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sábado, 15 de outubro de 2016

15 de Outubro - Santa Teresa de Ávila

Imagem de Santa Teresa de Ávila
Venerada na Igreja da V.O.T. do Carmo
Campos dos Goytacazes - RJ

Teresa de Cepeda y Ahumada nasceu no dia 28 de março de 1515, em uma nobre família de Ávila, na Espanha, filha de Alonso Sánchez de Cepeda e Beatriz de Ahumada.

Aos 20 anos, decidiu-se pela vida religiosa, apesar da resistência de seu pai. Em sua biografia, diz que ela saiu de sua casa em uma manhã para entrar no mosteiro carmelita da Encarnação. Lá, viveu por 27 anos, com uma grande comunidade religiosa composta por cerca de 180 freiras, suportando e superando uma grave doença, que marcou sua vida.

Por volta dos 40 anos, Teresa sentiu o chamado que ficou conhecido como “experiência mística”, o que mudou o curso de sua vida. Aos 47 anos, começou uma terceira fase, empreendendo sua tarefa de fundadora andarilha.

As carmelitas, como a maioria das religiosas, tinham decaído muito do primeiro ardor no começo do século XVI. As religiosas podiam sair da clausura com o menor pretexto, de sorte que o convento se converteu no lugar ideal para quem desejava uma vida fácil e sem problemas. As comunidades eram extremamente numerosas, o que era causa e efeito do relaxamento. Por exemplo, no convento de Ávila havia 140 religiosas.

Santa Teresa empreendeu o desafio de levar a cabo a iluminada ideia de fundar uma comunidade mais reduzida e reformada. A Santa estabeleceu a mais estrita clausura e o silêncio quase perpétuo. O convento carecia de rendas e reinava nele a maior pobreza; as religiosas vestiam hábitos rudimentares, usavam sandálias em vez de sapatos (por isso foram chamadas descalças) e eram obrigadas à perpétua abstinência de carne.

Santa Teresa não admitiu no princípio mais do que 13 religiosas, mas logo aceitou que houvesse 21. Em 1567, o superior geral dos carmelitas, João Batista Loiro (Rossi), visitou o convento de Ávila e ficou muito satisfeito com o trabalho realizado ali pela santa. Assim, concedeu a esta plenos poderes para fundar outros conventos do mesmo tipo e até a autorizou fundar dois conventos de frades reformados (carmelitas contemplativos).

Caracterizada por sua simplicidade, prudência, amabilidade e caridade, Santa Teresa tinha uma profunda vida de oração e, em obediência a seu confessor, porque ela não era uma pessoa culta e se expressava com um castelhano singelo, escreveu suas visões e experiências espirituais. Essas obras são agora um grande presente para a Igreja.

Os escritos de Santa Teresa sublinham, sobretudo, o espírito de oração, a maneira de praticá-lo e os frutos que produz. Como a santa escreveu precisamente na época em que estava dedicada à difícil tarefa de fundar conventos de carmelitas reformadas, suas obras, prescindindo de seu conteúdo e natureza, dão testemunho de seu vigor, laboriosidade e capacidade de recolhimento.

Escreveu o “Caminho de Perfeição” para dirigir a suas religiosas e o livro das “Fundações” para animá-las e as edificar. Quanto ao “Castelo Interior”, pode-se considerar que escreveu para a instrução de todos os cristãos.

Santa Teresa morreu nos braços da Beata Ana, em Alba de Tormes no dia 4 de outubro de 1582, pronunciando as palavras: “Sou filha da Igreja”. Sua canonização se realizou em 1622. Foi proclamada Doutora da Igreja em 27 de setembro de 1970 pelo Papa Paulo VI.

Mais Artigos Sobre a Santa Madre Teresa


Estudo das obras menores De Santa Teresa de Jesus -apostila

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

12 de Outubro - A Senhora "Aparecida" - por D. Fernando Arêas Rifan



Dom Fernando Arêas Rifan*

Hoje celebramos a Padroeira do Brasil. Em suas caravelas, ornadas com a Cruz da Ordem de Cristo, os portugueses trouxeram-nos a devoção à Mãe de Jesus: Pedro Álvares Cabral, em sua nau capitânia, transportava a imagem de Nossa Senhora da Esperança. 


