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sexta-feira, 30 de junho de 2017

01 de Julho 2017 - Festa do Preciosíssimo Sangue de Jesus



V. Ave Maria, Gratia plena, Dominus tecum, benedicta tu in mulieribus, et benedictus frutus ventris tui Jesus.

R: Sancta Maria, Mater Dei, ora pro nobis peccatoribus, nunc et in hora mortis nostrae. Amen.

V. Ora Pro nobis Sancta Dei Genitrix

R: ut digni efficiamur promissionibus Christi.


Igreja celebra hoje a Festa do Preciosíssimo Sangue de Nosso Senhor, cuja Epístola enuncia a grandeza deste Sangue, que não pode ser comparado ao sangue de touros e de cabritos – e, se se acreditava que o sangue de um cabrito pudesse retirar algum pecado e restaurar a humanidade, muito mais deve-se crer no Sangue do Cordeiro sem mancha.


São João Batista, cuja solenidade foi recentemente celebrada, apontava aos seus: “Ecce agnus Dei” – “Eis o cordeiro de Deus, que tira os pecados do mundo”. E como Ele tira os pecados do mundo? Pelo Seu sacrifício. O sacrifício, mesmo na época dos fariseus, ou bem antes, não consistia em matar a vítima. A morte da vítima era consequência. O sacrifício consistia no derramamento de sangue. E esse sangue derramado era justamente a parte central do sacrifício. Cristo, no Evangelho de hoje, derrama o Seu sangue todo pela humanidade inteira. E, quando não tinha mais sangue para verter, diz o Evangelista: “Do Seu coração sai água”. Sangue e água. Por isto, hoje é celebrada esta grande festa dedicada ao Santíssimo Sangue de Jesus.


Dizem as Sagradas Escrituras: “Completo na minha carne o que faltou à Paixão do Senhor”. Somos chamados a nos conformar com Nosso Senhor também nas dores, também nos sacrifícios. Somos chamados a seguir os Seus passos não nas glórias, mas na cruz. Na glória um dia queremos estar; desejamos, esperamos ansiosamente por isso. Mas, antes, nosso caminho é o Calvário, é estar ao lado do Senhor, como Maria esteve, como São João Evangelista esteve. Alguém perguntava a São Padre Pio: “Como devo assistir à Missa?” E ele disse: “Como Maria e São João Evangelista, ao lado do Senhor.” É na cruz o nosso lugar. Na cruz se encontra toda graça, toda redenção. Nesta cruz que está diante de nós, neste mistério do Calvário que se renova no Santo Sacrifício da Missa. Neste sangue de Cristo que é derramado, que cai sobre a humanidade. Deus que desce: sinkatabasis [= “descer junto” (ao homem), expressão grega empregada por São João Crisóstomo para designar a Encarnação do Verbo, n.d.t.] de Deus, aniquilamento de Deus, faz-se igual a nós em tudo, menos no pecado.


E, como dizia o grande e antigo Ofício (popular) de Nossa Senhora: “Deus desce das sumas alturas para o homem se elevar até Ele.” Ele desce para, através de Sua descida, de Seu aniquilamento – e aí está o Seu sacrifício da cruz – pudéssemos também nós, unidos a este sacramento augusto, a este sacrifício augusto, fazendo a nossa vida também sacrifício, fazendo do nosso dia uma ação sacrifical de nosso ser, da nossa vida, rompendo com o pecado, trilharmos com esperança o caminho do Céu, o caminho da glória. A nossa meta, o nosso único objetivo, é Cristo, e Cristo crucificado. Neste mundo, nosso único lugar é na cruz, com Nossa Senhora, com São João Evangelista: se com Ele sofremos, com Ele um dia também iremos nos alegrar.


Portanto, que esta festa do Santíssimo Sangue de Jesus nos dê as graças necessárias para que, heroicamente, não fujamos da cruz, mas que Nosso Senhor coloque em nós a têmpera dos mártires. Se morrermos pela nossa fé católica, se derramarmos o nosso sangue – de forma concreta se for preciso, ou de forma moral – mas que não fiquemos alheios ou amorfos, jamais reneguemos o sinal da cruz um dia feito sobre a nossa fronte no augusto momento do nosso Batismo. Que o Cristo Rei, que reina pela cruz – este Cristo que, quando já não tinha mais sangue, do Seu coração aberto saiu água – possa nos dar a graça. E saibamos que a graça das graças não é começo, mas a graça das graças é terminarmos bem esta nossa vida sobre a terra, unidos aos corações de Jesus e de Maria, fazendo jus ao nosso nome de cristãos, fazendo jus ao que recebemos na Crisma quando nos tornamos soldados da Igreja, soldados de Cristo, para derramarmos, até o fim e se preciso for, o nosso sangue – hóstia com hóstia. Deus que Se deu e Se entregou por nós, espera que também façamos por Ele a mesma coisa.


Que o Sangue de Cristo, Preciosíssimo, possa se derramar em nós – e que estejamos abertos às graças que, por certo, nesta Santa Missa, ser-nos-ão derramadas. E não deixemos passar este momento. Não façamos como aquele povo do Calvário que passava indiferente pelo Crucificado.


Homilia proferida em 01 de Julho de 2012 (Domingo), Festa do Preciosíssimo Sangue de Nosso Senhor.

Pe. Marcelo Tenório
fonte:
http://missatridentinapsaosebastiao.blogspot.com.br/

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