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segunda-feira, 5 de junho de 2017

O Sagrado Coração de Jesus


palavra hebraica, que traduzimos por “coração” (leb ou lebàb) aparece-nos 860 vezes no Antigo Testamento. Se lhe juntarmos a palavra grega “kardía” no Novo Testamento, chegaríamos a um milhar de ocorrências deste conceito na Bíblia. Para nós, ocidentais, o termo «coração» evoca sobretudo a vida afetiva. Um coração pode estar enamorado, pode também ser sensível, generoso, caritativo. Um homem pode ter um coração de ouro ou um coração de pedra. Pode não ter coração ou pode acontecer de este não lhe caber no peito. Para a Bíblia, ao contrário, o coração é uma realidade mais ampla, que inclui todas as formas da vida intelectiva, todo o mundo dos afetos e emoções, assim como a esfera do inconsciente, em que fundem as suas raízes todas as manifestações do espírito humano”. Estamos pois muito longe da aceção a que nos habituaram, quer o sentimentalismo laico (revistas do coração, correio de coração, página do facebook) quer o devocionalismo místico. No Ocidente, dizemos que “pensamos com a cabeça e amamos com o coração”. 

Na antropologia bíblica dizemos: “Pensamos com o coração. Amamos com as entranhas”.

2. Na Bíblia o coração é sobretudo o sinal da interioridade, por isso se diz que um coração inteligente busca a ciência (Pr.15,14) e «o coração do sábio torna inteligente a sua boca» (Pr.16,23). Por isso o salmista pede a Deus que lhe ensine a contar os dias para alcançar a sabedoria do coração. A Bíblia fala-nos do homem a “pensar em seu coração”, como um pensar sobre qualquer coisa, ou também um “falar ao coração”, como sinónimo de desafio à reflexão. O coração, na Bíblia, é a sede da pessoa, o seu centro vital e pessoal, donde brotam os pensamentos, os sentimentos e as decisões. Por isso, se diz na Escritura: 

«O coração do homem decide os seus caminhos» (Pr.16,9). 

O coração humano, capaz do melhor e do pior, é expressão da determinação e entrega consciente da vontade e é uma graça ter um coração aberto ao bem e não obstinado em tomar decisões perversas. Chega-se mesmo a prometer «um coração novo» (Ez.11,19), capaz de amar a Deus, com todo o coração e sem reticências. Isso não quer dizer que a Bíblia desconheça o «coração» do ponto de vista afetivo, 

“que estremece como estremecem as árvores do bosque pelo vento” 

(Is.7,2), de modo que o dia das núpcias se traduz como «o dia da alegria do coração» (Ct.4,9). Ao contrário do que parece, a palavra «coração», na Bíblia, não alude apenas ao afeto e ao sentimento, mas sobretudo a esse centro pessoal de pensamento, de decisão e de vontade, que define a pessoa.

3. Neste sentido, Deus também tem «coração»! No Antigo Testamento, fala-se 26 vezes do coração de Deus, considerado como o órgão da sua vontade! Também o coração de Deus pensa e deseja como o da sua criatura, experimenta os mesmos sentimentos e paixões, como escutávamos no profeta Oseias. Além disso, há um trecho do AT em que o tema do coração de Deus, se encontra expresso de modo absolutamente claro: é no capítulo 11 do livro do profeta Oseias, onde os primeiros versículos descrevem a dimensão do amor com que o Senhor se dirigiu a Israel, na aurora da sua história: "Quando Israel ainda era menino, Eu o amei, e do Egipto chamei o meu filho" (v. 1). Na verdade, à incansável predileção divina, Israel responde com indiferença e até com ingratidão. "Quanto mais os chamava – o Senhor é obrigado a constatar – mais eles se afastavam de mim" (v. 2). Todavia, Ele nunca abandona Israel nas mãos dos inimigos, pois "o meu coração – observa o Criador – do universo comove-se dentro de mim, comove-se a minha compaixão" (v. 8).

4. O coração de Deus comove-se! Na solenidade do Sacratíssimo Coração de Jesus, a Igreja oferece à nossa contemplação este mistério, o mistério do coração de um Deus que se comove e derrama todo o seu amor sobre a humanidade. Um amor misterioso, que nos textos do Novo Testamento nos é revelado como paixão incomensurável pelo homem. Ele não se rende perante a ingratidão, e nem sequer diante da rejeição do povo que Ele escolheu para si; pelo contrário, com misericórdia infinita, envia ao mundo o seu Filho, o Unigénito, para que assuma sobre si o destino do amor aniquilado a fim de que, derrotando o poder do mal e da morte, possa restituir dignidade de filhos aos seres humanos, que o pecado tornou escravos. Tudo isto a caro preço: o Filho Unigénito do Pai imola-se na cruz: 

"Tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até ao fim" (cf. Jo 13, 1). 

Símbolo de tal amor, que vai além da morte é o seu lado traspassado por uma lança. A este propósito, a testemunha ocular, o Apóstolo João, afirma: "Um dos soldados perfurou-lhe o lado com uma lança, e logo saiu sangue e água" (cf. Jo 19, 34).

5. No Coração de Jesus está expresso o núcleo essencial do cristianismo, em Cristo foi-nos revelada e comunicada toda a novidade revolucionária do Evangelho: o Amor que nos salva e nos faz viver já na eternidade de Deus. O evangelista João escreve: "Deus amou de tal modo o mundo, que lhe deu o seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça mas tenha a vida eterna" (Jo 3, 6). Então, o seu Coração divino chama o nosso coração; convida-nos a sair de nós mesmos, a abandonar as nossas seguranças humanas para confiar nele e, seguindo o seu exemplo, a fazer de nós mesmos um dom de amor sem reservas. Sim, o seu Coração está aberto por nós e aos nossos olhos; e deste modo está aberto o Coração do próprio Deus!

6. Queridos irmãos e irmãs: O mundo de hoje, com as suas lacerações sempre mais dolorosas e preocupantes, precisa do Deus, que é Amor, e anunciá-lo é tarefa da Igreja. A Igreja, para poder executar esta tarefa, deve permanecer indissoluvelmente abraçada a Cristo e não deixar-se nunca separar dele: necessita de Santos que morem “no coração de Jesus” e sejam testemunhas felizes do Amor Trinitário de Deus. E os Sacerdotes, para servirem a Igreja e o Mundo, precisam ser Santos!De facto, nós os sacerdotes não podemos santificar-nos sem trabalhar pela santificação dos nossos irmãos, e não podemos trabalhar pela santificação dos nossos irmãos sem que primeiro tenhamos trabalhado e ainda trabalhemos em nossa própria santificação. Para isso, vos pedimos: rezai pelos sacerdotes. Pois, como dizia o Santo Cura d’Ars: O sacerdócio é o amor do Coração de Jesus! 

Nota: Estes 6 pontos de reflexão podem desenvolver-se nas meditações dos 5 mistérios e na conclusão do Rosário

Escrito por Pe. Amaro Gonçalo a 20 junho 2012. 
http://www.abcdacatequese.com/

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