Mas a devoção a Nossa Senhora Aparecida começou em 1717, quando, por ocasião da visita do Conde de Assumar à cidade de Guaratinguetá, SP, foi pedido aos pescadores locais peixes para o banquete do nobre visitante. Três pescadores, amigos entre si, João Alves, Domingos Garcia e Filipe Pedroso, tentavam e não conseguiam os peixes que necessitavam, quando apanharam em suas redes uma pequena imagem truncada de Nossa Senhora da Conceição e a seguir, num lance de rede sucessivo, a cabeça da mesma imagem, conseguindo, num terceiro lance, imensa quantidade de peixes. A esse milagre sucederam muitos outros. A imagem foi chamada de “Aparecida” e colocada numa pequena capela que, com o tempo, tornou-se o monumental Santuário Nacional, maior centro de peregrinação do país.


É óbvio que ali houve algo sobrenatural. Pois, como explicar que uma simples imagem, quebrada, sem uma intervenção divina e uma bênção especial da Mãe de Jesus, pudesse atrair milhões de pessoas em oração fervorosa, ininterruptamente, há quase três séculos?


Em 1904, Nossa Senhora Aparecida, foi coroada Rainha do Brasil. No Congresso Mariano de 1929, quando se comemorou o Jubileu de Prata dessa Coroação, os bispos do Brasil decidiram enviar um pedido ao Papa para que declarasse Nossa SenhoraAparecida Padroeira de toda a nação brasileira. Este pedido tornou-se realidade através do Decreto do Papa Pio XI, de 16 de julho de 1930, no qual diz: “... Na plenitude de nosso Poder Apostólico, pelo teor da presente Carta, constituímos e declaramos a Beatíssima Virgem Maria concebida sem mancha, conhecida sob o título de Aparecida, Padroeira principal de todo o Brasil junto de Deus... concedendo isso para promover o bem espiritual dos fiéis no Brasil e para aumentar, cada vez mais, sua devoção à Imaculada Mãe de Deus...”.


A proclamação oficial se realizou numa grande manifestação popular de um milhão de pessoas, no Rio de Janeiro, então capital federal, com o reconhecimento oficial do Governo do país, pela presença do seu Presidente, Dr. Getúlio Dornelles Vargas, e de outras autoridades civis, militares e eclesiásticas. Era o Brasil reconhecendo oficialmente sua padroeira. 


Que o Brasil, que nasceu católico desde a sua descoberta, cujo primeiro monumento foi um altar e uma cruz, que teve como primeira cerimônia uma Missa, que tem essa Senhora Padroeira, mostre-se digno de tais origens e de tal Patrona, em suas instituições, suas leis, seus governantes, sua política, seus legisladores, sua população e seu modo de viver, na verdadeira justiça e caridade, na ordem e no verdadeiro progresso, na harmonia e no bem comum, na lei de Deus e na coerência com os princípios da fé cristã, base da nossa identidade pátria e princípio de toda a convivência honesta, solidária e pacífica.



*Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney

Bem Aventurados os Pobres - Por D.Fernando Arêas Rifan - Adapostólica.



                                                                    Dom Fernando Arêas Rifan*

No Brasil, celebra-se hoje (05 de Outubro) a festa de São Benedito, o Preto. Nascido na Sicília, Itália, por volta do ano 1526, filho de negros que haviam sido escravos ou que descendiam de outros que o tinham sido, ingressou num convento franciscano de Palermo, capital da Sicília. Foi um religioso exemplar, primando pelo espírito de oração, pela humildade e pela obediência. Embora simples irmão leigo e analfabeto, a sabedoria e o discernimento que possuía fizeram com que fosse nomeado mestre de noviços e mais tarde fosse eleito superior do convento. 

Atendia a consultas de muitas pessoas que o procuravam para pedir conselhos e orientação segura. Foi favorecido por Deus com o dom dos milagres. Tendo concluído seu período como superior, retornou com humildade e naturalidade para a cozinha do convento, reassumindo com alegria as funções modestas que antes desempenhara. E assim, na mais sublime indiferença pela sua própria pessoa, faleceu com fama de santidade, para receber de Deus a recompensa prometida aos humildes e pobres de coração. 

