resistiram aos erros de sua época e conservaram a Fé íntegra.


''Rezai o Terço todos os dias para alcançar a paz e o fim da guerra''

Já no século XX, quando a I Guerra Mundial estava em seu auge, Nossa Senhora não suscitou nenhum profeta, ou santo para propagar o Rosário. Veio Ela mesma em pessoa lembrar aos homens que a solução para seus males estava ao alcance das mãos, nas contas do Rosário: ''Rezai o Terço todos os dias para alcançar a paz e o fim da guerra'' , repetiu ela maternalmente aos três pastorinhos, nas seis vezes que apareceu em Fátima.

Na última aparição, em outubro de 1917, a Virgem Maria disse quem era: ''Sou a Senhora do Rosário'' . E para atestar a autenticidade das aparições e a importância do Rosário, um milagre de grandeza nunca vista, foi presenciado pela multidão de 70.000 pessoas presentes no local: o sol girou no céu, ao meio-dia, parecendo precipitar-se sobre a terra, retomando depois sua posição habitual no firmamento.

Milagres dessa magnitude, só no Antigo Testamento encontramos. Mas nem assim o mundo deu ouvidos à Mãe de Deus. E nunca se abateram sobre a Terra tantas desgraças, nunca houve tantas guerras, nunca a desagregação moral chegou tão longe.

Mas o meio de obter a paz para o mundo, para as famílias, para os corações, continua ao alcance de nossas mãos, entre os dedos, nas contas benditas do Rosário, que Maria Santíssima trazia suspenso de seu braço quando apareceu em Fátima.


Divulguemos o Rosário!

Não é possível expressar quanto estima a Santíssima Virgem o Rosário sobre todas as demais devoções e como é generosa em recompensar os que trabalham para divulgá-lo.

Conta São Luís de Montfort o caso de um rei a quem Nossa Senhora protegeu particularmente, pelo simples fato de portar o Rosário à cintura:

Desejando que todos os seus servidores honrassem a Santíssima Virgem com o Santo Rosário e para animá-los com seu exemplo, ocorreu a Afonso IX, Rei de León, portar ostensivamente um grande Rosário, ainda que sem rezá-lo.

O que bastou para incentivar todos os seus cortesãos a rezá-lo devotamente.

Algum tempo depois o rei adoeceu gravemente, ficando às portas da morte. Foi então transportado em espírito ao tribunal de Deus. Viu os demônios que o acusavam de todos os crimes que havia cometido. E quando ia ser condenado às penas eternas, apresentou-se em sua defesa a Santíssima Virgem diante de Jesus.

Trouxeram uma balança onde foram colocados todos os pecados do Rei num dos pratos. A Virgem Maria colocou no outro o grande Rosário que ele portara em honra dEla, juntamente com os Rosários que, devido ao exemplo dele, haviam rezado outras pessoas, e pesavam mais que todos os seus pecados.

Depois, Maria Santíssima, olhando para o Rei com misericórdia disse: ''Consegui de meu Filho, como recompensa pelo pequeno serviço que Me fizeste, levando o Rosário, o prolongamento de tua vida por mais uns anos. Emprega-os bem, e faz penitência.''

O Rei, quando acordou exclamou: ''Oh! Bendito Rosário da Santíssima Virgem, por ele é que fui livre da condenação eterna.'' O Rei recuperou a saúde e passou a rezar o Rosário todos os dias até o fim da vida.

Ainda que vos encontreis à beira do abismo - afirma São Luís de Montfort - ou já com um pé no inferno, ainda que fosses endurecido e obstinado como um demônio, cedo ou tarde, vos convertereis e salvareis, contanto que rezeis devotamente todos os dias o Santo Rosário até a morte, para conhecer a verdade e obter a contrição e o perdão de vossos pecados.

Quando São Domingos pregava o rosário em Carcassone, no sul da França, um herege se dedicou a pôr em ridículo os milagres e os quinze mistérios do Santo Rosário, o que impedia a conversão de muita gente. Deus permitiu, para castigar esse homem, que 15.000 demônios entrassem em seu corpo.

Seus parentes o levaram até junto de São Domingos para que este o livrasse do espírito maligno. O Santo convidou então todos a rezarem com ele o Rosário, em voz alta. A cada Ave-Maria, a Santíssima Virgem fazia sair cem demônios do corpo do homem sob a forma de carvões acesos. Depois de curado, abandonou o erro e voltou ao seio da Igreja, juntamente com muitos outros companheiros, admirados com a virtude do Rosário.

Educados pelo Rosário

''O Rosário transporta-nos misticamente para junto de Maria (...) para que Ela nos eduque e nos plasme até que Cristo esteja formado em nós plenamente'' - ensina o Papa. E acrescenta ainda João Paulo II: ''Nunca, como no Rosário o caminho de Cristo e o de Maria aparecem unidos tão profundamente. Maria só vive em Cristo e em função de Cristo.''

Não admira, pois, que esta oração seja tão agradável a Jesus, que apareceu um dia a Santa Gertrudes contando moedas de ouro. Ela teve curiosidade de perguntar-lhe o que contava. ''Conto, respondeu Jesus Cristo, tuas Ave-Marias: é a moeda com que se compra meu paraíso.''

Nunca deixemos de rezar o Rosário, seja por termos muitas distrações involuntárias, falta de gosto em rezá-lo, ou muito cansaço. Para rezar bem o Rosário não é necessário gosto, consolação, nem aplicação contínua da imaginação. Bastam a fé pura e a boa intenção: Sola fides sufficit (Hb 11,6).

Quantos benefícios podemos alcançar pela recitação do Rosário!

Eleva-nos ao conhecimento perfeito de Jesus Cristo;

Purifica nossas almas do pecado;

Faz-nos vitoriosos contra todos os nossos inimigos;

Torna-nos fácil a prática das virtudes;

Abrasa-nos no amor de Jesus Cristo;

Enriquece-nos de graças e de méritos;

Fornece-nos com o que pagar todas as nossas dívidas com Deus e com os homens.

Palavras do Papa

Para concluir, recordemos as inspiradas palavras de S.S. João Paulo II na Carta Apostólica Rosarium Virginis Mariae:

''O Rosário acompanhou-me nos momentos de alegria e nas provações. A ele confiei tantas preocupações; nele encontrei sempre conforto. O Rosário é minha oração predileta. Oração maravilhosa!''

''Ó Rosário bendito de Maria, doce cadeia que nos prende a Deus, vínculo de amor que nos une aos Anjos, torre de salvação contra os assaltos do inferno, porto seguro no naufrágio geral!''

''Não te deixaremos nunca mais!''

''Serás o nosso conforto na hora da agonia. Seja para ti o último ósculo da vida que se apaga. E a última palavra dos nossos lábios há de ser o vosso nome suave, ó Rainha do Rosário, ó nossa Mãe querida, ó Refúgio dos pecadores, ó soberana consoladora dos tristes. Sede bendita em todo o lado, hoje e sempre, na terra e no Céu. Amém.''

Fonte: fatima.org.br

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