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sexta-feira, 23 de junho de 2017

Festa do Sacrado Coração de Jesus



"Meu Coração está repleto de grande misericórdia para com as almas, e especialmente para com os pobres pecadores... por eles jorrou do meu Coração o sangue e a água como de uma fonte transbordante de misericórdia” (Diário, Santa Faustina, 367). De acordo com os Papas dos últimos cem anos, não existe devoção mais importante para a vida da Igreja que a devoção ao Coração de Jesus. 

Não precisamos insistir no assunto. É suficiente dizer que há mais de um século os sucessores de são Pedro tem repetidamente exortado os fiéis a honrar o Coração de Jesus e a praticar essa devoção com amor e zelo (é só pensar que é o Papa reinante que faz as intenções gerais e missionárias mensais de cada ano para o Oferecimento diário). Os Papas têm boa razão para essa recomendação, visto que a devoção ao Coração de Jesus tem uma linhagem impressionante. Está enraizada nos Evangelhos, no apelo de Nosso Senhor: “Vinde a mim todos os que estais cansados sob o peso do vosso fardo e eu vos darei descanso. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para as vossas almas” (Mt 11, 18-189). E novamente Nosso Senhor exclamou na festa das Tendas: “Se alguém tem sede, venha a mim e beba... como diz a Escritura: de seu seio jorrarão rios de água viva” (Jo 7, 37-38). No Coração de Jesus, portanto, podemos encontrar descanso para a fadiga e refrigério para a sede de nossa alma. Tudo isso se tornou manifesto na Cruz, quando o seu lado foi aberto pela lança e do seu Coração jorraram torrentes de água e sangue (cf. Jo 19, 34), que simbolizam todas as graças dos sacramentos, especialmente do Batismo e da Eucaristia.

E a Divina Misericórdia? Diz S.
 João Paulo II: “Em Cristo e por Cristo... se torna especialmente visível a Sua misericórdia. Não somente fala dela e a explica pelo uso de comparações e parábolas, mas acima de tudo Ele mesmo a encarna e a personifica. Ele mesmo, em certo sentido, é misericórdia” (Carta Encíclica Dives in misericórdia, 2). E santa Faustina Kowalska o reafirma: “Fostes levados pela misericórdia, e Vós mesmo Vos dignastes descer até nós e nos levantar de nossa miséria... assim se realiza o inconcebível milagre da Vossa misericórdia, Senhor. O Verbo se fez carne: Deus habitou entre nós, o Verbo de Deus – a Misericórdia encarnada” (Diário, 1745). Sem dúvida, para santa Faustina, o centro de sua vida, seu primeiro amor, era o misericordioso Coração de Jesus. Sua devoção era o Sagrado Coração, mas focalizada no misericordioso amor que flui para nós do seu Coração.

Da mesma forma que na devoção tradicional ao Sagrado Coração de Jesus, como a santa Margarida Maria Alacoque, Nosso Senhor forneceu a santa Faustina novas formas com que seu misericordioso Coração devia ser honrado, e novos vasos para uma renovada efusão da Sua graça: a imagem da Divina Misericórdia, novas orações, tais como o Terço da Divina Misericórdia e as orações para a Hora da Misericórdia das 15 horas (3 horas da trade)(,,,)

E agora, tudo isto conduz a uma pergunta óbvia: qual a relação apropriada entre essas duas devoções, essa duas correntes de espiritualidade do Coração dentro da Igreja? O fato é que o Sagrado Coração e a Divina Misericórdia são inseparáveis, pois o Sagrado Coração transborda de amor misericordioso para conosco. Jesus tem apenas um Coração. Seu Sagrado Coração é o seu Misericordioso Coração. O Sagrado Coração de Jesus é todo amor, mas a forma que esse amor assume quando alcança os seres humanos é o amor misericordioso. Porque a misericórdia é o amor compassivo; a misericórdia é o amor que procura superar e aliviar todas as misérias dos outros. A Divina Misericórdia, portanto, é a forma que o amor de Nosso Senhor para conosco assume quando se defronta com a nossa necessidade e a nossa miséria. Qualquer que seja o nome da nossa miséria – pecado, culpa, sofrimento, morte – o Coração de Jesus está sempre pronto a derramar o seu amor misericordioso e compassivo para conosco, a ajudar-nos na necessidade.