Que São Benedito nos ensine a humildade e a pobreza do coração, isto é, o desapego do egoísmo e das riquezas deste mundo, quer as tenhamos ou não. E que ele nos ajude a vencer o racismo, a discriminação das pessoas pela cor da sua pele ou da sua etnia, reconhecendo sempre em todas as pessoas nossos irmãos, dignos de nosso apreço e respeito. 

Numa época em que o apego desordenado às riquezas se espalhava e contaminava a espiritualidade cristã na Idade Média, Deus suscitou Francisco de Assis, que festejamos ontem. Ele é o santo da pobreza e simplicidade evangélicas e, como o desapego de si mesmo e de todas as coisas, chegou a ser imagem viva do Crucificado.

Este grande santo, admirado por todos, até pelos não cristãos, não nasceu santo, pois até aos 25 anos viveu como os outros jovens, amigo de festas e esbanjador. Mas Deus mudou o seu coração. Seguindo a radicalidade do Evangelho, própria dos santos, Francisco renunciou à rica herança paterna e decidiu viver sem nada. 

Quando rezava um dia, ouviu de Jesus Crucificado essa mensagem: “Francisco, vai e repara a minha igreja”. Ele pensava tratar-se da igreja de São Damião, em Assis. Mas a sua vocação era mais universal. Deserdado pelo pai, rico comerciante, e expulso de casa, começou a cuidar dos leprosos, frequentava suas cabanas e levava-lhes esmolas, beijando sempre essas mãos repelentes. Fundou a Ordem dos Frades Menores, uma das maiores da Igreja, e, com Santa Clara de Assis, o ramo feminino da mesma Ordem, as irmãs Clarissas.


Esses santos, São Benedito e São Francisco de Assis, vêm nos ensinar o espírito de pobreza e a humildade, virtudes básicas do cristianismo. Não são virtudes fáceis, pois contrariam o nosso egoísmo e nosso apego aos bens materiais. Não são para os fracos, mas para os heróis, como deve ser todo cristão, a exemplo de Jesus Cristo: “Se alguém quer vir após mim, renuncie a si mesmo, tome sua cruz e siga-me” (Mt 16, 24).

*Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney


O Direito de Nascer, por D. Fernando Arêas Rifan - Adapostólica.


                                
                   
        

Dom Fernando Arêas Rifan*

Por determinação da 43ª Assembleia Geral dos Bispos do Brasil, em 2005, celebra-se, em todo o Brasil, de 1 a 7 de outubro, a Semana Nacional da Vida e no dia 8 de outubro o Dia do Nascituro, ou seja, o Dia pelo direito de nascer. “A Semana Nacional da Vida e o Dia do Nascituro são ocasiões para que toda a Igreja continue afirmando sua posição favorável à vida desde o seio materno até o seu fim natural, bem como a dignidade da mulher e a proteção das crianças” (Dom Leonardo Ulrich Steiner, secretário geral da CNBB). 

Uma data esquecida, mas que vale a pena recordar.Nascituro, o que está para nascer, é o que todos fomos um dia, no útero de nossa mãe, onde teve início nossa existência, graças a Deus.


Foi escolhido o dia 8 de outubro, por ser próximo ao dia em que se celebra a Padroeira do Brasil (12 de outubro), cujo título, ao evocar a concepção, lembra o fruto correspondente: Nossa Senhora da Conceição Aparecida, Mãe de Deus que se fez homem, Jesus Cristo, nascituro em seu seio, que faz João Batista exultar de alegria no ventre de Isabel (Lc 1,39-45).


A propósito, diante da atual banalização da vida e de opiniões favoráveis ao aborto, defendido por inúmeras pessoas influentes, é importante lembrar que a Igreja compreende as situações difíceis que levam mães a abortar, mas, por uma questão de princípios, defende com firmeza a vida do nascituro, como bem nos ensina 

S. João Paulo II na Carta Encíclica "Evangelium Vitae" (Sobre Valor e a Inviolabilidade da Vida Humana):

 É verdade que, muitas vezes, a opção de abortar reveste para a mãe um caráter dramático e doloroso: a decisão de se desfazer do fruto concebido não é tomada por razões puramente egoístas ou de comodidade, mas porque se quereriam salvaguardar alguns bens importantes como a própria saúde ou um nível de vida digno para os outros membros da família. 

Às vezes, temem-se para o nascituro condições de existência tais que levam a pensar que seria melhor para ele não nascer. Mas essas e outras razões semelhantes, por mais graves e dramáticas que sejam, nunca podem justificar a supressão deliberada de um ser humano inocente” (n. 58). 

E, usando da prerrogativa da infalibilidade, o Papa define: “Com a autoridade que Cristo conferiu a Pedro e aos seus sucessores, em comunhão com os Bispos – que de várias e repetidas formas condenaram o aborto e que... apesar de dispersos pelo mundo, afirmaram unânime consenso sobre esta doutrina - declaro que o aborto direto, isto é, querido como fim ou como meio, constitui sempre uma desordem moral grave, enquanto morte deliberada de um ser humano inocente. Tal doutrina está fundada sobre a lei natural e sobre a Palavra de Deus escrita, é transmitida pela tradição da Igreja e ensinada pelo Magistério ordinário e universal” (n. 62).


Agradeçamos ao Criador pelo dom da vida que nos deu, e renovemos o nossocompromisso de lutar pela vida daqueles que, como nós fomos também, ainda não têm voz, mas que são chamados a um dia agradecerem a Deus por tão grande dom. Lutemos pela vida, contra o aborto.

*Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney

Oração pelos Nascituros



Nós vos louvamos, Senhor, Deus da Vida, Bendito sejais, porque nos criastes por amor.Vossas mãos nos modelaram desde o ventre materno. Nós vos agradecemos pelos nossos pais, famílias e todas as pessoas que cuidam da vida humana desde o seu início até o fim.

Em Vós somos, vivemos e existimos.Abençoai todos e todas que zelam pela vida humana e a promovem.

Abençoai as gestantes e todos os profissionais da saúde. Daí às pessoas e às famílias o pão de cada dia, a luz da fé e do amor fraterno.

Nossa Senhora Aparecida, intercedei por nossos nascituros, nossas crianças, nossos jovens,  nossos adultos e nossos idosos, para que tenham vida plena em Jesus,  que ofereceu sua vida em favor de todos.
Amém.

sábado, 8 de outubro de 2016

Nossa Senhora do Rosário


Nossa Senhora do Rosário 


“Eis a escrava do Senhor”
“Fazei tudo o que Ele vos disser”
“Per Mariam ad Jesum”


I- “Eis a Escrava do Senhor”, respondeu ela ao Anjo da Anunciação para proclamar a sua total disponibilidade nas mãos de Deus. Assim, de forma rápida e clara, pôs-se ela, de forma voluntária, na mesma situação em que ficavam, de forma forçada, aquelas cativas ou aqueles cativos de guerra, em total dependência dos captores, sem outra vontade que não fosse a vontade do dominador, sem outra actividade que não fosse a ordenada pelo patrão, sem outro modo de vida que não fosse o indicado pelo proprietário, sem outro lugar senão aquele que o proprietário indicasse. Enfim, eram gente-objecto que se comprava ou vendia no mercado como qualquer animal ou instrumento de lucro; que, inclusivamente, se matava quando pela idade ou doença deixasse de ser instrumento de lucro.

De forma voluntário pôs-se a Virgem Maria sob a exclusiva vontade de Deus como, de outra forma o declarou: “Faça-se em mim segundo a Sua vontade”. E a mesma disponibilidade pede ela a todos nós ao recomendar aos serventes de mesa nas Bodas de Cana: fazei tudo o que Ele vos disser.


II-“Sou a Senhora do Rosário”. Ao proclamar-se tal, quis indicar o mesmo que dissera ao proclamar-se “Escrava do Senhor”; quis repetir que a sua função é fazer a vontade do seu Senhor e incutir em cada ser humano a mesma total disponibilidade nas mãos de Deus; levar cada crente a rezar o Rosário.