Quaisquer que sejam as orações e as devoções que alguém possa escolher para santificar cada dia, o importante a lembrar é que o Nosso Senhor não olha o número ou a magnitude das devoções que praticamos, mas a fé e o amor com que as oferecemos. Pelos atos de piedade, é apenas isso que traz deleite ao Misericordioso Coração de Jesus. Além disso, tais práticas piedosas são meios. Elas têm por fim alimentar e formar em nós, pela graça de Deus, não apenas devoções e devocionismo, mas a verdadeira devoção: o verdadeiro amor a Deus, conhecer o Seu amor para conosco tão profundamente, pessoalmente e intimamente que penetremos nesse Coração como numa fonte e oceano de Misericórdia, uma fornalha ardente de amor e luz.

“Encerro-me no Vosso Coração compassivo, que é um mar de misericórdia insondável” (Santa Faustina Kowalska).



Pe. Pedro Alberto Kunrath

Pároco do Santuário Nossa Senhora da Paz – Porto Alegre.
http://nspaz.hd1.com.br

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Solenidade da Santíssima Trindade - 11 de Junho 2017


"Amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo. Encerramos hoje o ciclo das grandes Festas Litúrgicas. Começamos com a Epifania, passando pelos quarenta dias da Quaresma, que foi o tempo de preparação para a celebração da Paixão e morte do Senhor, que culminou com grande Festa da Páscoa, onde celebramos a sua gloriosa ressurreição. 

Depois, cantamos o Aleluia por mais quarenta dias, até o Pentecostes. Hoje, celebramos a Festa da Santíssima Trindade. A Trindade é um dos grandes mistérios de nossa fé católica. 

Mas o que é um mistério ? Mistério é algo que está oculto à nossa inteligência, que transcende a nossa compreensão. É como fitar o Sol. Ao olharmos para o Sol, temos a visão ofuscada, porque a nossa retina não tem capacidade de absorver tamanha intensidade de luz. Assim é o Mistério da Santíssima Trindade, extenso demais para o nosso humilde humano ser. 


Deus é o sol que transcende e eu sou a pobre pupila. Em verdade os mistérios são grandes e transcendem a nossa capacidade de entendimento, porém nunca são contrários à nossa razão.Isso porque Deus é o autor dessas verdades. 

Olhando para o Antigo Testamento, Deus se revela com "Uno". Ele quer ser mostrar a sua Face. Ele é o que tem o domínio de todas as coisas. Ele é o Deus de Abraão, Isaac e Jacó. Mas Deus não é um ser intangível. Ao contrário Ele vem aos homens porque precisa ser revelados aos povos gentios. 

Já no Novo Testamento temos a confirmação de que Espírito Santo viria para consolar a sua Igreja. No Evangelho de São Mateus, o único que está escrito na língua hebraica, temos a revelação do próprio Jesus, que confirma ser o Filho de Deus." Eu Te conjuro pelo Deus vivo que nos digas se Tu és o Cristo o Filho de Deus. Respondeu-lhes Jesus: Eu o sou”. (Mateus 26:63-66).Depois, o mestre, se dirigindo aos apóstolos, lhes diz: "Todo poder me foi dado no céu e na terra.Ide, pois, e ensinai a todas as nações; batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo." Mateus, 28,19) 

Essa fórmula trinitária, acompanha as orações litúrgicas. De fato, ela nos faz compreender que o Filho é consubstancial ao Pai e, que o Espírito Santo Procede do Pai e do Filho. 
 

É como vemos no fato narrado na vida de Santo Agostinho “Como pode ser isso? Um Deus em três pessoas? E cada uma delas é Deus! Não consigo entender !”. Durante horas Santo Agostinho caminhou à beira mar matutando, refletindo longamente sobre esse mistério, até que, em certo momento, deparou-se com um menino que fazia algo que lhe chamou a atenção. O garoto tinha cavado um buraco na areia e, com um pequeno balde, recolhia água do mar para enchê-lo. Ia e vinha do mar até o buraco, vertendo dentro deste toda a água que trazia. S. Agostinho observando que o menino não se cansava de buscar água para encher o pequeno orifício, não se conteve e dirigiu-se a ele com as seguintes palavras: 

– Meu filho, o que você está fazendo? 