E o que é o Rosário? O que é o Rosário senão a meditação das diversas fases da vida de Jesus desde o anúncio do seu próximo nascimento anunciado na terra pelo Arcanjo, até à sua morte, ressurreição e ascenção ao Céu? Em cada mistério do Rosário meditamos uma etapa da vida de Cristo. Enquanto a boca vai expressando o desejo de que “seja feita a vontade de Deus assim na terra como no céu”, vai pedindo que o “pão nosso de cada dia nos dê hoje”, vai suplicando que nos conceda “o perdão das nossas ofensas”, vai louvando aquela a quem Deus, pelo anjo, declarou “cheia graça” em atenção ao “bendito fruto do seu ventre Jesus”,enquanto isso, a mente vai recordando cada uma das passagens da vida de Jesus; vai recordando “tudo o que Jesus e Maria viveram e sofreram para nos resgatarem do pecado e nos assegurarem a salvação eterna”

Na verdade, nos mistérios gozosos recordamos e meditamos as cenas da infância de Jesus desde a anuciação do anjo e sua gestação por obra do E. Santo no seio de Maria;acompanhámo-lo, no ventre de Maria, na visita que fez a sua parente Isabel em cujo seio João Baptista, ainda no sexto mês de gestação , saltou de alegria; cantamos com os anjos o seunascimento na gruta de Belém; acompanhámo-lo até à sua apresentação no templo nos braços de sua Mãe e admiramos a sua sabedoria ao encontrá-lo no templo, criança ainda, a discutir com os doutores da Lei. Assim vamos recordando a infância de Jesus.


Nos mistérios da Luz que se seguem, admirámo-lo na sua vida pública desde a cena do seu Baptismo no Rio Jordão onde o Pai O apresenta como seu Filho querido e o E. Santo desce sobre Ele em forma de pomba; vemo-lo nas Bodas de Canã a manifestar o seu poder divino transformando a água em vinho a pedido de sua mãe; escutámo-lo na sua pregaçãodurante três anos pelas ruas da Palestina, apelando para a conversão e salvação das gentes;extasiámo-nos contemplando a sua transfiguração no Monte Tabor onde novamente nos fala o Pai e nos aparecem os profetas David e Elias que séculos antes haviam anunciado a sua vinda; e ao concluir os mistérios da luz, pasmamos quando, na ceia da despedida, consagra o pão e o vinho tornando-se aí presente com seu corpo, sangue, alma e divindade e deixando-nos o poder de fazermos o mesmo para, como Divino e Humano, poder ficar connosco neste vale de lágrimas que é a Terra. E não só ficar connosco mas ficar em nós: “comei, é o meu corpo; bebei, é o meu sangue”. Ò admirável mistério do amor de Deus! Admirável mistério!!!


Nos mistérios dolorosos, vemos, compungidos, quanto a nossa salvação lhe custou, a começar pela antevisão do terrível martírio por que ia passar causando-lhe uma agonia aterradora no Jardim das Oliveiras a ponto de o fazer transpirar suor de sangue; pasmamos, logo a seguir , como um dos seus discípulos o atraiçoou entregando-o aos inimigos e como estes logo parodiaram um julgamento, o condenaram à frequente pena da flagelação, o ridicularizaram coroando-o de duros espinhos, e depois à morte ignominiosa da Crucifixão,com a agravante de ser ele a ter de transportar a sua cruz. 


Nos mistérios gloriosos exultamos de alegria verificando como, afinal, Jesus venceu a morte, venceu o pecado e venceu os inimigos. Ele ressuscitou. Ressuscitou; coisa que os inimigos logo aceitaram acreditando imediatamente no testemunho dos sentinelas do sepulcro a quem conseguiram subornar com apetecível conta, e coisa que aos discípulos tanto custou a reconhecer. Mas para que não restassem dúvidas, Ele conviveu, comeu, percorreu caminhos com os Discípulos durante 40 dias. A ressurreição tinha de ficar bem clara, bem constatada. E assim foi.


Foi depois a ascenção ao Céu. Cristo, veio do Céu e ao Céu voltou. Do Céu, veio enquanto Deus e na ascenção subiu enquanto Deus e enquanto homem. Mas esta subida não correspondeu a qualquer abandono. Cristo havia dito que seria bom para os discípulos que Ele fosse porque, após sua ida, Ele e o Pai enviariam o E. Santo que lhes ensinaria todas as coisas. Assim aconteceu. É isso que nós contemplamos no 3º mistério glorioso: a vinda do E. Santo sobre N. Senhora e os Apóstolos. E os dois últimos mistérios nos recordam que Jesus não deixa sem recompensa a quem O serve generosamente. É isso o que eles nos querem dizer ao lembrar-nos que a Virgem Maria foi elevada ao Céu em corpo e alma (A Assunção) e aí foi coroada como Rainha dos anjos e dos homens.