– Padre, estou tentando colocar toda a água do mar dentro deste buraco. 

– Mas, meu filho, você não percebe que o buraco é minúsculo? Veja como é gigantesco o mar! Não cabe dentro desse buraco. Além disso, toda a água que você coloca dentro dele é reabsorvida pela areia e volta para o mar. Você está querendo fazer algo que é impossível! 

Ao ouvir isso, o menino retrucou 

Muito mais fácil é pôr o mar dentro desse buraco do que entender a Santíssima Trindade. – após dizer isto, desapareceu. 

Podemos concluir aqui que o pequeno pote é a inteligência e o oceano é a Trindade. Acreditamos nessa verdade, apoiados nas próprias palavras de Jesus, que deixou gravada, cravada uma prova contundente de sua divindade. 

A nossa vida é um eterno caminhar. Vamos então juntos para o caminho que leva ao céu, onde contemplaremos a Santíssima Trindade.Amém. 

Resumo da Homilia da Festa da Santíssima Trindade
Pe. Everaldo Bon Robert
Ig. do Carmo, Campos - RJ
11 de Junho de 2017


segunda-feira, 5 de junho de 2017

O Sagrado Coração de Jesus


palavra hebraica, que traduzimos por “coração” (leb ou lebàb) aparece-nos 860 vezes no Antigo Testamento. Se lhe juntarmos a palavra grega “kardía” no Novo Testamento, chegaríamos a um milhar de ocorrências deste conceito na Bíblia. Para nós, ocidentais, o termo «coração» evoca sobretudo a vida afetiva. Um coração pode estar enamorado, pode também ser sensível, generoso, caritativo. Um homem pode ter um coração de ouro ou um coração de pedra. Pode não ter coração ou pode acontecer de este não lhe caber no peito. Para a Bíblia, ao contrário, o coração é uma realidade mais ampla, que inclui todas as formas da vida intelectiva, todo o mundo dos afetos e emoções, assim como a esfera do inconsciente, em que fundem as suas raízes todas as manifestações do espírito humano”. Estamos pois muito longe da aceção a que nos habituaram, quer o sentimentalismo laico (revistas do coração, correio de coração, página do facebook) quer o devocionalismo místico. No Ocidente, dizemos que “pensamos com a cabeça e amamos com o coração”. 

Na antropologia bíblica dizemos: “Pensamos com o coração. Amamos com as entranhas”.

2. Na Bíblia o coração é sobretudo o sinal da interioridade, por isso se diz que um coração inteligente busca a ciência (Pr.15,14) e «o coração do sábio torna inteligente a sua boca» (Pr.16,23). Por isso o salmista pede a Deus que lhe ensine a contar os dias para alcançar a sabedoria do coração. A Bíblia fala-nos do homem a “pensar em seu coração”, como um pensar sobre qualquer coisa, ou também um “falar ao coração”, como sinónimo de desafio à reflexão. O coração, na Bíblia, é a sede da pessoa, o seu centro vital e pessoal, donde brotam os pensamentos, os sentimentos e as decisões. Por isso, se diz na Escritura: 

«O coração do homem decide os seus caminhos» (Pr.16,9). 

O coração humano, capaz do melhor e do pior, é expressão da determinação e entrega consciente da vontade e é uma graça ter um coração aberto ao bem e não obstinado em tomar decisões perversas. Chega-se mesmo a prometer «um coração novo» (Ez.11,19), capaz de amar a Deus, com todo o coração e sem reticências. Isso não quer dizer que a Bíblia desconheça o «coração» do ponto de vista afetivo, 

“que estremece como estremecem as árvores do bosque pelo vento” 

(Is.7,2), de modo que o dia das núpcias se traduz como «o dia da alegria do coração» (Ct.4,9). Ao contrário do que parece, a palavra «coração», na Bíblia, não alude apenas ao afeto e ao sentimento, mas sobretudo a esse centro pessoal de pensamento, de decisão e de vontade, que define a pessoa.

3. Neste sentido, Deus também tem «coração»! No Antigo Testamento, fala-se 26 vezes do coração de Deus, considerado como o órgão da sua vontade! Também o coração de Deus pensa e deseja como o da sua criatura, experimenta os mesmos sentimentos e paixões, como escutávamos no profeta Oseias. Além disso, há um trecho do AT em que o tema do coração de Deus, se encontra expresso de modo absolutamente claro: é no capítulo 11 do livro do profeta Oseias, onde os primeiros versículos descrevem a dimensão do amor com que o Senhor se dirigiu a Israel, na aurora da sua história: "Quando Israel ainda era menino, Eu o amei, e do Egipto chamei o meu filho" (v. 1). Na verdade, à incansável predileção divina, Israel responde com indiferença e até com ingratidão. "Quanto mais os chamava – o Senhor é obrigado a constatar – mais eles se afastavam de mim" (v. 2). Todavia, Ele nunca abandona Israel nas mãos dos inimigos, pois "o meu coração – observa o Criador – do universo comove-se dentro de mim, comove-se a minha compaixão" (v. 8).

4. O coração de Deus comove-se! Na solenidade do Sacratíssimo Coração de Jesus, a Igreja oferece à nossa contemplação este mistério, o mistério do coração de um Deus que se comove e derrama todo o seu amor sobre a humanidade. Um amor misterioso, que nos textos do Novo Testamento nos é revelado como paixão incomensurável pelo homem. Ele não se rende perante a ingratidão, e nem sequer diante da rejeição do povo que Ele escolheu para si; pelo contrário, com misericórdia infinita, envia ao mundo o seu Filho, o Unigénito, para que assuma sobre si o destino do amor aniquilado a fim de que, derrotando o poder do mal e da morte, possa restituir dignidade de filhos aos seres humanos, que o pecado tornou escravos. Tudo isto a caro preço: o Filho Unigénito do Pai imola-se na cruz: 

"Tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até ao fim" (cf. Jo 13, 1). 

Símbolo de tal amor, que vai além da morte é o seu lado traspassado por uma lança. A este propósito, a testemunha ocular, o Apóstolo João, afirma: "Um dos soldados perfurou-lhe o lado com uma lança, e logo saiu sangue e água" (cf. Jo 19, 34).

5. No Coração de Jesus está expresso o núcleo essencial do cristianismo, em Cristo foi-nos revelada e comunicada toda a novidade revolucionária do Evangelho: o Amor que nos salva e nos faz viver já na eternidade de Deus. O evangelista João escreve: "Deus amou de tal modo o mundo, que lhe deu o seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça mas tenha a vida eterna" (Jo 3, 6). Então, o seu Coração divino chama o nosso coração; convida-nos a sair de nós mesmos, a abandonar as nossas seguranças humanas para confiar nele e, seguindo o seu exemplo, a fazer de nós mesmos um dom de amor sem reservas. Sim, o seu Coração está aberto por nós e aos nossos olhos; e deste modo está aberto o Coração do próprio Deus!

6. Queridos irmãos e irmãs: O mundo de hoje, com as suas lacerações sempre mais dolorosas e preocupantes, precisa do Deus, que é Amor, e anunciá-lo é tarefa da Igreja. A Igreja, para poder executar esta tarefa, deve permanecer indissoluvelmente abraçada a Cristo e não deixar-se nunca separar dele: necessita de Santos que morem “no coração de Jesus” e sejam testemunhas felizes do Amor Trinitário de Deus. E os Sacerdotes, para servirem a Igreja e o Mundo, precisam ser Santos!De facto, nós os sacerdotes não podemos santificar-nos sem trabalhar pela santificação dos nossos irmãos, e não podemos trabalhar pela santificação dos nossos irmãos sem que primeiro tenhamos trabalhado e ainda trabalhemos em nossa própria santificação. Para isso, vos pedimos: rezai pelos sacerdotes. Pois, como dizia o Santo Cura d’Ars: O sacerdócio é o amor do Coração de Jesus! 

Nota: Estes 6 pontos de reflexão podem desenvolver-se nas meditações dos 5 mistérios e na conclusão do Rosário

Escrito por Pe. Amaro Gonçalo a 20 junho 2012. 
http://www.abcdacatequese.com/

Pedidos de Oração