Eis a função do Rosário: meditar a Vida de Cristo para agradecermos quanto fez por nós epedir a graça de sermos fiéis ao que Ele espera de nós. Eis a missão de N. Senhora do Rosário: levar-nos a Cristo. A Virgem Maria não é meta onde tudo acaba mas ponto de arranque onde tudo começa. Por outras palavras, Nossa Senhora é ponte. Ponte por Deus construída para que Jesus viesse até nós e ponte que Deus nos oferece para que nós vamos até Ele. É ponte de ligação entre partes que antes estavam separadas; inacessíveis: a Terra e o Céu; o homem e Deus. Ou, se quiserem, N. Senhora é escada por onde Cristo desceu à Terra e por onde nós subiremos para o Céu. Ou ainda, N. Senhora é farol a indicar a pista de aterragem segura ao avião ou a indicar a rota que o barco deve seguir para não encalhar e chegar ao porto seguro. O farol não atrai para si; indica caminho a seguir; a ponte é feita para irmos além e não ficarmos nela; e a escada é feita para subirmos e não para ficarmos a contemplá-la. 


Ponte, escada, farol. Se não usarmos a ponte, não atravessaremos o precipício que nos separa da meta; se não utilizarmos a escada não subiremos ao Céu; se não obedecermos à indicação do farol despenhar-nos-emos em qualquer montanha ou encalharemos nos baixios ou rochedos do mar. Nunca chegará á meta quem rejeitar a ponte ou a escada ou o farol.


Tal como o Verbo de Deus quis precisar de Maria para descer até nós, assim quer aproveitar de Sua Mãe para irmos seguramente até Ele. Mas também não chegará à meta quem não for até ao fim da ponte, quem não subir a escada até ao cimo, quem interromper a orientação do farol. Não quer N. Senhora que paremos nela como muitos fazem. Não falta quem diga: “Nossa Senhora me basta”. Não falta quem vá a Fátima, até com bastante sacrifício, já pela distância, já pelo modo como aí vai (de pé, de joelhos, a pão e água ou até sem água nem pão, etc), mas não vai à Missa ao domingo apesar do local ser de fácil acesso e onde Cristo vem oferecer-se a nós, com seu Corpo, Sangue, Alma e Divindade, sem falhar. É esse engano que N. Senhora quis desfazer, quer na sua vida terrena quer depois da subida aos céus em todas as suas aparições. Antes como depois, nos ensinou ser ela caminho para ir a Jesus e não obstáculo para a Ele chegar. “Por Maria até Jesus” diziam os antigos Padres da Igreja.


Ainda na Terra nos foi dizendo por palavras e por obras que é a vontade de Deus que deve contar na nossa vida: “faça-se em mim segundo a sua vontade”; “fazei tudo o que Ele vos disser, “que seja feita a Sua vontade assim na terra como no céu” respondeu ela ao anjo, aconselhou ela os serventes e rezou ela diariamente; que é de Deus que tudo recebemos e a quem devemos tudo agradecer: “a minha alma engrandece ao Senhor porque Ele fez em mim maravilhas; a Sua misericórdia se estende de geração em geração sobre aqueles que o temem; derrubou os orgulhosos de seus tronos e exaltou os humildes.

Fazer a vontade de Deus até ao fim da vida, nas boas e nas más horas; na doença e na saúde; na tristeza e na alegria. Sempre. Como Ela. Ela acompanhou Jesus até ao Calvário,“Ela permaneceu junto à cruz”, Ela recebeu Jesus no seu regaço, ao ser descido da cruz ; Ela acompanhou-o ao sepulcro que José de Arimateia prodigalizou. Quanta dor!, quanta angústia!, quanta apreensão!! Mas sempre com Jesus. Sempre! Sempre!!

Enfim, na terra viveu para Jesus, recomendou a que obedecessem a Jesus; que agradecessem a Jesus; que perseverassem com Jesus: fiat, magnificat, stabat.

Uma vez no Céu, parece ter aumentado a sua preocupação de nos atrair para Jesus, ou seja, de levar-nos para o Céu. As muitas aparições na terra não tiveram senão esse fim. Absolutamente todas elas. Tudo para levar a Jesus, indicar o caminho que leva a Jesus e anunciar os perigos provenientes do abandono de Jesus. Basta lembrar as mensagens de Fátima. Ela remata a série de aparições, a 6ª , exactamente naquela em que se designouSenhora do Rosário, com um repetido e veemente 


l: “Pede à Mãe que o Filho atende”.


. Vamos, pois a Maria, N. S. do Rosário, na certeza de que, por ela, chegaremos a Jesus, ao Céu, à salvação.

-Senhora do Rosário, Rogai por nós. Rogai por nós que repedido: “não ofendam mais a N. Senhor que já está muito ofendido” (6ª ap.).

E às inocentes crianças e, através delas, a todos nós, Ela continua a pedir que desagravemos o Coração de Jesus: aceitai os sofrimentos da vida “em acto de reparação pelos pecados com que Deus é ofendido (1ª ap); para que Deus seja amado; sacrificai-vos por amor a Jesus; não ofendam mais a Deus que já está muito ofendido( 6ª ap.) E se N. Senhora alguma coisa pede para ela, é porque essa é a vontade de Deus: “Jesus quer estabelecer no mundo a devoção ao meu Imaculado Coração”(2ª ap.) Ele quer que o Imaculado Coração de Maria seja desagravado dos pecados cometidos contra Ele (3ªap.).

Enfim, tanto na terra como no céu a preocupação única de Maria foi e é levar-nos para Jesus. Foi e é a sua preocupação confirmar os dizeres bíblicos sobre a função salvadora de Jesus. É que é em Jesus, e só em Jesus, que está a salvação. Por isso é que o anjo indicou a José que desse ao Filho de Maria e do E. Santo o nome de Jesus, que quer dizer, “Salvador,porque salvará o seu povo” (Mt.1,21); por isso, o mesmo anjo anunciou aos Pastores que “na cidade de David nascera o Salvador que é Cristo, o Senhor” (cf. Lc. 2,11); por isso cantou Zacarias que o “Senhor visitou e redimiu (salvou) o seu povo”(Lc. 1,69) e por isso os habitantes de Samaria puderam dizer à sua conterrânea que já não era pelo que ela lhes dissera mas “porque nós mesmos o vimos e ouvimos, «sabemos que este é verdadeiramente o Cristo, o Salvador do mundo”» (Jo. 4,42); Aquele “ Em nenhum outro há salvação” (Act. 4,12); O “Cristo que veio ao mundo para salvar os pecadores” (1Tim.1,15)


Para Jesus é que ela nos aponta e guia. Mas também é certo o ditado de que “quem meus filhos beija, mina boca adoça”; e o outro: “quem honra meus pais, meu coração alegra”. É assim. Nada se faz aos filhos, de bom ou de mau, que não faça vibrar o coração dos pais e nada se faz aos pais que não faça eco no coração dos filhos. Em famílias unidas, assim é.


Vamos, pois a N. Senhora que Ela nos levará a seu Filho ou vamos ao Filho e faremos vibrar o coração da Mãe. 


Por isso gostei muito do letreiro que li à entrada do enorme recinto do Santuário de N. Senhora Aparecida no Estado de S. Paulo, no Bracorremos a vós. Rogai também por aqueles filhos (as) desta terra que mourejam por esse mundo além ou que, por qualquer motivo sério não puderam estar hoje aqui; rogai pela nossa Pátria, a antiga e justamente proclamada “Terra de Santa Maria”, mas hoje tão desorientada, tão de costas para vós e vosso Filho, onde, por isso, se aprovam leis aberrantes de extermínio de inocentes, de anti-natureza no homosexoalismo, da prática, ainda não aprovada mas já executada, da eutanásia, da destruição de famílias por dá cá aquela palha), rogai pelos nossos governantes para que saibam que estão para servir e não para servir-se; rogai pela hierarquia da Igreja para que tenha sempre a coragem de denunciar o abuso de todas as ordens (políticos, sociais, morais, económicos, etc.)– Rogai por nós, Senhora, Mãe, que recorremos a vós. AMEM.

Igreja Matriz de Gondomar/S. Cosme e Damião


02 de Outubro de 2011

+Abílio Ribas, Bispo Emérito de São Tomé e Príncipe
fonte:http://www.saocosme.com/

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